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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
19
Out18

SINOPSE II

Maria João Brito de Sousa

SINOPSE II.jpg

 

SINOPSE II

*

 

 

Desfazemos os nós, pintamos pombas,

Acudimos ao fogo, aos temporais,

Fatiamos o pão com facas rombas

Desgastadas ao fio... e somos mais!

*

 

Outros, sem pena, vão lançando bombas,

Engendram belicosos rituais,

Roubam-nos luz e movem-se nas sombras

Das chagas que em nós abrem seus punhais.

*

 

Assim se perspectiva a história humana

E quem assim a vê, pouco se engana,

Que a isto a nossa vida se resume.

*

 

Mas do lado de cá da barricada,

Do lado que escolhi, não estando errada,

Reinventa-se o mundo, aceso o lume.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 19.10.2018 -13.28h

 

 

 

Desenho - "Trabalhador", Vincent Van Gogh

 

18
Out18

NARRATIVA DE UMA DESPEDIDA

Maria João Brito de Sousa

O ENCANTADO - António de Sousa.jpeg

 

NARRATIVA DE UMA DESPEDIDA

*

 

 

Nos teus olhos encontro vida, ainda,

E uma espécie de encanto, indecifrável,

Discreto, porque a vida se te finda

Mas, como tu, directo, franco, afável,

*

 

Pronto pra confirmar que a vida é linda,

Ainda que tão curta e sempre instável,

Apesar do pesar com que nos brinda,

Sendo-te, embora, a morte inevitável.

*

 

E adormeces comigo à tua beira

Deixando uma mensagem derradeira

Que criou vida própria e que perdura

*

 

Até hoje e até sempre, enquanto eu viva.

(trinta e sete anos conta, a narrativa,

e eu não vos sei dizer se estou madura)

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 18.10.2018 – 14.54h

*

 

 

 

Soneto inspirado na leitura do poema “A Vida em Teu Olhar”, de Joaquim Sustelo.

Neste soneto, narro a partida do meu avô poeta, António de Sousa, trazendo-a para o momento presente.

 

17
Out18

OUTRAS NUVENS , OUTRAS TEMPESTADES

Maria João Brito de Sousa

outras nuvens.jpg

 

OUTRAS NUVENS, OUTRAS TEMPESTADES

*



 

Dobro a esquina de um lapso temporário.

O espanto errava então pela cidade

E não havia bruto ou visionário

Que não previsse aquela tempestade.

*



Temeram-na o boémio, o solitário

E mesmo o aspirante à santidade

Se confessou às contas de um rosário,

Rogando abrigo, em vez de eternidade.

*



Com que cimento o medo os reunia

Na mera suspeição da ventania,

Quando uma brisa sempre os separara?

*

 



Cimentem-se vontade e lucidez

Sobre razões de idêntico jaez

Ou, desta, a tempestade sai-nos cara.

*

 



Maria João Brito de Sousa – 17.10.2018 – 16.53h

 

16
Out18

APENAS MAIS UM SONETO

Maria João Brito de Sousa

Apenas mais um soneto.jpg

 

APENAS MAIS UM SONETO

*



Era um poema limpo, franco, honesto,

Expurgado de acessórios, quase nu,

Empunhando a bandeira do protesto

Que improvisara sobre pano cru

*



E, mais do que poema, é sempre o gesto,

E para além do gesto, serás tu

Quem subscreve as ideias que eu lhe empresto,

Ou quem vai rejeitá-las, por tabu.

*

 

 

Raramente o poema se previne,

Que quanto mais se expõe, melhor define

A força da razão que o fez nascer

*



E, ainda que armado, é pacifista,

Pois mesmo que apoucado inda conquista

E mesmo sem poder, diz quanto quer.

*

 



Maria João Brito de Sousa – 16.10.2018 -12.25h



 

15
Out18

A CHEGADA DO FRIO

Maria João Brito de Sousa

CHEGOU O FRIO.jpg

 

A CHEGADA DO FRIO

*



Arrepiado, o frio sentou-se à mesa

Enrolado na manta dos sentidos.

Sentaram-se a seu lado os precavidos

Alheados do choque e da surpresa,

*



Que a frio que venha assim, da natureza,

Há que entendê-lo e, desde tempos idos,

Temendo, o Homem, silvos e bramidos,

Fez frente à sua trágica grandeza.

*



Pelas geladas ruas da cidade,

A vida continua a fervilhar,

Como se, ao desmentir a realidade,

*





Pretendessem, os homens, afirmar

A sua inconformada identidade,

Ou a firme intenção de a não negar.

