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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
20
Nov08

TEMPERO DE MAR

Maria João Brito de Sousa

mar luar.jpg

 

Mar dos luares de prata sobre a areia,

Dos búzios e das conchas nacaradas,

Das algas sob os pés, em caminhadas

Que vão da baixa-mar à maré cheia...

 

Mar de ouro branco e pérolas de luz

Como os grãos das areias que em ti piso...

Uma vez mais me perco no sorriso

Com que a tua brancura me seduz...

 

Eu perco-me e perdida encontro em ti

A criança que em mim nunca perdi

No percorrer da areia intemporal

 

E dissolvo-me em ti e sou tão tua

Quanto a brancura dessa branca lua

Como se, em vez de mim, fosse o teu sal...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 20.11.2008 - 13.54h

 

 

Imagem retirada da internet

 

19
Nov08

QUEBRANDO O ESPELHO II

Maria João Brito de Sousa

Depois de quebrado o espelho

Fica a dúvida no ar...

Tanto espelho! Quanto espelho

Fica ainda por quebrar?

 

Mais um espelho que se quebra,

Mais um passo... e nunca acaba!

A vida é feita de espelhos.

Espelhos novos, cacos velhos

Quando uma vida se encerra...

 

Quando a luz se espelha em nós,

Quando, à hora da partida,

Nos sentimos menos sós,

Quando o espelho, já quebrado,

Separa o corpo da alma

E, depois, medo e pecado

Dão lugar a outra calma,

Já o espelho se quebrou

Já os cacos se esqueceram

Reflectindo o que ficou

Das coisas que nos prenderam...

 

Quantos cacos por aí

E nós sem nos darmos conta...

Quanto espelho eu já parti,

Quanta fachada de montra?

 

Quebrado o último espelho

Fica a dúvida a pairar...

Tanto espelho! Quanto espelho

Fica ainda por quebrar?

 

 

"Vida" - Pablo Picasso, 1903

 

Nota - Esta alegoria foi concebida como um grupo simbólico de significado aberto e trata-se de uma homenagem ao seu amigo Casagemas - o personagem masculino seminú - que, no ano anterior se suicidara por amor, em Paris.

In "Grandes Pintores do Século XX", Edições Globus, Barcelona, 1994

 

Imagem retirada da internet

 

Ainda "quebrando o espelho" no http://velucia.blogs.sapo.pt/

 

 

 

18
Nov08

QUEBRANDO O ESPELHO...

Maria João Brito de Sousa

Quebro a cara e fico em pé,

Quebro o espelho e jogo fora!

Fui eu quem quebrou, até,

A Caixinha de Pandora...

 

Quebro a cara nesta dança...

Que me importa? A dança é minha!

Quebro a cara, colo a cara,

No tempo que me separa

Do tempo de ser criança...

Colo o espelho que quebrei.

Colo, mas volto a quebrar!

Quantas vezes me não dei?

Quantas me quis retirar?

 

Quebro a cara e fico em pé,

Quebro o espelho e jogo fora!

Fui eu quem quebrou, até,

A Caixinha de Pandora!

 

Quebro o espelho, arraso o Palco...

Colo a cara e quebro o espelho,

Quebro o espelho e colo a cara...

Quanto temp me separa

Dos vestidos de tobralco?

Colo o espelho que quebrei

Só p`ra voltar a quebrar...

Quantas vezes me não dei?

Quantas me quis retirar?

 

Quebro a cara e fico em pé,

Quebro o espelho e jogo fora!

Fui eu quem quebrou, até,

A Caixinha de Pandora!

 

Maria João Brito de Sousa - 18.11.2015 -14.13h

 

 

"Joie de Vivre"- Pablo Picasso

Imagem retirada da internet

 

NOTA - Hoje toda a gente vai "quebrar o espelho" no http://velucia.blogs.sapo.pt/

Estão todos convidados a partir o vosso espelho!

 

17
Nov08

UMA OUTRA CASA, TAMBÉM PORTUGUESA...

Maria João Brito de Sousa

Eu passo! Essa jogada não é minha!

Prefiro a lucidez distanciada

Do tempo em que ao jogar uma cartada

Tinha a vitória mais do que certinha!

 

Um livro de cordel (escrito por mim!),

Uma sopa no prato, sobre a mesa...

Vestígios de outra casa portuguesa

Sem beijo à minha espera (antes assim!)...

 

Sem azulejos nem flores e jardim,

Sem nada que pareça uma promessa,

Mas sempre a minha casa e não m`int`ressa

 

Se a casa cheira a mel e alecrim!

A casa portuguesa... um universo

Desta implosão de mim no meu inverso!

 

 

 

Imagem retirada da internet

 

 

 

16
Nov08

DE COR E SALTEADO...

Maria João Brito de Sousa

De cor e salteado, eu sempre soube

Ser esta a minha estrada, o meu caminho,

Pelo qual passo leve e de mansinho

Por ser esse o destino que me coube.

 

De cor e salteado eu sei o espaço

Destas paredes entre as quais me movo

E sempre que o contemplo me comovo

E crio mais amor, aperto o laço...

