.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

SÓ PARA NÃO DEIXAR QUE AS RIMAS GANHEM PÓ...

WarPaintings010.jpg

(Soneto em decassílabo heróico)

 

 

Se assim escrevo, será por não saber

Viver de outra maneira e ser quem sou

Ou dar de forma estranha à que me dou

E ser de alheia forma ao que sei ser

 

 

E se isto, amigos meus, não for escrever,

Não saberá escrever quem me ensinou,

Nem saberei dizer quem me enganou

Quando tanto deixou por aprender,

 

 

Mas se triste me sinto ou triste estou,

Já vos não sei dizer quem me afastou

Desta força de, sendo, me dizer,

 

 

Nem se, acaso, houve alguém que se lembrou

De lembrar-me de quanto me negou

E, depois, se esqueceu de me esquecer...

 

 

 

 

MariaJoão Brito de Sousa – 22.10.2014 – 16.44h

publicado por poetaporkedeusker às 16:10
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38 comentários:
De poetazarolho a 24 de Outubro de 2014 às 22:26
“Três éfes”

Três éfes nós aprendemos
São eixos fundamentais
P'los quais nos movemos
E não nos detêm mais

O primeiro fidelidade
Traçado na vertical
Junta honra à humildade
O segundo força vital

Equilíbrio representa
O terceiro fraternidade
Faz-se num único traço

Nele muita coisa assenta
Do grupo à individualidade
Representa o nosso abraço.
De poetaporkedeusker a 25 de Outubro de 2014 às 00:31
Diz-me essa Fraternidade
Que devemos, por igual,
Dar uso à fidelidade
Bem como à força vital

Pr`a gritar por liberdade
Neste nosso Portugal
Onde nos falta equidade,
De uma maneira geral,

Por isso, segue este abraço,
Dado a correr, mas sentido,
Como o é tudo o que faço...

Que não seja desmentido
O sentido deste laço
Tão fraterno e desmedido


Maria João
De poetazarolho a 26 de Outubro de 2014 às 08:56
Chá esqueceu.
De poetaporkedeusker a 26 de Outubro de 2014 às 10:10
Esqueci-me, Poeta! Foi este seu aviso que me fez lembrar que me esqueci de atrasar o relógio... vou tratar disso agora, antes que me esqueça outra vez mas, ainda vou ver o Chá!
De poetazarolho a 26 de Outubro de 2014 às 14:16
“O povo é sereno”

Façamos o teste de stress
Ao bom povo português
E se mais baixo não desse
Dá fome de quando em vez

Mas como o povo é sereno
Aguenta como já se disse
Ser burro carregado a pleno
Sem se aperceber da burrice

Mas agora há a cenoura
Que muito burro faz correr
À espera do ano seguinte

Vazia está a manjedoura
Mas há esperança de comer
P'ró ano com todo o requinte.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 28 de Outubro de 2014 às 12:41
Sereno... ma non troppo!

..." envenenada", a cenoura!
E "minada", com certeza!
Parece bela mas "estoura",
Essa cenoura burguesa!

Todo aquel`que esse "isco" doura
Quer manter-nos na pobreza
E deixar-nos em "salmoura"
Pr`a tornar-nos fácil presa!

Eu, sobre a nova linguagem,
Tenho a minha opinião...
Poeta, há que ter coragem

E minar-lhe a disfunção;
Se "acalmou" foi porque a "vagem"
Lhe deu toda a produção!


Maria João

Cá vai, meio "martelado", com o abraço de sempre!





De poetazarolho a 26 de Outubro de 2014 às 18:24
A minha cidade

Chamam-te farta e fria
Outros dizem forte e feia,
Mas eu penso, todavia,
Que se és farta, fria e forte,
Apesar do ar tão leve,
De formosura estás cheia
Meu floco de lã e neve
Trazido p´lo vento norte.

Tens a serra e o pastor
Que faz o queijo de ovelha
E tens o rei povoador,
A quem deves o que és,
No centro da Praça Velha
Que é a braseira dos pobres,
Mas onde aquecem os pés
Mendigos, ricos e nobres.

Vives perto da Estrela,
Tens saber da muita idade,
És a cidade mais alta,
Tua Sé é a mais bela,
Tens riso da mocidade,
Tens um amor que me tarda
Não sei o que mais te falta
Velha cidade da Guarda

Eduardo
De poetaporkedeusker a 28 de Outubro de 2014 às 13:26
Belíssimas oitavas à Guarda, amigo Edurado!

