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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
11
Out19

O MEU SONETO DE HOJE

Maria João Brito de Sousa

Le Berceau - Berthe Morisot (1).jpg

O MEU SONETO DE HOJE

*

 

Trazia a face f`rida, o corpo gasto

E a vista maltratada pelos anos,

Mas embora o esmagassem desenganos,

Ainda vinha firme, inteiro e casto.

*

 

Atrás de si deixava o longo rasto

De quanto lhe causara tantos danos...

Foi, porém, a nobreza dos decanos

Que hoje me quis servir como respasto.

*

 

Entrou-me em casa e já não quis partir;

Havia tanto mundo a descobrir

Neste pequeno mundo franqueado

*

 

P`la velha porta que eu lhe ousara abrir...

Agora, consolada, vou dormir.

Zela por nós, soneto hoje encontrado!

*

 

Maria João Brito de Sousa – 11.10.2019 -10.10h

 

 

IMAGEM - "Le Berceau", Berthe Morisot

03
Set19

JÁ NÃO HÁ SETEMBRO QUE ME ENCANTE...

Maria João Brito de Sousa

setembro-2019-62ds.jpg

 

JÁ NÃO HÁ SETEMBRO QUE ME ENCANTE

 

*

Não, já não há Setembro que me encante.

Ele é prenúncio de outro longo inverno

Que a experiência de vida me garante

Não ser amável, nem gentil, nem terno.

*

 

Passa Setembro - e passa num instante...-

Para que jogue Outubro o jogo eterno

Do beijo frio que entrega de rompante

E ao qual temo bem mais que ao próprio inferno.

*

 

Bem sei! Bem sei que o ciclo é natural,

Por isso nem sequer o levo a mal,

Apenas me limito a ser sincera.

*

 

Se afirmo que este mês me não fascina

É porque estou tão frágil, tão franzina,

Que temo pela vida. E fico à espera.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 03.09.2019 – 11.00h

 

Imagem retirada daqui

19
Ago19

EMBONDEIROS

Maria João Brito de Sousa

Embondeiros.jpg

EMBONDEIROS

*



Parecem-me dedos, estes ramos vivos

Saídos de mãos que se erguem expectantes

E encimam pulsos/troncos criativos

Que tudo condensam no espaço de instantes.

*



Sim, semelham dedos mas nunca cativos

Porque porta-vozes de seres verdejantes

Que vivem milénios, serenos, altivos,

Pouco se afastando do que foram dantes.



*



Sempre que vos olho, humildes/soberbos,

Assumo a cadência da ausência de verbos,

Também emudeço ante a vossa grandeza,



*



E vós, tão mais sábios do que isto que sou,

Falais sem palavras do mundo em que estou,

Dos grandes caprichos da mãe natureza.



*





Maria João Brito de Sousa – 15.08.2019 – 11.50h

 

 

NOTA - Soneto hendecassilábico criado para  um desafio poético no site  HORIZONTES DA POESIA (ligeiramente modificado)

 

Imagem retirada daqui

01
Ago19

DO NADA QUE TENHO AO POUCO QUE SOU

Maria João Brito de Sousa

Cigarrito.jpeg

 

DO NADA QUE TENHO AO POUCO QUE SOU

*

 

“Perdi a esperança, perdi a vontade”...

Tudo, na verdade, perdi da abastança

Vinda da bonança após a tempestade.

Mas tudo se evade que a vida é mudança

 

*

E a ponta da lança é de ferro e saudade...

Mas urdi-me em jade, com perseverança.

Desfiz-me da trança, gritei; Liberdade!,

Da trivialidade moldei a pujança.

*

 

Pouco me sobrando, por dentro me sondo

E vou recompondo do duro, o mais brando,

Até não sei quando, num gesto redondo,

 

*

Janelas que rondo, assim me franqueando

Se sigo teimando, tal qual marimbondo*

Zumbindo e compondo, juntar-me ao meu bando.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 01.08.2019 – 10.03h

*

 

 

NOTA – O primeiro verso é da autoria de MEA no seu soneto DO POUCO QUE QUERO, QUASE NADA TENHO

 

* Marimbondo (do kimbundo, Angola) – Vespa, vespão

 

 

 

 

 

 

 

26
Jul19

EM CONTRA-MÃO

Maria João Brito de Sousa

Eu, em 2012.jpg

 

EM CONTRA-MÃO

 

Também amei demais, se é que isso existe...

