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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
18
Mar10

A UMA POMBA QUE TENTEI ENSINAR A VOAR

Maria João Brito de Sousa

 

 

 Minha pobre avezinha... perdoaste

Este meu erro, assim, tão sem perdão?

Quis libertar-te e não te dei senão

Esse breve momento em que voaste

 

Por um instante, assim que te soltaste

Do estranho abrigo que era a minha mão

Embora nunca achasses salvação

No asfalto da estrada em que pousaste.

 

Pequena companheira de quem sou,

Nos bons e maus momentos desta vida,

Perdoa, por favor, quem te quis bem,

 

Perdoa, por favor, quem te cuidou

E te chorou na hora da partida

Como se fosse pomba ela também.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 18.03.2010 - 14.41

 

 

À Hope, que partiu ontem à hora do almoço.

12 comentários

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    Maria João Brito de Sousa 18.03.2010 16:53

    Foi mesmo atropelada, amigo. Ontem, de manhã, trouxe-a na transportadora dos gatos. Soltei-a junto ao pinheiro grande, perto da igreja de St. António de Nova Oeiras e fiquei a ver se ela se juntava às outras. Depois vim trabalhar um bocadinho mas, de vez em quando, ia ao jardim, ver como ela se estava a dar com a sua nova situação. Depois do almoço fui vê-la, com uma das senhoras que almoçam comigo no Centro de Dia e foi nesse momento que ela voou muito alto e acabou por tentar pousar em plena estrada. Vinha, ao longe, um automobilista que nem se deu ao trabalho de abrandar um pouco e pronto... foi assim que terminou a sua curta liberdade. Estava comigo havia dois anos e era uma daquelas sobreviventes a um envenenamento com trigo roxo. Sempre viveu mais dois anos do teria vivido se eu a não tivesse encontrado, mas eu gostaria muito que tivesse sido possível ela recomeçar uma vida livre, entre os outros pombos deste jardim...
    Abraço.
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    Talvez... 18.03.2010 17:10

    Oh! Coitada!
    (Trigo roxo? Pensei que agora não os envenavam directamente com o intuito de os matar, mas apenas para diminuir a reprodução...)
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    Maria João Brito de Sousa 18.03.2010 17:21

    Não foi uma situação pública, de forma nenhuma! Foi uma moradora do bairro que se lembrou de o fazer... ainda andei a varrê-lo do passeio, mas muitos dos animais já o haviam ingerido. Salvei alguns, outros não pude salvar. Esta Hope foi uma das felizardas que conseguiu resistir, embora tivesse estado muito, muito mal. Tanto quanto sei, a nível oficial, pode ser administrada uma ração à qual foram adicionados produtos anticoncepcionais que não os matam, mas reduzem os excessos populacionais de pombos... esta "brilhante" ideia do trigo roxo foi uma "iniciativa" particular e eu sei quem é a pessoa. Claro que não vou dizer, mas sei.
    Abraço!
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    Talvez... 18.03.2010 17:32

    Envenenar pássaros! Que inconsciência!
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    Maria João Brito de Sousa 18.03.2010 17:42

    Exacto! Para além de ser execrável, é também uma inconsciência pois há crianças pequeninas que brincam na zona e nós sabemos como são as crianças no que respeita a levar coisas à boca...e o trigo roxo tem uma cor bastante apelativa para uma criança.
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    Ana Paula 04.05.2012 20:14

    Ao fazer uma pesquisa no google sobre o envenenamento de pombos, deparei-me com o seu blogue. Adorei a homenagem prestada à Hope . Eu também tenho comigo uma pombinha (o) que salvei quando caiu do ninho, já lã vão 3 anos. Tal como a Hope também não voa e pior ainda, não se alimenta sozinha. Já experimentei deixá-la com fome, mas não consegue dar a volta ao grão e engolir. Parece que os pombos da minha zona, comunicaram uns com os outros, pois quando estão doentes vêm todos bater-me à porta. Ontem apareceu-me um com as patas atadas com linhas - a maldade mais recente inventada pelos humanos!!!. Com muito cuidado, tirei-lhe as linhas que de tão apertadas, já parte dos dedos estavam cortados. Tratei com betadine , e dei-lhe de comer. Depois de recomposta pu-la a voar. Hoje apareceu a agradecer. No mesmo dia, mais tarde apareceu outra que presumo ter sido envenenada. Dei-lhe carvão vegetal, mas infelizmente, não consegui salvá-la. Notava-se nitidamente que estava em grande sofrimento. Morreu e vi que finalmente ficou em paz. Quero acreditar que agora é livre de todas as maldades, que voa alto e nunca mais sentirá dor. Porque são os seres humanos tão maus???
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    Maria João Brito de Sousa 05.05.2012 01:08

