Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

poetaporkedeusker

poetaporkedeusker

UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
31
Jul08

TRÊS SONETOS DO DIA

Maria João Brito de Sousa

UM OUTRO MAR, TAMBÉM PORTUGUÊS... II

 

Aqui, no "blogomar", já fui feliz!

Acreditei. Fui eu. Ousei sonhar

E naufraguei por não saber nadar

Onde quase ninguém é o que diz...

 

Quanto me dei ao mar! Quanto lhe quis!

Quanto de mim pensei poder-lhe dar!

Este inconstante mar quer-me afogar

Por algo que nem sei dizer se fiz...

 

Meu cansaço é imenso, indescritivel.

Atónita, sondando o invisivel

Até aonde a alma alcança em mim,

 

Não vejo, em vislumbro uma resposta,

Evito a tempestade e dou à costa

À espera de que o mar me aceite assim...

 

 

JULGAR...                      Ao Mestre António Aleixo

 

 

De quanto erro se faz por este mundo,

Talvez seja o pior julgar errado

E saia o julgador mais mal-tratado,

Se tiver consciência, lá no fundo...

 

Eu nem penso em julgar, porque confundo

Aquilo que sei ser c`o que é julgado...

Por isso nunca julgo! Isso é pecado,

Pura perda de tempo, algo infecundo...

 

Prefiro acreditar! Acreditando

Sobrevivo à mentira e, não sei quando,

Hei-de chegar ao fim do meu caminho...

 

Quem mais julga, mais erra, com certeza;

Eu, escrava da verdade e da beleza,

Prefiro não julgar, nem o vizinho...

 

 

 

AINDA/EMBORA

 

Ainda os amanhãs que estão por vir,

Ainda a madrugada abrindo em flor,

Ainda acreditar e SER amor

Neste Luso jardim, todo a florir...

 

Ainda ir mais além, poder sorrir

Em cada dia-a-dia... (embora a dor...)

Seguir em frente e, sem sentir rancor,

Ser mar (embora EU...) não desistir...

 

Ainda bem que sou porque deus quer

Poeta (embora o corpo de mulher...)

Em Jangada de sonho e maré alta!

 

Ainda eu (embora o recolher...)

Poeta porque Deus me quis `scolher

Ainda/Embora NADA eu faço falta!

 

 

Imagem - "Anunciação do Cristo Amarelo a Paul Gauguin"

               Maria João Brito de Sousa  (Pastel de Óleo e essência de

               terebentina sobre madeira, 2006)

29
Jul08

POEMA II

Maria João Brito de Sousa

Um poema é um nobre missionário

Gerado pelo sonho em movimento...

Ecoa pelo espaço e pelo tempo

Sem pedir alimento nem salário

 

E sempre é casto, sendo libertino...

Seduz, fascina, ensina uma uma lição

E parece incansável na missão

De ser parte integrante do destino

 

Se ri, se chora, abraça sem escolher

E nesse seu abraço faz saber

Que um sonho nunca morre; é infinito

 

Poema, ao dar-vos tudo o que tiver,

É quem vos dá, no fundo, a conhecer

O que, dentro de vós, há de bendito...

 

Ao Mário Quintana (li alguns dos seus poemas na minha mais remota juventude e recordo-me de que o meu avô falava muito nele. Suponho que fossem amigos ou, pelo menos, correspondentes e reencontrei-o no blog http://escritosdeeva.blogs.sapo.pt/)

Ao Freddie Mercury.

 

Imagem - "L`Important c`est la Rose" - Acrílico e pastel de óleo

               Maria João Brito de Sousa - 1999

27
Jul08

A CASA DO POETA

Maria João Brito de Sousa

 

transferir (18).png

 

A casa do poeta é oficina,

É estaleiro de versos e de ideias,

Volúvel como o vento nas areias,

Imensa, embora seja pequenina...

 

Tem algo que nos prende e nos fascina,

Como se fosse urdida por sereias

Que nela tecem, líquidas, as teias

Da sua condição semi-divina...

