.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quarta-feira, 8 de Julho de 2015

UM SONETO A SANCHO PANÇA

sancho-panza.jpg

 

(Em decassílabo heróico)



Foge-me o pensamento do soneto,

salivo e penso em pão. É mesmo assim,

pois quando a fome aperta eu não prometo

dedicar-me ao soneto até ao fim,



Embora seja um crime o que cometo

se o frémito, ao passar, me toca a mim

e eu, por estar famélica, o remeto

pr`a depois de uma sopa ou de um pudim...



São as coisas mesquinhas que o esqueleto

impõe a todos nós, neste ínterim

da “crise” que nos faz ver tudo preto...



Absurdo, amigos meus, seria, enfim,

esquecer que o corpo dita o mais correcto

ao trocar, por um pão, musa e jardim...

 



Maria João Brito de Sousa – 23.06.2015 – 15.01h

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 00:12
link do post | "poete" também! | favorito
|
35 comentários:
De poetazarolho a 8 de Julho de 2015 às 09:28
Chá perfeito.
De poetaporkedeusker a 8 de Julho de 2015 às 12:20
... vou vê-lo, Poeta!
De poetazarolho a 8 de Julho de 2015 às 15:33
“Início limpinho”

Portugal está melhor
Portugueses ainda não
Mas existe grande vigor
P’ra encontrar a solução

Começa-se por mudar
Os políticos da nação
Pois começam a cheirar
A fraldas com presentão

Com o início limpinho
Começa um novo ciclo
Que nos irá representar

Tanto político cheirosinho
De novo no hemiciclo
Farão os tugas melhorar.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 8 de Julho de 2015 às 15:52
Final Feliz

"Vamos, então, combater
As grandes desilgualdades!"
Diz quem se apronta a dizer
Mil mentiras por verdades...

Eu não quero nem saber
Dessas suas ... "qualidades"
Que nunca irei perceber
E só dão contrariedades!

Se me apresto a conhecer,
"Filtro" logo as inverdades,
Já não as deixo crescer

Neste solo onde as vontades
Estão prontas pr`a se colher
Entre o sonhos e saudades!

Maria João


Segue com o abraço de sempre, Poeta!
De poetaporkedeusker a 8 de Julho de 2015 às 15:57
Final Feliz

"Vamos, então, combater
As grandes desilgualdades!"
Diz quem se apronta a dizer
Mil mentiras por verdades...

Eu não quero nem saber
Dessas suas ... "qualidades"
Que nunca irei perceber
E só dão contrariedades!

Se me apresto a conhecer,
"Filtro" logo as inverdades,
Já não as deixo crescer

Neste solo onde as vontades
Estão prontas pr`a se colher
Entre sonhos e saudades!

Maria João


Segue com o abraço de sempre, Poeta!
De poetazarolho a 9 de Julho de 2015 às 09:53
Chá faz de conta.
De poetaporkedeusker a 9 de Julho de 2015 às 13:13
Vou vê-lo, Poeta!
De poetazarolho a 10 de Julho de 2015 às 00:28
“Tempo presente”

Não há nada no futuro
Ou no passado recente
Mesmo por muito obscuro
Que te roube o presente

Que te afaste o sentido
Dum futuro diferente
Deste agora oferecido
Único e deprimente

Nesse espaço imaginado
Se ousares a imaginação
O presente conquistado

É o que tiveres ousado
Sem cair em contradição
Com o futuro ou passado.
De poetaporkedeusker a 11 de Julho de 2015 às 15:19
Sem quaisquer contradições,
Sempre houve e sempre hão-de haver,
Saltos, quedas, tropeções,
Na vida de qualquer ser

São as próprias condições
Do que havemos de escolher
Que impõem prémio ou sanções
Conforme o que lá vier,

Mas... se houver contradição
- falo em termos pessoais! -
Uso, além do Coração,

Outra que pensa bem mais
E que se chama Razão
Por tornar-nos racionais...

Maria João

Aqui vai, Poeta, com o meu pedido de desculpas pelo atraso e com o abraço de sempre.
Já agora, para lhe dar uma ideia de como as coisas efectivamente "funcionam" quando estamos doentes e fisicamente diminuídos, vou fazer uma comparação; lembra-se daquele poema do Sérgio Godinho que, às tantas, diz, "muita força pr`a pouco dinheiro"? Pois quando se está como eu estou, pode dizer-se; "muito esforço pr`a pouco trabalho..." (ou quase nenhum rendimento, ao nível do que vai sendo, nos últimos anos, o meu trabalho...)

De Demasiado tímido a 10 de Julho de 2015 às 00:36
Soneto que me dá certa tristeza
Ao buscar o sentido desses versos,
Quando a vejo em talento e com destreza
A nos mostrar seus mundos bem diversos.

Adílio Belmonte
Belém - Pará - BRASIL
De poetaporkedeusker a 11 de Julho de 2015 às 14:17
Admito que lhe provoque alguma tristeza, poeta amigo, porque, neste caso específico, as dificuldades materiais do sujeito poético, Sancho Pança, coincidem com as dificuldades reais da autora do soneto- eu -, mas é sempre possível alargar a leitura e encontrar a ironia subtil que se desenrola ao longo de toda a mensagem poética.

Mais uma vez, Adílio, lhe envio um grato e fraterno abraço!
De heretico a 10 de Julho de 2015 às 00:45
permiti-me levar para o FB.

espero que não leves a mal...

beijo
De poetaporkedeusker a 11 de Julho de 2015 às 14:20
Heretico, fico-te muito grata!

O meu tempo de "poesia de gaveta" foi longo, mas terminou - penso eu... - há uns bons anos!

