Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

poetaporkedeusker

poetaporkedeusker

UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
29
Fev08

REDESCOBERTAS II (O NOVO GAMA...)

Maria João Brito de Sousa

Azulejo Caravelas.jpg

 

 

Onde Camões viu mar, eu vejo o espaço

(nas Índias deste infindo imaginário,

uma nova Epopeia, outro cenário...)

Por descobrir, nos versos que aqui traço,

 

E um mesmo Adamastor na nossa ideia;

O medo que nos prende ao conhecido

Quando há que cantar mais pr`a ser-se ouvido

Onde o Cabo do Medo é mera estreia...

 

Por cada estrela, um mundo! Aporto à ilha

Que se ergue pr`a saudar o novo Gama

Nesta absurda ilusão de Novo Império

 

E, acesa a velha chama que em mim brilha

Quando navego além da Trapobana,

Decifra-se em Quixote este mistério...

 

 

Maria João Brito de Sousa

 

 

29.02.08 - 12.00h

28
Fev08

RESSURREIÇÃO

Maria João Brito de Sousa

La risposta è nel vento.JPG

 

 

Verdade! O que vos digo é só verdade!

Por não saber mentir, sou talvez louca,

Embarga-se-me a voz e fico rouca

De tanto vos falar da liberdade...

 

Às vezes sinto dor! Uma ansiedade

Vem do fundo de mim, tapa-me a boca,

Faz-me sentir que a minha  voz é pouca

Pr`a vos tentar  cantar tanta saudade...

 

Depois vem uma Luz que me deslumbra,

Arrebata-me inteira; corpo e alma,

De novo se me torna a voz urgente

 

E assim vivo, entre a Luz e a penumbra,

E nasce outro poema e fico calma

E ressuscito em cada sol nascente...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

 

 

28.02.08 - 15.00h

.

Ao Yodlery porque, de alguma forma, mo sugeriu.

28
Fev08

DÚVIDA EXISTENCIAL

Maria João Brito de Sousa

MAÇÃ.jpg

 

 

 

Das palavras fazemos caravelas,

Navegamos no espaço das ideias,

Somos o germinar de panaceias,

Pedras filosofais, chamas de velas...

 

 

Cruzamo-nos em vidas paralelas,

Inventamos, no mar, mito e sereias,

Acendemos o sol noutras candeias,

Pintamos de outra cor as nossas telas.

 

 

Se trazemos em nós tanto futuro,

Se abrimos uma porta ao amanhã

E se nada nos trava, nem nos prende,

 

 

Porque razão será qu`inda procuro

Pesar os prós e contras da maçã

Que a mesmíssima cobra hoje me estende?

 

 

 

Maria João Brito de Sousa 

.

27.02.08 - 16.00h

27
Fev08

A BARCA DE CARONTE (Ao Poeta António de Sousa)

Maria João Brito de Sousa

 

Sou, por tua vontade, ó mar ingrato,

Da Barca de Caronte o timoneiro;

Nela percorro o Universo inteiro

Em busca do pecado ou do recato.

 

E, nela, o meu destino, esse insensato,

Me condena ao inferno derradeiro

De eterno comandante e prisioneiro

Da barca a que me prendo, onde me mato...

 

Aqui, neste vai-vem, eu nasço e morro

Mil vezes por segundo em cada dia

Das mil eternidades por chegar

 

E, pr`a mim não há esp`rança de socorro,

Nem porto para a barca da agonia

A que me condenaste, ingrato mar...

 

Maria João Brito de Sousa - 27.02.2008 - 12.54h

 

Na foto, Miguel Torga e António de Sousa

em Coimbra, 1937.

Fotografia retirada do JL de 16.03.1981

 

NOTA - O soneto é de minha autoria e quem, como eu, tivesse vivido junto dele durante tantos anos, saberia que o "vestiu" na perfeição das suas horas mais amargas...

 

27
Fev08

REDESCOBERTAS

Maria João Brito de Sousa

Velho_do_Restelo_(Columbano).jpg

 

 

Conquistamos a Nova Imensidão;

Somos descobridores e blogonautas

A (de)compor novo hino em novas pautas,

A rasgar, no futuro, outra canção...

 

O nosso combustível de ilusão

Vai convertendo as almas mais incautas

E singra-se outro mar ao som das flautas

Que abrem caminho à nova vastidão...

 

Navega-nos a alma insaciável

Levando o seu estandarte de ideais

(que sempre foi preciso navegar!)

 

E enfrenta-se a batalha inevitável;

Olhai, além no cais, por entre os mais

O Velho do Restelo a protestar!

 

 

Maria João Brito de Sousa

.

27.02.08 - 09.00h

26
Fev08

RETRATO DIGITAL

Maria João Brito de Sousa

digitalizar0001.jpg

 

 

Fui menina no pátio da Razão,

Do mundo à minha espera no recreio,

Dos brinquedos de extracto de ilusão,

Da mochila com sonhos por recheio.

 

A boneca de trapos numa mão,

Na outra um lápis - só para esboçar... -

E, às vezes, uma corda ou um pião,

Mas, sempre, o meu pincel para pintar!

 

Aqui deixo um retrato de menina

(arquivado em suporte digital)

Agora que a velhice se aproxima.

 

Do velho sonho apenas permanece

O chamamento de anjo vertical.

Quanto ao futuro, a esse, Deus mo tece.

 

 

Maria João Brito de Sousa - 26.02.2008

 

Nota - Soneto reformulado a 15.08.2015

 

 

25
Fev08

NAUFRÁGIO... OU TALVEZ NÃO...