Mas, se isso existe, então amei demais;

Amei como quem prova e não resiste,

Amei como um mortal ama imortais.

 

Amei-te na alegria. Amei-te triste.

Amei-te sempre em doses desiguais

Que fui servindo enquanto as não puniste

Com desculpas, nem com condicionais.

 

Amei-te sempre até que desististe

De reparar nuns tantos ideais

Que pra ti preparei, mas que nem viste.

 

Amei-te em silenciosos rituais

Duma eloquência que me não pediste,

Flagrante, em contra-mão, cega aos sinais.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.07.2018-14.33h

 

 

Na sequência da leitura do soneto “Amei Demais”, de Joaquim Pessoa.

 

 

25
Jul19

EU, GATO COM GUIZO

Maria João Brito de Sousa

digitalizar0025.jpg

EU, GATO COM GUISO

*

 

Corro, corro, corro... mesmo não correndo.

Varro, limpo e estendo sem pedir socorro

E disto me morro, já que vou morrendo

De pouco ir fazendo no tanto que corro...

 

*

 

Dez metros percorro e já estão doendo

Do esforço tremendo, artérias que aforro

Para que num jorro me não vão perdendo,

Como depreendo enquanto discorro.

*

 

Do que era preciso, pouco ou nada fiz;

É certo que o quis, mas... mal me organizo

Com rigor, com siso, logo me desdiz

*

 

Um feito infeliz!, e eu, gato com guizo,

Confuso, indeciso, vivo por um triz,

Baixando o nariz, aceito o prejuízo.

 

*

 

Maria João Brito de Sousa – 25.07.2019 – 13.36h

 

 

Rabisco de minha autoria

16
Jul19

SOMBRAS E CAMUFLAGENS

Maria João Brito de Sousa

Camuflagens.jpg

SOMBRAS E CAMUFLAGENS

 

*

Do que deixar por erros poluído,

Farei sempre triagem rigorosa,

Revendo o conteúdo e o sentido

De cada verso ou cada frase em prosa,

 

*

Não vá passar-me, assim, despercebido,

O espinho traiçoeiro, em vez da rosa...

Mas sempre escapa algum, meio escondido

Em frase de aparência mais viçosa.

*

 

Disso não tendo culpa, culpa tenho

De me não desculpar se vos arranho

Com espinhos que escaparam sem que os visse,

 

*

 

Mas são meu olhos sombras dos de antanho

Que viam erros do menor tamanho

Que alguém, sem dar por isso, produzisse.

 

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 16.07.2019 – 11.15h

 

Imagem retirada  daqui

15
Jul19

BOLAS DE SABÃO

Maria João Brito de Sousa

BOLAS DE SABÃO.jpg

BOLAS DE SABÃO

*

 

 

São tão lábeis, as bolas de sabão

Quanto os meninos são, sem o saber;

Elas, rebentam por qualquer razão,

Eles, não param de as fazer nascer

*

 

E embora as coisas sejam como são

- nem sempre fáceis de compreender -,

Para os meninos só a diversão

Os impele a correr, correr, correr,

 

*

Atrás de bolas que rebentarão

Ao simples toque dessa mesma mão

Que se esmerara para as conceber

 

*

E, desta feita, a gratificação

Reduz o feito à estranha dimensão

Da qual mais colhe quem menos colher.

 

*

 

Maria João Brito de Sousa – 10.07.2019 -22.09h

 

*

 

NOTA - Soneto criado para um Desafio Poético no site HORIZONTES DA POESIA

13
Jul19

ASSIM QUE ROMPA A AURORA

Maria João Brito de Sousa

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ASSIM QUE ROMPA A AURORA

 

*

 

Cansada de adular moda e pessoas,

Despojas-te de véus, quedas-te nua;

Tão pronto te rebelas quanto voas

Além da Terra e muito além da Lua.

 

*

Bendito seja o som no qual ecoas,

Abençoada a voz que, sendo tua,

For abalando as mil de que destoas

Enquanto sobrevoas cada rua,

*

 

Porquanto nesse vôo te revelas

Capaz de confrontar-te com janelas

Com mais vista pra dentro que pra fora

*

 

E de onde a prepotente tirania

Te algeme à sua eterna miopia,

Escapar-te-ás assim que rompa a aurora!

*

 

Maria João Brito de Sousa – 12.07.2019 – 09.19h

 

 

 

Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia

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