.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 27 de Julho de 2015

UMA FROTA DE ILUSÕES

 

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(Soneto em decassílabo heróico)



Da frota de ilusões, destaco, ao fundo,

bojuda vela em barca pequenina,

rumando à colisão, rasgando o mundo,

a silhueta frágil da menina



Que, num primeiro olhar, quase confundo

com tantas que encontrei de esquina em esquina

e de cujas memórias quase inundo

o verbo que me embala e me fascina...



Tão firme, a vasta frota de ilusões!

Avança devagar, mas sempre avança

num mar que não lhe aponta obrigações,



Senão a que lhe cumpre; ser criança

e transportar, na barca, as vocações

escondidas em porões que nunca alcança...



Maria João Brito de Sousa – 27.07.2015 – 16.25h

 

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publicado por poetaporkedeusker às 16:56
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29 comentários:
De poetazarolho a 28 de Julho de 2015 às 07:05
Descompressão do chá.
De poetaporkedeusker a 28 de Julho de 2015 às 13:04
... pois eu, Poeta, estou com uma bela crise de asma... que já não tinha há uns dez anos...

Vou ver essa descompressão!
De poetazarolho a 28 de Julho de 2015 às 23:45
“Raio de luz”

Nunca morre o amor
Por morrer um’andorinha
Apenas nasce um flor
Quando a hora s’avizinha

Sendo momentos de dor
São trilhos de quem caminha
Como seria de supor
Já que a natureza sozinha

Tudo acaba por compor
Ignorando a multidão
E nem a lei a seduz

Pois tem sempre ao dispor
Desde o poder do tufão
Ao brilhante raio de luz.
De poetaporkedeusker a 29 de Julho de 2015 às 12:41
... porque a vida é mesmo assim,
bela e crua ao mesmo tempo,
mil dramas num só jardim
há, por cada nascimento

Da serralha, ou do jasmim,
da calma ou do pé-de-vento;
desde o melro ao alecrim,
que nele encontram sustento

E tudo morre, por fim,
tanta vez com sofrimento,
mas garantindo, ao "capim",

Seu constante entendimento
com a Vida que ousa, enfim,
ter sempre um prolongamento...


Maria João

Cá vai, Poeta, com o abraço grande de todos os dias!
De heretico a 29 de Julho de 2015 às 19:54
escondidas nos porões?
pois, digo eu, tuas palavras merecem os varandins ou mastros mais altos.

beijo
De poetaporkedeusker a 29 de Julho de 2015 às 20:10
Obrigada, Heretico!!!

... já reparaste que estou sem imagem? Tanto aqui, quanto no Fb, a Cloud recusa-me sistematicamente os uploads... claro que sei que a poesia não morre - nem pouco mais ou menos! - por ser publicada "a cru", sem a imagem que este tipo de suporte pede... mas ainda não digeri bem esta absurda e injustificada proibição...

Beijo!
De poetazarolho a 30 de Julho de 2015 às 06:47
Chá crente.
De poetaporkedeusker a 30 de Julho de 2015 às 12:22
Vou vê-lo, Poeta!
De poetazarolho a 30 de Julho de 2015 às 11:26
“Open mind”

Out of the cage you fly
Beneath shining stars
Watching the blue sky
The redness of Mars

Never makes you die
In oceans of psychology
Are the waves you try
Where boards of fantasy

Never mistake your eye
Make your thought clear
Kill your brain disorder

Shoot the reason why
Makes the caos disapear
Cage is no longer a border.
De poetaporkedeusker a 30 de Julho de 2015 às 12:48
Aberta, "ma non tropo"...


Pr´a matar o caos mental,
no que a mim me diz respeito,
precisava de estar mal
e não o estou, com efeito...

Mas dizer que sou "normal",
não o digo! Este "defeito"
de escrever água e ver sal,
é poético preceito,

Não doença e... nunca um mal!
Eu sou do meu próprio jeito,
estou contente e, como tal,

Não vejo "tudo a direito";
deduzo e sou racional,
mesmo quando nada aceito...

Maria João


Aqui vai, Poeta, com o abraço grande de todos os dias e ainda muito inconformada por não poder trazer imagens às minhas publicações...