    Boa noite, Ana Paula.
    parece-me que a maioria das pessoas não entende que os animais sentem e sofrem como nós... eu também tenho uma dessas que não consegue ser auto-suficiente para se alimenta... é a Pitinha. tenho de a alimentar directamente "bico abaixo", como fazem os pais pombos aos borrachos... já cá está há mais de quatro anos... nestes casos, temos de os manter em gaiolas grandes... tenho pena de ter duas em gaiola, mas não voam e uma delas nem se consegue alimentar sozinha, como expliquei... mas muitos morrem mesmo quando começam estes envenenamentos...
    É uma dor de alma para quem entende que eles sentem dor, medo e aflição, tal como nós...
    Um abraço! :)
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    Ana Paula 05.05.2012 11:34

    Obrigada por responder ao meu comentário. Agora sei que não sou a única a ter pena destes bichinhos e é bom ter alguém com quem possa partilhar a minha pouca experiência sobre este assunto. Há 15 dias vieram trazer-me um melro bebé que segundo me disseram eram dois e um deles estava morto. Tentei encontrar os pais, com o melro numa pequena gaiola a chamá-los mas não os encontrei. Pus então mãos à obra e todos os dias vou procurar minhocas para o alimentar como também lhe dou ração própria para melros e uma papa com insectos. Felizmente já come sozinho. Sei que não é pássaro para se manter em cativeiro, e hoje resolvi soltá-lo, acompanhei o voo durante meia hora. Permaneci calada quando se empoleirou numa árvore. Qual não foi o meu espanto quando ao chamá-lo piu-piu ) veio direito a mim e pousou no chão junto aos meus pés. Percebi então que ainda não está preparado para ir em liberdade. Que bom, ele voltar para mim. Assim vou poder devolvê-lo à natureza mas acompanhar a evolução, prestando os cuidados necessários, para que não venha a falecer. Voltando à minha pombinha, confesso que me espanta a inteligência destes bichinhos. Como vivo a maior parte do tempo numa garagem, a pomba (o) Cassiana (o) anda à solta. Quando vou passear com os meus cães, ela acompanha-me dentro do seu cestinho e adora passear e ir à praia. Segue o link da minha menina: http :/ ossodecao.blogspot.pt /2010/12 pomba-cassiana.html
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    Maria João Brito de Sousa 05.05.2012 11:56

    :D Fico feliz pela sua experiência, desta vez com o pequeno melro, Ana Paula. Ele não deve estar ainda preparado para se tornar autónomo... mas quando ele "sentir" que está no momento certo, irá escolher por si mesmo.
    A sua pomba deve ser pombo. Eles já iniciaram, este ano, a fase de postura mais intensiva e, se fosse "menina", já teria encontrado um ou dois ovos perto dela... as minhas são as duas fêmeas, põem que se fartam... como não têm macho, os ovos acabam por não eclodir mas, entretanto, elas lá se entretiveram a tentar chocá-los até, naturalmente, desistirem deles...
    Todos os animais têm a sua inteligência. Como tudo se vai desenvolvendo em função das características de cada espécie e segundo as suas necessidades, não é uma inteligência que se expresse exactamente como a nossa, mas existe, sem dúvida nenhuma! E o mais interessante é que sentimentos de afecto e até daquilo que podemos chamar de solidariedade, existem nestes pequenos animais. A Pitinha tem dificuldades de coordenação motora e a sra. Capitão ainda não desistiu de a tentar ajudar a alimentar-se, apontando-lhe o alimento com o bico e esperando que ela tente por si. É interessantíssimo e um enorme privilégio poder observar estes tão pouco conhecidos sentimentos de animais tão pequenos que a maioria dos humanos despreza e coisifica... mas eles são muito, muito interessantes.
    Vou visitar o seu link. Obrigada!
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    Ana Paula 06.05.2012 11:11

    Obrigada pela visita ao meu link e pelos comentários. A Cassiana já não tenho dúvidas que é Cassiano. Quando está com os da sua espécie procura encontrar uma fémea que lhe dê atenção, em vez de aprender a comer. Darei noticias sobre o melro. Um abraço
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    Maria João Brito de Sousa 06.05.2012 23:35

    :) Obrigada, Ana Paula!
    O Cassiano é uma delícia! Os vídeos... uma maravilha! :D
    Abraço!
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