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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
18
Ago18

A MÃO QUE O VERSO CRIA II

Maria João Brito de Sousa

Julgamento de Galileu Galilei.jpg

A MÃO QUE O VERSO CRIA II

*



Nunca a Ciência se cala, quando a mente

É lúcida, saudável, curiosa...

Não sabe ouvi-la, a mente preguiçosa,

Nem a lançada à força, na corrente.

*

 

Não pode ouvi-la a mente que, indolente,

Aceite o dogma, ou fique, presunçosa,

Convicta de que a rosa se fez rosa

Por obra de um processo transcendente.

*

 

Não cala a Ciência a nossa incompletude,

Que a Ciência invade a própria poesia,

Sem roubar-lhe, nem sonho, nem virtude,

*

 

Já que a acrescenta nessa apostasia,

Enquanto a mão que a escreve não se ilude

E será sempre e ainda, a mão que a cria.

*



Maria João Brito de Sousa – 16.08.2018 – 15.53h

 

 

Imagem - Julgamento de Galileo Galilei

 

 

17
Ago18

"I" de ISOPOR

Maria João Brito de Sousa

ISOPOR.jpg

“I” de ISOPOR

*





Íntimo idílio, íntima intrusão.

Identifico ideias isoladas,

Indico as intenções, imaculadas,

Inspiro. Inalo. Infirmo introspecção.

*



Isco iminente. Íncubo. Inflação.

Ira. Iracundo. Insinuações iradas.

Ígneo. Interdito. Íris impregnadas.

Íleo. Inflado. Intruso. Infestação.

*



Idóneo. Isolda. Ísis. Insurrecto.

Ignaro. Intermitente. Isolador.

Insolente. Insolúvel. Inconcreto.

*

 

Impropério. Indigente. Interruptor.

Imóvel. Inclusão. Incêndio. Insecto.

Insustentável istmo de Isopor!

*





Maria João Brito de Sousa – Julho, 2018

 

 

"[I]novar é sempre relativo e tanto se pode inovar com o novo como inovar com o antigo, porque a invenção é uma forma de reinvenção, toda a leitura é releitura e toda a releitura transforma. Esta é uma verdade de todos os tempos que nos nossos dias se tornou perfeitamente nítida."

 

Ana Hatherly via escalanarede.com

 

16
Ago18

A SEU TEMPO

Maria João Brito de Sousa

A SEU TEMPO.jpg

 

A SEU TEMPO

*



Hoje não escrevo, não, que, se escrevesse

Decerto solitária ficaria

E já bastou da dor que não se esquece,

E já sobrou de um espinho o que eu não queria.

*



Hoje não escrevo porque, se o fizesse,

Nem a palavra exacta encontraria

Por muito que a buscasse, ou recorresse

Ao truque de grafar de voz vazia.

*

 

Mas... agora reparo que aqui deixo

Palavras que concebo sobre um eixo

Melódico e ritmado quanto baste.

*

 

Grafei-as quase, quase sem notar,

Assim que as vi maduras a tombar,

A seu tempo, uma a uma, haste por haste.



*



Maria João Brito de Sousa – 15.08.2018 – 17.46h

 

15
Ago18

DIANTE DUM POEMA INACABADO

Maria João Brito de Sousa

Erato, Muse of Poetry.jpg

 

DIANTE DE UM POEMA INACABADO

*

 

Não sei se chego a tempo de acudir-te,

Se o pulso da palavra ainda pulsa

Ou se parou num frémito, convulsa,

Sem tempo pr`avisar-te e prevenir-te.

*

 

Despediu-se de ti? Viste-a sorrir-te

Antes de sucumbir qual coisa avulsa

Que caiu em desuso e que se expulsa

Sem ver que portas sempre soube abrir-te?

*

 

E quem te acode quando te morrer

Essa que tu admites nada ser

Se não um mito abstracto e reciclado?

*

 

Musas... são tantas quantos formos nós,

Mas se se vão deixam-nos nus e sós

Diante de um poema inacabado...

*

 



Maria João Brito de Sousa – 14.08.2018 – 11.44h

 

14
Ago18

CAMINHOS

Maria João Brito de Sousa

CAMINHOS.jpg

 

CAMINHOS

*



Eis o mundo a teus pés, quase sem vida...

E culpa foi só tua, quando, honesto

Foste cumprindo à risca e gesto a gesto

A directiva que te foi vendida?

*

 

Crê nisso, humanidade, e estás perdida.

Perdido está teu rumo e seu contexto

Se vieres a esquecer que o teu protesto

Será a tua única saída.

*

 

Quem te destrói se não o consumismo?

Quem te impôs este atroz capitalismo

Que quanto mais se impõe mais te subverte?

*

 

 

Não há estradas perfeitas, nem caminhos

Que a si mesmo se tracem, que sozinhos

Se te cubram de rosas, só de ver-te.

