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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
31
Ago08

A HERANÇA

Maria João Brito de Sousa

Das coisas que eu herdei - quantos tesouros!-

Vou nutrindo um carinho especial

Pelo meu "não-especismo" natural

Que me faz irmanar homens e touros.

 

Se encontro um animal que tenha fome

(que me importa se humano ou não humano!)

Of`reço-lhe o meu pão. Sanado o dano,

Cresce-me o coração, torna-se enorme...

 

E tanto é o prazer, tal alegria

Me invade corpo e alma e me alumia

Quando reparto assim, por puro amor,

 

Que tudo o mais parece pequenino;

Amar e partilhar, eis o destino

De quem dos seus herdou tanto valor...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 2008

 

 

Imagem - "Monocromia Azul - Trilogia da Oferenda"

                 Ao Manuel Ribeiro de Pavia

                  (uma das telas do tríptico)

30
Ago08

A COLHEITA III

Maria João Brito de Sousa

 

 

Corvos voando sobre um campo de trigo - V. Gogh.jp

 

Eu faço da palavra a minha enxada;

O verbo ocasional é sempre o pão,

E vinho, outras palavras que darão

Os ecos desse tudo e desse nada...

 

Há palavras que colho da latada,

Logo ao nascer do Sol, de Inverno a V`rão,

Sem horário, nem método ou razão,

Mas que me deixam sempre alimentada.

 

Incessante colheita, esta em que vivo

De palavras que (es)colho e mal cultivo

Neste eterno vai-vem de horas sem fim

 

Colhendo sempre mais, insaciável,

Porque a minha colheita inexplicável

Requer tudo o que houver dentro de mim...

 

Maria João Brito de Sousa - 30.08.2008 - 11.49h

 

 

Imagem retirada da internet

"Corvos Voando Sobre um Campo de Trigo"

Vincent Van Gogh

 

29
Ago08

POEMA COM NOME NO FIM

Maria João Brito de Sousa

Na memória dos sentidos

Rasgo a tela por nascer.

Depois sou cor e sou traço

De imagem por desenhar...

 

Sou a cinza do cigarro

Que acendo sem consumir

E o que está por consumar.

 

Assumo, no meu abraço,

Tudo o que der e vier

E estiver por inventar

Nos tempos que estão por vir.

                                      CRIO!

 

 

In - "Arquétipos de Uma Mulher Interrompida"

 

Imagem - Pormenor da tela "Escorço - Grande

                Pintora a Lápis de Cor"

                Maria João Brito de Sousa, 2007

28
Ago08

(DES)SINCRONIZAÇÃO

Maria João Brito de Sousa

Peço-te mil perdões por ter-te amado,

Porque te amei demais... Eu, a Poeta,

Pintei-te de outra cor, quis-te paleta,

Quis-te só para mim, quis-te encantado...

 

Amar-te tanto assim foi sempre errado.

Tornei-te meio-ser, alma incompleta,

Tentando ir caminhando em linha recta

Num círculo perfeito e pré- traçado...

 

Amei-te em cada gota do meu sangue,

Amei-te até morrer, caindo exangue;

Amei-te além de mim. Tão mais além...

 

Gravei na dimensão dos meus sentidos

Um ideal de humanos desmentidos

Que nos foi condenando. A nós, também...

 

Maria João Brito de Sousa - 2008

 

 

 

Imagem retirada da internet

27
Ago08

O NASCIMENTO DE EVA

Maria João Brito de Sousa

 

A MULHER INTERROMPIDA II

 

Subitamente carne, eu aterrei

Neste planeta incerto, e quis viver!

Neste acto (in)voluntário de nascer

Trouxe comigo o mar que, um dia, herdei...

 

Subitamente vida, eu comecei

A pesquisar o mundo, a qu´rer saber...

Vivi-me por inteiro até morrer

E, sem saber porquê, depois voltei...

 

Sem sair deste espaço, o que eu andei!

As mil e uma voltas que não dei,

As mil e uma coisas que não vi!

 

Há quantos mil milénios eu me sei

Nas vezes que morri, nas que acordei

Sobre o estranho planeta em que nasci...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 27.08.2008 - 13.03h

 

Imagem retirada do site www.sabercultural.com

 

NOTA DE RODAPÉ - Este soneto classifica-se entre os "poemas de

                                   rima pobre", pois todos os versos terminam   

                                   em palavras da mesma categoria gramatical.

                                   Neste caso específico são Pretéritos Perfeitos

                                   de verbos. Em poesia a classificação "rima pobre" não tem

                                   uma conotação negativa. É apenas uma

                                   classificação como outra qualquer, sem valor qualitativo. 

