.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015

PARTIR SEM TER SONHADO...

digitalizar0035.jpg

(Soneto em decassílabo heróico)

 

 

Sou, apesar de bicho, um bicho humano,

Diurno, persistente, ensolarado,

De corpo estoicamente habituado

À dor do desconforto, ao desengano,

 

Às coisas que me vão causando dano

E às outras que me vão criando enfado,

Mas comigo convivem, lado a lado,

Ao longo do percurso, ano após ano...

 

Se o digo, é por senti-lo e, sem cuidado,

Dispenso-me sondar se, sendo, agrado,

Se errei por nunca ter traçado um plano,

 

Mas caia, ou não, tal nódoa em limpo pano,

Não vos direi que estou, sem ter cá estado,

Nem que daqui parti sem ter sonhado...

 

 

 

MariaJoão Brito de Sousa – 19.01.2015 -23.45h

 

publicado por poetaporkedeusker às 00:38
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30 comentários:
De Ivete a 28 de Janeiro de 2015 às 17:51
Eu adorei este!
De poetaporkedeusker a 28 de Janeiro de 2015 às 21:48
Muito grata, Ivete!

Forte abraço!
De poetazarolho a 29 de Janeiro de 2015 às 00:46
“Mil razões”

Mil razões para matar
Nesta vida pequenina
Nenhuma para amar
Por isso a carnificina

Desde tempos ancestrais
Tem sido a nossa sina
Por mais que haja natais
Não podem ser matéria prima

Pr’alimentar a vingança
De almas despudoradas
Numa acção quase frenética

Construiremos a esperança
Com almas inconformadas
Dando uma lição de ética.
De poetaporkedeusker a 29 de Janeiro de 2015 às 12:03
Razão

Pôr ética e coração
Lado a lado, a "funcionar",
É sempre a melhor opção
Pr`a quem queira melhorar,

Mas sem bom-senso e razão,
Pr`a que serve protestar?
Há sempre alguém que diz; - Não!
Quando o mundo o quer calar

Porque sabe de antemão
Que a razão tem de ganhar
E, tomada a decisão,

Ninguém consegue "abafar"
A tão clara opinião
De quem começa a pensar...


Maria João

Cá vai, Poeta, com o forte abraço de sempre!


De poetazarolho a 29 de Janeiro de 2015 às 22:52
“Mergulha no silêncio”

Deixa falar o silêncio
Deixa o silêncio cantar
Pode bem ser o prenúncio
Que o ruído está a acabar

Viverás uma nova era
Sob a batuta da harmonia
Escuta o silêncio e altera
Toda a louca gritaria

Deixa espaço à cascata
Que se lança da montanha
Sem sequer se questionar

E então na medida exacta
Do silêncio que se entranha
Sentes a nascente a brotar.
De poetaporkedeusker a 29 de Janeiro de 2015 às 23:24
Tenho cascatas brotando
Desde o tempo em que eu sou eu,
E outras mil que vão secando
Já na foz de um sonho meu

Que me demonstra ir bastando
Quanto já me aconteceu
È mais vale ir -me eu gastando
A aceitar quem me perdeu...

Silêncios? Quantos quiser!
Tê-los-ei sempre comigo
Quando assim me acontecer

Um novo-poema-antigo
Dar-me a graça que entender,
Mesmo que ao deixar-me em p`rigo...

M. João

Cá vai, muito à pressa porque a abeça me dói muito, Poeta! Abraço grande!
De poeta_extase a 30 de Janeiro de 2015 às 02:32
Soneto lindo!
São versos assim que me inspiram a dizer:

Minha poesia é desordenada,
Mas luto contra o vento de passagem,
Rumando pela vida desenfreada
E tudo isso me alegra em tua imagem.

ADÍLIO BELMONTE
Belém-PARÁ-BRASIL
De poetaporkedeusker a 30 de Janeiro de 2015 às 12:51
Grata pela feliz quadra que deixa no vasto património que vai sendo esta exuberante colecção de poemas composta pelos muitos versos que os amigos aqui vão deixando em jeito de comentário, amigo Adílio!

Pouco sei, mas se eu soubesse
Um pouco mais do que sei,
Talvez, da quadra, eu fizesse
Vinho e pão, justiça e lei...

Maria João

Fraterno abraço!
De poetazarolho a 30 de Janeiro de 2015 às 22:38
“Artes”

Pensa no teu irmão
Ajuda-o a conquistar
Aquilo que d’antemão
Gostarias de alcançar

Alcança essa intenção
Mesmo sem perceber
Qual será a razão
Que te faz assim mover

Pois só pl’o acto de dar
Virás um dia a receber
O que não esperarias

Chama-se arte de amar
E só ela faz crescer
Cultiva-a todos os dias.
De poetaporkedeusker a 31 de Janeiro de 2015 às 13:32
Arte de expressão espontânea

Isso deve acontecer
De uma forma natural,
Sem forçar, sem pretender
Que, de forma "oficial",

Seja obrigatório ver
Que o compromisso é total
Pois, se assim não suceder,
Sentir-nos-emos bem mal...

