.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Terça-feira, 15 de Abril de 2014

RELEMBRO

(Soneto em decassílabo heróico)

 

Relembro um rio que em gesto resoluto

Cresce em caudal e soma em quantidade

A mesma urgência com que agora eu luto

E me dá força enquanto houver vontade;

 

Porque um poder perverso e dissoluto

Se nos impõe, esmagando a dignidade,

Sejamos fio de outro qualquer soluto

Que, em nos enchendo, engendre outra vontade!

 

Relembro o sangue em veias indomadas

E esta emergência em nós, sempre crescente,

Que nos transforma as mãos mais desarmadas

 

Em espada erguida sobre o prepotente

Que ensombra as águas vivas, libertadas,

Duma outra força antiga e sempre urgente!

 

 

Maria João Brito de Sousa – 15.04.2014 – 10.39h

 

 

Ao povo que, desobedecendo a uma ordem directa, invadiu as ruas em Abril de 1974 e transformou um golpe militar numa verdadeira revolução.

 

A todos nós!

 

 

Imagem retirada do Google, sem autoria visível.

 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 14:06
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46 comentários:
De jabeiteslp a 15 de Abril de 2014 às 14:32
Ao fim destes anos todos...



feliz tarde
De poetaporkedeusker a 15 de Abril de 2014 às 14:55
Olá, Anjo!

Ao fim destes anos todos, estamos um bocado anestesiados, mas não estamos mortos! Além do mais tendem a dar uma versão muito romanceada da "coisa", e a verdade é que se não fosse esta extraordinária simbiose do povo... enfim! Foi essa acção conjunta que fez a revolução dos cravos!


Feliz tarde para ti!

PS - Estou sem som no Youtube e o computador vai-se abaixo a cada cinco minutos, mas vou até aí... se puder, eheheh...
De jabeiteslp a 15 de Abril de 2014 às 21:18
Eu estava presente
fora também
e há muito comungo esse teu olhar...

"eles comem tudo e não deixam nada"

aplica-se ainda mais ao presente...

Conheci em Moçambique o José Afonso

e das memórias
relembro o Bom que era viver por lá...


Xoxo de aqui
De poetaporkedeusker a 15 de Abril de 2014 às 21:28
Gosto tanto das canções do Zeca!!!
De jabeiteslp a 15 de Abril de 2014 às 21:46
Feliz noite
De poetaporkedeusker a 15 de Abril de 2014 às 21:51
Feliz para ti, também, Anjo!!!
De jabeiteslp a 16 de Abril de 2014 às 14:13
Nada de excessos...
De poetaporkedeusker a 16 de Abril de 2014 às 14:18
Olha que não sei.... se eles se recusam a ver o óbvio, terei de ser "excessiva" nos meus argumentos!
Se me deixarem falar, claro... se não, falarei no fim! E falarei por todos os que, estando na mesma situação, têm sido impedidos de o fazer pela força das circunstâncias!!!
De M.Luísa Adães a 16 de Abril de 2014 às 16:06
Olá Jabei

Fico feliz
por te encontrar junto à Poetisa Maria João


Maria luísa
De golimix a 15 de Abril de 2014 às 21:49
Noto nestas palavras a força de Abril!
De um Abril que vai longe....


Bjinhs
De poetaporkedeusker a 15 de Abril de 2014 às 21:53
Bem longe... mas bem vivo em muitos de nós, Golimix!!!

Beijinho!!! Estou no RHP!!!
De M.Luísa Adães a 16 de Abril de 2014 às 16:03
A todos,

Ergo minha taça e os saúdo!

E para ti,
a minha imensa amizade
maior do que o mundo
tão triste e maltratado
pela ganância de alguns...

Melhoras e Páscoa feliz!


Maria luísa
De poetaporkedeusker a 16 de Abril de 2014 às 21:48
Muito obrigada!

Que tenhas uma feliz e serena Páscoa, minha querida Maria Luísa!
De poetazarolho a 18 de Abril de 2014 às 18:03
Sem chá.
De poetaporkedeusker a 18 de Abril de 2014 às 19:01
Poeta!!! Vou já ver esse Chá sem chá!
De poetazarolho a 20 de Abril de 2014 às 02:07
“Revolução em saldo”

Longa noite madrugada
Marcham já na avenida
Veio o hino pela calada
Surge a coluna decidida

São chaimites e soldados
Sob comando dum capitão
Muitos anos amordaçados
Fez despontar a revolução

E o povo saiu à rua
Gritando a pleno pulmão
Jamais seria vencido

Mas para tristeza sua
Ouve outra evolução
E acabou por ser vendido.
De poetaporkedeusker a 20 de Abril de 2014 às 12:27
Venha outra... em primeira mão!