Forte abraço!
De ADÍLIO BELMONTE a 10 de Julho de 2015 às 11:58

VERSOS BRANCOS



Ah! Eu pediria a Deus pra me amar...
Clamaria a Ele pra me perdoar
Oraria muito a Deus pra não me abandonar
Diria, porém, a Ele que aqui na terra vim pra te amar.



Deixa a alma falar
poeta pobre e arrogante
que tem o sentimento delirante
e desconhece o sentir amar.


Duas estradas
Dois caminhos
Duas almas,
Muitos destinos.

Mesmo assim
Tenho o teu carinho
Do começo
Ao fim
E muito desatino.


RELICÁRIO

Numa noite escura minha alma te procura
A tatear as marcas dos dias vividos
E recordo essa noite ainda mais escura,
Voltando a sentir os nossos males convividos.

Ando triste pela estrada da poesia,
Buscando tua saudade sempre amada
Em vias tortuosas de grande nostalgia
Ainda sonhado com a ternura esperada.

Vai-se o tempo em escalada e vem a saudade
Dos momentos de festa e de amor profundo,
Onde as emoções tinham odor de flores.

Que amor de bela e larga densidade!
Como foi colorido aquele nosso mundo,
Onde vivemos dos amores os melhores!


DESATINO

Seria triste e inócua a minha lira
Se não fosse afinada pelo amor
Que sai dessa alma pura que delira
Quando toca o teu corpo em tremor.

Mulher de sentimento afinado,
Por cuja formosura sou levado
A ter o coração desafinado,
Presa de um sofrimento bem malvado.

Vem! Alimenta a forte e vã paixão,
Angústia e furor que alucina
Meu espírito fraco e o coração.

Nessa minha loucura ou sortilégio
Espero que a tua alma me entenda,
Sabendo que tudo isso é privilégio.

De poetaporkedeusker a 10 de Julho de 2015 às 23:31
Muito grata pelos belos poemas que partilhou neste meu blog, Adílio!

Esperando que esteja de boa saúde, envio-lhe o meu fraterno abraço!
De poetazarolho a 11 de Julho de 2015 às 07:16
Chá maravilha.
De poetaporkedeusker a 11 de Julho de 2015 às 13:54
Estou exausta, Poeta, mas vou ver esse Chá maravilha!
De poetazarolho a 11 de Julho de 2015 às 21:34
“Rações”

Não estou para aí virado
Não me virem do avesso
Deixem-m’estar sossegado
Isso é tudo o que vos peço

Pensativo e bem disposto
A pensar morreu um burro
Não chorei com o desgosto
Que eu saiba ainda não zurro

Embora animal da criação
Eu nunca fui malcriado
Outros conheço que o são

Aos quais foi descurado
Todo o proveito da ração,
Não estou para aí virado.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 12 de Julho de 2015 às 00:02
Poemas? Foram demais...
ou melhor, em demasia,
roçando os gestos letais
dos "senhores da poesia"...

Situada entre os normais,
fujo à temível razia
que vão fazendo os leais
serviçais da burguesia

Aos que, sendo serviçais
por compulsiva avaria,
vão escrevendo um pouco mais

Só pr`a terem serventia
nestes "paços" virtuais
que não geram mais-valia...


Maria João


Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!


De poetazarolho a 12 de Julho de 2015 às 00:54
“Exit now”

São faces de satisfação
Sorrisos de optimismo
Embora a sua missão
Seja de perfeito cinismo

Submeter qualquer nação
Ao nacional-socialismo
Mas numa nova versão
Sob a capa do austerismo

Deste clube saiamos
Que ele já não s’importa
Com a vida enquanto tal

Antes que aí morramos
Entalados pela porta
Da casa raiz do mal.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 12 de Julho de 2015 às 01:18
Assim é pois, disfarçado
De austera Democrocia,
Tem seu plano bem traçado,
Completa a sua razia

Mas a povo organizado
Na sua soberania,
Nunca o teria enganado,
Nem, decerto, o esmagaria!

Seja o povo, então, vingado,
Mora a velha oligarquia
Que tanto o quer escravizado

Pr`a sugar-lhe a mais-valia
Roubando, em cada ordenado,
Quanto ninguém lhe devia!!!

Mª João

Aí vão, Poeta, o sonetilho e o meu abraço!

Poete também!

.Transparências de...

.pesquisar

 

.Em livro

   O lucro desta edição reverte
   totalmente a favor da Autora

.posts recentes

. A MEDALHA E O DIPLOMA - ...

. INFORMAÇÃO A TODOS OS AMI...

. SONETO A PRETO E BRANCO

. GLOSANDO A POETISA MARIA...

. O VIGÉSIMO SEXTO DIA

. SÁBADO, DOMINGO, SEGUNDA ...

. MEMÓRIA(S) DO NÁUFRAGO-PE...

.arquivos

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

.tags

. todas as tags

.favorito

. CONVERSANDO COM MARIA DA ...

. É a arte, solidão?

. SO(LAS)

. “A Linha de Cascais Está ...

. CANTIGA PARA QUEM SONHA -...

. Our story in 2 minutes

. «A TAUROMAQUIA É A ÚNICA ...

. Novidades a 13 de Dezembr...

. LIMPAR PORTUGAL

. Ler dos outros... (cróni...

.ARCA DE NOÉ

A Arca de Noé Vivapets distinguiu como Animal da Semana

.HORIZONTES DA POESIA


Visit HORIZONTES DA POESIA

.Autores Editora

.A AUTORA DESTE BLOG NÃO ACEITA, NEM ACEITARÁ NUNCA, O AO90

AO 90? Não, nem obrigada!

.subscrever feeds