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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
31
Jan08

AUTO-RETRATO

Maria João Brito de Sousa

 

De novo um poema que não é soneto. Nasceu assim e assim deu origem a este óleo sobre madeira...

 

 

 

AUTO-RETRATO

 

 

 

 

Sou um animal como outro qualquer

Pois coube-me em sorte

Ser bicho-mulher...

 

Mamífero-alado

Posto em vertical,

Mais perto de um anjo

Que de um ser carnal...

 

Às vezes sou planta,

Do sonho à raiz,

Só sei entender

O que a terra me diz...

 

Serei sempre o fruto

Daquilo que eu quis!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

31
Jan08

GENETICAMENTE INSPIRADO

Maria João Brito de Sousa

 


Vou pincelando, a ocres e vermelhos,

Este soneto oval que me fascina,

Se engano os meus anseios de menina

Nessa ressurreição de cacos velhos...

 

Desminto a evidência dos espelhos!

Deste enlevo renasço, pequenina,

Nascem-me asinhas de fição divina

E fico invulnerável a conselhos,

 

Se moldo, pinto, engendro a "obra-prima"

Que vou solicitando aos meus sentidos

Sem que me sinta, nunca, arrependida,

 

Pois, a cada segundo, o que me anima

É toda a profusão de coloridos

Da estranha sensação de criar vida...

 


Maria João Brito de Sousa - 31.01.2008 - 10.15h

002.jpg

 

30
Jan08

AQUELOUTRA

Maria João Brito de Sousa

 

Essoutra controversa, excomungada,

Abstrusa figurinha de café,

A que jamais impondo a sua fé

Nela constituíra uma morada,

 

A cara de "bezerra desmamada",

Da lágrima ao sorriso é como é!

(e nunca mais se aparta do seu pé

qualquer desconcertante gargalhada...)

 

A que passou por tratos-de-polé

Sem nunca se apodar de maltratada,

A que despreza os ditos da ralé,

 

A tonta, a sem-razão, desmazelada,

Que vai e torna a vir como a maré...

A Poeta-Pintora naufragada!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 30.01.2008  - 14.17h

 

 

Memorando Mário de Sá Carneiro

 

 

30
Jan08

SONETO CAMONIANO

Maria João Brito de Sousa
 

A purista que assumo ser perante a palavra, contrasta, abruptamente, com o "desastre"

que, efectivamente, sou perante a informática. Mea culpa.

É absolutamente necessário que me justifique melhor. Não percebo rigorosamente nada de "word" e tenho andado para aqui a debitar sonetos (excelentes sonetos...) que são um verdadeiro desastre sob o ponto de vista formal, pois nem sequer aparecem aos vossos olhos divididos em duas quadras e dois tercetos... o que é o mínimo dos mínimos que se pode exigir a um soneto! E o soneto é, efectivamente, uma "entidade" complexa, a mais complexa da Poesia.

Antes de mais, no soneto MASCARADA, que não foi "criado" directamente de mim para as teclas do PC, escapou-me um verso da penúltima estrofe... Seguem as duas últimas estrofes, porque uma das minhas características mais louváveis é não saber viver em paz com os erros que cometo...

 

 

...Mas parte-se um sapato de cristal!

O pézito está f`rido, dói-me tanto...

A criada no auge da aflição,

 

TENTANDO REPARAR TÃO GRANDE MAL,

Consegue-me acordar do estranho encanto

Pois, em vez de acudir-me, varre o chão!

 

 

E aqui fica o erro meio reparado. Mais tarde tenciono voltar a falar-vos do soneto e da sua enorme complexidade. Para já deixo-vos um SOS. Se alguém que passe os olhos por este blog me souber explicar por que razão estes sonetos perdem a forma que lhes dei ( as tais duas quadras e dois tercetos) assim que edito o post...

Fico muito grata a quem possa ajudar-me.
29
Jan08

A MASCARADA...

Maria João Brito de Sousa

Quis vestir-me de Gata Borralheira!

(prenunciava, o nome, o meu futuro...)

Calcei sapatos do cristal mais puro

E ergui trono e palácio, na lareira...

 

P`ra dar veracidade à brincadeira,

Vesti o meu vestido verde-escuro

E, não fora o sapato ser tão duro,

Durar-me-ia o jogo a tarde inteira,

 

 Mas... racha-se o botim, quebra o cristal,

Fica-me o pé sangrando e dói-me tanto...

(a criada, no auge da aflição,

 

tentando reparar tão grande mal,

consegue-me acordar do estranho encanto

porque, em vez de acudir-me, varre o chão!)