Foi vendido, atraiçoado,
Moldado à causa burguesa...
E alguns pensarão que é fado
Deixar de ter pão na mesa!!!

Mas, enquanto houver soldado,
Brava gente portuguesa,
E povo que, revoltado,
Mostre bem que tem firmeza,

Não perco a esp`rança de, um dia,
- sei lá quando el`chegará... -
Derrubar-se a tirania

Que grassa agora por cá
E que ninguém pensaria
Que pudesse ser tão má!


Maria João


Segue com o abraço do costume. Poeta!


De poetazarolho a 20 de Abril de 2014 às 09:06
Chá desleal.
De poetaporkedeusker a 20 de Abril de 2014 às 12:06
Pobre Chá... vou vê-lo, mesmo assim...
De poetaporkedeusker a 21 de Abril de 2014 às 00:19
Caramba!!!!! Esqueci-me do chá
De poetazarolho a 21 de Abril de 2014 às 06:59
Arrefeceu!
De poetaporkedeusker a 22 de Abril de 2014 às 14:33
????? .......... Ah!!! O Chá!!!
De poetazarolho a 21 de Abril de 2014 às 07:06
FABULÁRIO

O PAGAMENTO DA DÍVIDA

Estava ele a dever
Ao seu vizinho, um milhão
E perante a pressão
P´ro capital devolver

Ele deixou de comer
Quatro quintos da ração
P´ra entregar em prestação
E dívidas deixar de ter.

Rejubila o credor…
Ia haver o que era seu
E até louva o devedor!

Este, ´inda pagou um mês
Mas definhou e morreu
Saldando o total, de vez.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 22 de Abril de 2014 às 14:30
ALTERNATIVAS...

Que estranhíssima maneira
De se "liquidar" um saldo!
Se nos falta muito caldo
Mesmo havendo na algibeira,

Agiganta-se a canseira,
Mesmo tendo um bom respaldo,
E, no fim, como rescaldo,
Vai-se a vida, toda inteira...

Devedor que muito deva
Deve pensar duas vezes
Ou depressa a morte o leva

E ter juízo que baste
Pr`a pensar nesses revezes
Antes que uma vida gaste...


Maria João


Muito grata pelo envio de mais um pedacinho do seu Fabulário, amigo Eduardo!
Abraço grande, para si e Maria dos Anjos!


De poetazarolho a 21 de Abril de 2014 às 07:12
Chá enganado.
De poetaporkedeusker a 21 de Abril de 2014 às 20:55
Pobre do Chá...

Poeta, hoje foi dia de exames em Lisboa! Não sei se vou conseguir responder ao seu sonetilho, mas vou ao chá!
De poetazarolho a 22 de Abril de 2014 às 06:59
Chá aprende.
De poetaporkedeusker a 22 de Abril de 2014 às 13:32
Vou vê-lo, Poeta!
De poetazarolho a 22 de Abril de 2014 às 22:26
“Onde andais...”

Portugueses onde andais
Nessas redes aglutinados
Irreconhecíveis vos curvais
Perante poderes infundados

Poderes sem consistência
Esses poderes comandados
Há que oferecer resistência
P’la dignidade dos soldados

P’la dignidade deste povo
Que não fez por merecer
Tanta e tão cruel maldade

Há que conquistar algo novo
Nem que seja de novo morrer
P’ra ver nascer a liberdade.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 23 de Abril de 2014 às 20:56
Aqui!!!

Nas redes ou fora delas,
Nem todos se curvarão!
Mesmo enfrentando procelas
Nunca o esforço será vão!

Mais ou menos consistentes,
Mais ou menos revoltados,
Havemos de estar presentes
Neste mundo, em todo o lado!

Sabemos que a luta é dura,
Que as horas serão pequenas
Pr`ó que temos pr`a fazer

Mas temos nas mãos a cura
Par`as situações obscenas
Em que nos tentam meter!

Maria João


Cá vai, Poeta! Abraço grande!





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