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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
22
Out21

MEU MAR/TEU MAR

Maria João Brito de Sousa

meumar teumar II.jpg

MEU MAR/TEU MAR
*
Encantamento
*


O meu mar será sempre o mesmo mar

Que te assoma à janela, noite e dia,

E que por mero acaso ou ironia

Teve o condão de a ambos encantar.
*

 

Abro-lhe a porta, assim, de par em par,

Para sentir-lhe o cheiro a maresia;

Fica-me a Musa cheia, se vazia

Estivesse enquanto farta de o esperar.
*


Quando no Equinóceo se agiganta

O mar que a gente - tanta gente... - canta,

Esse que em tempos tanto foi chorado
*


Enche de espuma a velha Marginal

E traz consigo o sal do mesmo sal

Com que este encantamento foi temperado.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 19.10.2021 - 18.00h

21
Out21

SONHOS & FILHÓS

Maria João Brito de Sousa

CASA DO DAFUNDO.jpg

SONHOS & FILHÓS
*

Memórias

E

Singularidades

Da Casa do Dafundo
*


Quão pálida era a lua e longínqua era a voz

Que chamava por nós na esquina dessa rua

Em que o som desagua em rio sem mar, nem foz...

Junto de seus avós cresceu ardente e crua
*

 

Quem hoje os perpetua em sonhos e filhós;

Tudo passa veloz, tudo em paixões se estua

Mas nada desvirtua os que morreram sós,

Fechados como a noz sobre a memória sua.
*


O tempo não recua assim tão facilmente,

Nem se rende a semente à mão que à terra a lança,

Que a Vida, como a dança, acaba de repente
*


E quem bailar não tente ou rejeite a mudança,

Enverga a desconfiança, amua descontente

E invariavelmente a esgota enquanto avança.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 20.10.2021 - 14.30 h
*


Soneto em verso alexandrino com rima (interna) encadeada

 

19
Out21

POBREZA - Essoutro Vírus Pandémico

Maria João Brito de Sousa

pobreza II.png

POBREZA
*
Essoutro
Vírus Pandémico
Que Urge Erradicar

*


Conheço essa pobreza envergonhada

Que vai sobrevivendo a cada mês

A suspirar pelo tal dia dez

Em que chega a pensão tão desejada
*


E também a pobreza revoltada

(guardando, ou não, perfeita lucidez)

Que se associa, que estuda os porquês

E que, em consciência, luta organizada.
*


Até conheço quem, tendo nascido

Em berço de ouro, tenha preferido

Viver tão só de quanto produzia
*


Mas isto sinto e disto estou segura;

Acredito que o mundo inda tem cura,

Que existe "arranjo" pra tanta avaria!
*


Maria João Brito de Sousa - 19.10.2021 -09.30h
*

 

Respondendo ao soneto POBREZA ENVERGONHADA de José Manuel Cabrita Neves

 

18
Out21

SONETO DE "CAVALO-CANSADO"

Maria João Brito de Sousa

Picasso azul - Cavalo-cansado.jpg

SONETO

DE

"CAVALO-CANSADO"
*

 

Abre, homem, tuas portas e janelas

(é sempre à esquerda que o Sol vai nascer)

Prá luz entrar quando a manhã vier

E o teu portão ranger nas aduelas.
*


O cavalo descansa nas tigelas

Que o fado preservou. Há que o comer

Porque o cultivo, doa a quem doer,

Requer-te força e braços sem mazelas.
*


Vá, repousa uma hora. Talvez menos

Que se não mede o tempo dos pequenos

Por bitola que agrade ao abastado
*


E a lavra espera. Ou rói-te a incerteza

De ter ou não ter pão pra pôr na mesa

Em que o teu filho o clama esfomeado?
*

 

Maria João Brito de Sousa - 16.10.2021 - 22.00h

 

Tela de Pablo Picasso (fase azul)

17
Out21

UM MAR SEM FUNDO - (Aqui, Em Casa)

Maria João Brito de Sousa

A TECEDEIRA DE BARCAS, 1999.jpg

OLHOS
DE

 MAR SEM FUNDO

(Aqui, Em Casa)
*

 

Marinam nalgum caldo apimentado

Meus olhos que não vergam nem se rendem

E abusam mas recusam quanto entendem

Ser obsoleto ou ser demasiado.
*

 

Se o que vêem lhes fosse recusado

Ou muito pouco fosse o que pretendem...

