.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 12 de Dezembro de 2015

UM SONETO PARA FLORBELA

F[1].E. Biblioteca 001.jpg

 

A ti que mais não podes pois te pesa

Um não sei quê, que nunca me pesou

E, quão mais livre, mais te sentes presa

A tudo quanto, a mim, me libertou,

 

Mas que, da poesia, és chama acesa

Que em tantos anos nunca se apagou,

A ti, mão criadora da beleza

Que em teus sonetos se manifestou,

 

Que consegues chorar como quem reza

Pois vais rezando como quem chorou

Cada palavra que é servida à mesa

 

Do verso heróico que te consagrou;

Quem, de pura amargura e de incerteza,

Te fez morrer... mas nunca te matou?

 

 

Maria João Brito de Sousa - 12.12.2015 -12.33h

 

IMAGEM - Fotografia de Florbela Espanca retirada do Google

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 13:38
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28 comentários:
De poetazarolho a 13 de Dezembro de 2015 às 22:09
“E=mc2”

Hoje é dia de encontro
Com o oxigénio parido
Em atmosferas d’espanto
Plenas de azoto sofrido

Passam no crivo entretanto
Moléculas d’esperança
Mas o hidrogénio é tanto
Jurando logo vingança

Terão desfecho fatal
A cada inspiração
Sendo o dióxido lançado

Com uma força abissal
Donde resulta a explosão
Num futuro já passado.
De poetaporkedeusker a 14 de Dezembro de 2015 às 15:23
Transponha as variáveis "massa" e "espaço"
Pr`á dimensão do nosso entendimento,
E, ao conceito "energia", imponha um traço
Mais brando para o meu discernimento...

À "v`locidade", oponha o meu cansaço
E, ao quadrado de tudo, o meu sustento;
Verá surgir, Poeta,do que eu faço,
A relatividade em que me invento,

Mas, relativamente ao que me diz,
Nada lhe sei dizer de mais concreto
E se assim justifico o que aqui fiz,

Não vendo, em seu poema, um mero repto,
Mas porque, decidindo, assim o quis,
Deixo este raciocínio algo incompleto...

M. João

Aqui vai, Poeta, a resposta possível neste momento e nestas circunstâncias, para mim, nada favoráveis a grandes - ou pequenas... - dissertações. Abraço grande!
De poetazarolho a 15 de Dezembro de 2015 às 00:13
“Cem anos”

Cem anos de solidão
Abismo sentimental
Sejam agora ou não
Sendo apenas sinal

Cem anos de solidão
Entre o bem e o mal
Apenas esse senão
O abismo é fatal

Cem anos de solidão
Entre supremo juízo
Cem anos de solidão

Não pagam o prejuízo
Cem anos de solidão
Apagaram o sorriso.
De poetaporkedeusker a 15 de Dezembro de 2015 às 11:53
Só senti a solidão
ao vivê-la acompanhada,
mas compreendo a razão
de vê-la tão criticada

Porque, para mim, não são,
conceitos, coisa acordtada..
O que, pr`a um, é paixão,
é, pr`a outro, "palhaçada"

E já foi há tantos anos
- mais de quarenta passaram... -
que li o livro citado

Que mal lembro os desenganos...
Poucas palavras ficaram
desse pouco que é lembrado...


M. João

Muito martelado, mas segue com o fraterno abraço de sempre, Poeta!
De poetazarolho a 16 de Dezembro de 2015 às 00:05
“Desconcertação”

Escravidão encapotada
Por lampejos de ternura
Da concertação social
Onde a discussão perdura
Onde ninguém te quer mal
Onde és parte da salada
Por apaziguadores temperada
Verás uma miragem salarial
Onde a esperança foi roubada.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 16 de Dezembro de 2015 às 13:45
Onde o meu percurso finda,
Não se acaba o mundo inteiro;
Vai-se o meu, nesse atoleiro,
Mas restam milhões, ainda
E outro mundo se deslinda...
Nenhum mundo é derradeiro
Desde esse instante primeiro
Que fez, da vida, bem-vinda
(e eu não creio que que prescinda,
dessa vida, este canteiro...)


