.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 3 de Março de 2017

GLOSANDO TEIXEIRA DE PASCOAES

TEIXEIRA DE PASCOAES POR COLUMBANO B. PINHEIRO

 

 

TRISTÊZA

 

O sol do outomno, as folhas a cair,
A minha voz baixinho soluçando,
Os meus olhos, em lagrimas, beijando
A terra, e o meu espirito a sorrir...

Eis como a minha vida vae passando
Em frente ao seu Phantasma... E fico a ouvir
Silencios da minh'alma e o resurgir
De mortos que me fôram sepultando...

E fico mudo, extatico, parado
E quasi sem sentidos, mergulhado
Na minha viva e funda intimidade...

Só a longinqua estrela em mim actua...
Sou rocha harmoniosa á luz da lua,
Petreficada esphinge de saudade...

Teixeira de Pascoaes, in 'Elegias'

 

 

(Foi respeitada a grafia original)

 

***************************

 

ROTA

 

 


"O sol do outomno, as folhas a cair"

Dos ramos açoitados, baloiçando,

Porque o vento implacável vai soprando

E antecipando o frio que irei sentir,

 

"Eis como a minha vida vae passando"

E como, apesar disso, hei-de cumprir,

Enquanto esta vontade o consentir,

Os dias que essa vida me for dando...

 

"E fico mudo, extatico, parado"

À espera, sem saber se é já chegado

O instante derradeiro, o da partida;

 

"Só a longínqua estrela em mim actua",

Iluminando a Barca que flutua

Ao sabor das marés da minha vida...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 01.03.2017 -12.58h

 

Retrato de Teixeira de Pascoaes, Columbano Bordalo Pinheiro

 

publicado por poetaporkedeusker às 12:09
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6 comentários:
De fashion a 3 de Março de 2017 às 14:56
Adoro, Adoro!! Os dois! beijinhos
De poetaporkedeusker a 3 de Março de 2017 às 14:57
Obrigada, Fashion.
De poetazarolho a 4 de Março de 2017 às 00:05
“Das palavras”

Palavras estão inventadas
Ouvi dizer então acredito,
Prontas p’ra ser utilizadas
Aqui ou em qualquer escrito

Algumas serão abusadas
Por algum escritor maldito
Outras porém bem tratadas
E essas então eu repito

Umas já nasceram tortas
Mas que sejam respeitadas
Como todas as outras são

E algumas jazem mortas
Foram palavras torturadas
Antes mesmo da revolução.
De poetaporkedeusker a 4 de Março de 2017 às 08:37
Pode crer; são maltratadas,
Até por mim que, mal vendo,
Já vou dando "calinadas"
E com "gralhas" vou escrevendo...

Palavras "mal amanhadas"
De que logo me arrependo
Porque, ao vê-las "trucidadas",
Nem às que escrevo eu entendo

Se incompletas são grafadas
Neste fundo em que as desvendo
E com "gralhas" às carradas,

Quando a correcção defendo...
Que fazer, se as grafo erradas?
Que crime vou cometendo?

Maria João

Bom dia, Poeta. Calhou vir-me à ideia esta minha crescente limitação visual que já me causou muitos problemas. Agora, para escrever cada linha, cada verso, levo um tempo infinito e, mesmo assim, deixo escapar muitas "gralhas"...como sempre escrevi à velocidade do pensamento, a poesia, para mim, perdeu grande parte do seu "sabor"; escrever - para mim, repito - já não é exactamente aquilo que era, acredite.

Um abraço grande!

De poetazarolho a 5 de Março de 2017 às 23:34
“Dissoluções”

Sozinho no universo
Remando contra a maré
Assim fico mais disperso
E bebo mais um café

Estando a mente aberta
O conhecimento fugiu
Cafeína mantem o alerta
Mas a edificação ruiu

Dessa água não beberei
Afirmo com convicção
Do universo, nada sei

Não procuro a solução
Nem identifico uma lei
Mas sinto a dissolução.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 6 de Março de 2017 às 08:57
Café (Dis)solúvel

"Quão mais só, menos disperso",
No que aos versos diz respeito;
Não escrevo enquanto converso,
Nem versejo "por defeito"

Quando, em melodia imerso,
Esse universo é sujeito,
Mas não escrevo. agora, um terço
Do que escrevia, a preceito...

Nem sequer tomo um café,
A não ser, de manhãzinha,
Um solúvel, feito em casa,

Que o da rua caro é...
Que o tome a minha vizinha,
Porque eu estou na "maré-vaza"...

Maria João

Bom dia, Poeta. Desculpe o disparate que para aqui vai, mas foi tudo o que me ocorreu depois de uma noite de cãibras, muito pouco simpática...

Abrço grande.



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