Mas nunca há fim prós versos que empreendem

Inda que a meia haste e em mau estado.
*


Talvez por teimosia os mova a Musa

Que vive apaixonada e se recusa

A deixá-los em paz. Ficam-me em brasa
*


E eu, metade musa ou musa inteira,

Consumida em ardor salto a fogueira

E invento um mar sem fundo. Aqui, em casa.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 16.10.2021 - 13.30h

 

Imagem -"A Tecedeira de Barcas", de minha autoria

16
Out21

A QUINTA-ESSÊNCIA DAS PEDRAS

Maria João Brito de Sousa

Estátua_de_Florbela_Espanca_-_Parque_dos_Poetas_-

Estátua de Florbela Espanca, retirada daqui

*

A QUINTA-ESSÊNCIA DAS PEDRAS
*

 

Talvez... talvez se a pedra se animasse

- Marmóreo sopro que em gesto inaudito

Pusesse à prova aquilo em que acredito -

E se erguesse e sorrisse e me abraçasse...
*

 

Terá sido algum sonho que eu sonhasse,

Isto que agora tento pôr por escrito?

Há dias em que (quase) tudo admito

E outros há em que anseio que isso passe!
*

 

Se a Musa idealiza e molda o barro

Ou se a cinzas reduz cada cigarro

Que no cinzeiro morre enquanto escrevo
*

 

Pr`afirmar que uma pedra ganhou vida

Assim que começou a ser esculpida,

A jurar que assim foi nem eu me atrevo.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 15.10.2021 - 17.00h

 

 

 

 

 

 

 

15
Out21

OS "COELHINHOS" DA AVÓ MARIA AUGUSTA

Maria João Brito de Sousa

Eu, na casa do Dafundo, com os pintaínhos.jpg

OS "COELHINHOS"

DA AVÓ MARIA AUGUSTA
*

 

No modesto jardim que improvisei

Sobre um comprido banco de madeira,

Há plantas cujo nome nem eu sei

E sobre elas, reinando, uma palmeira
*


Daquelas pequeninas que comprei

Numa lojeca esconsa e barateira...

Quanto à erva bravia que citei,

Floresceu neste Abril, fez-se caseira
*


E abriu-se toda em flor`s que mal se vêem

Que, de tão frágeis, vão-se assim que crêem

Terem-se imposto ao verde original...
*


Tenho-as comigo desde que me lembro

De as ter roubado aos ventos de Novembro

Que comigo brincavam no quintal.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 14.10.2021 - 13.00h

 

Inspirado no soneto NO MEU JARDIM, de José Manuel Cabrita Neves.

14
Out21

PARA O TEU EU de MINHA MUSA E MEU EU

Maria João Brito de Sousa

Ânimo.jpg

DICOTOMIA.jpg

DA MINHA MUSA E DO MEU EU
PARA O TEU EU
*


Conheço a tua Alma, o teu Contrário

E esse Ânimo teu sempre incansável

Que completa o teu Eu, risonho e afável,

Mas firme quando assim foi necessário.
*


Prepara a minha Musa o seu cenário

Pra compor-te um soneto apresentável,

Mas sendo ela uma tonta imponderável,

Serei Eu quem desfia este rosário;
*


Contigo irá, por puro compromisso,

Um Ânimo que nunca foi submisso,

Que te não falhará, que sempre atento,
*


Te estenderá a mão se te cansares

E te consolará se te magoares...

Pra tanto não nos sobra, a Nós, talento.
*


Maria João

13.10.2021

 

Ao Rogério Pereira

 

13
Out21

SER OU NÃO SER?

Maria João Brito de Sousa

as-duas-fridas-frida-kahlo-cke.jpg

"As duas Fridas", Frida Kahlo.

Imagem retirada daqui

*

SER OU NÃO SER?
*


A noite é uma porta aberta à madrugada,

Silêncio que a precede e gera a agitação

Da razão que cativa e enlaça um coração;

Cede a lágrima crua a vez à gargalhada...
*


Solta-se uma inquietude antes aprisionada

E logo emerge, humana, a flor da criação;

Consegue, a frigidez, saber quanta emoção

Of`rece uma partida ansiosa da chegada?
*


Reboa e relampeja agora a tempestade...

Quem sabe se é mentira ou se é pura verdade

O que o vento efabula acerca de utopias?
*

 

Ser ou não ser mudança, a dúvida persiste,

Mas pode-se afirmar que o sonho ainda existe

E que a coragem vai vencendo as cobardias.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 13.10.2021 - 13.50h
*

Soneto em Verso Alexandrino, dedicado à Fê Blue Bird.

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