.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 6 de Novembro de 2014

LARANJAS

laranjas_2579182.jpg

 

(Soneto em decassílabo heróico)

 

 

Venho trazer-te oitavas de laranja,
Dizer-te boa noite e bom descanso,
Desejar-te, sincera, um sono manso
Enquanto aqui vou estando a pão e canja...

 

Hoje venho deixar-te o verbo em franja
Na fronte de um poema onde eu balanço
E oferecer-te, nisto, o mais que alcanço,
Porque além deste “mais”, nada se arranja...

 

Para ti escrevo agora, só sentindo,
Adivinhando, quase, ou permitindo
A mutação do gesto em sombra alada

 

Que faço esvoaçar, reconstruindo
Palavras que disseste e fui fruindo
Até darem laranjas, camarada...

 

 

Maria João Brito de Sousa – 05.11.2014- 21.39h

publicado por poetaporkedeusker às 11:30
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18 comentários:
De poetazarolho a 6 de Novembro de 2014 às 23:08
“Incerteza”

Acima da possibilidade
Por aqui foram passando
Abaixo da promiscuidade
Assim se foram governando

Deixaram esta sociedade
Neste estado, vegetando
Num nível de felicidade
Para uns, só mesmo quando

Do nada se fizeram reis
Em impérios conquistados
Com o crédito bafiento

Eu penso que nem sabeis
Quais serão os visados
Nem qual seria o momento.

Prof Eta
De poetazarolho a 7 de Novembro de 2014 às 06:26
Status do chá.
De poetaporkedeusker a 7 de Novembro de 2014 às 10:43
Vou ver esse status, Poeta!!!
De poetazarolho a 8 de Novembro de 2014 às 07:37
Chá vacinado.
De poetaporkedeusker a 8 de Novembro de 2014 às 11:31
Estou na pen e ainda completamente "derreada" com a tarefa de ontem , mas vou ver o Chá vacinado!
De poetazarolho a 8 de Novembro de 2014 às 19:45
NÃO VAI HAVER DESEMPREGO

Quando o leilão terminar
Sem mais nada p´ra vender
Com um escuro no poder
O branco vai trabalhar.

De Angola p´ra organizar
O que houver para fazer
Os dos Santos vão dizer
Como isto vai funcionar:

Branco trata da sanzala,
Não vai haver desemprego
Patrão descansa na sala

Continua a haver mulata
Vamos viver em sossego
Talvez não haja chibata.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 9 de Novembro de 2014 às 13:51
Com chibata, ou sem chibata,
É poder capitalista
Que, nos rebaixa, ou nos mata
Pois será sempre elitista

E, quando alguém o delata
Sempre que alguém não desista,
Logo a esse alguém destrata,
Mostra-se anti-comunista...

O seu poema relata,
Eu tento seguir-lhe a pista,
Mas não sei se tenho "lata",

Se há talento que resista,
Ou se esta estrofe barata
Mostra o meu ponto de vista...

Maria João

Peço desculpa pelo evidente "martelamento" deste sonetilho, mas estou na pen e sem tempo para grande coisa., amigo Eduardo. Envio-lhe o meu fraterno abraço!

De poetazarolho a 9 de Novembro de 2014 às 19:44
“Concentrados”

O trabalho liberta
É peso na consciência
Dessa nazi eficiência
E a consciência desperta

Para uma grade aberta
Profanada na aparência
Intocada na reminiscência
Mais um peso que aperta

Aqueles que agarrados
Estrangulam a liberdade
Silenciam canções d'amor

Ouço marchar soldados
Humilhando a humanidade
Nesse seu quadro de horror.
De poetaporkedeusker a 11 de Novembro de 2014 às 12:08
De gente "destrambelhada"
- ditadores vocacionais -
Está esta terra pejada
E produz cada vez mais...

Consciência? Não sabem nada
De estados emocionais
E operam "pela calada"
Pois não são nada normais...

Campos de concentração?
Consideram pertinente
Que exista essa aberração

Onde metem toda a gente
Que entenda dizer que não,
Ou queira fazer-lhes frente...

M. João

Poeta, espero que tenha uns merecidos dias de descanso. Cá vai, com o abraço do costume.
De poetazarolho a 10 de Novembro de 2014 às 06:53
Chá sabido.
De poetaporkedeusker a 10 de Novembro de 2014 às 13:05
Ai, Poeta! Haja alguém "sabido" porque eu acabo de "meter o pé na poça"... estava convencida de que a minha consulta hospitalar era amanhã e só agora vi que foi hoje...
De poetazarolho a 15 de Novembro de 2014 às 00:04
“Pelos vistos”

Não é sucesso total
Mas é sucesso, qu'importa
De seu nome Portugal
Se não endireita, entorta

São as taxas e taxinhas
Impostos até mais não
São as tascas e tasquinhas
E mais uns tintos virão

Quem sabe o visto dourado
Comprará mais uma mansão
E também a passaporte

E o dirigente do estado
Sem ser alvo de corrupção
Será bafejado p'la sorte.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 15 de Novembro de 2014 às 13:48
Pregos pr`ó nosso caixão...


Taxa, imposto e companhia
(pregos pr`ó nosso caixão...),
Tantos são que - isto arrepia! -
Vão deixar-nos sem tostão...

Bem haja quem denuncia!
Valha quem lhes diz que não!
Cada grão de mais-valia
Vai pr`ó bolso do patrão

E tudo isto prenuncia
Grande erro, enorme traição,
Grandessíssima avaria

E desvio da produção;
Rouba-se a quem produzia,
Engordando à corrupção!


Maria João

Cá vai, com o abraço de sempre, Poeta!
De poetazarolho a 15 de Novembro de 2014 às 19:51
“Nossas mãos”

Sofrimento inivsível
Radar da humanidade
Pior seria impossível
Triste foto na cidade

No luxo das avenidas
As vitrinas da vaidade
Vidas de alma despidas
Vestidas de insanidade

Em troca duma ilusão
Felicidade é tocada
Como bolha de sabão

São mil bocados de nada
Que te rebentam na mão
Deixando-a ensanguentada.
De poetaporkedeusker a 15 de Novembro de 2014 às 23:53
Não consigo, Poeta. Hoje, não posso mesmo responder-lhe.
De poetazarolho a 16 de Novembro de 2014 às 01:32
Tomorow will be.
De poetaporkedeusker a 18 de Novembro de 2014 às 09:58
Grande é esse sofrimento
Que a sanha capitalista
Vai impondo e que eu sustento
Ser de vocação fascista!

Minhas mãos - quanto eu lamento! -,
Por muito que eu não desista,
São, por vezes, mero vento
Contra a corrente elitista...

Há mil razões, nesta vida,
Pr`a combater toda a dor
Que grassa nessa avenida,

Mas não sei fazer melhor
E, agora, estou tão dorida,
Que o que faço é sem valor...

Maria João

Segue com o abraço de sempre, Poeta. Ainda estou longe de me sentir capaz de retomar as publicações, desculpe-me se surgirem algumas falhas.



De poetazarolho a 16 de Novembro de 2014 às 08:35
Chá visto.

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