 

A casa do Poeta, como a vida,

Está cheia de surpresas, novidades,

Nunca teve a ambição de ser maior

 

E, mesmo que não esteja prevenida,

Encontra um lugarzinho pr`às saudades

Que o tempo vai urdindo em seu redor...

 

Maria João Brito de Sousa - 27.07.2008 - 01.56h

 

Imagem - "O Pequeno Mundo dos Criadores de Afectos", 120x70cm

               Acrílico sobre tela

               Maria João Brito de Sousa, 2006

               (Obra adquirida)

26
Jul08

LACUNA SOCIAL

Maria João Brito de Sousa

Por mais que seja um trunfo a inocência,

Sei bem que ela é lacuna social

(talvez o meu pecado capital...)

E fruto desta minha incoerência,

 

Pois já não tenho tempo nem paciência

Para me dedicar a obra tal

Que passe a desonesta ou desleal

A minha mais profunda inata essência!

 

Eu sei que o mal é meu. Faço cedência

A quantas ilações tirar queirais

E faço "ouvido mouco" ao que for dito,

 

Pois nunca me importou ser "aparência"

E bendigo as "virtudes" naturais

Do que, profundamente, em mim está escrito...

 

Maria joão Brito de Sousa - 26.07.2008 - 02.42h

 

Imagem - "Menina em Monocromia Rosa" (um dos quadros da

               "Trilogia da Oferenda", dedicada a Manuel Ribeiro             

               de Pavia) - obra adquirida

 

 

 

24
Jul08

ESPAÇO-TEMPO

Maria João Brito de Sousa

Nas horas irreais que aqui te prendem

A este espaço-tempo em que acreditas

Imaginas-te "ser" pois coabitas

Com mundos paralelos que te entendem.

 

Imaginas-te ser o que te vendem

Os velhos companheiros das desditas,

És como marioneta presa a fitas

Sem sequer perceber que elas te mentem...

 

Outros tempos e espaços, simultâneos,

Partilham essas horas que conheces

Sem que saibas sentir que estão ali...

 

E todos nos quedamos, consentâneos;

Viver as horas tensas que tu esqueces,

É viver por metade o que eu vivi... 

 

Maria João Brito de Sousa - 24.07.2008- 11.19h

 

Foto - "CIBERÉTICA" - pastel de óleo, 40x30cm

           Maria João Brito de Sousa, 1999

 

16
Jul08

O PRÓXIMO POETA

Maria João Brito de Sousa

bordo21.jpg

 

 

Conjuro-vos cigarras por nascer!

Crescei, multiplicai-vos e cantai!

Sede o que sois como chuva que cai

Sobre terra que a saiba a receber.

 

Sede, apesar de não vos entender

O mundo, o mundo inteiro que não vai

Aceitar quanto sois porque vos sai

Da alma insatisfeita o que não quer.

 

Mas sede, mesmo quando injustiçados,

Pois será vossa voz pão do futuro

Que, ao erguer-se de vós, canta inquieta

 

Nos versos que hão-de ser justificados

Por aquilo que sois e que eu conjuro

Na exortação do próximo poeta!

 

 

Maria João Brito de Sousa - 16.07.2008 - 17.10h

 

In Poeta Porque Deus Quer - Autores Editora - Janeiro de 2009

 

IMAGEM - Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia

(Ilustração do LIVRO DE BORDO - António de Sousa - 2ª Edição - Publicações Europa-América- 1957)

 

Nota - Soneto muito ligeiramente reformulado a 09.11.2015

 

10
Jul08

A MULHER INTERROMPIDA II

Maria João Brito de Sousa

 

O que mais nos magoa é não ter fé,

Ser cego a essa imensa lucidez

E surdo às mil razões, aos mil porquês,

De assumir-se e de ser-se o que se é,

 

 

É calar estados d`alma, é sonhar baixo,

Saber não se exceder por estar zangado,

Não se falar demais, ter-se o cuidado

Que eu tenho, neste mundo em que m`encaixo...

