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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
26
Jun19

OLHO-TE, SOL...

Maria João Brito de Sousa

Olho-te, Sol... (1).jpg

OLHO-TE, SOL...

*

 

Olho-te, Sol. Não sei se por mim chamas

Nas chamas cruas de que te compões,

Porquanto sou de carne e de emoções

E tu és tudo aquilo que proclamas

 

*

 

Nos calorosos raios que hoje emanas

E dos quais vão surgindo reacções

Que cambiarão conforme as condições

Das ilhas de matéria em que os derramas.

 

*

 

Contudo, tendo prazo - como tudo... -,

Também te apagarás. Ficará mudo

O espaço que hoje ocupas. E vazio.

 

*

 

De nós, proclamadores de eternidades

A quem encheste de oportunidades,

Que guardarás depois de morto e frio?

 

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 26.05.2019 – 14.43h

 

 

 

22
Jun19

EXULTAÇÃO PONTUAL

Maria João Brito de Sousa

ampulheta 2.jpg

EXULTAÇÃO PONTUAL

*



Chegou num céu azul, inda impoluto,

O Verão que pensei nunca mais ver,

Já que este Inverno deitou a perder

Ramadas férteis que nem deram fruto.



*



Mas ei-lo agora, quente e resoluto,

Impondo-se-me aos frutos por nascer,

Aquecendo-me ainda, ainda a ser

Arauto do meu último reduto.



*



Por algum tempo - pouco infelizmente -

Não tremerei de frio e esquecerei

Parte de cada mal que me atormente,



*



Porque enquanto me aqueça um astro-rei

Que para todos nasça, estou contente;

Por quanto tempo exulto, é que não sei.



*





Maria João Brito de Sousa – 22.06.2019 – 10.47h









19
Jun19

FRÁGIL SERIA O FRUTO E FRACO, O CHÃO

Maria João Brito de Sousa

Até sempre.jpg

FRÁGIL SERIA O FRUTO E FRACO, O CHÃO

*



Quero-te, solidão, mais do que ao mar

E mais do que ao vulcão que trago aceso

Nas mil e uma noites sem luar

Dos dias em que o sol se compra a peso.



*



Do tanto que te quero e sei mostrar,

Do muito que te anseio, adubo e prezo,

Fico, de corpo e alma, a levedar

A massa do meu pão posto em defeso.



*



Porque és amante que poucos entendem

E mãe dos versos que me surpreendem

No ventre do silêncio, ó solidão,


*



Se não fora por ti, fermento vivo

Do verso-pão que como e que cultivo,

Frágil seria o fruto e fraco, o chão.

*







Maria João Brito de Sousa – 19.06.2019- 12.38h

16
Jun19

VÔOS

Maria João Brito de Sousa

VÔOS.jpg

VÔOS



*



Por vezes somos espada, somos bala,

Por vezes somos flor que já murchou...

Num dia somos voz que ninguém cala

E, noutro, uma memória que ficou.



*



Por vezes, quando imóveis numa sala,

Chegamos onde mais ninguém chegou

E, sem o peso de nenhuma mala,

Voamos como mais ninguém voou...



*



Se temos asas dessa envergadura,

Sem outro esforço que o de uma procura

Percorreremos todo este universo,



*



Que se outros há, perdoem-me a loucura

De preferir voar estando segura

Do tanto que me prende ao velho berço.

*





Maria João Brito de Sousa – 16.06.2019 – 12.15h

 

Imagem retirada  daqui

14
Jun19

O DESVENDADOR DE ALMAS

Maria João Brito de Sousa

O DESVENDADOR DE ALMAS.jpg

O DESVENDADOR DE ALMAS

 

*



Decifro-te anseios, silêncios e medos...

Desvendo segredos. Cá tenho os meus meios

Nem belos nem feios, nem tristes nem ledos,

Nem sequer azedos como os teus receios...



*



Aos anéis, comprei-os, mas... postos nos dedos,

Ficaram tão quedos que cansei-me e dei-os

Apesar de cheios de mistério e credos,

Visões de degredos, vislumbres de enleios.