De poetazarolho a 30 de Julho de 2015 às 16:45
“Fora do círculo”

Fora do círculo voar
Sob estrelas em cintilação
O céu azul observar
E de Marte a vermelhidão

Nunca te irás afundar
Em oceanos de psicologia
Lá tens ondas p’ra surfar
Usa pranchas de fantasia

Nunca enganam o olhar
Tornam claro o pensamento
Eliminando alguma barreira

Não vês razão para falhar
Caos é votado ao esquecimento
Círculo deixa de ser a fronteira.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 30 de Julho de 2015 às 17:08
Fora do círculo escrevo,
Fora dele... posso sonhar,
Mas não quero, nem me atrevo
A nunca mais lá voltar

Pois é por lá que navegam
Meus castigados irmãos;
Às mil coisas que nos negam,
Tento trazer-lhas às mãos!

Tarefa dura, eu bem sei,
Mas é minha e gosto dela...
Nunca, nunca a negarei,

Pois, sendo dura, é mais bela
Do que qualquer outra lei,
Mesmo a mais clara e singela...


Maria João

Respondi, como é evidente, segundo a minha imediata leitura/visão deste sonetilho que quse me parece a tradução do anterior... ou melhor, acrescentei qualquer coisa à minha resposta anterior... segue com outro abraço grande!

De poetazarolho a 31 de Julho de 2015 às 06:56
Meio chá.
De poetaporkedeusker a 31 de Julho de 2015 às 13:44
Vou ver esse meio Chá, Poeta!
De poetazarolho a 31 de Julho de 2015 às 14:49
“Brilho na escuridão”

Por vielas de negridão
Brilharás intensamente
Onde grassa a devassidão
Suspensa na alma da gente

Por becos de servidão
Da humanidade dormente
Pensam não ser o que são
Não sentem o que se sente

Em estado de negação
Segue a mentira na frente
P’ra encontrar solução

Há que pensar diferente
Pensando com o coração
P’ró sentir chegar à mente.
De poetaporkedeusker a 31 de Julho de 2015 às 16:19
Quase sempre em simultâneo,
Uso mente e coração,
Nunca nenhum sucedâneo
Desta emotiva razão

E, sempre neste sentido,
Rasgo atalhos, cubro espaços,
Recolhendo o que é devido
À compreensão dos traços

Com que construo os meus versos
Nesse arroubo da paixão
De onde me fluem dispersos,

Da nascente - o coração... -
E, um a um, vão sendo imersos
Numa "ratio" em solução...

Maria João

Segue com o abraço de sempre, Poeta!

De maria luísa adães a 31 de Julho de 2015 às 16:33
Muito belo!

Maria luísa
De poetaporkedeusker a 31 de Julho de 2015 às 16:53
Muito obrigada, minha querida Maria Luísa!!! Um beijo grande!
De ADÍLIO BELMONTE a 1 de Agosto de 2015 às 03:45

Os ventos d'além mar mostram-nos a musicalidade de versos fecundos, sofridos, mas bem vividos.
Sua arte, poetisa, nos encanta e faz viver. Sofrer por sofrer todo poeta sofre, seja vendo os ares, os mares ou a própria vida que nos fará morrer.
Um grande abraço!




SONHOS

Que seria da alma sem noções
De mundos coloridos dessa vida,
Onde o meu coração sente emoções
Da nossa caminhada bem sofrida?

Vejo os mares e flores coloridas,
Estas sempre por mim oferecidas
Às pessoas nem sempre a mim queridas,
Muitas com dor e face emudecidas.

Talvez as nuvens brancas do meu Deus
Lembrem-me desses versos coloridos
Nesses muitos mistérios a sondar.

Tudo faz-me já viver sonhos teus,
Frutos de nossos dias bem sofridos,
Coisas que o tempo vão faz -me recordar.
De ADÍLIO BELMONTE a 1 de Agosto de 2015 às 04:37

ERRATA: 1. Leia-se no terceiro verso do primeiro terceto:
Nesses muitos mistérios de amar.
2. No terceiro verso do segundo terceto deve ser lido:
Coisas que ao tempo vão faz-me voltar.
De poetaporkedeusker a 1 de Agosto de 2015 às 18:21
Muito grata pelo seu belo poema e pelas suas palavras amigas, Adílio!

Fraterno abraço!

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