Mª João
De poetazarolho a 16 de Dezembro de 2015 às 06:52
Chá melhora.
De poetaporkedeusker a 16 de Dezembro de 2015 às 13:14
Poeta, ao negro quadro dos variados - e graves... - problemas insoluveis que, em simultâneo, convergiram sobre a minha vida pessoal, juntaram-se uma forte gripe e um agravamento notório da minha falta de vista... ainda bem que o Chá melhorou. Eu não melhorei e se ainda não entrei num quadro de claro esgotamento, foi porque, conhecendo-me muitíssimo bem, me retirei a tempo e quase por completo das publcações, leituras e partilhas online.
Não posso dizer quanto tempo levarei a recuperar, uma vez que se trata de um problema reactivo e não endógeno, sendo, portanto, dependente de factores externos e não dependentes da minha vontade, ou mesmo da minha capacidade de recuperação.
Tenho conseguido abrir pequeninas excepções, por aqui, para tentar responder-lhe, mas nem esse quase nada posso garantir por muito mais tempo... apenas posso prometer ir agora ver o Chá e, se o conseguir, dar seguimento a quaisquer palavras que ele me possa suscitar. Tudo isto será feito muito, muito lentamente, como deve calcular...
De poetazarolho a 16 de Dezembro de 2015 às 23:39
O chá melhora e a Maria João melhora, vai ver.
De poetaporkedeusker a 17 de Dezembro de 2015 às 10:15
Espero bem que tenha razão, Poeta, e agradeço-lhe a boa vontade, mas... nada ou quase nada parece estar em vias de ser solucionado e as pressões externas que consegui ir ultrapassando durante anos, tornaram-se, agora, demasiado prementes para que as consiga remeter para segundo plano e estão a ser geridas no limite dos limites.
Para já, é-me absolutamente impossível retomar o ritmo de leituras, partilhas e publicações.

Abraço grande!
De poetazarolho a 16 de Dezembro de 2015 às 23:50
“Transformação”

Mudança anda no ar
Nessa conhecida dança
Onde nada vai mudar
Apenas releva a esperança
Para logo a castrar
Mas vejo transformação
Nada a poderá parar
Sob a forma de explosão
E uma nova forma de amar.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 17 de Dezembro de 2015 às 11:12
Ai muda, Poeta ai muda,
mas talvez nunca pr`a mim...
Desde que a cabeça expluda,
chega a produção ao fim...

Fraterno abraço!
De poetazarolho a 18 de Dezembro de 2015 às 00:50
“Já sem alma”

Uma palavra cunhada
Com honra e sentimento
Não pode ser violada
Tão pouco servir d’instrumento
Só a alma profanada
Poder dar assentimento
Estando a morte consumada
Desde tão belo momento.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 18 de Dezembro de 2015 às 11:34
Esperemos que nunca o seja,
mesmo não sabendo qual
seja a palavra, afinal,
à qual tanto se deseja...

Maria João

Fraterno abraço, Poeta!
De poetazarolho a 22 de Dezembro de 2015 às 23:22
“Tempos”

Tempo de tempo sem tempo
Com a alma enclausurada
Muitas promoções a destempo
Que não te oferecem nada

São promessas de fartura
Num tempo de ilusão
E enquanto a ilusão dura
Não existe lugar à razão

Buscando o tempo perdido
Vais correndo e tropeçando
Atingindo cedo a exaustão

A quem não tiver corrido
Muito tempo verá sobrando
Para completar a missão.
De poetaporkedeusker a 23 de Dezembro de 2015 às 11:09
Pr`a mim, tempo de repouso,
pois não tenho outro remédio
e a "acelerar" já nem ouso,
para não morrer de tédio...

De qualquer forma, cansada
de um mar de mediocridade,
pouco faço - quase nada.,
sobretudo em quantidade... -

Tenho "em mãos" outra infecção
- prendazinha de Natal... -
pr`a combater, quando não,

Fico mesmo muito mal...
Já me basta, para acção,
combate tão desigual...

