.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2017

SILÈNCIO(S)

arvore-perdendo-as-folhas-2255d.jpg

 

Neste silêncio triste embalo os mortos

Entre asas fracas, flácidas, pendentes,

E sobre este regaço, os mesmos hortos

De onde ervas emanavam, persistentes,



Cobrem-se já de caules secos, tortos,

Negros, mirrados, quase transparentes,

Quais longos mastros nos distantes portos

Da rota imaginária dos ausentes...



É outra, no entanto, a minha rota,

E se hoje reavivo a estranha frota,

Razões bem fortes tenho pr`a fazê-lo,



Pois muito se assemelha ao que descrevo

A angústia de não ter para o que devo,

Embora eu mude o esboço a cada apelo.





Maria João Brito de Sousa - 06.02.2017 - 13.23h

 

publicado por poetaporkedeusker às 19:10
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16 comentários:
De Rogério Pereira a 7 de Fevereiro de 2017 às 00:46
Belo e triste
e vindo de quem resiste
tem força suficiente
para seguir em frente

na rota a que teu verso aponta
De poetaporkedeusker a 7 de Fevereiro de 2017 às 06:41
Obrigada, Rogério.

Foi um soneto que se arrastou pelas horas... estou em "fase de pousio" e pressupus que não escreveria tão cedo, mas acabei por não conseguir calar este, muito fiel ao momento e muito pessoal, também, o que não é novidade, embora não seja muito comum, em mim...

Abraço.
De poetazarolho a 8 de Fevereiro de 2017 às 07:33
“Horizontes”

Projecto além do horizonte
Apenas realidades perfeitas
As que vislumbro defronte
Assemelham-se-me suspeitas

Suspeitas porque não gosto
Ou as deturpam ferozmente
Sem a máscara até aposto
Seriam perfeitas p’rá gente

Mas se a perfeição não existe
Teremos que nos contentar
Com uma busca incessante

Perto anda quem não desiste
De o caminho encontrar
E a cada queda se levante.
De poetaporkedeusker a 8 de Fevereiro de 2017 às 08:21
Circunstâncias

Das circunstâncias depende,
Pois, sem olhos, ninguém vê,
Nem ninguém da treva ascende
Sem energia EDP.

Estando em tempo de pousio,
É normal nada escrever
Mas chegam-me, ao arrepio,
Mil razões pr`a não poder;

Tal qual como a muitos chega
Cedo, a hora de morrer;
Eu, sem olhos fico cega,

E, sem luz, não posso ler,
Porque a barca não navega
Se o rio parar de correr...

Maria João

Pedindo desculpa pela má qualidade deste sonetilho-resposta, ainda assim me decido a deixar-lho aqui, enquanto vou podendo.
Abraço grande, Poeta.





De poetazarolho a 8 de Fevereiro de 2017 às 22:54
“Fusão”

Enquanto humanidade
Nossa mente é a fusão
Nossa mente é a fissão
Donde brota diversidade

A cada um sua verdade
Nessa universal reacção
Nuclear por definição
Transforma a realidade

Com as mega toneladas
Dessa explosão nuclear
As mentes inanimadas

Entre o partir e o ficar
Visivelmente perturbadas
Presentem-se vaporizar.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2017 às 07:28
(Con)fusão nuclear

Fusão na diversidade;
Mais dispersa que fundida
Anda a nossa humanidade
Na grande roda da vida

Onde cada liberdade
É conquistada ou perdida,
Sobrando a variedade
Que está sempre garantida...

Quando em plena guerra fria
Nasci, nos anos cinquenta,
Já "a coisa" se temia,

Já, "rebenta ou não rebenta?",
Já em tensão se vivia
E já vão mais de sessenta...

Maria João


Bom dia, Poeta. Cá vai, arrancado à minha memória e à minha "fase de pousio criativo", o sonetilho que me ocorreu. Abraço grande.
De poetazarolho a 9 de Fevereiro de 2017 às 23:04
“Esboços possíveis”

Deixá-los todos pensar
Como se fossem universo
E assim possa brotar
O pensamento diverso

De mentes em oposição
Ao impossível decretado
P’los defensores da situação
Com um discurso forjado

Cujo sound byte se repete
Sob a batuta compassada
Dos arautos de serviço

Mas que ninguém interprete
A possibilidade esboçada
Neste impossível esquiço.
De poetaporkedeusker a 10 de Fevereiro de 2017 às 07:57
Declaração de Pontual Impotência
(em redondilha menor)

Como disse um dia
E repito agora,
Estou "cega" e vazia
Por dentro e por fora;

Assim, ninguém cria,
Quase ninguém chora
Sobre a melodia
Que se foi embora

Porque as importâncias,
Face às circunstâncias,
Nisto redundaram;

Sem "ingredientes",
Murcham-me, doentes,
Versos que (en)cantaram.

