.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXIII

008.jpg

 

QUANDO A LUA TARDAVA DE LUAR



Bebi o néctar fresco desse olhar

Numa tarde ofuscada plo sol pôr 

Quando a lua tardava de luar

E as sombras se alongavam sem pudor

 

E, esqueci-me das horas nesse mar

Nas ondas encrespadas pelo amor

Que vão adormecendo devagar

Num arrasto espumoso de candor

 

Havia no céu lápis de carvão 

Que peenchiam nuvens em fusão 

Na noite que beijou restos da lua

 

Lentamente caíram gotas frias

Que afagaram meu corpo em cortesias

Cobrindo minha pele ainda nua

 

 

MEA

23/11/2016



OUSADIAS DE UMA POETA SINESTETA



"Bebi o néctar fesco desse olhar",

Provei o pão das bocas mais famintas,

Mas fui matando a fome num manjar

Composto por pincéis, telas e tintas



"E esqueci-me das horas nesse mar"

Que também será meu, caso o consintas,

Pois que, sem to pedir, te ouso glosar

Com letras de impressão, negras, retintas...



"Havia no céu lápis de carvão"

E eu, que os tinha mesmo ali, à mão,

Usei-os pr`a esboçar-te algumas glosas;



"Lentamente caíam gotas frias"

Sobre estas letras que outras ousadias

Coloriam de azuis, brancos e rosas...





Maria João Brito de Sousa - 23.11.2016 -17.53h



 

publicado por poetaporkedeusker às 12:00
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4 comentários:
De fashion a 24 de Novembro de 2016 às 12:27
Este poema denota uma sensibilidade desmedida. Muito bom!
De poetaporkedeusker a 24 de Novembro de 2016 às 13:11
É uma glosa ao soneto da Maria da Encarnação Alexandre, Fashion!
Somos muito complementares na poesia, raramente consigo "resistir" a um soneto dela... obrigada e um beijinho!
De poetazarolho a 24 de Novembro de 2016 às 22:18
“O arquitecto perdido”

Uma espiral esvoaçava intersectando o nada em redor,
pensando ser edifício.
Pedra sobre pedra no dorso duma gaivota,
fingiam-se de colunas.
A luz através das grades adquiria tonalidades diversas,
julgando-se vitral.
Os operários esculpiam uma brisa matinal,
vendo surgir madonas sagradas.
O arquitecto perdido sentia-se afogar,
numa massa líquida borbulhante.
Nascia assim uma catedral imensa,
edificada no fundo duma taça de champanhe.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 24 de Novembro de 2016 às 22:54
Arquitecta nunca fui,
Nem construí catedrais
Sobre taças de champanhe,
Porque o champanhe as dilui,
Ficam apenas uns sais
E o vapor que os acompanhe...

Deixo os vitrais pr`a Rouault,
As colunas, prà Sansão
E as gaivotas junto ao Tejo,
Que apenas poeta sou
E não tenho outra aptidão,
Nem sequer um outro ensejo...


Maria João

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