 

26
Ago08

AUTO-PRESERVAÇÃO

Maria João Brito de Sousa

 

Meu estranho, independente, ousado Ego,

Os mundos que me impões são sem fronteiras!

Incitas-me, nas horas derradeiras,

A viagens sem fim que nunca nego!

 

Meu Ego em mil constantes mutações,

Mantendo, em mim, perfeita unicidade,

A rir das rédeas presas da vontade,

Alheio às mais prementes tentações...

 

Cósmico Ego, disperso em coisas tantas,

Que todo-poderoso me comandas

Ignorando esta humana imposição!

 

Meu Ego (esse indif`rente ao que eu consigo...),

Nem sei se complemento ou inimigo

Da minha natural preservação...

 

Imagem - "Os Guardadores de Luas"

                 Óleo sobre Tela, 100x60cm

                 Maria João Brito de Sousa, 2006

 

25
Ago08

AZUL MARINHO

Maria João Brito de Sousa

 

Não me quero da cor que em mim pintais!

Só me quero da cor que o mar me pinta

Numa paleta mágica de tinta

Nestas horas azuis e matinais!

 

Não me vejo na cor com que me olhais!

Só me vejo na cor em que me sinta

Nos cambiantes de azul que o mar consinta

Em "dégradés" perfeitos, casuais...

 

Na paleta do mar é que me espelho

(e nela me revejo e me aconselho...)

Nos cinzentos-azuis de um sol nascente...

 

O mar é quem me pinta e nele me encontro

E renasço da cor desse confronto

Entre esse azul marinho e toda a gente!

 

Escrito no comboio, hoje, às 7.00h

 

Imagem retirada da internet

24
Ago08

LER NAS ENTRELINHAS...

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

Talvez não fosses tu... ou foste mesmo?

Talvez não fosses tu quem me traiu...

Talvez fosse outro alguém quem me mentiu,

Quem sobre mim espalhou calúnia a esmo...

 

Talvez não fosses tu... talvez (quem sabe?),

Tu estejas, afinal, disso inocente...

Talvez fosse outro alguém (ou toda a gente?)...

O que me importa a mim? Quem foi, que o pague!

 

Se foi pura maldade e maldicência,

Eu nunca tive tempo nem paciência

Para lidar com coisas tão mesquinhas!

 

Se foi intencional (de causa-efeito),

Pior p`ra quem o fez! Não tenho jeito

Para me pôr a ler nas entrelinhas!

 

 

Soneto dedicado ao Poeta António Aleixo

 

Imagem retirada da internet

23
Ago08

UM POETA QUE (SE) PARTIU...

Maria João Brito de Sousa

 

Era um estranho torpor feito de nada

Que lhe invadia o ser ao sol-poente

E ali ficava, amorfo, alheio, ausente,

Da alma quase doente, de alquebrada...

 

Depois nascia a Lua. À hora errada

Brotava-lhe a palavra, o verbo urgente

E punha-se a plantar (verso ou semente?)

No suporte irreal da madrugada...

 

Vestia uma "casaca de cometas"

E percorria a casa, qual fantasma,

C`o olhar apontado ao infinito...

 

No seu mundo de ideias inconcretas,

Ele era omnipotente. Ó mundo, pasma!

Partiu-se (e não partiu!), esse proscrito...

 

Ao Poeta António de Sousa

Imagem - Fotografia do Poeta aos 16 anos.

 

22
Ago08

MUNDO, PEQUENO MUNDO... (I e II)

Maria João Brito de Sousa

I

 

... e que me importa a mim perder-me em vida

Se à morte irei legar meu estranho encanto?

Já nada mais me importa e, no entanto,

Vou adiando a hora da partida...

 

... e que me importa a mim morrer agora

Se, depois, tanto fez muito viver?

Pouco ou nada me importa! Eu quero é SER

Enquanto não chegar a minha hora...

 

Patéticos, alguns, `inda acreditam

Que tempo é quantidade e não hesitam

Em procurar na carne o imortal...

 

Não sabem que de nós só fica o traço

Porque o mundo é pequeno e não tem espaço

Para, de nós, guardar quanto é real...

 

II

 

Ó mundo, o que te impede de chorar?

Que estranha submissão te cala o pranto

E te condena, assim, ao desencanto

Desse grito que tentas silenciar?

 

Ó mundo, se amanhã eu acordar

E não estiver quebrado o mudo encanto,

Hei-de gritar por ti! Gritarei tanto

Que medo algum me há-de fazer calar!

 

Ó meu pequeno mundo maltratado

No silêncio a que foste condenado

Por alguma razão que desconheço!

 

Ó meu pequeno mundo estrangulado,

O teu imenso grito sufocado

É tudo quanto, à vida, agora peço...

 

 

Imagem retirada da Internet

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