.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 8 de Outubro de 2015

PONTO DE FOCAGEM (aplicado à palavra)

casa-do-gato1.jpg

 

(Soneto em decassílabo heróico)



Procuro um quase-nada; o ponto exacto

onde a palavra abraça o designado,

usando quanto engenho e quanto tacto

nasçam de gesto tão determinado...



Procuro usando mente, usando olfacto

e usando um coração que, acelerado,

não dispensa a razão, que o deixa intacto

depois de loucamente ter pulsado...



Procuro, encontro e julgo ter, de facto,

atingido, no texto aqui deixado,

o ponto onde a palavra faz contacto



Com o que então designa... ou, tendo errado,

fiz tanta confusão que o meu retrato

se apresentou tremido... ou desfocado?



Maria João Brito de Sousa – 07.08.2015- 17.42h



Soneto dedicado aos amantes da fotografia, bem como a todos os que se batem pela sobrevivência das consoantes mudas nas palavras escritas em Língua Portuguesa.

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 19:51
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6 comentários:
De ADÍLIO BEMONTE a 8 de Outubro de 2015 às 22:06
Num fim de tarde, nobre poetisa, quando o sol busca o seu aconchego luminoso noutras paragens, vossos versos me trazem raios de inspiração.
Continue com a alma grande, pois o universo é vosso.
Dormindo com o sol o coração fala:


AR DE ESPERANÇA

Querer os céus e todas as estrelas
Na ânsia de buscar o puro Deus
E, assim, em belos sonhos já obtê-las,
Quer nos céus, quer nos fortes braços teus.

Nessa viagem de rápida escala
Somente quem fala é o coração,
Pois que a voz fraca o verso intercala
Frases de sufocada emoção.

Quero seguir contigo na viagem
Em busca desse amor desconhecido,
Mas que me assola o corpo falaz e a alma.

Mesmo depois da longa e vã andança
Digo-te nesse poema apetecido,
Que nutro no espírito a esperança.


De poetaporkedeusker a 8 de Outubro de 2015 às 22:29
Muito grata pelo seu poema tão cheio de esperança, amigo Adílio!

As minhas esperanças, a nível pessoal vão, para já, no sentido de vencer mais esta batalha contra a falta de saúde, mas continuam exactamente as mesmas e acrescentam-se a cada dia, ao nível do meu povo e do meu país.
A poesia, diante das circunstâncias impostas pela saúde, está em período "de pousio"

O meu fraterno abraço!
De poetazarolho a 8 de Outubro de 2015 às 23:20
“Mais além”

Não quero aí penetrar
E nem penetro tão pouco
Só e apenas com o olhar
Porque me deixa tão louco

Com o coração a palpitar
Não o ouço, estou mouco
Se acaso tento partilhar
Não o consigo, estou rouco

Poderei estar a sonhar
Com o mundo mais além
Onde ainda existe o amor

Mas acabado de acordar
Não o vi, nem a ninguém
Assim penetro no horror.
De poetaporkedeusker a 9 de Outubro de 2015 às 09:26
"Nenhum "mistério"; talento; trabalho, concentração e sobriedade..."

Nesse "além" onde se chega
Debaixo de inspiração,
Cuja dimensão que não nega
As razões p`ra haver razão,

Nem a razão fica cega,
Nem é cego o coração,
Mas exige enorme entrega
Duma vida, em devoção,

Muito tempo, a tempo inteiro,
Muito estudo da palavra,
Esforço imenso e responsável,

Mas existe, é verdadeiro
E entende que nada o trava
Se a mente é serena e estável...

Maria João

Aqui vai, Poeta, do fundo de um enjôo físico e muito real que, dentro das circunstâncias imensamente desfavoráveis, me nega essas asas que levam mais além e me deixa a poesia em fase de "pousio".

Abraço grande!





De poetazarolho a 9 de Outubro de 2015 às 23:01
“Acabados de nascer”

Sempre acabados de nascer
Duma explosão de fulgor
Sempre dispostos a aprender
Com quem transmite o amor

Sempre disponíveis p’ra ajudar
Fazendo uso da intuição
Sempre atentos a este lugar
Pleno de tumultos e confusão

Atentos p’ra tentar reverter
A negatividade vigente
Nestes tempos de excepção

Capazes de fazer renascer
Esperança p’ra muita gente
Que frustra com a situação.
De poetaporkedeusker a 10 de Outubro de 2015 às 12:43
Faz-nos falta, muita falta,
que as coisas vão renascendo...
Venha, então, maré bem alta,
dessa que em nós vai crescendo

Animando toda a malta
enquanto à vida eu me prendo,
como quem, escrevendo, salta
e só faz falta escrevendo...

Venha a espr`ança num futuro
com mil razões pr`a lutar
e mais mil, das que eu conjuro

Pr`a que el`possa começar
a crescer, saltando o muro
que, pr`a sempre, o quer roubar!

Maria João


Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!

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