 

 

Durou porque durou! Fez-se memória

A paixão desigual (porque ilusória...)

A quem eu dediquei parte da vida...

 

 

Perdeu encanto, nunca teve glória

E tudo o que sobrou foi esta história

Daquela que se assume interrompida...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 10.07.2008

 

 

ESSÊNCIA - Acrílico sobre placa cartonada - 93x73cm

                     Maria João Brito de Sousa - 1999

09
Jul08

DISTORÇÃO FIGURATIVA

Maria João Brito de Sousa

 

Nestas reviravoltas da palavra,

Onde eu encontro a luz é onde ecoa

A voz que se não cala e que ressoa

Quando o espinho da vida em mim se crava.

 

Adormece esta chama a arder em mim

Numa urgência de SER que me deslumbra

E emerge um novo vulto da penumbra...

O corpo de um poema nasce enfim!

 

Eco de mim, suponho, eu dou-me inteira,

Memória duma vida ... eu, verdadeira,

Presumo-me inocente e sou culpada...

 

No tronco da palavra eu sou palmeira,

Num fruto, em cada flor, amendoeira,

Mas para muita a gente eu nem sou nada...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 09.07.2016 - 23.00h

 

 

O AUTISTA-Pastel de Óleo, 60x60cm

                     Maria João Brito de Sousa - 2006

 

 

 

 

06
Jul08

AVALANCHA

Maria João Brito de Sousa

Rola a bola de neve numa encosta

E tudo vai levando no caminho...

Começou a rolar tão de mansinho

Que só a vemos quando o mal se mostra...

 

De tanto que cresceu, tudo levou,

Pois nada sobrevive ao seu rolar

E eu, sob a avalancha, a sufocar,

Pensei poder pará-la... já parou?

 

Se há coisas coisas que podemos evitar

Com um abraço que devemos dar

E que pode bem mais do que a tristeza,

 

Abrace-se a tristeza! Esse abraçar

Foi sempre a melhor forma de se amar

E a neve, então, derrete, de certeza...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 06.07.2008 - 14.40h

 

 

A Lágrima - Maria João Brito de Sousa

Pastel de Óleo - 38x28cm

 

04
Jul08

OBRIGADA!

Maria João Brito de Sousa

Não sei como gerir tanta emoção

Nem sei como vos hei-de agradecer

Tudo isto aconteceu e eu sem saber

Como expressar a minha gratidão

 

Se cada um de vós é meu irmão

Na nova dimensão, no renascer,

É também vosso tudo o que eu fizer,

Cada traço a nascer da minha mão...

 

Pr`a todos vós que não vejo, mas sinto,

(serei sempre leal pois nunca minto)

O meu muito obrigada e os meus versos!

 

A todos vós prometo esta partilha

De mulher inventada numa ilha

Algures entre inventados universos...

 

 

 

 

Pág. 1/2

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em livro

Links

O MEU SEBO LITERÁRIO - Portal CEN

OS MEUS OUTROS BLOGS

SONETÁRIO

OUTROS POETAS

AVSPE

OUTROS POETAS II

AJUDAR O FÁBIO

OUTROS POETAS III

GALERIA DE TELAS

QUINTA DO SOL

COISAS DOCES...

AO SERVIÇO DA PAZ E DA ÉTICA, PELO PLANETA

ANIMAL

PRENDINHAS

EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE POETAS

ESCULTURA

CENTRO PAROQUIAL

NOVA ÁGUIA

CENTRO SOCIAL PAROQUIAL

SABER +

CEM PALAVRAS

TEOLOGIZAR

TEATRO

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

FÁBRICA DE HISTÓRIAS

Autores Editora

A AUTORA DESTE BLOG NÃO ACEITA, NEM ACEITARÁ NUNCA, O AO90

AO 90? Não, nem obrigada!