.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 2 de Junho de 2017

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XLV

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FANTASIA, SONHOS E BRINQUEDOS

 

Há  fantasia, sonhos e brinquedos

Fundidos com amor e esperança

Alegria aventuras e segredos

Nos olhos inocentes da criança

 

E quando chora e grita com os medos

Nos seus olhos há gotas numa dança

Translúcida, que brotam quais torpedos

Até sentir de novo ar de bonança

 

Se na água do rio se vê espelhada

Tem nos olhos uma estrela desenhada

Que cintila nos risos que declama

 

Como sendo poemas, esses risos

Mágicos,  que se fazem de improvisos

Quando os seus olhos vêm quem ama

 

 

MEA

1/06/2017

 

A CURIOSIDADE INFANTIL

"Há fantasia, sonhos e brinquedos"

E essa curiosidade natural

Que, ao fervilhar nas pontas dos seus dedos,

Desvenda do complexo ao mais banal

 

"E quando chora e grita com os medos",

São esses choros coisa ocasional,

Porque logo se apagam nos folguedos

Que engendra pela casa, ou no quintal...

 

"Se na água do rio se vê espelhada",

Sobre ela se debruça extasiada,

Fantasiando sobre o que ali viu...

 

"Como sendo poemas, esses risos",

São seus? Serão reflexos imprecisos?

Foi ela ou foi a água quem sorriu?

 

 

Maria João Brito de Sousa -02.06.2016 - 10.36h

 

 

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publicado por poetaporkedeusker às 10:50
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10 comentários:
De poetazarolho a 2 de Junho de 2017 às 22:03
“Menos que nada”

Ética é arte, é poesia
Com sentido d’elevação
Esquecida no dia a dia
Em favor da corrupção

Mas a ética não sabia
Desta triste situação
Por tal se comprometera
Com os desígnios da nação

E a nação não adivinhava
Este divórcio acintoso
A que a ética era forçada

Assim a corrupção s’instalava
E com seu sentido odioso
Fazia da ética menos que nada.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 3 de Junho de 2017 às 08:32
É esquecida, ou confundida
E ignorada a tempo inteiro,
Tem vindo a ser espezinhada
Pelo tolo mais "lampeiro"

E feita em "menos que nada"
Tentam dar-lhe um fim certeiro...
(não sei vai ser granada,
ou se um tiro de morteiro...)

Poucos conseguem lembrá-la
E ninguém quer entender
Aquilo de que nos fala

Mesmo que esteja a morrer
Pois se alguém quiser escutá-la,
Estará pronta a reviver...

Maria João


Bom dia, Poeta! Cá vai com o abraço de todos os dias!
De Adílio Belmonte a 4 de Junho de 2017 às 02:49

Cara amiga,
Obrigado mais uma vez por me levar à infância dos meus amores!



ETERNA INFÂNCIA DO AMOR


Que saudades da minha bela infância!
Muitas eram as noites de folguedos
Ao observar a lua na distância
E a ela contar todos os segredos.

A noite emudecia a inocência
Que morava no corpo de criança
A descobrir do mundo a ciência
Para viver em busca da esperança.

Como é tão puro todo esse meu sonho!
Todas essas lembranças, almanaque
Agora aberto em livro de emoção.

Hoje busco outro sonho e me proponho
A amar, pois no meu ser há o desfalque
Do amor no património da paixão.
De poetaporkedeusker a 4 de Junho de 2017 às 08:09
Sou eu quem lhe agradece a leitura dos dois sonetos - a do original, da Encarnação Alexandre, e a da minha glosa - , bem como o soneto "Eterna Infância do Amor", com o qual teve a gentileza de brindar esta minha publicação, poeta Adílio Belmonte.

Um grato e fraterno abraço!