 

Poeta, como poucos militante,

De cor e salteado, a cada instante,

Tecendo a longa trama destas linhas,

 

Sabendo-me, de cor e salteado,

Sem freios e sem rédeas nem cuidado,

Liberta de fronteiras mais mesquinhas...

 

 

Imagem cedida por http://observantes.blogs.sapo.pt/

 

 

 

15
Nov08

NO DESFILE DE ROSAS...

Maria João Brito de Sousa

Hoje o meu soneto vai estar no "Desfile de Rosas" , no cantinho do meu amigo Free-Style.

Muitas rosas irão desfilar, nesse espaço. Para que me possam reconhecer aviso-vos de que desfilarei com o modelo "De Alma Nua..."

O espectáculo terá início às 21.52h (peço desculpa. Enganei-me nos minutos...) do dia de hoje, mas se quiserem dar uma vista de olhos antes dessa hora, já encontrarão outras concorrentes a "desfilar"

ao som de magníficas músicas...

 

Aqui fica o convite e o "bilhete", gentilmente oferecido por http://free-stile.blogs.sapo.pt/

 

 

14
Nov08

A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR...

Maria João Brito de Sousa

Eu fui, tu foste, ele foi... sei lá quem foi

Que me invadiu a Torre de Marfim,

Que me roubou as flores deste jardim,

Que pôs o dedo aonde mais me dói...

 

Eu sou, tu és, ele é um bicho-raro,

Um prepotente, um parvo, um desgraçado,

Um "pide", um "bufo", um mal-intencionado

Que tentou boicotar o que me é caro!

 

Serei, serás, será seja-quem-for,

Alguém que me "lixou" tentando impor

Uma vontade sua à minha voz!

 

E seja-lá-quem-for eu, hoje, digo

Que foi girando em torno do umbigo

Sem respeito nenhum por todos nós!

 

 

Ao "seja-lá-quem-for" - até pode ser o espírito desencarnado de António de Oliveira Salazar ou de Adolfo Hitler - que na noite de 6ª Feira, 18 de Julho do corrente ano, fez aparecer no ecrã do meu portátil

a palma de uma mãozinha aberta e a seguinte legenda:

CASTIGO! SEM INTERNET...

Imagem retirada da internet...

 

 

13
Nov08

FASES DA LUA II (poema de rima livre)

Maria João Brito de Sousa

14143817_ESzUu.jpeg

 

Tenho fases (tantas fases...)

Em que fazendo o que faço,

Me esqueço de ser quem sou,

Me dou toda num abraço...

Tenho fases (outras fases...)

Em que me ponho a pensar,

Me esqueço de que me dou,

Fico em "molho de luar".

 

Tenho fases de saber

E fases de duvidar.

Sou, numas fases, mulher,

Noutras sou o que inventar...

 

Na maioria das vezes

A fase que me domina

É a fase dos revezes

Em que volto a ser menina.

 

Faço dos quartos da lua

O meu quarto-de-sonhar,

A minha sala é a rua

Em pura ascese lunar.

 

Tenho fases de saber

E fases de duvidar.

Sou, numas fases, mulher,

Noutras sou o que inventar...

 

Mas por mais que me divida

Em quartos lunares, marés,

Por mais que percorra a vida

E o mundo de lés-a-lés,

Só na lua é que descanso,

Só na lua é que me encontro...

Aspiro, neste remanso,

A deixar no mundo um ponto:

Partir sabendo quem és...

 

Tenho fases de saber

E fases de duvidar.

Sou, numas fases, mulher,

Noutras sou o que inventar...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 13.11.2008 - 11.29h

 

12
Nov08

FASES DA LUA

Maria João Brito de Sousa

 

 

Abreveviei-me, enfim em lua nova

No singular azul deste meu céu...

No sonho que o estarsó me prometeu

Olhei o Universo e pus-me à prova.

 

À prova de mim mesma, do cansaço,

Das coisas que magoam luas-cheias

Neste palco lunar das mil ideias

Preenchendo lacunas de outro abraço

 

Abreviada, já nem sou visível

E transformo em luar cada impossível

Numa constelação pré-fabricada...

 

Mas muda o tempo as fases de uma lua

E assim, despida, eu fico de alma nua...

Quem imagina a lua envergonhada?

 

Maria João Brito de Sousa - Novembro, 2008

 

 

Soneto dedicado à minha amiga Nati (outra alentejana...) que veio enriquecer a nossa "mesinha de café" com a sua presença e partilhou comigo as castanhas do S. Martinho.

 

Imagem retirada da internet

 

11
Nov08

A CAPA DE MARTINHO

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Martinho, a tua capa, reza a lenda,

Espalhou-se pelos céus, desfez-se em luz

E assim tua bondade reproduz

A dádiva do gesto, a tua of`renda.

 

Martinho, reza a história deste povo

Que ofereceste ao pobre a protecção,

Que a tua capa, qual consolo e pão,

Transformou todo o frio em calor novo...

 

Martinho, em cada ano o céu sorri

Lembrando a grtidão de uma partilha

E o próprio tempo muda e te agradece.

 

Partilhando o calor que havia em ti

Vais fazendo lembrar o quanto brilha

Um gesto, um gesto só, que tanto aquece!

 

 

Imagem retirada da internet

 

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