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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
21
Abr08

A IMAGEM NO ESPELHO

Maria João Brito de Sousa

 

Esta parte de mim nunca tem fundo;

É um poço, um abismo, um nunca-acaba!

Se nela caio, já ninguém me agarra

Que esta parte de mim é de outro mundo...

 

Nesta parte de mim, quando caminho

Neste fio-de-navalha em que me vivo,

Descubro os sonhos novos que cultivo

E que cheiram a mel e rosmaninho...

 

É aqui, neste espelho em que me mostro,

Que sou mais eu, que sou mais verdadeira,

Que dispo outras roupagens que me cobrem

 

Noutra imagem de mim, quando demonstro

Que, apesar de dispersa, fico inteira,

Muito além das feições que aqui me morrem...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 21.04.2008 - 13.19h

 

.

Fotografia - Pormenor da tela homónima deste poema, de Georges Rouault

                   Paris, 1906

20
Abr08

TATUAGENS - LES RACINES DU XX éme SIÉCLE

Maria João Brito de Sousa

Eu matei-me de amor por te não ter

E, depois de morrer, morri de novo;

Fiz desta minha vida um só renovo

De mil dif`rentes formas de morrer...

 

Mas nunca me esqueci, porque esquecer

Nunca foi solução e, se te evoco

É só porque assim quero, assim provoco,

Porque já nada tenho que temer...

 

Foi sempre culpa minha, eu sei-o bem,

Pois amor de Poeta é sempre em excesso,

Assusta e afugenta homens comuns

 

E deixa tatuagens que ninguém

Lhes pode remover. Hoje regresso,

Pois não me prendem mais laços nenhuns...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 20.04.2008 - 13.29h

 

 

.

 

19
Abr08

O OVINHO

Maria João Brito de Sousa

 

A pomba pôs um ovo redondinho

E agora vai chocá-lo! É boa mãe,

Mas não sabe que esse ovo `inda não tem

Aquilo que o transforma em pintaínho...

.

Coitados dessa pomba e desse ovinho!

A natureza chama e ela vem

Pousar o seu ovinho onde ninguém

Jamais a ensinara a fazer ninho...

.

Não vou tirar-lhe o ovo! Ela é feliz

E, na sua ilusão, realizou

A missão para a qual foi concebida...

.

Afinal foi sempre isso o que ela quis;

O ovo redondinho que chocou

É - quem sabe? - a razão da sua vida...

.

Para todas as crianças que possam, eventualmente, ler o poetaporkedeusker...

e para os crescidos também.

19
Abr08

A JANGADA

Maria João Brito de Sousa

 

Eis a minha Jangada em Mar-Eterno!

As ondas que se amansem pois vou só...

A minh`alma fechada como um nó

Renunciou ao mundo em desgoverno...

.

Eis-me Navegador ou Marinheiro

E Náufrago por pura vocação!

O mar nunca me nega o meu quinhão

Dos versos que lhe engendro a tempo inteiro...

.

O meu destino é líquido, infinito,

(se não lhe encontro o fim, nunca o terá..)

Perpetuado em raios de luar

.

Porque me beija a lua enquanto a fito,

E aquilo que escrevi não morrerá

Enquanto a Lua-Mãe assim me olhar!

.

Desenho de Alice Brito de Sousa na capa do livro "Jangada" de António de Sousa,

Coimbra Editora, 1946.

18
Abr08

SER OEIRAS

Maria João Brito de Sousa

06_Bugio_Santo-Amaro_JM.jpg

 

 

Eu sempre fui daqui, ó terra amada!

Sempre tive raízes neste chão

Esteja coberto de erva ou alcatrão,

Eu sempre estive em ti! Fui semeada!

.

Já foste o berço e hás-de ser a estrada,

Tal como Roma o foi, dos que lá estão!

Por ti nasce o poema, que é o pão

Da minha breve-eterna encruzilhada...

.

Os meus poemas correm-te nas veias,

P`ra mim, esse teu chão é corpo e alma...

Nós duas, nesta estranha comunhão;

.

Teus cabelos de sal, tuas areias,

Teu mar que vem banhar-me a tarde calma

Pr`a partilhar comigo o coração...

 

 

Maria João Brito de Sousa -18.04.2008

.

À "minha" terra, um dos grandes amores da minha vida.

