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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Abr08

DE PASSAGEM III

Maria João Brito de Sousa

De passagm se vive e se combate

E se constrói a paz, se encerra a luta,

De passagem se chora e se desfruta

A vida, antes que a vida em nós nos mate...

.

De passagem se sonha e se erguem pontes,

Se prolonga o momento passageiro,

Se muda, se transforma o mundo inteiro

Tal qual água a nascer de eterna fonte

 

Porque, nesse jorrar, se aprende o mundo,

Se faz bem, se faz mal, se segue em frente,

Se grita a nossa dor, se exalta a vida...

 

Quantos anos se vivem, num segundo,

Sabendo que ele é tanto mais urgente,

Quão mais próxima a hora da partida?

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 30.04.2008 - 11.53h

 

.

Ao meu amigo Jangadadecanela, pois foi um post dele e alguns comentários seus

que o fizeram nascer.

.

29
Abr08

DE PASSAGEM I e II

Maria João Brito de Sousa

 

Passagem! Eu, por cá, estou de passagem!

Passo por esta vida e vou deixando

Sementes do que for congeminando,

Porque assim se me cumpre esta viagem

 

E passo até por ti, que adivinhaste

Meus versos de semente abrindo em flor

Pois assim deve ser enquanto for

Preciso semear no que sonhaste...

 

Passagem! De passagem se semeia,

De passagem se colhe esse sonhar

A despontar em nós que o semeámos,

 

De passagem se vive uma epopeia,

Se rasgam novas rotas pelo mar,

Se sobrevive ao sonho que sonhámos!

.

II

 

Eu passo pelo mar, passo por terra

E é no ar que construo o meu poema

Enquanto, lá de baixo, a vida acena

Com os mistérios que ela ainda encerra

 

E desconstruo o sonho e volto à vida,

Vou decifrando mais e, deslumbrada,

Retomo a minha eterna caminhada

Em direcção à Terra-Prometida

 

Pois passo e no passar é que desvendo

Os segredos do mundo, o que ele murmura

Enquanto o tempo passa como eu passo

 

E quanto mais passar, mais eu aprendo;

É viagem de estudo à sepultura,

Mas nunca passará quanto aqui faço...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 29.04.2008 - 12.27h

 

 

28
Abr08

EU, A RIBEIRA

Maria João Brito de Sousa

 

Pequena, alegre e sempre sonhadora,

Nunca fui importante... isso que importa,

Se o vosso olhar me vem bater à porta

E fica preso a mim, se em mim demora?

 

De muito pequenina, eu passo agora

Ao fio d`água que galga uma comporta

E é sempre o vosso olhar quem me conforta,

O vosso meigo olhar quem me enamora...

 

E fico, embora vá... nem sei explicar...

Sou una e dividida em vidas mil,

Ou força que se apressa e segue em frente,

 

Que o destino, afinal, é sempre um mar

Tão extenso quanto um céu de azul-anil

Que  abraça a terra em flor, enxuta e quente...

 

Maria João Brito de Sousa - 28.04.2008 - 11.15h

 

Na foto - Ribeira da Lage, junto ao Palácio Marquês de Pombal - Oeiras

 

 

27
Abr08

COM ESTAS MINHAS MÃOS

Maria João Brito de Sousa

Com estas minhas mãos eu ergo um mundo,

Com estas mesmas mãos, planto-lhe amor

E reinvento em mim, pleno de cor,

O mesmíssimo mar em que me afundo...

 

Com estas minhas mãos que não descansam,

Que morrem devagar, mas que não param,

Eu escrevo os mil poemas que ficaram

Enredados nas mãos que aqui os lançam...

 

Com mãos cheias de vida e de certeza,

Com estas duas mãos que Deus me deu,

Reabro uma janela, afasto a dor

 

E exijo, ao próprio sonho a que estou presa,

Quanto, por minhas mãos, se reergueu,

Quanto nelas cresceu de humano amor...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 27.04.2008 - 12.22h

.

