.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 28 de Março de 2014

SONETO A UMA LONGA, FRIA, FEIA E ESCURA TARDE DE CHUVA - Alegoria... e não só.

 

 

(Em decassílabo heróico)

 

 

 

 

 

Pr`a quê cantar a jovem Primavera

 

Que me não traga, acesa, a claridade

 

Que emite, lá no alto, a rubra esfera

 

Assim que se ergue e brilha em liberdade?

 

 

 

De que terá servido a longa espera

 

Se a chuva me roubar, pela metade,

 

Um céu que esconde um sol que mal tempera

 

Um dia que nasceu sem qualidade?

 

 

 

E, sob intensa chuva, a tarde fria

 

De que hoje vou falar, nem sei porquê,

 

Faz crer que o próprio verso se arrepia

 

 

 

Se, na estrofe final, disser que crê

 

Que mais depressa brilha um novo dia

 

Pr`a quem, no que se vai, tanto mal vê…

 

 

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 27.03.2014 – 17.37h

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 19:21
link do post | "poete" também! | favorito
|
48 comentários:
De poetazarolho a 28 de Março de 2014 às 23:11
“O animal”

Já não existe oposição
Quem ordena é o capital
Mas transmite a impressão
De que tudo é normal

Lançando a divergência
Mas apenas mascarada
Controla com consistência
O rumo desta manada

Lança muita confusão
Mas descobre a verdade
Debate-a até à exaustão

Na rádio e televisão
Disseca esta realidade
Para gáudio do povão.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 29 de Março de 2014 às 18:14
ANIMAL PENSANTE E "SENTIDOR" - O/A Poeta

Reparei! Mas, na verdade,
Penso que há opositores!
Há quem, mantendo a vontade,
Vá "ao focinho" aos "senhores"!

Mesmo aqui, quem nos "invade"
Crendo ser "controladores",
Descobre que a LIBERDADE
Se escreve em letras maiores...

Nada disso me "escapou"
Muito embora aqui "andando"
Com "ar" de quem não captou,

De quem faz por ir falando
E, ao pensar que bem falou,
Já não cuida de ir pensando...


Maria João

Aqui vai, Poeta. Nada de novo, pode crer! Essa foi uma das primeiras "jogadas inimigas" que eu previ, anos atrás, desde a minha "estreia" online. Mas, o meu campo - ou praia - é mesmo a poesia, não estou em condições de me mover de outras formas e não acredito que sejamos todos tão estúpidos quanto isso... há, mesmo aqui, "bolsas" de resistência, como sempre houve quando a humanidade foi levada aos seus limites.

Quanto a mim, desde o início que me predispus a escrever porque sei que o faço bem e que, tarde ou cedo, como sempre aconteceu, aquilo que um poeta escreve encontra eco em alguém...


Abraço grande!






De poetazarolho a 28 de Março de 2014 às 23:24
A DESILUSÃO DOS CRAVOS

Quatro décadas passaram.
Da pseudo-revolução,
Só resta a desilusão,
Os rubros cravos murcharam.

Os que tanto a desejaram,
Outra igual não quererão…
Ingénuos, acreditaram,
Ri-se deles a vil traição.

Mas virão os netos e netas
De regresso a Portugal,
Farão outra, sem poetas

Sem capitães e sem cravos
Sem garras do capital,
Sem amos e sem escravos.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 29 de Março de 2014 às 13:37
EM NOME DOS POETAS E DOS CRAVOS

Poeta também tem "garra"
Pois, se um poema acontece,
Todo o bom poeta escarra
Sobre alguém que bem merece!

No meio desta algazarra
Das paixões que bem conhece,
Há sempre alguém que se agarra,
Que diz NÃO!, que não perece,

E quando os netos voltarem,
Quando as massas acordarem,
Quando a revolta surgir

Tudo quanto, então, sonharem
Lhes virá daquel`s que ousarem,
Pelos cravos, resistir!


Maria João


Obrigada, amigo Eduardo! Está excelente, como sempre, o seu sonetilho mas, como sabe, os poetas sempre estiveram presentes nas revoluções e eu empunho o cravo em nome da beleza sem precedentes que foi a revolução de Abril.
Que houve erros, sem dúvida! Que a burguesia soube salvaguardar os seus interesses e manter-se firme para destruir e tentar apagar, no 25 de Novembro, o verdadeiro espírito de Abril, também não duvido! Mas ainda acredito - e morrerei a acreditar! - na construção do Socialismo enquanto via para o Comunismo! Por isso aqui deixo este sonetilho feito à pressa que, apesar de tudo, empunha um cravo bem vermelho!

Abraço grande para si e Maria dos Anjos!
De poetazarolho a 29 de Março de 2014 às 16:37
A BALADA DA VERGONHA

Quando um palhaço diz
Que o que foi dito, não era
Logo outro o desdiz
E confirma o que ele dissera.

A confusão que se gera
Neste diz e contradiz
Diz-nos que este País,
Não é país… é quimera.

«e uma infinita tristeza,
Uma funda turbação,
Entra em mim, fica em mim presa

Cai neve na natureza
E cai no meu coração,»
Vergonha desta pobreza.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 29 de Março de 2014 às 17:21
Balada do amadurecimento político

Também no meu cairá
Tal tristeza e turbação
Se o governo diz que dá
E, a seguir, mostra que não...