 

 

17
Abr08

NÃO! - À PENA DE MORTE NOS CANIS PORTUGUESES

Maria João Brito de Sousa

Se me perdi de vós, foi por momentos...

No caminho p`ra casa, um cão vadio

Olhou-me e tinha fome e tinha frio...

E eu, que até ali, toda lamentos,

.

Vos dirigia, a vós, meus pensamentos,

Senti-me igual ao cão! Então segui-o...

Dei-lhe todo o meu pão, que isto de brio

Também vem da partilha de alimentos.

.

E, por hoje, só hoje, o velho cão,

Que depois quis partir, ir rua fora,

Vai de barriga cheia e confortado...

.

Amanhã outro alguém lhe dará pão!

Alguém que o deixará, que irá embora...

E qual de nós será o mais culpado?

.

Hoje, quando regressava do laboratório de análises clínicas.

 

16
Abr08

URGÊNCIA

Maria João Brito de Sousa

        À Natália Correia

 

No meu imperativo de criar

Sempre mais, muito mais,

Cada segundo,

Bebo poemas desde o sol raiar

Até se pôr,

P`ra dar descanso ao mundo...

.

E apesar da dádiva serena

Da rotina da luz

Dos nossos dias,

Há uma urgência,

Uma outra urgência extrema!

.

E só para criar mais um poema,

Nesta sede que nunca se alivia,

Nesta fome que, urgente,

Me condena,

Eu deixo o tempo todo em desatino;

.

Acendo o sol na noite,

O luar nos dias,

Por um poema,

Só mais um poema!

 

Maria João Brito de Sousa - 16.04.2008 -11.57h

.

Março de 2007 - Quebrando a orientação original

                            do poetaporkedeusker,

                            um poema de rima livre...

                            

15
Abr08

SOBREVIVER A UM ATENDIMENTO PÚBLICO...

Maria João Brito de Sousa

Há excesso de aparência em tanta coisa!

Tanta gente a mostrar o que não é,

Tanta gente fingida e de má fé...

(mas "o bichinho" sabe onde é que poisa...)

.

Nunca se foi à prova de aparências

E há tantos "desleais" por condição...

Quantos de nós (refugo ou perdição?)

Mergulhados num mar de incongruências...

.

E tão indelicados, tão frustrados,

Ficamos, enredados nestas teias

Que o bichinho-sistema vai tecendo,

.

Que até par`cemos mal intencionados!

Fazemos "coisas más" com "caras feias"

E só tentamos ir sobrevivendo...

.

15.04.08 - "É a sua primeira vez aqui?" - "Ipsis verbis"

 

 

 

 

12
Abr08

LOUCURAS...

Maria João Brito de Sousa

 

Loucura... é tão saudável a loucura

Quando desperta em nós feita amizade...

Brinca connosco, afasta essa ansiedade

Que tantos `inda pensam não ter cura...

.

Acende-se uma chama solidária;

Lá voltamos a ser os Mosqueteiros,

A bater-nos por sonhos verdadeiros

Contra uma sujeição totalitária...

.

Quantas vezes ser "louco" é ser melhor,

É dar mais cor à vida, é ser mais puro,

Parar de dar ouvidos às mentiras

.

E adornar a palavra, usando a cor,

Ou albergar, cá dentro, outro futuro

Que vence, no presente, humanas iras...

.

 Colares,12.04.08 - 09.30h

.

A todos os que ontem visitaram o poetaporkedeusker. A todos os que, a partir de hoje, o continuarem a visitar.

11
Abr08

ENCONTRO DE POETA(S)

Maria João Brito de Sousa

Olho este céu e toda eu me encanto!

No canto magistral do rouxinol

Vejo uma flor que brilha como o sol

E que a envolve inteira como um manto...

.

Há charnecas em flor nas suas mãos

E um sobreiro, cansado e sonolento,

Desperta para olhar esse momento

Do encontro entre a poeta e seus irmãos...

.

Com olhos deslumbrados de desejo,

Eu quase juraria que então vejo

o seu vulto, o seu rosto, os seus vestidos,

.

Na mesma luz claríssima a que almejo,

A Florbela, adornando esse Alentejo

Dos mais belos sonetos já tecidos...

 

Maria João Brito de Sousa - 11.04.2008 - 10.47h

.

Dedicado ao meu amigo Frágil, a Florbela Espanca e ao sol do Alentejo.

.

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