.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 7 de Agosto de 2015

ROSA DE HIROSHIMA

cogumelatomico.jpg

 

(Soneto em decassílabo heróico)



Obscenamente bela, a flor letal

que abrasara a cidade de Hiroshima,

rasga o céu sobre um eixo vertical

ao plano destroçado onde se anima



E vibra e desabrocha e colossal

se expande numa rosa que, assassina,

derruba, carboniza e, por igual,

colhe a vida do velho e da menina...



Mas morre-me a palavra à flor dos dedos

que mais vos não dirão, mudos de espanto,

teimando em não falar dos seus segredos,



Depois de vislumbrado o frágil manto

com que o tempo velara antigos medos...

Pr`a todo o sempre, espero... ou por enquanto?





Maria João Brito de Sousa – 06.08.2015 – 22.56h

publicado por poetaporkedeusker às 00:12
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41 comentários:
De Demasiado tímido a 7 de Agosto de 2015 às 02:49
Cara amiga
Como é triste o instinto bélico do homem!
Só Deus o pode somar.


RIMAS DA DESTRUIÇÃO

O povo que lamenta Hiroshima
É toda a multidão que busca a paz,
Mas o medo da guerra ainda domina
Enquanto esse perigo ora se faz.

Muitos fantasmas já nos atormentam,
Embora os nossos sonhos sejam puros
Mesmo havendo o perigo que comentam
E que isso atesta o mundo intra-muros.

As falanges de terror têm missão
Sórdida e desumana para cumprir,
Fazendo-o por instinto destruição.

Ah! Tanta gente sem ter coração
Pronta a exterminar todo o nosso mundo
Pouco importando qual seja a nação.




De ADÍLIO BELMONTE a 7 de Agosto de 2015 às 02:52
Amiga,

Esse tema é tétrico e me fez até esquecer de assinar essas Rimas da Destruição.
De poetaporkedeusker a 7 de Agosto de 2015 às 22:04
Não é o poema que é tétrico, meu amigo Adílio, é a realidade que o é... o poema - soneto, neste caso... - limita-se a reflectir essa realidade... a setenta anos de distância dela... o que a não torna menos assustadora...

Acredito que o homem caminha - lentamente, é certo... - para um estado de amadurecimento que dispensará - embora nunca totalmente... - esses impulsos belicistas. E é tudo quanto lhe consigo dizer, esperando que a humanidade chegue, num futuro longínquo, a esse estado de maturação .

Deu para entender bem que são de sua autoria, estas RIMAS DE DESTRUIÇÃO que, desde já, muito lhe agradeço! Fraterno abraço!

De poetazarolho a 8 de Agosto de 2015 às 23:28
“That river”

Cry me a river in blue
Might cry me some drops
Of your deepest true
Emotions over the tops

Emotions broken down
Whenever you feel apart
The river’s sometimes brown
And the drops drop in art

And the art fulls the heart
And the heart feels around
No matter the emotions are

But mind will never distract
No matter the emotions found
That river never been so far.
De poetaporkedeusker a 9 de Agosto de 2015 às 00:09
A crazy italian sonet, in English words... or something similar...

I`d cry a river... if I just could cry,
but I should tell you that I`ve dried my tears
and though ensuring that I have no fears
I`ll set them free the moment that I die...

It´s never easy but I`m gonna try
to write it down and then to shout out; Cheers!
before they come like happy volunteers
and ask me questions... or just ask me why...

This is so strange... in English you don`t use
this kind of poems, cause they just don`t fit
these english sounds... I think it`s an abuse

To write a sonet, like I`m trying it...
but if I wrote , it`s just because I chose.
and if if I chose... I`ll end it bit by bit...