Porque a "governança" má
Entra em tal contradição,
Só sei que um dia será!
Vamos ter revolução!

O pior é, meu amigo,
Se nos vencem por cansaço
Antes que um "porto de abrigo"

Possa erguer seu forte braço
Pr´a lembrar que o inimigo
Tece um mortífero laço...

Maria João


Aqui vai, amigo Eduardo, com outro grande abraço e mostrando algumas dúvidas naturais do processo de amadurecimento generalizado. Não serão exclusivamente minhas, as dúvidas aqui expressas, lembro!
De poetazarolho a 29 de Março de 2014 às 19:49
“Danças prostituídas”

Os mortos podem dançar
Uma dança sem sentido
Para os vivos saciar
Neste mundo já perdido

Entre lixeiras d’esperança
Onde buscam o sustento
Mostrando a sua dança
Prostituindo o desalento

Entre o viver e o morrer
Encontram o seu lugar
Porque a alma foi vendida

Pode não querer-se ver
Mas há muito neste lugar
A dignidade foi prostituída.

https://www.youtube.com/watch?v=S1J6TFHCevg
De poetaporkedeusker a 29 de Março de 2014 às 22:10
Não posso ouvir, Poeta, mas posso ver o vídeo...


... sendo assim, que nos propõe;
Suicídio colectivo?
Chorar, como pressupõe,
A dor de estar-se cativo?

Remeter-nos, como tantos,
Ao silêncio compulsivo
De quem, perdidos os mantos,
Já duvida de estar vivo,

Ou lutar, cada vez mais,
Opor viva resistência
Sem descansar um segundo,

Pr`a criar mundos iguais
Face à velha incoerência
De haver dois mundos no mundo?


Maria João


Aqui vai Poeta, com outro abraço!




De poetazarolho a 30 de Março de 2014 às 07:37
Chá nada.
De poetaporkedeusker a 30 de Março de 2014 às 14:06
Eu é que não vou fazer quase nada por aqui, hoje, Poeta... é dia de lavar a cabeça - faço-o duas vezes por semana - e isso, para mim, é uma "empreitada". Não que eu seja seja preguiçosa. Não tem nada a ver! Tornou-se difícil e demoradíssimo nas actuais circunstâncias físicas. Além do mais, andei por aqui demasiado tempo, ontem, e hoje a casa está "de pantanas", tal como a ligação... mas vou ver este Chá-coisa-nenhuma...
De poetazarolho a 30 de Março de 2014 às 16:10
“Mundo novo”

Nós somos economia
Correm nas veias acções
Variamos no dia a dia
Em função das cotações

É este o mundo novo
Fruto doutras concepções
Desprezando todo o povo
Acarinhando os cifrões

Deus dinheiro adorado
O espírito desprezou
Por isso foi crucificado

Mas quando ressuscitou
Voltou logo ao mercado
Que de novo o aclamou.
De poetaporkedeusker a 30 de Março de 2014 às 22:49
Admiravelmente sintetizado, o seu sonetilho, Poeta!

ABOMINÁVEL MUNDO NOVO

Esse mundo em que o dinheiro
Reinará sobre os humanos,
Sendo injusto, é des-inteiro,
Mas já vai causando danos;

Antropomorficamente
Se analisam seus mercados
Numa dança permanente
Entre "bolsa" e resultados

Mas, ficando enlouquecidos
Os valores do capital,
Que é cada vez mais instável,

Ficam os valor`s perdidos,
Sem distinguir bem, nem mal,
Nesse mundo abominável!


Maria João


Aqui vai, Poeta, com o abraço grande do costume!
De poetazarolho a 31 de Março de 2014 às 07:24
Chá sem clientela.
De poetaporkedeusker a 31 de Março de 2014 às 11:56
Eheheheheh... é a crise, Poeta... mas vou eu até lá!
De poetazarolho a 1 de Abril de 2014 às 05:27
Chá imprevisível.
De poetaporkedeusker a 1 de Abril de 2014 às 12:50
Tal qual os meus sonetos... também eles são muitíssimo imprevisíveis...

Vou vê-lo, Poeta!
De poetazarolho a 2 de Abril de 2014 às 07:23
Chá explica.
De poetaporkedeusker a 2 de Abril de 2014 às 11:02
Vou tentar conhecer essa explicação, Poeta!
De poetazarolho a 3 de Abril de 2014 às 17:06
“Das leis...”

Da lei da morte
Com alguma sorte
Da lei da vida
Não está decidida

Da lei da humanidade
Será a fraternidade
Das leis mesquinhas
Não são as minhas

Da lei dos poderes
Tens teus saberes
Da lei do universo

Onde tudo é reverso
Da lei derradeira
Que é a primeira.
De poetaporkedeusker a 3 de Abril de 2014 às 17:22
Tantas leis...

Posso ver as chicotadas
Impressas nas leis mais duras
Ou pressenti-as, caladas,
Mas, passadas, não futuras

E sei que há vidas marcadas
De mil formas, muito duras,
Que, quando são partilhadas,
Vão ficando menos duras...

Da leis que agora comandam
A barca em que navegamos,
Sei dizer que nunca abrandam

Quando em nada acreditamos
E, se for pr`a servir amos,
Bem melhor é que as partamos!


Maria João

Aqui vai, com o abraço do costume, Poeta!

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