Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

poetaporkedeusker

poetaporkedeusker

UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
05
Jul20

SEGREDO(S)

Maria João Brito de Sousa

fundo-de-luar.jpg

SEGREDO(S)
*

(Soneto em verso alexandrino)
*

 

É lá, no culminar do que eu souber sentir

Que o verso anda a fugir daquilo que eu rondar

Pra me fazer pensar e pra me seduzir

Até eu desistir de o tentar agarrar
*

 

Depois vem-me beijar sem sequer prevenir

E faz-me submergir, como se fosse em mar,

No tom que me ditar enquanto o exigir

O tempo de o exprimir e o tempo de o cantar.

*

 

Há versos de luar que juram conseguir

Bem mais que o que eu pedir desde que os saiba amar...

Que brilho singular emanam ao sorrir!
*

 

Como os posso trair? Como os posso negar

Sem a mim me anular? Como hei-de reagir?

Sou forçada a admitir que existo pra sonhar!
*

 


Maria João Brito de Sousa - 04.07.2020 - 17.30h

05
Jul20

TRIÂNGULO AMOROSO

Maria João Brito de Sousa

16904840_1480425708648705_3041992630643229839_o.jpg

TRIÂNGULO AMOROSO
*

(Soneto em verso alexandrino)
*

 

Sinto-me sonhadora, assumo-me seareira!

Vou dar-me em sementeira e antes de ir-me embora

Serei a plantadora-aspirante-a-ceifeira

Que acende na lareira o verbo em que se explora.

*

 

Estatueta que decora/enfeita a prateleira

Coberta da poeira e dos livros de outrora,

Escravizada senhora a vida (quase) inteira,

Sobrevivo hoje à beira e ao espanto da escritora.
*

 


Serei talvez pintora... ainda que assim seja,

Que o verso nunca o veja! Escondo-lho sempre em vão,

Que julga haver traição, explode em ciúme e inveja...
*

 

Por muito que eu proteja a dupla relação,

Reclama sem razão e exige-me que esteja

Tão só no que corteja ardente de paixão!

*

 


Maria João Brito de Sousa - 04.07.2020 - 16.00h

04
Jul20

BOA VIAGEM!

Maria João Brito de Sousa

BOA VIAGEM.jpg

BOA VIAGEM!
*


Somos feitos de barro e sonho e espanto;

Redes infindas de nervos e veias

Percorrem-nos o corpo, como teias,

(Re)cobrem-nos inteiros, como manto.
*

 

Por vezes somos mágoa, somos pranto

Do sal que o mar chorou sobre as areias,

E outras vezes, sonhando, só de ideias

Erguemos tudo ou nada... e sempre tanto!
*

 

Porque é das nossas mãos que tudo nasce,

O testemunho passa, a coisa faz-se,

Ganha sentido a vida, o mundo avança,
*

 

Perde o Adamastor toda a vantagem

E já se avista ao longe a outra margem;

Sopra o vento a favor da Boa Esperança!
*

 


Maria João Brito de Sousa - 04.07.2020 - 10.57h

 

Imagem retirada daqui

03
Jul20

À VITÓRIA SOBRE TODAS AS PANDEMIAS

Maria João Brito de Sousa

pneumónica - 1918.jpg

À VITÓRIA SOBRE TODAS AS PANDEMIAS
*

Que contágio é este que assim nos traz presos,

Fracos, indefesos face ao monstro agreste?

Que medos trouxeste? Que ingratos desprezos,

Que tremendos pesos sobre nós puseste,

*

Monstro que impuseste teus medos acesos?

A alguns vejo azedos por temor da peste,

Mas crendo que reste esp`rança de folguedos

Transmuto os meus credos nos versos que leste;
*


Trago na memória outra pandemia

Que causou razia que ficou prá História...

Seja esta irrisória face ao que fazia
*


Essa que abatia pessoas, qual escória

Sem nome e sem glória e, dia após dia,

Mais gente engolia. E, a seguir... VITÓRIA!
*

 


Maria João Brito de Sousa - 02.07.2020 

*

Soneto hendecassilábico em rima intercalada/toante

 

*

 

Imagem retirada da Wikipédia- Vítimas da pneumónica (1918)

02
Jul20

REDE(S) DE VELUDO

Maria João Brito de Sousa

REDES DE VELUDO - Wikipédia.jpg

REDE(S) DE VELUDO
*

 

(Soneto em verso alexandrino)

*

 

A minha sede é mastro, encima a escuna antiga.