*

 



Maria João Brito de Sousa -13.08.2018 – 11.51h

13
Ago18

NÃO TENDO EXISTÊNCIA, É PARTE DE MIM

Maria João Brito de Sousa

MUSA DE OUVIDO.jpg

 

NÃO TENDO EXISTÊNCIA, É PARTE DE MIM...

*

 



Muito suavemente me sopra aos ouvidos

Bemóis, sustenidos de um verso emergente...

Sempre coerente, me inunda os sentidos

Tão desprevenidos quanto a minha mente.

*

 

Impõe-se-me urgente, não quer desmentidos,

Veste os meus vestidos e, então, faz-me frente,

Assim, de repente, sem subentendidos,

Nem sangues vertidos por mão prepotente.

*



É parte de mim, não tendo existência,

Mas traz-me a cadência de versos sem fim,

Pois é sempre assim, sem pudor, nem paciência,

*

 

Que na sua ausência me murcha o jardim

E, nesse interim, fico em plena latência;

Não tendo existência, é parte de mim...

*



Maria João Brito de Sousa – 12.08.2018 – 11.36h

 

12
Ago18

CASA II

Maria João Brito de Sousa

Casa de Algés.jpg

 

CASA II

*



Meu dito, meu feito. Meu tudo, meu nada.

No mar, a jangada. Na casa, o meu leito

Desfeito e refeito por mão deformada,

Dorida e cansada, sem força, nem jeito

*

 

Pra tê-lo perfeito... lençol, almofada

De fronha rendada, bordada a preceito...

Portanto me deito em cama amarrotada

Que a noite sonhada não ponho defeito.

*

 

Meu sim e meu não de amarga (in)certeza;

Talvez cama e mesa, talvez tecto e pão,

Depois da paixão, da força e destreza...

*

 

Rainha ou princesa? Operária, que o são

As muitas que em vão viverão na pobreza;

Nem canto, nem reza. Não pedem, só dão!



*

 

Maria João Brito de Sousa -03.08.2018 – 09.50h



 

 

11
Ago18

CARTA ABERTA À MINHA MUSA - Soneto sem a letra "O"

Maria João Brito de Sousa

CARTA ABERTA A MUSA.jpg

 

CARTA ABERTA À MINHA MUSA



(Soneto sem a letra “o”)

*



Cara metade minha, claramente

Te revelaste em meta caminheira;

Tanta passada deste à minha beira,

Que passada te cri, eternamente.

*

 

Perdida me senti, perdidamente,

Mas achada me achei, perfeita, inteira,

Apesar desta inépcia e da canseira,

Ainda que insubmissa e que insurgente.

*

 

Amansa essa passada, essa cadência,

Essa pressa que sempre me ultrapassa

Na sede de saber, na sua urgência...

*

 

Fartei-me de estar presa e velha e lassa,

Cansei-me de apressar-me e, sem paciência,

Passa-me a ser a meta uma ameaça.

*

 



Maria João Brito de Sousa – 03.08.2018 – 13.12h

 

10
Ago18

A MÃO QUE A CHAMA ATEIA

Maria João Brito de Sousa

A MÃO QUE A CHAMA ATEIA.jpg

 

A MÃO QUE A CHAMA ATEIA

*



A mão que lança a chama, à chama torna

E tarde ou cedo se renova o gesto

Com o qual estranhamente a si se adorna

Do desprezo que nutre pelo resto

*



Contempla toda a serra que a contorna,

Observa a dor causada, ouve o protesto,

Crê ver-se ao espelho e quando a cinza amorna,

Retoma o gesto por qualquer pretexto.

*

 

Cada imagem filmada, cada grito,

Cada ser acossado, preso, aflito,

Vem garantir-lhe a glória de quem pode.

*

 

Assim se delineia a mão que ateia,

A mão que nunca pensa nem refreia

A compulsão que em si se acende e explode.



*



Maria João Brito de Sousa – 08.08.2018 – 11.33h



 

10
Ago18

CASA

Maria João Brito de Sousa

CASA.jpg

 

CASA

*



Agiganta-se a casa. O mundo pára.

Não excede o meu telhado o próprio céu,

Quando me falam deste pouso meu,

Da minha toca velha e estranha e rara,

*

 

Deste tecto onde a musa se declara

A cada verso lido como seu

E, a cada passo que ainda não deu,

Mais foge a casa que nos foi tão cara.

*



Se fico, estou perdida e, se vou, morro.

Pra quê chorar, gritar, pedir socorro?

Escolho morrer, ficando! Morro nela.

*

 

A musa (inexistente) assim mo dita,

Pois disso nos dependem verso e escrita;

Arrisco, escrevo e não desisto dela!

 

Maria João Brito de Sousa – 02.08.2018 – 09.52h

 

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