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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
24
Mai10

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA X

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

 

A PROCURA

 

Procuro, não te encontro e, se duvido

Dessa tua presença vertical,

É por ser tão humana e sem sentido

Não é por querer negar-te ou dizer mal…

 

Procuro mais ainda e, se divido

Esta minha incerteza ocasional

Com quem estiver por perto, quem comigo

Possa sentir que isto é disfuncional,

 

É porque esta procura se demora

Na esquina dos minutos que há na hora,

Ao longo duma estrada que não finda.

 

Procurando, caminho estrada fora

E enquanto caminho, como agora,

Descubro o que em procura se deslinda…

 

 

Maria João Brito de Sousa

 

 

A ONDA

 

Se uma onda, em chegando, te afogar,

Traiçoeira, em marés que não previste,

Vê bem se foste tu que assim pediste,

Se a onda, por si só, te quis molhar…

 

Se saltou sobre ti quando, ao passar,

No pontão, nem sequer te preveniste,

Ou se age por vontade e não resiste

A afogar quem se chega ao pé do mar…

 

Eu própria nunca o sei mas, se calhar,

As ondas também podem protestar

Ou decidir, até, sobre o que existe…

 

Se não, ó meu irmão, tiveste azar

E a onda, por acaso, ao rebentar,

Levou-te, inteiro, o corpo que vestiste…

 

Maria João Brito de Sousa

22.05.2010 – 18.35h

 

 

 

 DESPEDIDA

 

Ah! Se é por mim que ele se recusa a ir,

Se a morte o chama e ele não lhe obedece,

Como hei-de eu estar feliz, poder sorrir

Como quem, sem dar luta, aceita e esquece?

 

Como pedir-lhe para desistir?

Como inventar, pr`a ele, mentira ou prece,

Se ele mesmo lhe resiste ao não partir,

Se assim se escusa a quem tão mal conhece?

 

E nesta dor – tão lenta – , a despedida

Mais parece perversa do que mansa,

Dói mais do que o cutelo de um instante!

 

Mas, se hei-de abreviar-lhe esta partida,

Por que razão evoco, ainda, a esperança?

Qual delas – vida ou morte? - a mais distante?

 

Maria João Brito de Sousa

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