M. João


Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!
De poetazarolho a 22 de Dezembro de 2015 às 23:23
PAI NATAL… em crise

O meu Natal, finalmente,
Vai ser um Natal igual
Ao Natal de antigamente.
Nada de árvore e Pai Natal…
Quero que tenha, somente,
Este Natal divino,
Uma gruta com o Menino
E que ele tenha, também,
São José e a Virgem Mãe
A cumulá-lo de afagos!...
Depois vêm os Reis Magos
Chegados do Oriente,
Cada qual com seu presente,
Guiados por uma estrela,
A mais brilhante e mais bela
Do azul do firmamento…
E há-de haver, p´ra meu contento
A compor o ambiente
E a torná-lo mais quente,
Uma vaca e um jumento…
E hão-de vir os pastores,
Chamados por um Anjinho
Que lhes ensina o caminho,
Cantar hinos e louvores!
E, eu hei-de ir à chaminé,
Pressuroso, manhãzinha,
Da minha cama à cozinha,
Espreitar à chaminé,
Onde o lume se apagou,
O que é que lá me deixou,
No sapato que eu lá pus,
O Deus Menino, Jesus!
Um Natal, assim diferente
Do que vai sendo usual
Aconteceu, afinal,
Porque o dito Pai Natal
Está de cama, doente.
Querem saber a razão?
Ora escutem lá, então:
Contou as renas, dez vezes
E qual foi o seu espanto,
Depois de as contar tanto,
Deu por falta de três reses!
E, agora, para seu mal,
O Nicolau, o Pai Natal,
Não sei por tais reveses,
Está com crise renal!

Eduardo
De poetaporkedeusker a 23 de Dezembro de 2015 às 15:03
(DUO)décima

Também eu, sem ter contado,
Nem perdido essas três renas
Porque as "maleitas" dão penas
Sem terem qualquer cuidado
C`o que é perdido... ou achado
E , as minhas, não são pequenas
Pois dão cólicas obscenas,
Deixam-me em pésimo estado
E, sem ter trenó, nem gado,
Se algo perdi, foi apenas
De euritos, umas centenas
E, de peso, um bom bocado...


Maria João

Muito obrigada pelo seu bem disposto poema, amigo Eduardo!
Não estou nada bem e apercebi-me de que até psicologicamente me estava a sentir fragilizada, mas mantenho razoavelmente intacto o meu sentido de humor que, na ausência da tal inspiração, ainda me permitiu tentar responder-lhe com uma (duo)décima algo dorida, mas ainda brincalhona.

Deixo um forte abraço e reforço os meus votos de Boas Festas para si e toda a família!
De poetazarolho a 23 de Dezembro de 2015 às 06:17
Chá vencido.
De poetaporkedeusker a 23 de Dezembro de 2015 às 09:54
Acontece aos melhores, Poeta.
Estou de saída, mas vou ver o Chá.
De poetazarolho a 23 de Dezembro de 2015 às 23:47
“Quem não morre”

Quem não morre
Por ter morrido
Quem não come
Por ter comido
Quem não corre
Por ter corrido
Seguramente é herói
Que não sobrevive
Pois não foi assistido.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 24 de Dezembro de 2015 às 12:14
... ou foi tão bem assistido,
invadido, assoberbado
pelo excesso de cuidado
que mais teria valido
que alguém tivesse entendido
que ficou desenquadrado
e certamente afogado
por mil coisas sem sentido
que o deixaram tão perdido
que antes quis estar"desligado"...


M. João

Poeta, penso que se refere ao jovem que morreu vítima de falta de assistência médica no hospital de São José, mas não resisti a deixar um pequeno registo do que se está a passar comigo e que acabou por me levar a esta prolongada pausa na única rede social em que publiquei diariamente durante anos a fio... entendo que não seja fácil compreender o funcionamento do cérebro - e não só... - de uma poeta sinesteta, mas a verdade é que apanhei uma autêntica indigestão de informação visual e, se não tivesse parado a tempo, teria mesmo entrado numa situação muito pouco saudável, do ponto de vista da minha saúde mental (a única que vai funcionando "sobre rodas", em mim, e me permite gerir bastante eficazmente a minha criatividade)

Entre "desligar-me" pelo tempo que sinta ser-me necessário e entrar num processo de declarado esgotamento mental, optei pelo primeiro. Claro está que as mil e uma pressões que entretanto me surgiram na vida real também contribuíram de forma muito significativa para aumentar as minhas vulnerabilidades ao nível da percepção, descodificação e interiorização da informação visual e o facto de cada vez ver pior - por falta de óculos adequados - pode e deve ter sido outro dos factores desencadeantes...

Aproveito para renovar os meus votos de Boas Festas e deixar outro abraço grande!

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