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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
15
Nov19

JANELAS II

Maria João Brito de Sousa

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JANELAS II

*

 

Uma janela aberta, outra fechada,

Outra que sobre o nada se abre, incerta...

Cada qual descoberta, ideia alada

Que à mente estremunhada lança alerta,

 

*

 

Deixando-a, enfim, desperta e acordada

Pois nela debruçada se liberta

E colhe a sua oferta, alvoroçada,

Para lançar-se em estrada agora certa.

*

 

Deu fruto, esta janela. Que colheita!

Alguém que dela espreita encontra nela,

À chama de uma vela, a fenda estreita

 

*

 

 

Sobre um mundo que a aceita e, já sem trela,

Sem arreios, nem sela, desta feita

A cama em que se deita é escolha dela.

 

*

 

Maria João Brito de Sousa – 15.11.2019 – 10.58h

*

 

Soneto em decassílabo heróico com dupla rima encadeada (interna)

04
Nov19

O MEU SONETO DE HOJE III

Maria João Brito de Sousa

aniversario meu.jpg

O MEU SONETO DE HOJE III

 

*

 

O meu soneto de hoje é dedicado

A quem me veio dar os parabéns

E se gagueja um tanto embaraçado

É porque nunca fez de vós reféns,

*

 

Nem mesmo crê haver-vos conquistado

Mais do que alguns bocejos e desdéns...

Alma, Soneto! Diz “muito obrigado”

Com toda a garra qu`inda em ti conténs!

 

*

 

Por mim, não fico tão surpreendida;

É a ti, afinal, que eu devo a vida,

Bem como a quem te lê, ou já te leu.

 

*

 

Recebe a saudação e agradece,

Porque a minha alma toda se enternece

Sempre que alguém saúda um filho meu.

*

 

Maria João Brito de Sousa – 04.11.2919 – 12.53h

 

 

NOTA - A fotografia já deve ter perto de duas décadas, mas é a unica que tenho alusiva a um aniversário.

28
Out19

O MEU SONETO DE HOJE II

Maria João Brito de Sousa

candeia.jpg

O MEU SONETO DE HOJE II

 

*

Se os pássaros pousassem nos meus dedos,

Talvez novos segredos revelassem

E as musas acordassem sem mais medos

De que os alheios credos não gostassem

 

*

 

Dos sonhos que sonhassem quando, ledos,

Meus dedos em brinquedos transformassem

E em versos que vibrassem, mesmo quedos,

Nuns tantos arremedos que hoje ousassem...

 

*

Que pássaro pousou sem que eu sentisse

E sem que eu lhe pedisse aqui cantou?

Um sopro o despertou, sem que dormisse

 

*

 

Bastou que o pressentisse e conquistou

Versos que modulou com tal meiguice

Que em nada contradisse o que almejou.

 

*

 

Maria João Brito de Sousa – 28.10.2019 – 11.39h

*

 

 

Nota - Soneto em decassílabo heróico com rima encadeada interna.

 

Imagem retirada da net sem autoria identificável

11
Out19

O MEU SONETO DE HOJE

Maria João Brito de Sousa

Le Berceau - Berthe Morisot (1).jpg

O MEU SONETO DE HOJE

*

 

Trazia a face f`rida, o corpo gasto

E a vista maltratada pelos anos,

Mas embora o esmagassem desenganos,

Ainda vinha firme, inteiro e casto.

*

 

Atrás de si deixava o longo rasto

De quanto lhe causara tantos danos...

Foi, porém, a nobreza dos decanos

Que hoje me quis servir como respasto.

*

 

Entrou-me em casa e já não quis partir;

Havia tanto mundo a descobrir

Neste pequeno mundo franqueado

*

 

P`la velha porta que eu lhe ousara abrir...

Agora, consolada, vou dormir.

Zela por nós, soneto hoje encontrado!

*

 

Maria João Brito de Sousa – 11.10.2019 -10.10h

 

 

IMAGEM - "Le Berceau", Berthe Morisot

03
Set19

JÁ NÃO HÁ SETEMBRO QUE ME ENCANTE...

Maria João Brito de Sousa

setembro-2019-62ds.jpg

 

JÁ NÃO HÁ SETEMBRO QUE ME ENCANTE

 

*

Não, já não há Setembro que me encante.

Ele é prenúncio de outro longo inverno

Que a experiência de vida me garante

Não ser amável, nem gentil, nem terno.

*

 

Passa Setembro - e passa num instante...-

Para que jogue Outubro o jogo eterno

Do beijo frio que entrega de rompante

E ao qual temo bem mais que ao próprio inferno.

*

 

Bem sei! Bem sei que o ciclo é natural,

Por isso nem sequer o levo a mal,

Apenas me limito a ser sincera.

*

 

Se afirmo que este mês me não fascina

É porque estou tão frágil, tão franzina,

Que temo pela vida. E fico à espera.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 03.09.2019 – 11.00h

 

Imagem retirada daqui

19
Ago19

EMBONDEIROS

Maria João Brito de Sousa

Embondeiros.jpg

EMBONDEIROS

*



Parecem-me dedos, estes ramos vivos

Saídos de mãos que se erguem expectantes

E encimam pulsos/troncos criativos

Que tudo condensam no espaço de instantes.

*



Sim, semelham dedos mas nunca cativos

Porque porta-vozes de seres verdejantes

Que vivem milénios, serenos, altivos,

Pouco se afastando do que foram dantes.



*



Sempre que vos olho, humildes/soberbos,

Assumo a cadência da ausência de verbos,

Também emudeço ante a vossa grandeza,



*



E vós, tão mais sábios do que isto que sou,

Falais sem palavras do mundo em que estou,

Dos grandes caprichos da mãe natureza.



*





Maria João Brito de Sousa – 15.08.2019 – 11.50h

 

 

NOTA - Soneto hendecassilábico criado para  um desafio poético no site  HORIZONTES DA POESIA (ligeiramente modificado)

 

Imagem retirada daqui

01
Ago19

DO NADA QUE TENHO AO POUCO QUE SOU

Maria João Brito de Sousa

Cigarrito.jpeg

 

DO NADA QUE TENHO AO POUCO QUE SOU

*

 

“Perdi a esperança, perdi a vontade”...

Tudo, na verdade, perdi da abastança

Vinda da bonança após a tempestade.

Mas tudo se evade que a vida é mudança

 

*

E a ponta da lança é de ferro e saudade...

Mas urdi-me em jade, com perseverança.

Desfiz-me da trança, gritei; Liberdade!,

Da trivialidade moldei a pujança.

*

 

Pouco me sobrando, por dentro me sondo

E vou recompondo do duro, o mais brando,

Até não sei quando, num gesto redondo,

 

*

Janelas que rondo, assim me franqueando

Se sigo teimando, tal qual marimbondo*

Zumbindo e compondo, juntar-me ao meu bando.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 01.08.2019 – 10.03h

*

 

 

NOTA – O primeiro verso é da autoria de MEA no seu soneto DO POUCO QUE QUERO, QUASE NADA TENHO

 

* Marimbondo (do kimbundo, Angola) – Vespa, vespão

 

 

 

 

 

 

 

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