Maria João Brito de Sousa

 

P`ra onde me encaminho, nunca o sei...

Perdi a minha bússola no mar!

Talvez um dia a volte a encontrar...

Qu`importa o que perdi, se o não paguei?

.

É transparente, o mar onde encontrei

A bússola que não quisera achar...

P`ra que quero um ponteiro de apontar

Um mar que tantas vezes naveguei?

.

A Jangada-de-Acasos não tem rumo,

É ela o meu destino, o meu caminho,

Flutua porque é feita de ilusões...

.

De terra alguém me faz sinais de fumo...

Fecho os olhos! Não vejo! Sou ceguinho!

Amparai-me, ó sereias e tritões!

 

Maria João Brito de Sousa -25.02.2008

.

Para o Poeta António de Sousa, por ser uma perfeita metáfora da sua vida nos últimos anos... e porque, na sua colossal ironia, o poderia ter escrito.

Oeiras, 25 de Fevereiro de 2008 - 16.53h

25
Fev08

CANTAR DEUS

Maria João Brito de Sousa

Eu canto Deus como quem canta a vida...

(é esse o meu humano ministério!)

Eu canto a vida inteira e o mistério

De SER depois da hora da partida...

.

Eu canto Deus nas coisas pequeninas!

Aonde o encontrar o cantarei!

A semente da voz que deixarei

Traz a benção das causas mais divinas...

.

A quem quiser ouvir... canto baixinho,

Como o Sol que se põe atrás do mar,

Da vida, desta estranha caminhada,

.

Daquilo que encontramos no caminho,

Daquilo que `inda está por encontrar

Nas bermas das lonjuras desta estrada...

.

Feito agorinha mesmo... só para vos pedir um adiamento de 24horinhas...

São agora 21.00h e antes que comecem todos a refilar comigo ou que, de todo em todo, deixem de me dirigir a palavra, vou dizer-vos que estou realmente doente. Uma colicazita renal. E junto-lhe o sufixo porque já tive piores...

Agora não sei é como hei-de arranjar-me para entregar a tempo e horas os poemas, em triplicado, e segundo todas as regras (que são muitas), para os Jogos Florais. O livro vai ter de ser um bocadinho adiado. Mas não se aborreçam, porque não estou a "esquivar-me". Quem me viu hoje sabe bem a linda carinha com que estou; pálida que nem um cadáver amanhecido...

Como já tive ( infelizmente!) esta "prendinha" mais vezes, sei que vai demorar uns dias a ir ao lugar... mas vai sempre ao lugar!

E está dado o recado, para que não imaginem que não tive as vossas doutas opiniões em consideração...

(Pode ser que dê, ao menos, para ir escrevendo!) 

24
Fev08

A COR DAS ESTRELAS

Maria João Brito de Sousa

Uma estrela é da cor que existe em nós.

Azul ou amarela... tanto faz!

A cor da estrela muda porque traz

Ecos do nosso olhar, da nossa voz...

.

A estrela tem a cor que Deus quiser,

A cor que for pulsando em nosso peito;

Se o nosso olhar procura o que é perfeito,

Devolve-nos a cor que nele houver.

 

São todas como espelhos pequeninos

A reluzir no escuro firmamento

E enqaunto olhos do céu, às vezes choram,

.

Se ousarem partilhar nossos destinos...

Olhadas em total deslumbramento,

Terão a cor dos sonhos que lá moram.

 

 

Maria João Brito de Sousa - 24.02.2008 - 13.25h

.

Acabadinho de nascer, a pedido do Frágil e com o Alto Patrocínio do

Grande Arquitecto -23.02.08 - 13.25h

24
Fev08

PEQUENA HOMENAGEM A ALBERTO CAEIRO

Maria João Brito de Sousa

UMA ESMOLA PARA UM REI QUE VAI NU...

.

Tu pensas ser o rei... mas rei de quê?

Dum mundo mat`rial, duma nação?

Acaso conheceste uma prisão

Maior do que o olhar de quem não vê?

.

A flor, o rio, o céu aqui ao pé

E tu julgas-te rei, mas és, em vão,

Apenas um a mais na multidão

Que pensa tudo ser e nada é...

.

Uma flor, uma só... o mundo é meu!

Um gato, um velho gato de telhado,

Tem mais do que tu tens, é bem mais rico!

.

Tu pensas ser o rei ma,,,s rei sou eu

Que VEJO e sinto e sei... tenho a meu lado

Tudo aquilo que existe e te dedico!

.

Maria João Brito de Sousa - 24.02.2008 - 11.4h

 

Continuando (muito humildemente) a dar voz a A. Caeiro

(Que o Mestre me perdoe. A minha "voz" saiu-me assim...)

Pág. 1/7

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em livro

Links

O MEU SEBO LITERÁRIO - Portal CEN

OS MEUS OUTROS BLOGS

SONETÁRIO

OUTROS POETAS

AVSPE

OUTROS POETAS II

AJUDAR O FÁBIO

OUTROS POETAS III

GALERIA DE TELAS

QUINTA DO SOL

COISAS DOCES...

AO SERVIÇO DA PAZ E DA ÉTICA, PELO PLANETA

ANIMAL

PRENDINHAS

EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE POETAS

ESCULTURA

CENTRO PAROQUIAL

NOVA ÁGUIA

CENTRO SOCIAL PAROQUIAL

SABER +

CEM PALAVRAS

TEOLOGIZAR

TEATRO

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

FÁBRICA DE HISTÓRIAS

Autores Editora

A AUTORA DESTE BLOG NÃO ACEITA, NEM ACEITARÁ NUNCA, O AO90

AO 90? Não, nem obrigada!