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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
19
Fev10

O APAGÃO - uma visão contra

Maria João Brito de Sousa

 

Não. A maioria das pessoas não entendia – nem podia entender – as verdadeiras consequências de um “apagão” energético. Ele, ali, na UCI do hospital, rodeado por convalescentes temporariamente monitorizados, lembrou-se de se lembrar daquilo… depois deu azo a que o momento se espraiasse por toda a sala e deu-lhe uma continuidade lógica. Este, este e este morreriam, sem sombra de dúvida. Claro que havia o gerador de emergência, mas esse funcionaria durante um curto período, devido à sobrecarga, e acabaria, também por se “apagar”. Contudo era evidente que a esmagadora maioria se rendia à hipótese revivalista de ficarmos sentados à lareira… conversas mais íntimas, mão na mão, jogos de cartas à luz das velas, famílias que haviam deixado de o ser, refeitas de um dia para o outro, num passe de magia… talvez fosse melhor pensar assim. Logo a ele lhe ocorrera prognosticar, naquela noite, o que realmente se passaria com aqueles seus doentes caso a energia se interrompesse assim, sem mais nem ontem!

Três dos pacientes que estariam irremediavelmente condenados eram ainda jovens e tinham um bom prognóstico de recuperação… mas precisariam de utilizar o suporte de vida durante alguns dias. Largos dias, pelo menos um deles… e isto era ali, naquela UCI, daquele determinado serviço do seu muito específico hospital… muitos mais hospitais com muitas mais UCIs se potenciariam em muitíssimos mais doentes condenados, caso o tal “apagão” viesse a dar-se.

Não podia ser pacífico pensar naquilo. Há alguns anos atrás nenhum daqueles acidentados teria sobrevivido. Esse era um daqueles factos que só poderiam ser mudados por um milagre daqueles muito, muito milagrosos e ele aprendera que esses só acontecem de quando em vez… por isso sabia bem que aqueles seus doentes iriam morrer, tal como teriam morrido se tivessem nascido três ou quatro décadas antes e tivessem passado por aquilo que haviam efectivamente passado… e qual seria a diferença? A diferença estaria exactamente na variável tempo. Única e simplesmente na variável “Tempo”. Há quarenta anos atrás, nenhum apagão poderia pôr em risco a vida dos três jovens acidentados… porque eles não teriam sobrevivido. Agora – e ele sabia muito bem que este “agora” pressupunha a passagem de quatro décadas – eles teriam ainda uma vida pela frente… e ele lembrara-se de pensar num eventual “apagão”! Quem o mandava, a ele, ser médico e, ainda por cima, um ser “pensante”?

 

 

Muito prosaicamente teclado para http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/

 

Disse António de Sousa,

“Deus me livre do pecado de não ter pecados enquanto os homens forem pecadores.”

 

 

 

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