.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 16 de Outubro de 2015

O FINGIDOR

Pessoa.jpg

(Soneto em decassílabo heróico)

 

Poema, dá-nos voz, matéria-prima,
Tacto, conhecimento e, sobretudo,
Tendo, ou não tendo métrica, nem rima,
Um bom-senso apurado e muito agudo,

 

Pois dá-nos quanto baste de auto-estima,
Podendo fornecer-nos quase tudo
Do que possa elevar-nos muito acima
De quanto nos eleva um qualquer estudo...

 

Fingido? Sê-lo-á quanto lhe baste!
(... mas, se o não for demais, tanto melhor...)
Pois, levando o conceito ao seu desgaste,

 

Plasma-se em quanto exista em seu redor
e faz, da crua dor com que o cantaste,
sofisma de um que diz ser FINGIDOR...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 11.10.2015 - 17.19h

publicado por poetaporkedeusker às 17:08
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37 comentários:
De poetazarolho a 16 de Outubro de 2015 às 21:32
Para a Maria João de Brito e Sousa, em resposta ao sonetilho com que se dignou honrar-me. Sendo avesso a desgarradas, não posso, mesmo assim, deixar de me sentir lisonjeado. Com um abraço de muita amizade, meu e da Maria dos Anjos.
Eduardo.


CAMBIANTES

Sem ser sagrada a escritura,
Ver Belém abençoado
Por feminina figura
E Maria, acho ajustado.

Já o palácio, ornamentado,
Com uma dupla pintura…
Rosa-velho e encarnado,
Não combinam a textura

Não será em minha vida,
Mas também eu aconselho
Uma cor bem definida

P´ro casarão assombrado…
Só uma cor, o vermelho,
Do rés-do-chão ao telhado.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 16 de Outubro de 2015 às 21:59
Foi essa a côr que apontei,
Sem me fazer entender,
Quando em sonhos vislumbrei
Que assim poderia ser

E que aquilo que sonhei
Se podia vir a ver,
Se aquele em quem votarei
Lá chegar, volto a dizer,

E quão belo ficaria
O palácio-casarão!
Quão mais cheio de ousadia

O veria um cidadão
Que vê degradada e fria
Sua própria habitação...


Maria João

Para desgarrada, foi um pouco lento, Eduardo, mas a saúde voltou a piorar um pouco e a velocidade já começou, mais uma vez, a abrandar.
Muito obrigada por este excelente sonetilho e um forte abraço para ambos!

De poetazarolho a 16 de Outubro de 2015 às 22:47
“Viagem ao olho do vulcão”

Aconteceu nas terras desertas de Sonora, lá onde dizem que a terra e a lua se juntam, foi aí que iniciámos a descida em direcção ao olho de um vulcão extinto, numa paisagem nunca antes imaginada ...

Zé da Ponte

De poetaporkedeusker a 16 de Outubro de 2015 às 22:49
De repente, de repente, imaginei-me a reler a Viagem ao Centro da Terra, do Júlio Verne...

Vou à Ponte!
De poetazarolho a 16 de Outubro de 2015 às 22:58
Não é bem isso, mas apenas o relato de um episódio que ocorreu há uns vinte e tantos anos, com uns amigos no México.
De poetaporkedeusker a 16 de Outubro de 2015 às 23:10
Já fui ler o resto do relato, Poeta!
Júlio Verne "encontrou" dinossauros, mas ... para susto, chegou-vos a cascável!!!

Abraço!!!
De poetazarolho a 18 de Outubro de 2015 às 21:36
“Vencedores”

Poesia em movimento
São horizontes de prazer
Não há lugar ao lamento
Em vez disso fui correr

De todo o mundo vieram
Até ao Vasco descobridor
Em Lisboa os acolheram
Num ambiente multicolor

Desde o mais alto tabuleiro
À Avenida das descobertas
Com o Tejo por companhia

Milhares são o primeiro
Pois com mentes abertas
Cada qual ganhou o dia.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 19 de Outubro de 2015 às 10:25
Percebi que houve corrida
Na ponte Vasco da Gama,
Onde correu pela vida
Quem a vida assim conclama

E eu, devendo estar de cama,
Por cá fiquei distraída
C`o meu eterno programa,
Reformulando obra havida...

Sem qualquer inspiração
E muitas dificuldades,
Tenho, agora, a sensação

De tentar sair de um Hades,
Sendo, por vezes, em vão
Que escrevo as minhas verdades...