*



Contudo desvendo sonhos, ambições

E até frustrações que mal compreendo,

Mas logo apreendo sem mais confusões.



*

 

 

Se há contradições no que vou tecendo,

Nada mais pretendo, face às condições,

Do que alguns tostões pelo que hoje vendo.



*





Maria João Brito de Sousa – 14.06.2019 -21.53h


*

 

Imagem retirada daqui

07
Jun19

NADA OS SEGURA!

Maria João Brito de Sousa

Silva_Porto-05.jpg

NADA OS SEGURA!



*



Das pontas desgastadas destes dedos

Vão nascendo os folguedos de toadas

Talvez pouco afinadas, mas sem medos

Se a penas e degredos são votadas



*



Por fúteis quase nadas, por segredos,

Ou por falsos enredos e charadas...

Colhem espigas doiradas. Qu`rê-los quedos,

Aos incansáveis dedos, camaradas,



*



É perfeita loucura! Voltarão

A andar na contra-mão de uma procura

Do que trouxe amargura à servidão,



*



Pois contra a opressão da ditadura

Crescerão em estatura e dimensão

Ao dizerem que não. Nada os segura!

*





Maria João Brito de Sousa – 06.06.2019 – 23.00h











NOTA - Soneto experimental, em decassílabo heróico com rimas na sexta e na décima sílaba métrica.





Tela de Silva Porto, retirada daqui

05
Jun19

À MEA

Maria João Brito de Sousa

À MEA.jpg

À MEA

*



Que possa Juno em Junho consolar-te

De tão imensa dor. Eu nem me atrevo

A mais do que entender-te e abraçar-te,

Pois mais não sei. Só sei que mais não devo



*

Porque, afinal, que mais terei pra dar-te

Pr`além do que te dou quando te escrevo,

Se me sabe a tão pouco desejar-te

Coragem, nas palavras que aqui levo?

*



Pra dor que só se espelha na mudez,

Nem eu vejo o consolo que não vês

Nos abraços sentidos que te oferecem,



*



Mas nada mais te posso oferecer

Pois, quando a vida assim nos faz doer,

Só o Tempo imporá que as dores dispersem.

*





Maria João Brito de Sousa – 05.06.2019 -11.00h

 

Imagem retirada daqui

31
Mai19

AO BEIJO DA "SENHORA DA GADANHA"

Maria João Brito de Sousa

SENHORA DA GADANHA.jpg

AO BEIJO DA “SENHORA DA GADANHA”

 

*

 

Não, me distraio, não, só recupero

Do beijo da “senhora da gadanha”,

Mas não cedo um instante ao desespero

Nem a ela me entrego, se me apanha.

*

 

Quisera fazer mais, porém sincero

Será quanto produza, embora estranha

E lenta na palavra em que me esmero,

Pareça enquanto a morte me acompanha.

 

*

 

Faltam-me os olhos, falham-me os sentidos,

Esfumam-se-me entre atalhos já esquecidos

Palavras que julguei serem legíveis

*

 

Mas outros há que estando já perdidos

Ainda assim resistem, quando unidos,

A provações mais cruas, mais temíveis.

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 30.05.2019 – 16.34h

 

 

 

30
Mai19

SILÊNCIO BRANCO

Maria João Brito de Sousa

SILENCIO BRANCO.jpg

SILÊNCIO BRANCO

 

*

Quando um branco silêncio estende as asas

Sobre esta nossa imensa pequenez

Ou entra subreptício em nossas casas

Sem dar a conhecer os seus porquês

 

*

 

E tendo a dimensão das ondas rasas

Inteiro te fascina mal o vês,

Pois deixas que a mudez inunde as vazas

Desse pouco em que crês que não descrês,

*

 

 

Do branco espanto nasce a melodia

E, em torno dela, o mais se silencia...

Proteste quem julgar que aqui divago

 

*

 

Ou que afirmo o que nunca afirmaria

A quem possa entender que nada cria

A partir da mudez de um branco lago.

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 30.05.2019 – 08.30h

 

 

 

A Jack London

 

Imagem retirada daqui

 

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