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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
09
Set08

O SONHO EM VÃO

Maria João Brito de Sousa

Aqui, onde me vês, não sou ninguém.

Sou átomo de vida, um quase-nada,

Quiçá uma abstracção inacabada

Das coisas irreais que o mundo tem...

 

Aqui, onde me vês, eu nada sou,

Ou sou este teimoso sonho meu...

Eu, Hermes mensageiro, eu, Prometeu

Que Zeus um dia, irado, castigou...

 

E, enquanto ilusão, eu nunca sei

Se sou por existir, se me sonhei,

Se sou realidade, ou invenção

 

De um Ego que a si mesmo se constrói...

O que de mim sobrar (isso é que dói!)

Talvez seja, mais tarde, um sonho em vão...

 

 

Imagem - "A Sonhadora" - Acrílico sobre Canson

                30x20cm

                Maria João Brito de Sousa, 2001

 

 

07
Set08

O PALÁCIO DE SAL

Maria João Brito de Sousa

 

praia-do-dafundo-2.jpg

 

Ó meu palácio líquido e imenso

De torreões de espuma imaculada,

Todo bordado em renda recortada

Sobre esse fundo de um azul intenso,

 

Nas muralhas instáveis que condenso

Na imagem recorrente que, inspirada

Me surge deste olhar-te e estar calada

Na profunda atenção que te dispenso,

 

És berço de sereias e tritões,

A estranha fauna desse imaginário

Eterno e colectivo ou irreal

 

Que habitas para além desses portões

Que invento para ti, ó meu sacrário

Feito de sonhos e de água com sal.

 

 

Maria João Brito de Sousa - Verão 2008

 

(Imagem retirada da Internet)

 

(Revisto)

 

07
Set08

O ABRAÇO

Maria João Brito de Sousa

Ó lusitano mar de quem herdei

As veias dos poemas que te faço,

Eu venho-me entregar ao teu abraço

Pela mão de um soneto que criei

 

E tu, em cujo seio eu engendrei

A voz que trará vida ao meu cansaço,

Repara nestas linhas que te traço

E aceita, inteira, a vida que te dei...

 

Eu sou quem te levou a outras raças,

Quem de ti fez cavalo que galopa,

Quem ouve os mil segredos que revelas...

 

Eu sou a terra-mãe que tu abraças

Num ponto ocidental da velha Europa

E a nação que te encheu de caravelas!

 

(Imagem retirada da internet)

 

NOTA DE RODAPÉ -Um dos sonetos com que concorri aos Jogos Florais que não ganhei

 

 

05
Set08

ALGUÉM QUE NADA VÊ OU QUE NÃO PENSA...

Maria João Brito de Sousa

Ó Mundo, eu nada sou! O Mar que o diga,

Que te fale dessoutras madrugadas,

Das tardes colorindo, em desfolhadas,

As notas terminais de uma cantiga...

 

Mas, mesmo nada sendo, eu sou amiga!

Percorro este meu Céu de horas doiradas,

Dispenso os aviões e auto-estradas

(e, noutras relações, detesto intrigas!)...

 

Vês, Mundo? Eu sou assim, conforme digo!

Não quero a fama vã, não temo o pr`igo

E moro numa casa tão imensa

 

Que tu cabes lá dentro (e à vontade!)

E se alguém o negar é por maldade!

É alguém que não vê ou que não pensa...

 

 

Fotografia da minha sala-atelier num típico dia de trabalho.

04
Set08

QUERO-ME!

Maria João Brito de Sousa

Eu quero-me da cor destas palmeiras!

Quero este tronco esguio, estas raízes,

Quero-me assim feliz entre os felizes

Vivendo as minhas horas derradeiras!

 

Eu quero-me primeira entre as primeiras

E, tal como tu pensas, mas não dizes,

Quero-me decomposta em mil matizes

Sendo igual ao que sou, de mil maneiras!

 

Assumo esta total imperfeição

De quanta perfeição em mim houver,

Sem ter falsas modéstias ou segredos!

 

Eu quero-me uma só, mas dividida

Por cada átomo alheio à minha vida,

Sem loucas ambições, sem dor, sem medos!

 

 

Fotografia (via mms) tirada, agora mesmo, da janela da minha sala-atelier. O cãozito lá embaixo é a minha amiga Lupa.

03
Set08

SOBREVIVER (OU NÃO) NO SISTEMA IV

Maria João Brito de Sousa

A Norte de ninguém sem coisa alguma!

O sonho. Só o sonho (ou estupidez?)

Me fazem avançar, mas, desta vez,

Como Sebastião por entre a bruma.

 

E vem a fúria em forma de defesa,

Pois nada mais parece ser real

E cerro os dentes como um animal

Que, de repente, se descobre presa.

 

Até mesmo a palavra me abandona!

Resisto ou não? Já nada me conforma

De me sentir assim tão sem saída!

 

Estranha sobrevivência, a dos poetas!

Seguem incertos rumos de cometas

Depois de se esgotar a sua vida...

 

"Auto Retrato" - Frida Kahlo

Imagem retirada da internet

02
Set08

A MINHA NOVA CAIXINHA

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

Quero falar das coisas pequeninas

Que nos tornam a alma bem maior!

Do que nasce de nós, nos faz melhor

Do que os remédios e outras mezinhas...

 

Quero falar-vos das coisas singelas,

Das coisas que nos nascem destas mãos.

Quero falar-vos, mostrar-vos, irmãos,

As coisas mais sinceras e mais belas...

 

Quero mostrar-vos a minha caixinha,

Tão linda, tão florida e que é só minha

Porque alguém teve um gesto de bondade.

 

Quero dizer-vos que me sinto grata,

Que nunca esquecerei quem bem me trata

E que há gente bonita de verdade!

 

À minha amiga Maria do Ocaso... Ao Acaso, pela linda caixinha que me ofereceu.

 

 

 

01
Set08

O DOMADOR DE IMAGENS

Maria João Brito de Sousa

Fotografia cedida por Jmack - http://poraquifico.blogs.sapo.pt

 

Aqui ando, aqui estou, por aqui fico.

Procuro nas imagens a magia

(esse estranho mistério, essa ironia...)

A que, de corpo e alma, me dedico.

 

E neste procurar, nada critico!

(por uma imagem mais, o que eu daria...)

Eu vivo de domar (quanta ousadia!)

Imagens deste mundo que edifico.

 

O Mundo. Dos meus olhos para os vossos.

(o resto, o que ficou entre os destroços,

é o que em mim sobrar dessas viagens...)

 

Nesta estranha pulsão que me conduz,

Que me define, inteiro, em sombra e luz,

Eu sou o domador das mil imagens!

Pág. 3/3

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