 

26
Abr08

TRÊS SONETOS DE ABRIL

Maria João Brito de Sousa

 

UM DIA... FEZ-SE ABRIL!

 

Um dia eu fui poema e fui palavra!

Um dia eu floresci nas carabinas

E semeei canções pelas esquinas

Como quem enfim colhe o que em si cava!

 

Um dia eu fui mais longe e mais além

E acendi minh` alma e cantei mais!

Um dia eu fui dif`rente entre os demais...

Um dia...  fui feliz como ninguém!

 

Agora Abril é hoje, Abril é sempre!

Abril é cada dia em que eu viver

Com a alma a sorrir num sonho em flor

 

Pois fez-se Abril, um dia... e fui semente,

Fui sonho e liberdade a florescer,

Partilha, comunhão, renovo e cor!

 

Maria João Brito de Sousa 

 

ABRIL EM NÓS

 

Havia tanto azul por inventar

Neste país amorfo e tão cinzento...

E um grito germinou deste lamento,

Nma voz que ninguém pôde calar...

 

Havia Abril em nós, mas sufocado,

Um Abril estrangulado e por nascer,

Que levedava em nós, sempre a crescer,

Pujante, inevitável, adiado...

 

Neste país com medo em cada voz

Onde sonhar-se um sonho era punido

Com grades de prisão, dor e tortura,

 

Nasceu, um dia, Abril em todos nós;

Bendito seja o sonho enfim cumprido

Por quanto desse Abril em nós perdura!

 

Maria João Brito de Sousa

 

 

UMA FLOR CHAMADA LIBERDADE

 

Aonde, ó estranha flor que em mim floresces,

Dessa tua raíz, a nova urgência?

Em pétalas da cor de outra impaciência,

Hás-de ousar ir além, sempre que cresces!

 

Nasceste em dura fraga, ou penedia,

Sempre em busca de um sol que te pertence

E a fraga é sempre a terra onde tu vences

Sobre uma haste de sonho e de utopia

 

Por ser a flor em nós que abraça Abril

Nos braços da raíz dessoutro crer

Que é feito de justiça e de igualdade,

 

E, onde floresça um cravo, há sonhos mil,

E há mais fraternidade a renascer

Sobre este renovar da LIBERDADE!

 

Maria João Brito de Sousa - 26.04.2008 - 12.35h

 

25
Abr08

POESIA EM REDE - POEMAS DA MINHA TERRA -1ºprémio ex-aequo

Maria João Brito de Sousa

 

TERRITORIALIDADE

 

Meu altar entre concha e girassol,

Meu estro, meu luar de insenso e prata...

Tão humilde é a voz que te retrata

Quão desmedida a luz desse teu sol.

.

Tua planura imensa como imagem

De uma capela erguida junto ao mar...

Eu ergo a minha voz para te cantar

Uma canção que vem dessa paisagem.

.

Quem dera ir mais além, cantar mais alto,

A serena beleza que me envolve

Sobre este chão sagrado onde nasci

.

Onde a terra e o mar, num sobressalto,

Justificam a paz que agora absolve

A vida de ilusões que vivo aqui...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 2008

.....................................................................................

E foi com a maior alegria que recebi o email da poesiaemrede.no.sapo.pt,

anunciando que o meu soneto era o vencedor ex-aequo do primeiro prémio

do 2º concurso do Poesia em Rede, "Poemas da Minha Terra".

O outro poema premiado é também um soneto lindíssimo, a que a Carla Ribeiro

(autora) deu o nome de "Casa de Solidão".

Para ela e para toda a equipa do Poesia em Rede, um abraço de parabéns!

Porque os poemas não são propriedade exclusiva dos seus autores. Pertencem também a quem os veícula e a quem os lê!

OBRIGADA! Em meu nome e em nome da Poesia Portuguesa!

24
Abr08

SONETO À POETA, PORQUE DEUS QUIS!

