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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
19
Jan22

MOVER MONTANHAS

Maria João Brito de Sousa

PÃ E A GRAVIDADE DA MAÇÃ VERDE - 1999.jpeg

MOVER MONTANHAS
*


Não te procurarei até que venhas

E que tragas contigo o que levaste

De mim, que te dei mais do que sonhaste,

De mim, que hoje abandonas e desdenhas
*


Como se as tuas glosas fossem estranhas

Aos versos que comigo partilhaste...

Voa, então, até onde te encantaste

Ainda que voando me detenhas
*


Mas se em verdade, Musa, me olvidaste,

Enquanto noutras vozes te entretenhas

Ache eu a voz da voz que em mim calaste
*


E ainda que me perca se me ganhas,

É no poema que hoje me negaste

Que encontro força pra mover montanhas.
*


Mª João Brito de Sousa

19.01.2022 - 13.45h

***

 

03
Jan22

2022 - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

Maria João Brito de Sousa

2022 image.jpg

2022 - Coroa de Sonetos
*

Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa
***
1.
*

Dois mil e vinte dois acorda cedo

Não deixes que a preguiça te persiga

Combate essa doença inimiga

Avança, pega em armas, vá, sem medo
*


Tu sabes, não escondas o segredo

Não entres no engodo, na intriga

Não descanses, combate, entra na briga

Não te deixes meter num vil enredo
*

De ti, da tua luta e combate

Dos sinos que tocares a rebate

Depende a humanidade e o viver
*


Lutamos em conjunto assim contigo

Para eliminar o inimigo

Que todos juntos nós vamos vencer
*

Custódio Montes

1.1.2022
***

***

2.
*

"Que todos juntos nós vamos vencer"

O secular poder do capital

Erguendo o nosso punho vertical

A quem julgue poder ver-nos tremer
*

Diante de quem tem, sem merecer,

A força sedutora, mas brutal...

Sereis vencidos, a bem ou a mal,

Porque impotentes face a tanto qu`rer!
*

Hoje germina o fruto que amanhã

Brotará do vermelho da maçã

Pra saciar, de vez, o que é explorado
*


E o futuro, por fim, será Futuro;

Assim que fruto esteja bem maduro

Pode este mundo, enfim, ser transformado.
*

Mª João Brito de Sousa

01.01.2022 - 16.30h
***

3.
*

“Pode este mundo, enfim, ser transformado”

Com força, muito jeito, em união

Mas ainda afastados, atenção,

Até que o mal se afaste, dominado
*


Depois todo o corrupto afastado

E os bens de todos nós em salvação

Da fúria indomável do ladrão

Bem preso, descoberto e condenado
*

Libertos do corrupto e pandemia

Bem juntos todos nós em companhia

Um mundo novo se há-de conquistar
*


Sem peias, sem miséria e sem dor

Cheio de paz, aqui e em redor

De várias formas feito o verbo amar
*

Custódio Montes

1.1.2022
***

4.
*

"De várias formas feito o verbo amar"

Virá, então, a ser bem conjugado;

Presente em cada passo que for dado,

Futuro em cada passo inda por dar
*


E quando a classe obreira conjugar

O verbo redimido e conquistado,

Não mais homem algum será explorado

Que a exploração não mais terá lugar!
*


Falta, tão só, que o verbo amadureça

E que todo o explorado reconheça

Que o mundo é seu e não de quem o explora
*


Que aprenda! Aprenda sempre, nunca esqueça

Que assim não haverá quem o impeça

De amar mais e melhor do que ama agora.
*


Mª João Brito de Sousa

02.01.2122 - 14.20h

***
5.
*

“De amar mais e melhor do que ama agora”

Depois de descobrir a sensação

Que chega dum profundo coração

Que sente amor, que ama a toda a hora
*

Mas para amar a gente sempre explora

Aquilo que se alcança e tem à mão

Que só a imaginar há ilusão

Que passa e se vai logo embora
*


Claro que o amor físico engana

E depois de passar vai-se e promana

A angústia de o ter e não o ter
*

Amar é mais profundo está em nós

Na alma gémea que é como cipós

Que nos envolve à volta o nosso ser
*

Custódio Montes

2.1.2022
***

6.
*

" Que nos envolve à volta o nosso ser"

E transborda e abraça a Humanidade;

É esse amor maior que a mim me invade,

Me transcende e me incita a não morrer
*


Por esse, que não cessa de crescer,

Tudo daria de boa vontade;

Se rica, escolheria a humildade

De muito pouco ou quase nada ter
*


Pois para haver um mundo equilibrado

Tem este de poder ser transformado

Num mundo quase oposto ao que hoje temos
*


E sei que hão-de ruir os tais impérios

Dos grandes donos dos "novos minérios";