Maria João


A estrutura do soneto, em língua inglesa, não é esta, Poeta... isto é apenas uma frustradíssima tentativa de aplicar uma estrutura poética italiana/latina à língua inglesa... e um bocado feito à pressa, heheheh... mas é um soneto, embora muito rudimentarmente delineado e mais do que "desafinado" no jogo sonoro entre sílabas átonas e tónicas... mas cá vai com um abraço grande!
De poetazarolho a 9 de Agosto de 2015 às 19:49
“Consciências”

Uma ou duas não eram
As vozes na consciência
Nem nos becos da demência
Onde ideias proliferam

Onde as regras não imperam
Mas as regras da vivência
Superam insuficiência
Daquilo que não viveram

Em frestas de subsistência
Aqueles que dizem não
A um mundo colorido

Produto da subserviência
A promessas de construcção
Que negam o prometido.
De poetaporkedeusker a 9 de Agosto de 2015 às 20:42
Haja, dela, quanto baste,
pois sempre nos conduziu
a melhorar, sem desgaste,
quanto já se produziu

E mesmo quando cansada,
fica atenta e vigilante,
não se vende - nem por nada! -,
fortalece a cada instante...

Falo, muito simplesmente,
de um processo natural
e bem saudável da mente,

Não de algo "transcendental"
e muito menos demente,
ou sequer "para-normal"...


Maria João

Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!


De poetazarolho a 10 de Agosto de 2015 às 19:54
“100 %”

Essa forma de pensar
Que usa o pensamento
Essa forma de lutar
Que combate o desalento

Essa forma de sonhar
Que sonha cada momento
Essa forma de amar
Que ama com sofrimento

Essa forma de caminhar
Onde caminhas sedento
Essa forma de meditar

Onde meditas isento
Essas formas de estar
Onde estás cem por cento.
De poetaporkedeusker a 10 de Agosto de 2015 às 23:09
Cem por cento de trabalho,
cem por cento de paixão,
cem por cento... se não falho
e se não me falha a mão...

Cem por cento sentimento,
cem por cento racional,
e ainda cem por cento
de dedicação total...

A que estranho resultado
Já cheguei sem perceber
que estava, decerto errado?

São quinhentos... que fazer
se , por tê-lo exagerado,
nesses "cem" não me couber?

Maria João

Cá vai Poeta, com o meu abraço!


De poetazarolho a 10 de Agosto de 2015 às 23:02
“Shakespeare sem caução”

Poderia estar ganzado
Mestre da dramaturgia
Por isso o resultado
Deu positivo um dia

Hamlet estava alucinado
Romeu a ganza consumia
Julieta snifou um bocado
Por becos e vielas se perdia

Scotland Yard investigou
Recolheu os fragmentos
Do cachimbo setecentista

Donde a ilicitude se provou
Retiraram-lhe os argumentos
E destituíram-no de artista.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 10 de Agosto de 2015 às 23:34
Eheheheheheh...


Seja lá que exemplo for,
decerto o não vou seguir!
Uso o meu próprio "motor",
não me deixo "poluir"!

Só assim sinto o valor
de quanto esteja a sentir,
sem nada que possa impor
o que devo, ou não, excluir...

Quem precisar de "dopagem",
que se dope - o que eu lamento... -,
e... muito boa viagem!

Quanto ao meu discernimento;
prefiro ter a vantagem
de escrever... "sem condimento"...


Maria João


Forte abraço, Poeta!


De poetazarolho a 11 de Agosto de 2015 às 23:40
“Desequilíbrios”

Equilíbrio se desequilibra
Ao pressionar um botão
Tudo à nossa volta vibra
Com o poder da explosão

Neste mundo de loucura
E por loucos governado
Nem sempre a paz perdura
Sendo a guerra o resultado

Dando milhões a ganhar
Elegendo presidentes
Não há forma de tapar

O que se diz entre dentes
Só vale morrer ou matar
Não valem nada as gentes.
De poetaporkedeusker a 12 de Agosto de 2015 às 00:05
Sem comida, nem tabaco
fugiu-me a Musa a chorar...
eu, que fiquei sem fumar,
estou pr`aqui feita num caco...

Metida a fome no saco,
tenho agora de pensar
se hei-de, ou não, aguentar
enquanto o poema ataco...

Estou quase a chegar ao fim;
nada mau, pr`a quem tem fome
e anseia por cigarrito...

Quase lá, cumprindo assim
aquilo que, tendo nome,
hoje parece esquisito...

