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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
23
Nov09

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA II

Maria João Brito de Sousa

 

 

O CONCEITO DO DIVINO

 

 

Se, em mim, és tão diferente do descrito,

Se assim te vejo, sinto e reconheço,

Se o meu amor por ti nunca tem preço

E se és, Tu mesmo, aquilo em que acredito,

 

Se nada nem ninguém mo tiver dito

- se,  mesmo sendo imposto, o desconheço –

Por que razão fingir que aceito e peço

Um conceito geral do que é bendito?

 

Se me nasceste assim, naturalmente,

De forma tão completa, humana, urgente,

Como se eu fora em ti e tu em mim,

 

Então, p`ra sempre, assim te aceitarei

E, enquanto for assim, em ti estarei

Depois do que aqui escrevo, até ao fim!

 

A ESTRADA

 

 

Umas vezes corremos pela estrada,

Outras vezes suamos como velhos

Com correntes atadas aos artelhos

Numa exaustão total, antecipada…

 

Nada nos prende a ela. Mesmo nada!

E, no entanto, mesmo de joelhos,

Avançamos correndo e outros conselhos

Não nos podem travar a caminhada…

 

A estrada em toda a parte se descobre,

Se inventa, se recria ou acontece…

É uma condição de estarmos vivos.

 

É a vida que, em suma, se percorre,

Que aqui nos justifica e enaltece,

Mas que, afinal, por cá nos tem cativos.

 

AS CAUSAS PEQUENINAS 

 

 

Sou guardiã das causas pequeninas…

 

Um ninho, uma erva-moira, um cão doente,

Tornam-se-me sagradas, de repente,

E passam, num instantinho, a ser divinas…

 

Um pássaro a voar, essas meninas

Que brincam na calçada, este inocente

Que me olha tão serena e docemente

Como se eu florescesse entre boninas,

 

O sol que vem espreitar estas palmeiras,

Um gato que miou, estas floreiras

Onde crescem as flores que daqui vejo,

 

O verde dos canteiros, pintalgado,

Pelo vermelho-inverno antecipado…

É esta a causa viva que eu protejo!

 

 

"Essência" - Maria João Brito de Sousa 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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