Maria João

Bom dia, Poeta! Cá vai, em redondilha menor, o sonetilho possível e um forte abraço.

De Demasiado tímido a 10 de Fevereiro de 2017 às 01:13


Cara amiga é bom vê-la produtiva e inspirada, pois o poeta vive para sempre na vida de todos aqueles a quem emociona.


SILÊNCIO DO AMOR

Silêncio que atormenta e me consome.
Em tua solidão busco os meus sonhos
Nas jornadas das obras sem teu nome,
Nos meus pesadelos bem medonhos.

Sigo os meus caminhos de amor,
Sempre e sempre buscando o teu perdão
A fim de aliviar toda essa dor
Que me leva rumo à devassidão.

Na vasta trilha busco a natureza,
Quando os raios do sol já tanto brilham
E iluminam o triste peito só.

Vem-me o conforto desde a tua beleza
E os teus sedosos lábios partilham
Dessa nostalgia pura e sem dó.
De poetaporkedeusker a 10 de Fevereiro de 2017 às 07:41
Grata pelo envio do seu soneto "Silêncio do Amor", amigo Adílio Belmonte.

Como sempre foi comum a todos os poetas junto dos quais cresci, também eu estou a atravessar um dos meus períodos "de pousio", poeta amigo.

Fraterno abraço.

Maria João
De ADÍLIO BELMONTE a 10 de Fevereiro de 2017 às 01:18
Amiga, em meu SILÊNCIO DE AMOR deixei de indentficar-me., mas o faço agora.

Um grande abraço, saúde e paz!
De poetaporkedeusker a 10 de Fevereiro de 2017 às 07:32
Saúde e paz, amigo Adílio.

Que tenha um excelente dia.
De poetazarolho a 10 de Fevereiro de 2017 às 22:40
“Outras cartas”

A verdade é pessoal
E de todo intransmissível
A outros adequa-se mal
Chega a ser inverosímil

Nunca foi universal
Pois seria impossível
Ataque desproporcional
Fê-la descer ao risível

Aí nasce a pós-verdade
Desta era pós-verdadeira
Para ocultar os valores

Das cartas da humanidade
Que nunca se quis inteira
P'ra se rebaixar aos favores.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 11 de Fevereiro de 2017 às 08:07
Enquanto espécie, é criança,
Esta nossa humanidade
Qu`inda não ganhou temp`rança
Nalguns milénios de idade

E vai crendo que há bonança,
Só depois da tempestade...
Mas caminha, cresce, avança,
Dentro dessa identidade

Mesmo sem saber se alcança,
Um dia, a maturidade
De dispensar a matança,

De acreditar que a vaidade,
Trazendo, a alguns, a abastança,
Traz maior desigualdade...

Maria João

Cá vão, Poeta, o meu incipiente sonetilho-resposta e um abraço grande.


De poetazarolho a 13 de Fevereiro de 2017 às 23:53
“Exclamações”

A mente deve voar
Grilhetas fiquem no chão
Não se deixe condicionar
Aos espectros da razão

Pois a razão tem razões
Que ela própria desconhece
Quando assim é chavões
Ficai com quem os merece

Nesta mente renovada
Ou em busca da renovação
Cabe tudo e não cabe nada

Dependendo da exclamação
Fica a mente extasiada
Por recurso à interrogação.
De poetaporkedeusker a 14 de Fevereiro de 2017 às 06:07
APOLOGIA DA RACIONALIDADE

Não gostasse eu da Razão
E das asas que nos dá,
Tudo seria ilusão
E eu seria burra, ou má.

Não quero essa "amputação"
E, à Razão, quero-a por cá!
Bem me basta a frustração
De outras coisas que não há...

Onde só reine Emoção,
A Alienação reinará
E até a própria Paixão,

Aos poucos se perderá
Perdida na confusão
Que essa alienação trará.

Maria João

Bom dia, Poeta! Sou uma grande apologista da racionalidade, que está muito, mas mesmo muito longe de impor grilhetas seja a quem for. Pelo contrário, quebra as grilhetas da alienação, esse sim, desequilibrada, "desequilibrante", altamente contagiosa e perniciosa. Aqui vai com o abraço grande de sempre.

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