Maria João


Cá vai com o abraço grande de sempre, Poeta!
De poetazarolho a 12 de Agosto de 2015 às 21:49
“Nova esperança”

Desalento pode ser lento
Mas se entra em erupção
Transforma-se no fermento
Que despoleta a revolução

É o ponto zero do evento
Início duma construcção
Contém água e cimento
Também ferro e betão

E um novo muro avança
Punhos, vozes, a marchar
São gente em contestação

Em busca de nova esperança
Que não logram alcançar
Na sua actual situação.
De poetaporkedeusker a 12 de Agosto de 2015 às 22:17
Não se sabe o "ponto certo"
em que se ergue e se transforma,
pois nunca foi descoberto;
Revolução não tem norma,

Deixa tudo em desconcerto
mal o "caldo se lhe entorna",
mas, sem um povo desperto,
perde-se assim que se forma,,,

Sonho, talvez,,, mas sonhando
se abarcam realidades
e também se vão pensando

Muito importantes verdades
que assim que se vão formando
também formam as vontades...


Mª João


Cá vai, Poeta, com o devido abraço de todos os dias!


De poetazarolho a 13 de Agosto de 2015 às 23:34
“Fragrâncias”

Entre puta e meretriz
Há uma grande distância
Perceptível pelo nariz
Sentida que é a fragrância

Uma circula no duro
Entre vielas e barracões
Outra em estado puro
Por entre luxuosos salões

Duma não reza a história
Por exercer a profissão
Que é a mais velha do mundo

A outra merece glória
Pois tem enorme aceitação
Nesse ambiente jucundo.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 14 de Agosto de 2015 às 11:48
Será mesmo profissão,
essa forma degradante
de se garantir o pão...
ou é sempre... alienante?

Da mais insignificante
à que faz mais "sensação",
Não está, no fundo, distante
A comum degradação...

Sempre foi, sempre será
pura disfunção social
- ou "função" que a torna má... -

Beco sem saída ou mal
de quem anda ao Deus-dará
no velho "leilão carnal"...


Mª João


Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!



De poetazarolho a 17 de Agosto de 2015 às 21:29
“Nada mais”

Dobro de nada é nada
Mas em dobro sabe bem
Se em dobro te é dada
A alegria toda de alguém

Mais que isso não tivesse
Metade de nada te daria
E se outro alguém viesse
A outra metade levaria

E de tudo o que tivera
Assim nada me sobraria
Porque em dobro eu dera

Para proporcionar alegria
A quem tudo detivera
Mas que nunca sorriria.
De poetaporkedeusker a 17 de Agosto de 2015 às 22:39
"Dobro de nada" elevado
seja a que número for
- pode ser mesmo ao quadrado...-
nada dá... nada a propor!

Mesmo que multplicado
pelo quadrado da flor,
ou dá zero, ou está errado
e nasceu só pr`a compor...

Mas se um quase-nada,
pode então multiplicar-se,
dar numa "conta calada",

E mesmo potenciar-se
até dar soma avultada
e, em grandeza, acrescentar-se...

Maria João


Aí vai , Poeta, meio "às três pancadas" e ao correr das teclas. Leva com ele o abraço de sempre!
De poetazarolho a 18 de Agosto de 2015 às 20:47
“Reversão”

Homem deve acreditar
Naquele que é seu irmão
Mesmo se atira a matar
Por certo tem uma razão

Deve a mesma sondar
E atirar-lhe ao coração
Para assim o desarmar
Mostrando compreensão

E desta forma alterar
O estado de evolução
Que parece imperar

Levando-nos à extinção
Ou a um estado larvar
Acaso não haja reversão.
De poetaporkedeusker a 18 de Agosto de 2015 às 21:08


Esse "tiro ao coração"
talvez se possa evitar
pr`a poupar-se o nosso irmão...
mesmo sem saber poupar...

Mas aprenda-se a lição
antes de assim se atirar,
sem sombra de compaixão,
nem tempo pr`á vislumbrar...

Use-se a velha razão,
pr`a melhor raciocinar,
em vez dessa compulsão

De matar só por matar ...
e tire a sua ilação
quem me queira comentar!

Mº João

Aqui vai, Poeta, todo em rima pobre... que é, apenas, uma designação e não uma desclassificação

Abraço grande!

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