Maria João Brito de Sousa

Sozinhos por vezes estamos
sós por vezes nos sentimos
E tantas vezes procuramos
quem nos encha de mimos

Sem procurar, alguém conhecemos
sem esperar, ao nosso lado fica
Quando Deus acha que merecemos
um poeta para nós indica

Porque Deus quis, uma poetisa enviou
abençoada hora que o fez a nós
passou ela a ser a nossa voz

Diz que somos seus amigos
nunca nenhum de nós duvidou
A Maria João a todos cativou!

Blue Eyes, Porto, 21 de Abril de 2008

________________________________
´ Este soneto foi-me oferecido pelo meu amigo Blue Eyes num gesto de indescritível ternura. Obrigada Blue, por me estragares com mimos. Sabe tão bem sentir que somos compreendidos... também me soube muito bem receber muito mais do que realmente mereço. É que eu gosto de assumir a menina de tranças que me acompanhará por toda a vida... OBRIGADA POR LEREM OS MEUS POEMAS E OBRIGADA, TAMBÉM, PELO MUITO DE VÓS QUE ELES CONTÊM... E A TI, BLUE EYES, UM OBRIGADA IMENSO COMO UM ARCO-ÍRIS!

23
Abr08

...E A PRIMEIRA "BOLOTA LUMINOSA" VAI PARA...

Maria João Brito de Sousa

Photobucket

 

Custou mas consegui! Este é o Oscar, perdão, A Bolota Luminosa, concedida pelo

fragil-contem-poesia.blogs.sapo.pt aos bloggers que, ao abrigo do próximo acordo ortográfico, dominem o Alentejano (Xaparrês), depois de uma polémica conferência que teve lugar no Salão Nobre do Sapo, com a distinta presença da Sra. Ministra das Artes e seus onze assessores. Durante o importante debate, tiveram ainda a palavra Adnirolfpa, Cafecomnata e ZoOm.

O acordo foi aprovado por unanimidade, bem como a eleição da ilustríssima poetaporkedeusker ao cargo de Ministra das Artes,cargo do qual tomou posse às 5.00h da madrugada (hora continental).

23
Abr08

OS TAIS TRINTA ANOS DE SOLIDÃO...

Maria João Brito de Sousa

Ele era o seu olhar que me fugia,

Ele era a sua voz que rareava...

Todo um imenso abismo separava

O que éramos os dois. Eu bem sabia...

.

E era eu, eu só, quem percebia

Que neste amar demais tudo faltava...

A ardente chama qu`inda me queimava,

O fogo essencial, a poesia!

.

Trinta anos eu vivi nessa ilusão

E tanto me anulei, mal entendida,

Que me esqueci de mim, que me neguei...

.

Trinta anos eu vivi em solidão!

Foi, afinal, por mim que fui traída,

Pelo poema em mim que então calei!

.

23.04.08 - 12.00h

.

Fotografia - "Édipo e a Morte da Última Certeza", 60x42cm, Acrílico sobre Canson (entre vidros), 2000  - Maria João Brito de Sousa

 

22
Abr08

EU, O MAR

Maria João Brito de Sousa

Tantos anos vivi que sei de cor

As pétalas, ao tempo, a rota, à lua,

À montanha abissal, a ruga crua,

Os bocejos, ao sol... seja o que for!

 

Evoco mil marés em que desenho,

Nas rochas e na areia, o meu sentir;

Renovo o que teci neste ir e vir,

Ora sorrindo, ora franzindo o cenho...

 

Sou quase intemporal! Semeio vida

Por essa terra virgem, desnudada,

Que foi minha mulher desde o começo,

 

A minha terna amante, a preferida...

Eu, líquido caminho, infinda estrada

Que vós desconheceis, mas que eu conheço!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 22.04.2008 - 13.03h

 

Fotografia - "A Tecedeira de Barcas", 76x64cm, Pastel de Óleo sobre

                   Papel Fabriano montado em tela, M. João Brito de Sousa, 2006

Pág. 1/4

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