De Oeiras disse Ramalho,
Ortigão, de nome inteiro,
Ser só terra de trabalho,
Muito feia, uma desgraça
Sem praia que jeito tenha,
- um susto pr`ó caminheiro... -
Sem beleza que detenha
Cada turista que passa

Mas, na minha opinião
- que não deve ser suspeita... -
Esse Ramalho Ortigão
Nem sequer a soube olhar!
Uma terra tão bonita
Não merece essa desfeita,
Nem aceita tal desdita
Sem ousar contrariar;

Nela o Tejo desagua
E abraça o mar selvagem
Junto desta vila nua
Que os contempla deleitada
E que, filha desse abraço,
Se estende tal qual miragem,
Palmo a palmo, passo a passo,
Ao longo dessa enseada...


Maria João

Aqui vão umas oitavas - feitas à pressa - à minha Oeiras!
Um fraterno abraço para si e Maria dos Anjos!






De poetazarolho a 27 de Outubro de 2014 às 06:06
Chá da verdade.
De poetaporkedeusker a 28 de Outubro de 2014 às 11:40
Verdade, verdadinha; ontem tive de tratar de uns assuntos inadiáveis, cheguei tarde e cheia de dores de cabeça... para não mencionar as outras... já nem sequer cá consegui vir, Poeta...

Vou ao Chá!
De poetazarolho a 28 de Outubro de 2014 às 00:11
“War end”

Arma está apontada
O alvo já selecionou
A bala foi disparada
Teu cérebro trespassou

Essa vida foi ceifada
E nada na guerra mudou
Sobe de tom a escalada
Que mui cedo a motivou

São mil razões p'ra matar
Suportadas em decisões
Da humana malvadez

Mas para a guerra acabar
Há que matar multidões
Toda a humanidade talvez.
De poetaporkedeusker a 28 de Outubro de 2014 às 12:19
Peace

Eu só quero é estar "armada"
De razão, discernimento,
Não ficando alvoroçada
Nem entrando em sofrimento

Por ter um`arma apontada
Às razões do meu sustento;
Dou meu melhor e mais nada
Cala o sopro deste vento

Ou constrói a minha estrada
Sobre as pedras de um lamento...
Estando assim, determinada,

Quem nega aquilo que eu tento?
Quem me quer desesperada
E me derruba este alento?


Maria João

Cá vai, Poeta, com o abraço grande do costume!


De poetazarolho a 29 de Outubro de 2014 às 06:24
Chá alcançou.
De poetaporkedeusker a 29 de Outubro de 2014 às 13:38
Vou ver o que poderá o Chá ter alcançado, Poeta!
De poetazarolho a 30 de Outubro de 2014 às 22:26
“Quase nada”

O teatro da minha vida
Não se liga a milhões
Mas de forma decidida
Vou contando os tostões

A austeridade conhecida
Pauta todas as decisões
Duma vida desprendida
Mas sem grandes aflições

O circo vamos vivendo
Palhaços na vida real
Soltando a gargalhada

Neste palco eu entendo
Que muito pouco é normal
E que quase tudo é nada.
De poetaporkedeusker a 30 de Outubro de 2014 às 22:44
Construção

Quase tudo é quase nada
Se não traz a dimensão
Que, à coisa já conquistada,
Junte a força da paixão

E que, ainda que afastada,
Junte a estranha imensidão
Da justiça antecipada
Que move a revolução...

Palhaços ou funcionários,
Tanto faz quando, lutando,
Pedem pão, pedem salários,

Noite e dia recrutando,
Mais lutadores temerários,
Que aos outros se vão juntando!

Maria João


Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!
De poetazarolho a 31 de Outubro de 2014 às 22:20
MUDAM-SE OS TEMPOS…

O bobo da corte é bem insolente,
Foi ele amestrado p´ro rei divertir,
Mas, agora, ao vê-lo prestes a partir
Cruza-se com ele assaz indiferente

Dantes rastejava, com ar reverente,
P´los passos perdidos, guizos a tinir,
Dançava-lhe à volta, atrás e à frente
Em mil volteados, só para o ver rir.

Até sua alteza parecia um momo,
De tanto imitar o seu servidor…
Agora, irado, e sem saber como

Vê sempre o seu bobo, lesto, num assomo
Cortejar, servil, o seu sucessor
Pensando, em breve, ser o seu mordomo.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 1 de Novembro de 2014 às 11:24
Muito grata por mais este seu soneto, amigo Eduardo.
Não estou mesmo num dos meus melhores dias... o dia de ontem foi extremamente cansativo e o habitual descanso nocturno mostrou-se claramente insuficiente para repor algumas das energias que gastei... para além dos limites que, hoje em dia, o meu corpo reconhece como razoáveis...

Forte abraço para si e Maria dos Anjos!

Maria João
De poetazarolho a 1 de Novembro de 2014 às 07:25
Chá decide.
De poetaporkedeusker a 1 de Novembro de 2014 às 10:49
Não estou muito bem, mas... vou já ver o Chá!

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