Maria João
De poetazarolho a 4 de Junho de 2017 às 22:37
“Facas”

Enquanto podes morre
Esfaqueado, ou afim
Se não puderes corre
Talvez não seja o fim

Alguma alma te socorre
P’ra que vivas, enfim
Sem que teu sangue jorre
A ponte não fica carmim

Pois à vida tens direito
Por tanto nunca desistas
De fazer fintas à morte

Por esse caminho estreito
Sinto as facas terroristas
Esventrando a tua sorte.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 6 de Junho de 2017 às 07:16
Poeta, peço desculpa mas ontem, dia de consulta hospitalar,saí de casa às 07.30h e só regressei às 19.30h. Percalço atrás percalço, foram instaladas novas máquinas de distribuição de senhas de consulta, a minha médica faltou e, tanto quanto percebi, a máquina não registou a consulta, nem me "avisou" de que a médica não estava presente... ao fim de muitas horas de espera em vão, fui indagar sobre o que se passavae só então fui informada sobre o facto de a médica ter faltado e ter havidouma falha no registo. Depois marcaram-me para outro médico que, ao fim de mais umas tantas horas de espera, já tinha terminado o seu turno de trabalho. Só então recorreram a um terceiro médico que estava nas urgências e que ainda demorou mais algumas horas até poder atender-me. Como não tinha dinheiro, estive o dia inteiro em jejum, sentada nas cadeiras de pçástico e,no final, esperei mais duas horas pelo transporte dos bombeiros que contavam poderem ir-me buscar ainda da parte da manhã e que estavam, a essa hora tardia, ocupados com otransporte dos doentes de hemodiálise.
Cheguei a casa ainda sob o efeito das gotas para a dilatação da pupila e completamente exausta. Nem sequer abri a minha caixa de correio electrónico.
Por outro lado, o apoio que me foi dito que passaria a ser bimestral, não veio este mês , deixando-me numa situação desesperada.
Neste momento, face ao conjunto e à acumulação de situações degrande instabilidade, nem sequer consigo pensar em escrever poesia. Aliás, nem mesmo consigo imaginar como será aminha vida a partir de hoje.

Renovo o meu pedido de desculpas e envio-lhe o meu abraço de sempre.
De poetazarolho a 7 de Junho de 2017 às 00:42
“Que mente”

Agora apetece-me ser
Ao pulsar do coração
Muito menos da razão
E mais do que apetecer

Sem que veja prescrever
Qualquer anterior lição
Pois a minha condição
Já tende para esquecer

Assim evolui a mente
Em constante contradição
Com o processo evolutivo

Isto porque nos mente
Já que chama evolução
Ao processo degenerativo.
De poetaporkedeusker a 7 de Junho de 2017 às 08:27
Talvez sim...ou talvez não.
A poesia do real,
Cantada pela razão,
É a mais bela, afinal;

Reconhece a ilusão,
Sabe que ela é desleal,
Mas que cumpre uma função
Que para a espécie é vital

E, explorando essa questão,
Descobre a razão total,
Rejeita a superstição...

Sigo nessa direcção
Pois sei que não faço mal
Em tomar tal decisão...

Maria João

Outro abraço grande, Poeta!





De poetazarolho a 7 de Junho de 2017 às 06:55
“Geometrias”

Traça a geometria do amor
Nunca a régua e esquadro
Para alcançar seu esplendor
Tens que sair do quadrado

Não raras vezes existe dor
Chega a distorcer o quadro
No limite cria-se o horror
Explodem bombas no adro

Cabe tudo na mente humana
Não há limite p’rá viciação
Desta sociedade que profana

Qualquer singular razão
Assim de todos nós emana
Um rastilho p´rá explosão.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 7 de Junho de 2017 às 07:57
Posso traçá-la a compasso,
Ou muito espontaneamente,
Mas não pedaço a pedaço,
Traço atrás e traço à frente,

Pois se acaso assim o faço
E com traço intermitente,
Todo o traçado desgraço;
Fica-me o braço dormente

E, assim, vai doendo o braço,
Mas fica um traço decente...
De qualquer forma o rechaço

Porque estando assim, doente,
Fujo ao erro, ao erro crasso,
De um traçado intermitente.


Maria João

Bom dia, Poeta. Sei que "isto" está horrível e mais uma vez apenas "fala" daquilo por que tenho estado a passar nestes últimos tempos, mas foi tudo o que me ocorreu, assim, de repente... mesmo assim, fiquei já com os braços tão doridos como se tivesse andado a levantar pesos e halteres...

Abraço grande!

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