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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Jun08

A ISENÇÃO DAS MADRUGADAS

Maria João Brito de Sousa

dia-de-chuva-wallpaper.jpg

 

Ó minha madrugada imaculada

Em crescendos de luz e de cansaço...

P`ra ti eu quero o tempo e quero o espaço,

P`ra ti, a quem me dou sem pedir nada.

 

De ti, lembrança viva, inalcançada,

Vou colhendo os poemas que te faço

E que depois devolvo ao novo abraço

Que em luz desvenda a nova madrugada.

 

Ó minha madrugada pendular,

Meu ensejo de enfim ressuscitar

Nesse recomeçar das horas novas,

 

Tu abres os teus braços aos meus dias

E renovas-te em dores e alegrias

Sobre as nenhumas coisas que reprovas...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 30.06.2008 - 14.47h

 

 

 

29
Jun08

DICOTOMIA

Maria João Brito de Sousa

Humano corpo-escravo, a quanto obrigas!

Quantas vezes limitas quanto prendes...

Bem sei que não conheces, nem entendes,

Os meu voejos d`alma, estas cantigas.

 

Pobre corpo mortal! Quem tu abrigas

É um`alma invencível a quem estendes

Uma âncora-grilheta. Compreendes?

Pouco lhe importa, a ela, quanto digas.

 

Neste equilíbrio instável sobrevivo

Entre um corpo imprestável e cativo

E um` alma de poema, insatisfeita.

 

Nesta dicotomia, o meu arquivo,

Amontoo os mil versos que cultivo

No seio dessa amálgama (im)perfeita.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 29.06.2008 - 13.26h

.

Dicotomia - Aguarela e pena 67x47cm

Maria João Brito de Sousa 2002

 

27
Jun08

CÁ DENTRO E TÃO PERDIDO...

Maria João Brito de Sousa

 

dougperrine3.jpeg

 

 

Sei de um mundo de luz onde os poetas,

Despidos dos humanos preconceitos,

Viajam pelo espaço entre os eleitos

Como estrelas do céu, como cometas.

 

É por aí que a alma, essa inquieta,

Etérea como a luz, esquece os defeitos

E rodopia em círculos perfeitos

De fórmula geométrica e secreta.

 

Eu sei de um mundo mágico e seguro

Onde cada presente é um futuro,

Onde a terrena dor não faz sentido.

 

Sei desse mundo porque já lá estive

E a imagem del ´inda em mim vive

Dentro de mim. Cá dentro e tão perdido.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 27.06.2008 - 22.32h

 

Imagem retirada da internet

 

 

 

25
Jun08

TOURO DE MORTE

Maria João Brito de Sousa


Cego de medo e dor, ele nada vê.

Confuso e humilhado, o bicho é cego...

Roubam-lhe a liberdade, o aconchego

De amar a vida sem saber porquê...


Corre o sangue no dorso. Já não é

Da natureza o seu desassossêgo...

Da vida que viveu com estranho apêgo

Pressente o culminar... [Olé,olé!]


O público, em histeria colectiva,

Estremece inebriado e grita: -Viva!

Mas é morte que quer e a morte vem...


Ajoelhou o touro e vai morrendo

E eu, que nada fiz mas compreendo,

Ajoelho com ele, morro também...

 


Olé...

.

 

Maria João Brito de Sousa - 2008

 

24
Jun08

TOURADAS... E O RESTO?

Maria João Brito de Sousa

 

Fotografia retirada do blog lavaflow.blogs.sapo.pt

 

Todos morremos um dia, mas ocorre-me pensar que o poderemos fazer com a dignidade possível e natural do momento. Não me agradaria nada morrer desta forma...

Muitos pensarão: - Está preocupada com os touros e esquece-se dos homens mulheres e crianças que, a cada minuto, morrem em idênticas circunstâncias...

Nada disso. Eu preocupo-me com os touros E com os homens, mulheres e crianças. Preocupo-me com tudo o que vive, sente e sofre.