*





Maria João Brito de Sousa – 15.10.2018 – 15.00h





 

13
Out18

"POLE POSITION"

Maria João Brito de Sousa

POLE POSITION.jpg

 

 

 

 

“POLE POSITION”

*

 



Aguardando o disparo da pistola

(cada partida implica um tiro certo),

Ao tomar posição, sinto-me tola

E deixo a retaguarda a descoberto.

*

 



Tudo me impele e nada me consola;

Não sei se a meta fica longe ou perto

E nessa ansiedade que me assola

Me esgoto, como gelo no deserto.

*

 



Em vez de uma corrida, haverá duas;

Só depende de como as desconstruas

E do medo que eu possa, ou não, sentir

*

 



Frustrada por jamais saber se chego,

Ou se sucumbo a meio e vos delego

Fraquezas que farei por omitir.

*

 

 



Maria João Brito de Sousa – 13.10.2018 – 10.27h

 

12
Out18

FOGO(S)

Maria João Brito de Sousa

Aqueciento central 2.jpg

 

FOGO(S)

*



Saiu de sua casa às seis e meia

Levando o despontar de uma ambição

No fundo da carteira meio cheia

De sonhos e moedas de tostão.

*

 

 

Pelo caminho, teve a triste ideia

De olhar pra trás e teve, então, noção

De quão longe ficara a sua aldeia,

De si, depois daquela decisão.

*

 



Que futuro a esperava? A mente humana

Tem pulsões destas mas também se engana,

Sobretudo se corre atrás do sonho.

*

 

 

Se narro este prelúdio que me ocorre,

Falo um pouco de um fogo que não morre,

Mas em fogo que mate, as mãos não ponho.

*

 

 



Maria João Brito de Sousa – 12.10.2018 – 09.30h

















 

10
Out18

PREVISÃO DE TEMPORAL

Maria João Brito de Sousa

PREVISÃO DE TEMPORAL.jpg

 

 

PREVISÃO DE TEMPORAL

*





Voam pelo espaço raminhos de flores

De todas as cores. De tabaco, um maço

Que em fumo desfaço, ou cinza e vapores,

Minorando as dores do dente e do braço.

*



Enxoto o cansaço, que há dias piores

E, outros, melhores. Depende... Se os caço

E os prendo no laço, mais aos seus sabores

Quentes, sedutores... são sopa e melaço!

*



Que grande embaraço promete, senhores,

Um dia sem cores num céu fusco e baço

Que vem, passo a passo, escondendo rubores,

*



Lançar-se em furores sobre este meu espaço...

Já tremo - e sou de aço -, já suo suores

Que casa sem estores sofre um bom pedaço.

*

 

 



Maria João Brito de Sousa – 10.10.2018 – 18.10h

*



(Soneto em verso hendecassilábico com rima encadeada)

 

08
Out18

CAVALOS-DE-TRÓIA

Maria João Brito de Sousa

cavalo-de-troia.gif

 



CAVALOS DE TRÓIA

*

 



Retiram-se ufanos os beijos deixados

nos lábios dos fados por deuses humanos...

Um ano, dois anos, serão já passados

e ainda lembrados seu espanto - ou seus danos -

*

 



Que, a todos os planos, ficaram guardados,

já que a beijos dados não se acham enganos

pois foram humanos, pois foram de fados,

não de disfarçados cavalos troianos...

*

 



Ah, se eram presentes, dádivas perfeitas

de bocas eleitas por deuses e crentes

de gestos decentes, sem mal, sem maleitas,

*

 



De quem tudo aceitas... Mostrar-lhes os dentes?

Pobres inocentes! Fazer-lhes desfeitas?

(são curtas ou estreitas as vistas das gentes!)

*

 



Maria João Brito de Sousa – 08.10.2018 – 12.43h

*

 



 

Soneto em verso hendecassilábico com rima encadeada

 

07
Out18

TUDO POR TUDO, BRASIL!

Maria João Brito de Sousa

ORDEM E PROGRESSO.jpg

 

TUDO POR TUDO,

BRASIL!

*



Desconstruo um soneto. A Lucidez

torce-que-torce pelo povo irmão

que vai às urnas declarar porquês,

que vai às urnas, pela salvação.

*



Quem não se importa de ir usando arnês

jamais irá votar na contra-mão,

mas quem se importa votará, talvez,

no lado em que lhe pulsa o coração...

*

 

 

E vota povo, vota, que não basta

cuspir na violência que te arrasta

prá dependência dos donos do mundo

*



E luta, rosna, morde a mão que prende,

que a tua vida só de ti depende

se a barca naufragar e for ao fundo!

*





Maria João Brito de Sousa – 07.10.2018 – 14.15h



 

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