Quando o vento a castiga e ao Norte perde o rasto,

Orbita como um astro, acende-se em cantiga

E depressa me instiga a deitar fora o lastro.
*

 

Se em vez de escuna é castro e a sede me mitiga

No berço em que se abriga o pouco que lhe gasto,

Ergue-se em alabastro, assoma-me à postiga

E o certo é que me obriga em gesto suave e casto
*

 

A dar do que me basto um nada... e quase tudo;

Este meu espanto mudo e ainda uma outra sede

Que só o verso mede... e se hoje ao verso aludo,
*

 

Com espantos não me iludo inda que os não arrede,

Que o verso mais me pede e não sei se lhe acudo

Ou se o prendo em veludo, embora o solte em rede.
*

 

 

Maria João Brito de Sousa - 01.07.2020 - 20.00h

01
Jul20

SUPOSIÇÃO

Maria João Brito de Sousa

Cupido4b.jpg

SUPOSIÇÃO
*

 

Se um anjo houvesse que, achado ou perdido,

Espetasse a seta no meu nó cordial,

Se desse pelo nome de Cupido

E usasse asas de espanto e de cristal

*

 

E um arco todo em pasmo concebido

Pra varar alvos feitos do metal

Mais duro que jamais se houvesse obtido

Nas forjas da versão mais racional...
*

 

Fizesse o pressuposto algum sentido

Ou fosse vagamente intencional,

Talvez valesse a pena ter tangido
*

 

A minha lira de astros, afinal...

Mas suponho que um verso distraído

Me tenha dado um tiro acidental.
*

 

 


Maria João Brito de Sousa - 01.07.2020 - 12.58h

*

Imagem de Cupido

retirada da Wikipédia

30
Jun20

GALOPE

Maria João Brito de Sousa

O GALOPE.jpg

GALOPE
*

(Soneto em verso alexandrino)
*

 

Nem sempre é transparente o verso em que me embalo

E nem sempre vos falo assim tão claramente,

Que a força da corrente é tanta que me calo

E só no intervalo oiço o que tinha em mente.
*


O poema é prepotente, exalta-se e, num estalo,

Açula-me o cavalo em que cavalgo sempre

Que o verso emerge urgente, abrindo-se num halo

De assombro, ainda ralo, ainda incoerente,
*


Ainda tão somente em vias de pensar

E até de se explicar, arfante e tão espantado

Que nem concebe errado expor-se a galopar
*


Sem antes descansar, sem mesmo ter parado,

Sem sequer ter-se olhado; as ventas a soprar

E o seu sopro a deixar o poema embaciado.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 30.06.2020 - 14.28h

*

Imagem retirada daqui

 

 

29
Jun20

O ESTRANHO CASO DO DESCONHECIDO QUE VEIO MORRER NO MEU SONHO

Maria João Brito de Sousa

o estranho sonho.jpg

O ESTRANHO CASO
DO DESCONHECIDO
QUE VEIO MORRER
NO MEU SONHO
*
*
Deitou-se nos meus braços naufragados,

Esboçou um gesto e sem mais reacção

Morreu-me neles, de dentes cerrados

Feito um fardo de carne, um peso vão,
*

Os olhos inda abertos, encovados

Nas órbitas de um rosto em convulsão

E os cabelos àsperos, suados,

Roçando a minha naufragada mão.
*

Quem era? Quem não era? Não sabia

E o cadáver não mais responderia

Por muito que eu ainda perguntasse
*

Porque é que no meu sonho falecia

Sem se dignar explicar por que o fazia

E sem sequer esperar que eu acordasse.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 27.06.2020 - 19.09h

28
Jun20

EM ESTADO BRUTO

Maria João Brito de Sousa

16114822_1444386372252639_8406339315467189528_n.jpg

EM ESTADO BRUTO
*

Do sumo doce do mais doce fruto

Sacio a minha (in)saciável sede

No som que, silabado, se sucede

Ao sussurrado som que agora escuto.
*

Mas se um verso me surge irado, hirsuto,

Soprando fúrias que mais ninguém mede,

Deixá-lo-ei rugir como me pede,

Que às vezes solto o verso em estado bruto.
*

Nem sempre a razão tem supremacia

Sobre esta compulsão que o verso cria

Quando me guia nessa direcção
*

E verga-se a razão dando passagem

Ao verso que transborda e galga a margem

De todas as razões que há na razão.
*


Maria João Brito de Sousa - 27.06.2020 - 15.04h

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em livro

Links

O MEU SEBO LITERÁRIO - Portal CEN

OS MEUS OUTROS BLOGS

SONETÁRIO

OUTROS POETAS

AVSPE

OUTROS POETAS II

AJUDAR O FÁBIO

OUTROS POETAS III

GALERIA DE TELAS

QUINTA DO SOL

COISAS DOCES...

AO SERVIÇO DA PAZ E DA ÉTICA, PELO PLANETA

ANIMAL

PRENDINHAS

EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE POETAS

ESCULTURA

CENTRO PAROQUIAL

NOVA ÁGUIA

CENTRO SOCIAL PAROQUIAL

SABER +

CEM PALAVRAS

TEOLOGIZAR

TEATRO

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

FÁBRICA DE HISTÓRIAS

Autores Editora

A AUTORA DESTE BLOG NÃO ACEITA, NEM ACEITARÁ NUNCA, O AO90

AO 90? Não, nem obrigada!