Preocupo-me e ocupo-me. E é preocupando-me e ocupando-me que me ocorre ter algumas certezas. Uma delas é que há mil e uma maneiras do ser humano (que ainda não morreu nestas ou noutras circunstâncias) ocupar o seu tempo e que torturar animais não é, seguramente, a mais saudável...

Há quem se debruce sobre este assunto com maior eloquência e objectividade, por isso vos remeto para trapezio.blogs.sapo.pt/23338.html - MARRADAS

 

23
Jun08

GESTAÇÃO FLORAL

Maria João Brito de Sousa

Um abraço, um sorriso, um beijo breve,

Um poema a nascer desse momento,

Numa manhã que traz um novo alento

A quem, de tanto dar, já nada deve...

 

À força de sonhar, quem tanto escreve,

Alimenta de sonho o seu talento

E distribui depois esse alimento

Como se a própria dor lhe fosse leve

 

E nasce um novo dia, uma promessa,

Nessa flor de ideais que recomeça

Na estranha imposição da nova ideia

 

Na palavra engendrada - uma raiz -,

Floresce, desabrocha, é tão feliz

Quanto a força que a fez e que a norteia!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 23.06.2008 - 12.26h

 

(Agora mesmo, directamente no post)

Imagem - Gestação Floral - 100x70cm

Pastel de Óleo e Acrílico - Maria João Brito de Sousa 1999

 

21
Jun08

...NÃO TECEM NEM FIAM...

Maria João Brito de Sousa

Ó lírios deste campo, quem teceu

Nesse terceiro dia a vossa alvura?

E que sagrada mão vos preencheu

Puros perfis em traços de brancura?

 

Quem foi esse que soube em vós erguer

A vossa perfeição serena e casta

Sem macular, fiar, entretecer,

Esse pálio subtil que vos encastra?

 

Só vós, humildes filhos destes campos,

Conheceis dessa vossa criação

A mais concreta, ou vã, simbologia,

 

Pois nós somos os tais que tecem mantos,

Nós, os que desdenhamos da razão

Da vossa perfeição e harmonia…

 

 

Maria João Brito de Sousa - 21.06.2008 - 16.21h

 

 

.

 

19
Jun08

NUNCA DESENCANTES UM SAPO!

Maria João Brito de Sousa

 

 

Quebra-se a magia no beijo assombrado,

Que, magicamente, faz, do sapo, humano...

Fico alvoraçada; quanto desengano

Pr´a quem era um sapo sem qualquer cuidado...

 

Vê lá, nunca beijes um sapo encantado!

Cuidado, que podes causar-lhe tal dano

Que o pobre do sapo, de alegre e de ufano,

Passe a ser humano... coitado, coitado...

 

Coitado do sapo que estava inocente

De culpa, de intriga e mesmo de traição,

Descobrir, de um salto, quantas falhas tem

 

Quando, de repente, se transforma em gente,

Mudando o estatuto... que desilusão!

(tu, quando o beijaste, sabia-lo bem!)

 

 

Maria João Brito de Sousa - 19.06.2008 - 08.53h

 

NOTA - Descobri que foi este o meu primeiro soneto em verso hendecassilábico, o que não deixa de ser curioso pois nem sequer fazia ideia de o ter escrito. Está reformulado, claro, mas foi mesmo escrito em verso hendecassilábico, no seu original.

 

15.01.2016

.

 

 

 

 

Ao SAPO, porque o prometido é devido e eu sempre gostei de sapos!

18
Jun08

DESPIR AS PALAVRAS

Maria João Brito de Sousa

 

A ti me entrego, ó lucidez suprema!

Eu, pequenina luz do teu feitiço,

Minha última morada e compromisso,

Eu ínfima pecinha do teu esquema,

 

Tão lúcida que vejo além de olhar,

Eu que, embora confusa, já vislumbro

Razões que tenha para andar no mundo

Buscando o que não devo nem sonhar...

 

E brinco ainda!? Nem sei bem porquê...

Vestida de palavras que são tuas,

Descubro outras palavras que são minhas

 

E agora que me dispo e ninguém vê,

Vão-me ficando as frases todas nuas;

Assim me entrego a ti que me adivinhas.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 18.06.2008 - 12.29h

 

Imagem retirada da Internet 

 

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