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 29.01.2008  16.47h

 

 

29
Jan08

UMA LUZ NO FUNDO DO MAR

Maria João Brito de Sousa

 

Meu castelo de sal em lua-cheia,

A renda que debrua as tuas vagas

E pontilha de branco as duras fragas,

Vem, às vezes, lançar-me, sobre a areia,

 

Pedacinhos de um mar que bebo à ceia...

De ti, mar, que fugias e voltavas

Nas ondas que obedecem como escravas

Aos mais fúteis caprichos das sereias

 

E, nisto, singro um mar que me conduz

À nascente de mim no infinito

E a templos de água e sal  sobre ilusões...

 

Fala-me, essoutro abismo, noutra luz

(...e eu, quando oiço o mar, sempre acredito!)

Num mundo imaginário, entre os tritões...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 29.01.2008 - 16.06h

 

 

 

 

29
Jan08

TANTOS POEMAS POR CRIAR...

Maria João Brito de Sousa

Importam-se de não falar de mim?

Serei sempre o que digo nestes versos

Por mais que soprem ventos tão adversos

Que, a cada sopro, ditem o meu fim...

 

Também o bravo lírio cresce assim

E tudo é natural, porque os inversos

Se tocam e se tornam controversos

Ecos de Colombina e de Arlequim.

 

Eu, nesta eterna pressa de criar,

Correndo pelos dias, pelas horas,

Num tempo que ao passar é já passado,

 

Não peço pena! Deixem-me passar,

Que já não tenho tempo p`ra demoras

E o que está por criar quer ser criado!

 

 

 Maria João Brito de Sousa - 29.01.2008 - 12.39h

29
Jan08

MEU AMO, O MAR...

Maria João Brito de Sousa

 

Meu amo e meu senhor das ondas bravas,

Dos líquidos abismos insondáveis,

Que prometendo amor`s inconfessáveis

Me vão trazendo as horas como escravas...

 

Meu senhor das marés, o que me davas

Se obedecesse a apelos impensáveis

Das ondas que parecem sempre amáveis?

Será que a mim, também, tu me afundavas?

  

Ó mar das profundezas ilusórias,

Como entregar-me a ti se tão bem sei

Que essas tuas promessas são traidoras?

 

E  surgem, de repente, estas memórias

Dos medos ancestrais que ainda herdei

De quantos te entregaram suas horas...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 29.01.2008 - 10.58h

 

 

 

29
Jan08

A MENINA NO JARDIM

Maria João Brito de Sousa

 

 

Sabia-me de cor nas tardes mansas;

O cão à minha beira e eu criando

Aquilo que de mim ia brotando

Sempre que contemplava outras crianças.

 

 

O cabelo, apanhado em duas tranças,

- que a criada, afanosa, ia entrançando -

Atenta aos traços que ia desenhando,

Esquecida de outros jogos, de outras danças...

 

 

Em casa, a avó, pergunta à empregada:

- Brincou muito, a menina, no jardim?

Aprendeu, finalmente, alguma dança?

 

 

E a pobre da mulher, preocupada:

- Minha senhora, não foi bem assim;

Rabiscou toda a tarde, esta criança!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

 

28
Jan08

A MORTE DO POETA

Maria João Brito de Sousa

A Livraria-Galeria Municipal Verney organizou, em parceria com a Camâra Municipal de Oeiras, um ciclo de palestras denominado "Quintas Feiras Culturais", que está aberto ao público em Oeiras, na Rua Cândido dos Reis Nº90, a partir das 16.00h.

A útima 5ª feira de cada mês é, invariavelmente, dedicado à Poesia e à Associação Portuguesa de Poetas, da qual sou membro.

Na passada 5ª feira, Maria Ivone Vairinho, Presidente da APP anunciou a morte de um Poeta português da "velha guarda", o Ulisses Duarte. Fez-se um minuto de silêncio e foi aí que "nasceu", em mim, o soneto que agora publico.

 

 

 

 

SER, DEPOIS DE SER

 

 

 

Da cicatriz do SER depois de ser

Emerge, no Poeta, o seu legado

Na música que o verso, ao ser traçado,

Imprime, no futuro, a quem vier...

 

 

Não morre, do poeta, esse poder

Pois cada verso seu, cristalizado,

Fica connosco, em nós é semeado

E cada um de nós o faz crescer...

 

 Poeta é imortal, juro-vos eu,

Que entre tantos nasci e deles herdei

A fome imensa de cantar em verso;

 

Afastou-se de nós, mas não morreu!

Desabrochou em rimas, bem o sei,

Floriu noutro local deste Universo...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 28.01.2008 - 13.52h

 

 

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