.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 8 de Julho de 2017

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XLVII (?)

NUVEM.jpg

 

FANTASIA DE NUVEM

 

Sou irmã dessa nuvem que chovia

Na tarde entristecida dum poeta

Escura e negra sem alma nem poesia

Escorrendo pelo bico da caneta

 

E quando o dia é escuro a noite fria

O luar é um fogo que inquieta

Fere-me os olhos, tira a fantasia

Eu viajo na cauda dum cometa

 

Pelas crateras negras desta vida

Em jeito duma névoa atrevida

Que tapa até a luz da lua cheia

 

E pela madrugada escorrem versos

Nos chuviscos que caem bem dispersos

Por entre velhas casas duma aldeia

 

MEA

5/07/2017



---------------------------------------

HÁ-DE PASSAR...



“Sou irmã dessa nuvem que chovia”

Sobre um chão sequioso e tão crestado

Que nem uma só planta ali nascia

Porque cada raiz tinha murchado



“E quando o dia é escuro, a noite fria”

E mesmo o céu parece ter secado,

Nem uma só semente brotaria

Se não fosse esse chão dessedentado...



“Pelas crateras negras desta vida”,

Tarde ou cedo, uma nuvem, comovida,

Há-de passar chorando, há-de passar,



“E pela madrugada escorrem versos”

Sobre os torrões inférteis que, submersos,

Desatam a florir, sem hesitar.





Maria João Brito de Sousa – 08.07.2017 – 09.55h

 

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publicado por poetaporkedeusker às 10:36
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2 comentários:
De Adílio Belmonte a 9 de Julho de 2017 às 01:21

Falar em nuvens me levar a flutuar pelos ares da poesia.
E é muito bom ver a poetisa lusa "tocar" a sua lira. É assim tento acompanhar essa o tom dessa sinfonia.

Adílio Belmonte,
Belém-Pará- BRASIL




ILUSÃO DE NUVEM

Sinto as plumas translúcidas do amor
Que me fazes sentir junto ao teu peito.
São ondas que me dão luz e calor,
Trazendo-me o sublime amor perfeito.

Nuances multicores desse sol
Brilhante que seduz o coração
E me faz contemplar o girassol,
Dando-me esta profunda comoção.

Aspiro uma atmosfera de verão
No momento fugaz do sol já posto,
Instante em que as nuvens vão ao ocaso.

Sei que essa emoção todos terão,
Porque o amor nem sempre traz desgosto
A quem deixa a saudade no descaso.

De poetaporkedeusker a 9 de Julho de 2017 às 08:15
O meu fraterno abraço, poeta Adílio Belmonte!

Fico-lhe muito grata pelo belo soneto com que, mais uma vez, brindou o meu blog!

Maria João

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