Se pr` alguns há demais, prós mais, de menos!
*


Mª João Brito de Sousa

02.01.2022 - 16.45h
***

7.
*

“Se pr’ alguns há demais, prós mais, de menos”

Havendo diferença, há diferença

E quem menos tem nele muito pensa

E para quem o tem ele é somenos
*


É grande a diferença: os mais pequenos

Parece que ao amar pedem licença

E aquele que tem muito nunca pensa

Que o outro tem amores também plenos
*

E igualdade penso não haver

Para que a gente assim possa dizer:

O campo dum amor é convergente
*

O homem, a mulher é cada qual

Um mundo divergente e não igual

E também nesse amor é diferente
*

Custódio Montes

2.1.2022
***

8.
*

"E também nesse amor é diferente"

Como é distinto em sua anatomia

Esse que a vida gera e que a alegria

Mistura com tristeza em chama ardente
*


Pra muitos, nasce e morre inconsequente

Como mera partilha de energia

Que depressa termina em sintonia,

Ainda que fingida ou aparente...
*


Pra outros, esse amor dura uma vida

E até a Arte pode ser traída

Quando de Amor se fica prisoneiro...
*


Há tão distintas formas de se amar

Que ninguém soube, a Amor, quantificar,

Nem prová-lo e jurar que é verdadeiro.
*


Mª João Brito de Sousa

02.01.2022 - 19.20h
***

9.
*


“Nem prová-lo e jurar que é verdadeiro.”

Que é o amor ? Não sei, como saber ?

Há muitos que imaginam mas sem ver

O seu significado por inteiro
*


Será a sensação o que primeiro

Definirá o amor ou há-de ser

Algo bem diferente de prazer

Que se esvai no segundo derradeiro ?
*


Amar, amar, amar será um dom ?

Não sei mas todos sabem que é bom

E é um sentimento de afeição
*


Só quem o sente o pode demonstrar

Havendo muitas formas de o mostrar

E uma delas é o coração
*

Custódio Montes

2.1.2022
***

10.
*

"E uma delas é o coração"

Que trago remendado e por um fio,

Embora lembre o tempo em que era um rio

De lava ardente como a de um vulcão
*


Porém, acesa, mantenho a paixão

Pelo poema a cujo desafio

Não sei furtar o coração vadio,

Que abusa enquanto nega a contenção...
*


Seja este um ano de grandes batalhas

Contra o Corona e contra os tais canalhas

Dos imperialismos virtuais;
*


Pode este coração chegar ao fim

Que muitos mais virão depois de mim

E enquanto unidos poderão bem mais!
*


Mª João Brito de Sousa

02.01.2022 - 21.15h
***

11.
*

“E enquanto unidos poderão bem mais”

Embora muitas vezes união

Não tenha aquela força e o condão

De ser dos condimentos principais
*


Unidos um ao outro enquanto tais

Dois seres só por si nunca serão

Aquilo que traduz essa noção

De serem ambos um em tudo iguais
*


Confesso que não sei os pormenores

Serem apenas um os dois amores

Mesmo que sejam ambos bem unidos
*

Não sei, não sei, não sei mais que dizer

Embora quando olho possa ver

A força entre dois entes queridos
*

Custódio Montes

2.1.2022
***

12.
*

"A força entre dois entes queridos"

É cruel se vier de um lado só

E o que, de longe, nos parece um nó

Não passar de um engano dos sentidos...
*


Mas há, decerto, afectos desmedidos

Que crescem lado a lado e, qual cipó,

São fortes mas não esmagam como mó

Nenhum dos dois amantes, quando unidos.
*


Um desmedido, Amor pode assustar;

Quem ama loucamente, enlaça o par

Sem sequer suspeitar dessa dif´rença
*


Que, tarde ou cedo, se torna gritante

Para o "suave" e para o grande amante

Que é quem mais sofre a pena da sentença.
*


Mª João Brito de Sousa

02.01.2022 - 23.00h

***

13.
*

“Que é quem mais sofre a pena da sentença”

Não sou um carcereiro e esse réu

Não cumpriria a pena que sofreu

Tão forte tão injusta como pensa
*


Se fui juiz eu sei a diferença

Entre pena injusta ou labéu

Ou pena que o réu bem mereceu

E a quem de a cumprir não se dispensa
*

Dois mil e vinte e dois não é injusto

E a nenhum de nós trará um custo

E penso até que nos vai ajudar
*

Vai trazer-nos amor por cortesia

O que nos vai trazer muita alegria

Para o amor de novo alcançar
*

Custódio Montes

23.1.2022-1h45
***

14.
*

"Para o amor de novo alcançar",

No caso do casal que mencionei,

Teria de inventar-se uma outra lei

E alguém teria de ressuscitar...
*


Mas falemos do Ano que, ao estrear,

Lhe inspirou o soneto que glosei

E que devo fechar. Como? Não sei,

Deixo o verso fluir quase a cantar
*


E quando cabeceio, enxoto o sono

Pois não deixo esta c`roa ao abandono,

Nem farei dela um simples arremedo...
*


Vai-se fazendo tarde... é madrugada

E eu peço ao Ano com voz ensonada:

"Dois mil e vinte e dois, acorda cedo"!
*


Mª João Brito de Sousa

03.01.2022 - 02.30h
***

 

 

31
Dez21

POR UM MELHOR 2022!

