.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 7 de Junho de 2014

UM SONETO PARA AGRADECER A TODAS AS PALAVRAS NUNCA DITAS

 

(Em decassílabo heróico)

 

Lá ficam mil palavras por nascer

Neste vê-se-te-avias de uma vida

Onde morre a palavra preterida

Por outra que não quer retroceder,

 

E quem nelas se enreda até morrer,

Quem delas faz preâmbulo e partida,

Agradece à palavra já rendida

As muitas que ela acaba de acolher;

 

Pr`a todas as palavras nunca ditas

Porque outras mais propícias, mais bonitas,

Vieram preencher quanto diriam,

 

Aqui deixo as que agora foram escritas

Pois todas elas devem ser benditas

Quanto à nobre função que exerceriam…

 

 

Maria João Brito de Sousa – 07.06.2014 – 16.18h

 

Imagem - Massacre da Coreia, 1951 - Pablo Picasso

sinto-me :
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publicado por poetaporkedeusker às 23:10
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17 comentários:
De poetazarolho a 8 de Junho de 2014 às 20:29
“Túneis da mente”

São os túneis da mente
Janelas para o universo
A perspectiva diferente
Deste infinito disperso

Onde habita indiferente
Todo o mal e o seu inverso
Assumindo rosto de gente
Pois na gente está impresso

Corre na veias a pulsar
Esse impulso natural
Que não mais terá fim

Nem há forma de o mudar
Pois p’ró bem e p’ró mal
Nós fomos feitos assim.
De poetaporkedeusker a 8 de Junho de 2014 às 21:19
Dos túneis, não sei que diga,
Nem sei bem se túneis são...
Sei que um verso me fatiga
Se falhar na construção

Porquanto um poema obriga
A grande concentração
E, assim que surge a fadiga,
Vai-se embora a produção...

Dum compasso musical
Que nunca pode falhar
Surge a mensagem final

Do que entendamos falar
Pois, de um modo natural,
Dizê-lo é tal qual cantar...


Maria João

Aqui vai, Poeta, com o abraço do costume!





De poetazarolho a 9 de Junho de 2014 às 01:17
“L’arc du triomphe”

À trois c’est le ménage
Lorsque que l’heure arrive
À chaque un son visage
Il y a des choses terribles

Qui nous arrive souvent
Sans y penser beaucoup
Mais si passe l’instant
Ils nous appelle de fous

Comme dans la politique
Il faut profiter l’ occasion
Pour y mettre la main

Les millions ils signifient
Profiter de la situation
Qui ne reviendra demain.

Prof Eta
De poetazarolho a 9 de Junho de 2014 às 07:18
Chá aclarado.
De poetaporkedeusker a 9 de Junho de 2014 às 14:12
Vou vê-lo, Poeta!
De heretico a 9 de Junho de 2014 às 21:55
perturbantes as palavras nunca ditas - e trágicas as palavras proscritas...

belo. teu soneto

abraço
De poetaporkedeusker a 9 de Junho de 2014 às 22:01
Abraço, Heretico! Obrigada!
De poetazarolho a 9 de Junho de 2014 às 23:42
A PULGA E O LEÂO

Estando, eu, a cotejar
Um escultor e um artesão,
Alguém quis fazer notar
Que eu queria comparar
Uma pulga com um leão,
O que me fez ponderar,
De tal sentença, a razão.
Não sei se por discordar…
Mas, também, p´ra poder dar
A devida atenção
A outra forma de pensar.
Concluí que o escultor
Podia ser remendão
E, ao contrário, o artesão
Fazer obra de valor.

Quanto à pulga saltitante
E ao leão muito importante,
A pulga pica o leão,
Mas o contrário… isso, não!

Eduardo
De poetaporkedeusker a 10 de Junho de 2014 às 22:40
Muito bom poema! Muito bom! Obrigada, amigo Eduardo!
De poetazarolho a 10 de Junho de 2014 às 11:08
Chá condecorado.
De poetaporkedeusker a 10 de Junho de 2014 às 13:30
Não vi nada, não saí, nem vou conseguir sair hoje... vou ver o chá, Poeta!
De poetazarolho a 10 de Junho de 2014 às 21:30
“Nuvens no horizonte”

Portugal um paraíso
De Camões e de fadistas
Seu mar é o improviso
Até possui futebolistas

Alguns são bons de bola
Outros da bola não são
Saem animais da cartola
Pura magia e sedução

Nação de sol e de mar
Um jardim na natureza
Legado maior na terra

Nosso e de quem o visitar
Não lhe cobiço a pobreza
Nem o futuro que emperra.
De poetaporkedeusker a 10 de Junho de 2014 às 23:02
Tão "empenado" futuro
Nunca fora imaginado...
Nunca mais acaba o "furo"
E anda tudo endividado

Como se houvesse "esconjuro"
Que houvesse amaldiçoado
Um nobre povo que, impuro,
Devesse ficar "lixado"...

Há tanta nuvem no céu
Que um guarda-chuva, partido,
Pouco pode contra o breu...

Mas nem tudo está perdido
E um povo nunca foi réu
Pois também não foi "bandido"...

Maria João

Vai coxíssimo, mas vai com o abraço do costume!


De poetazarolho a 13 de Junho de 2014 às 22:20
“Manhã cinzenta”

Já não existo nem sou
Deste mundo sem lei
Para outro mundo vou
Qual será ainda não sei

Os moinhos são dragões
Suas velas cospem fogo
Vou viver de ilusões
Nesse outro mundo novo

Adamastor é o anfitrião
Pr’afundar a embarcação
Vai lançar uma tormenta

Esta é uma manhã cinzenta
Desassossego não é solução
Outros mundos também não.
De poetaporkedeusker a 13 de Junho de 2014 às 22:51
Neste mundo que é tão belo,
Esteja o céu da cor que esteja,
Qualquer versinho singelo
Traz doçura de cereja

E até o Sol que, amarelo,
Brilha como quem festeja
Sobre cabana ou castelo,
Mo diz como quer que seja...

Por isso afirmo e repito
Que, às vezes, fico chorando
Por ver país tão bonito

Que já muitos vão deixando,
Tão esmagado, tão aflito
Sob a mão de outro comando...


Maria João


Obrigada, Poeta! Forte abraço!



.





De poetazarolho a 14 de Junho de 2014 às 07:21
Chá imortal.
De poetaporkedeusker a 14 de Junho de 2014 às 13:58
Vou vê-lo, Poeta!

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