Mª João


Não faz grande sentido, mas... estou um pouco pior, efectivamente, e, quando procuro e encontro alguns dos meus sonetos anteriores a meados de 2012, só me apetece riscar do mapa uns 4/5 deles e dar um puxão de orelhas a mim mesma por ter insistido em publicá-los em quantidade, num tempo em que estava longe, longe de ter amadurecido ao nível do que o soneto exige de um poeta/escritor. Em vez de os "riscar do mapa", tento reformular os que têm algumas possibilidades, mas... quase sempre fico muito instisfeita com o resultado, Poeta.

Abraço grande!
De poetazarolho a 19 de Outubro de 2015 às 06:46
Chá limitado.
De poetaporkedeusker a 19 de Outubro de 2015 às 10:29
O meu chá está quase ilimitado, agora... mas vou vê-lo, Poeta!
De poetazarolho a 20 de Outubro de 2015 às 06:31
Chá evolui.
De poetaporkedeusker a 20 de Outubro de 2015 às 10:16
Grande Chá! Vou vê-lo, Poeta!
De poetazarolho a 20 de Outubro de 2015 às 21:16
Seguíamos na estrada principal regressados de Puerto Peñasco no norte do estado de Sonora, lá onde a terra e a lua se juntam, após uma reconfortante paragem num quiosque de madeira e colmo, para beber a retemperadora e refrescante água de coco, quando o oásis no deserto se fez anunciar por meio de uma tosca placa de madeira espetada na berma da estrada, “Cañon de Guadalupe 55 Km - Un Oásis en el Deserto”, ...

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 21 de Outubro de 2015 às 12:11
Vou à Ponte, Poeta!
De poetazarolho a 21 de Outubro de 2015 às 22:31
“Cagança”

Sociedades que criámos
Consumimos à exaustão
Com sucesso ocultámos
A nossa própria missão

Perdidos na sociedade
Sem sociedade nenhuma
Exaustos da ambiguidade
Que a sociedade propunha

Espezinhando a esperança
Estripando a dignidade …
Perguntas como se avança

Nesta feira de vaidade,
Rastejando com cagança
Por falta de verticalidade.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 22 de Outubro de 2015 às 12:09
Se houver verticalidade
diz-se, sem vergonha ou medo,
tudo aquilo que, em verdade,
faz desta vida um degredo,

Pois sobrará dignidade
pr`a não fazer-se segredo
do que esta humana vontade
criou desde muito cedo...

Uma coisa é estar-se cá
sem motivo e sem razão,
nem noção do que se dá,

Outra é ter-se essa noção
e fazer, do que aqui há,
colheita em co-produção...

Maria João


Tive de cá chegar através do Sapo blogs, Poeta, o Sapo mail está pontualmente inacessível. Abraço grande!
De poetazarolho a 23 de Outubro de 2015 às 06:55
Chá acontece.
De poetaporkedeusker a 23 de Outubro de 2015 às 08:55
E, a mim, vai acontecer-me uma consulta, Poeta. Estou de saída, mas ainda vou ver o Chá!
De poetazarolho a 23 de Outubro de 2015 às 06:55
OS PASSARINHOS E OS PASSARÕES

Passarinho anda à solta,
Já não está no cativeiro…
Será que ainda p´ra lá volta
E não volta ao seu poleiro?

Outros, munidos de escolta,
Assaltaram o espigueiro,
Por qualquer reviravolta
Escaparam ao carcereiro.


Ele era ave canora
Com um cantar altaneiro,
Cantava com voz sonora…

De tanto e tão bem cantar,
Caçou-o um passarinheiro
Que o andava a escutar.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 23 de Outubro de 2015 às 09:21
Concebido pr`a cantar,
Não desiste, o passarinho...
Assim que alguém o caçar,
Passa a cantar mais baixinho

Talvez pr`a se lamentar
De ter perdido o seu ninho,
Ou, então... pr`a protestar
(e, nisso, não está sozinho...)

É tão grande a força imensa
Que a libertação lhe impõe,
Que nesse canto condensa

Toda a força que o compõe
E, por cada nota, pensa
Na fuga a que propõe...


Maria João

Eduardo, muito obrigada por este seu sonetilho! A resposta foi dada à pressa, uma vez que estou de saída para uma consulta e mais exames, mas saiu-me assim, ao correr das teclas...

Forte abraço para si e Maria dos Anjos!
De poetaporkedeusker a 23 de Outubro de 2015 às 09:22
Perdão; "Na fuga a que se propõe..."
De poetazarolho a 24 de Outubro de 2015 às 08:12
Chá imediato.
De poetaporkedeusker a 24 de Outubro de 2015 às 08:40
Vou de imediato, Poeta!

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