Não venha a necessidade
De cobrar, seja o que for,
Dar à solidariedade,

Da troca, a já gasta cor,
Pois nenhuma ambiguidade,
Nesta Arte, se pode impor...

Maria João


Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!

De poetazarolho a 31 de Janeiro de 2015 às 21:22
“Olha a solidariedade”

A vã solidariedade
Escutada como pregão
Não existe na sociedade
Nem de nação p’ra nação

Existe a necessidade
De humilhar o irmão
P’ra sentir superioridade
Quando superiores não são

Esterco da humanidade
Expoente na humilhação
São incensíveis aos demais

Que vivem em ansiedade
E a todo o custo tentarão
Não ser danos colaterais.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 31 de Janeiro de 2015 às 21:42
Solidariedade

Solidariedade, sim,
Existe e nunca é demais
Porque nasce em ti, em mim
E entre os próprios animais!

Do princípio até ao fim
Dos tempos tradicionais,
Nasce ela, em cada jardim,
Espalhando-se em mil canais...

Já pude testemunhar,
Em tempos que já lá vão,
Um cão tentando salvar

De fundo rio, seu irmão,
Não parando de ladrar
Até vê-lo em terra... e são!

Maria João

Poeta, narrei-lhe um episódio verídico, neste sonetilho. Verídico e testemunhado por mim.
Aqui vai com um abraço grande!
De poetazarolho a 1 de Fevereiro de 2015 às 19:36
“Não podemos”

Podemos não faz sentido
Dispara o poder instalado
Gostaria de vê-lo reprimido
E antes mesmo torturado

Podemos é doido varrido
E não vai a nenhum lado
Dêem-lhe já o comprimido
Antes de ser enjaulado

Para sempre na gaiola
Podemos não mais cantou
No poleiro nos entendemos

Nem que o povo peça esmola
Isso ao poder nunca afectou
Só afectaria o podemos.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 1 de Fevereiro de 2015 às 19:46
Eu posso e tu poderias...
C`o as poucas posses que temos,
Só teremos "avarias",
Mas... que avance esse Podemos!

Poeta, fico- me por esta quadrazita... hoje ainda me "desfaço" em rimas, eheheh... e não estou mesmo nada bem.

Abraço!


De poetazarolho a 2 de Fevereiro de 2015 às 06:48
Chá comparado.
De poetaporkedeusker a 2 de Fevereiro de 2015 às 11:38
Vou ver dessas comparações, Poeta!
De poetazarolho a 3 de Fevereiro de 2015 às 00:10
“Estados d’almas”

Por cada religião
Deus há que a suporta
Atribuindo a missão
Sua palavra se exorta

Seja portanto cristão
Um fervoroso judeu
Ou professando o islão
Na fronteira um ateu

Que a linha ultrapassou
Seguem os ensinamentos
Legados p’las escrituras

Deus nenhum ordenou
Que se inflijam ferimentos
Só que as almas sejam puras.
De poetaporkedeusker a 3 de Fevereiro de 2015 às 16:25
É bem verdade, Poeta!
Mesmo querendo responder,
Nem com teclas, ou caneta
Estou a conseguir escrever...

Sala de espera repleta
E eu, de barriga a doer,..
Quanto este hospital me afecta,
Não lho sei nem descrever!

Foram seis tão longas horas
Que, de momento, nem sei
Se enjoei de tais demoras,

Se, da demora, enjoei
Por estar tanto tempo fora
Deste lar que sempre amei...

Maria João


Poeta,desculpe, não vai nada a propósito do seu, mas foi o que me saiu, um pouco à laia de justificação... é que já andava bastante nauseada e, hoje, piorei bastante, embora as análises não tenham revelado alterações hepáticas. Deve ser mesmo essa virose que para aí anda e que dá uns insuportáveis transtornos gastro-intestinais. Tudo isso somado a seis logas horas entre cadeiras duras e filas de espera, deixou-me mais "para lá" do que "para cá", em termos de capacidade de me expressar em verso... e mesmo em prosa, enfim...estou mortinha por me deitar um pouco...

Abraço grande!
De poetazarolho a 3 de Fevereiro de 2015 às 00:11
“Vale das almas”

Merkel bateu com o pé
Seu coração são as tripas
E para mostrar como é
Recusa falar ao Tsipras

É a construcção europeia
À luz duma democracia
Onde a ditadura campeia
Onde a cada novo dia

Ouvimos a verborreia
Duma elite esmagada
Pela morte que semeou

No vale das almas passeia
Mas com a cara tapada
P’ra não ver os que matou.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 3 de Fevereiro de 2015 às 17:48
As "elites dos dinheiros"
Só repulsa me merecem!
Bando de trampolineiros
Rondando a teia que tecem,

Puras "bestas", caloteiros,
Plutocratas que empobrecem
Países, povos inteiros
Que na miséria apodrecem!

Estou quase a dormir em pé,
Mas teimo em deixar por cá
O que penso da "ralé",

Dessa gentinha tão má
Que abocanha à falsa fé
E até "pilha" o que não há!

M. João

Ai, Poeta... quando disse que estava "quase a dormir em pé", não exagerei nada, acredite! Mas que isto saiu, saiu...
Outro abraço!

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