Maria João Brito de Sousa

2022.jpg

POR UM MELHOR 2022!
*


Rogamos ao Futuro um bom futuro

Cansados já do ano que é passado

Ao qual pagámos o bem alto juro

Do que sonhámos... e nos foi negado
*


Criámos uma ponte? Um novo muro

Nela se ergueu - caminho bloqueado! -

E a cada passo dado, o chão, de duro,

F`riu-nos de morte assim que foi pisado...
*


Ainda assim sonhámos e sorrimos,

Acreditámos no que nunca vimos

E seguimos em frente. É isto, a vida...
*


Nós, pedacinhos dela, nós, que amamos,

Ignoramos as pedras e escalamos

Os grandes muros da Razão perdida.
*

 


Mª João Brito de Sousa

31.12.2021 - 19.15h

***

29
Dez21

PÁSSARO DE LÍTIO

Maria João Brito de Sousa

goldfinch.jpg

PÁSSARO DE LÍTIO
*


Meu reino por um teste negativo!

Soa ao longe este apelo que é pungente

De alguém que não conheço e, de repente,

Tudo é fugaz, incerto, inconclusivo
*


Pra mim, que já não saio nem convivo

E que não posso ser senão prudente

Por força do que o corpo me consente

Desde que por inépcia está cativo...
*


No céu, voa um pardal de asas de lítio

Pronto a pousar, ou não, em qualquer sítio

Em que descubra verso onde pousar
*


E brota o verso, a custo, das sementes

Duma incerteza que nos cerra os dentes

Sobre a paixão que no-los faz rilhar...
*

 

Mª João Brito de Sousa

29.12.2021 - 13.00h

***

 

 

27
Dez21

SEM TÍTULO III

Maria João Brito de Sousa

SEM TÍTULO III

*


Quando o Verão voltar, se cá estiver,

Se me somar ainda aos resistentes

E se puder escolher o que escrever

Com estas mãos tolhidas e dormentes
*


Talvez fique melhor e nem sequer

Me renda à triste sombra dos ausentes...

Vá, coração, não pares de bater

Se um pouco mais de vida me consentes!
*


Mas se o que ora te peço transcender

O alcance dos teus frágeis componentes,

Descansa, não te irei repreender;
*


Quem se não verga aos corações ardentes

Que nem sequer a morte ousou deter

E que tão loucos foram quão valentes?
*

 

Mª João Brito de Sousa

27.12.2021 - 10.30h

***

 

copas.jpg

25
Dez21

MAIS UM NATAL (reedição)

Maria João Brito de Sousa

MAIS UM NATAL
*


Natal! Como se o Céu pudesse agora

Modificar de um sopro a Terra inteira,

Reconstruindo o Mundo de maneira

A decidir quem nasce e a que hora...
*

 

Como se o Sol, que a todos revigora,

Fosse o supremo fim desta canseira

E a luz que dele emana a derradeira

Tábua de salvação de quem cá mora...
*


Natal! Como se as águas não jorrassem,

Como se as terras virgens não pulsassem

Na gestação selvagem dos seus lírios
*

 

Como se as pedras não desmoronassem

Nem as chamas acesas se apagassem

Geladas nos pavios dos gastos círios.
*

 

Maria João Brito de Sousa
*

18.12.2011 – 15.17h

***

 

Imagem - Tela de Candido Portinari

portinari-criança-morta.jpg

23
Dez21

FELIZ NATAL!

Maria João Brito de Sousa

azevinho.jpg

FELIZ NATAL!
*


Prometi que olharia este Natal

Tal qual via o Natal quando menina...

Embora agora assim o não defina,

Será na minha infância que, afinal,
*


Acharei a semente original,

O pouco do qual tanto se origina,

Longínquo e tão profundo quanto a mina

Na qual cresceu a gema do meu sal;
*


Daí vêm o musgo e a lareira,

O conforto que enchia a casa inteira

E o forte aroma a seiva e rabanadas...
*

Hoje, sobra-me a baga de azevinho

E um cacto que reluz em cada espinho

Pra celebrar os meus pequenos nadas.
*

 

Mª João Brito de Sousa
*
23.12.2021 - 12.30h

 

 

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