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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
13
Jan20

BRINCANDO

Maria João Brito de Sousa

BRINCANDO.jpg

BRINCANDO

*

 

Pusilânime, o velcro do sapato

Abre-se e mostra a meia e expõe o pé

Que disso não dá conta, que não vê,

Nem sente quanto agora vos relato.

 

*

 

Quem nisso reparou, foi o meu gato

Que mal assim o viu, que mal deu fé

Do velcro a ir e vir como maré,

Julgou ter visto a cauda de algum rato.

 

*

 

Fundem-se, gato e pé, numa só massa

Que gato que se preze, um rato caça,

Ainda que de velcro e cabedal

 

*

 

Ninguém tirou proveito da caçada;

Escapei, mas fiquei toda esgatanhada

E dei um raspanete ao animal.

 

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 13.01.2020 – 11.48h

30
Dez19

DA AUSÊNCIA

Maria João Brito de Sousa

DA AUSÊNCIA(imagem).jpg

DA AUSÊNCIA

*

 

Da tua ausência e – porque não? – da nossa,

Emana uma aura fosca e baça e crua,

Uma ilusão de luz, como se lua

De um astro em que se fez menina e moça.

*

 

Enquanto essa ilusão de nós se apossa

Qual rio que em calmo lago desagua,

A ausência, mais que minha, mais que tua,

É sal que salga a vida e mel que a adoça.

*

 

Nessa ausência, que vai ganhando vulto,

Transmuta-se a abstracção em verbo oculto

A que o sonho dá corpo e cristaliza

*

 

E tudo o que era ausência é já presença

Que dita o que se sente, o que se pensa,

E cresce enquanto a mente idealiza.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa  - 30.12.2019 – 10.15h

 

 

Imagem retirada daqui

 

NOTA - Despedindo-me de 2019 e abrindo os braços a 2020, boas entradas para todos vós, companheiros de jornada!

17
Dez19

MÁTRIA II

Maria João Brito de Sousa

 

TERRA-MÁTRIA.gif

 

 

MÁTRIA II

 

*

 

Por baixo, por cima, por dentro e por fora,

De azuis se decora, de verdes se anima,

Toda se sublima na fauna e na flora

Que sobre ela mora. Terra, inda menina!

 

*

 

Aos reptos do clima, ela os elabora

E o Sol que a namora e que a insemina,

Jamais a domina quando se demora

Sobre ela que cora se del`se aproxima.

 

*

 

Que céus congemina? Que infernos deplora?

Que diz quando chora num chão que germina

Se alguém contamina o espaço em que ancora?

*

 

E, hora após hora, reflecte e rumina

Sobre o que se ensina(1). É dona e senhora,

Mátria e criadora de quanto fascina!

 

*

 

Maria João Brito de Sousa – 17.12.2019 -08.00h

 

 

 

  • 1) O que se ensina – Aquilo que a si própria se ensina, numa perspectiva evolucionista
15
Nov19

JANELAS II

Maria João Brito de Sousa

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JANELAS II

*

 

Uma janela aberta, outra fechada,

Outra que sobre o nada se abre, incerta...

Cada qual descoberta, ideia alada

Que à mente estremunhada lança alerta,

 

*

 

Deixando-a, enfim, desperta e acordada

Pois nela debruçada se liberta

E colhe a sua oferta, alvoroçada,

Para lançar-se em estrada agora certa.

*

 

Deu fruto, esta janela. Que colheita!

Alguém que dela espreita encontra nela,

À chama de uma vela, a fenda estreita

 

*

 

 

Sobre um mundo que a aceita e, já sem trela,

Sem arreios, nem sela, desta feita

A cama em que se deita é escolha dela.

 

*

 

Maria João Brito de Sousa – 15.11.2019 – 10.58h

*

 

Soneto em decassílabo heróico com dupla rima encadeada (interna)

04
Nov19

O MEU SONETO DE HOJE III

Maria João Brito de Sousa

aniversario meu.jpg

O MEU SONETO DE HOJE III

 

*

 

O meu soneto de hoje é dedicado

A quem me veio dar os parabéns

E se gagueja um tanto embaraçado

É porque nunca fez de vós reféns,

*

 

Nem mesmo crê haver-vos conquistado

Mais do que alguns bocejos e desdéns...

Alma, Soneto! Diz “muito obrigado”

Com toda a garra qu`inda em ti conténs!

 

*

 

Por mim, não fico tão surpreendida;

É a ti, afinal, que eu devo a vida,

Bem como a quem te lê, ou já te leu.

 

*

 

Recebe a saudação e agradece,

Porque a minha alma toda se enternece

Sempre que alguém saúda um filho meu.

*

 

Maria João Brito de Sousa – 04.11.2919 – 12.53h

 

 

NOTA - A fotografia já deve ter perto de duas décadas, mas é a unica que tenho alusiva a um aniversário.

28
Out19

O MEU SONETO DE HOJE II

Maria João Brito de Sousa

candeia.jpg

O MEU SONETO DE HOJE II

 

*

Se os pássaros pousassem nos meus dedos,

Talvez novos segredos revelassem

E as musas acordassem sem mais medos

De que os alheios credos não gostassem

 

*

 

Dos sonhos que sonhassem quando, ledos,

Meus dedos em brinquedos transformassem

E em versos que vibrassem, mesmo quedos,

Nuns tantos arremedos que hoje ousassem...

 

*

Que pássaro pousou sem que eu sentisse

E sem que eu lhe pedisse aqui cantou?

Um sopro o despertou, sem que dormisse

 

*

 

Bastou que o pressentisse e conquistou

Versos que modulou com tal meiguice

Que em nada contradisse o que almejou.

 

*

 

Maria João Brito de Sousa – 28.10.2019 – 11.39h

*

 

 

Nota - Soneto em decassílabo heróico com rima encadeada interna.

 

Imagem retirada da net sem autoria identificável

11
Out19

O MEU SONETO DE HOJE

Maria João Brito de Sousa

Le Berceau - Berthe Morisot (1).jpg

O MEU SONETO DE HOJE

*

 

Trazia a face f`rida, o corpo gasto

E a vista maltratada pelos anos,

Mas embora o esmagassem desenganos,

Ainda vinha firme, inteiro e casto.

*

 

Atrás de si deixava o longo rasto

De quanto lhe causara tantos danos...

Foi, porém, a nobreza dos decanos

Que hoje me quis servir como respasto.

*

 

Entrou-me em casa e já não quis partir;

Havia tanto mundo a descobrir

Neste pequeno mundo franqueado

*

 

P`la velha porta que eu lhe ousara abrir...

Agora, consolada, vou dormir.

Zela por nós, soneto hoje encontrado!

*

 

Maria João Brito de Sousa – 11.10.2019 -10.10h

 

 

IMAGEM - "Le Berceau", Berthe Morisot

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