.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 24 de Junho de 2017

GLOSANDO JOÃO MOUTINHO

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AGORA II

 

Agora, diz-me tudo o que quiseres

Agora, é o momento de sentir

Agora, não desfolho malmequeres

Agora, é o instante de sorrir

 

Agora, é uma pressa que tu queres

Agora, é outro passo no porvir

Agora, é outra seta que desferes

Agora, nem me chegas a ferir

 

Agora, já passou, já é futuro

Agora, foi o tempo que perdi

Agora, se quiser, posso ser puro

 

Agora, não importa o que vivi

Agora, já não posso ser mais duro

Agora, já não sei viver sem ti

 

 

João Moutinho



MORDENDO O ALHEIO FRUTO



“Agora, diz-me tudo o que quiseres”,

Agora, e não depois, te glosarei,

Agora, bem sabendo que preferes

Que apenas prove e diga que gostei.



“Agora, é uma pressa que tu queres”

E foi precisamente onde eu parei,

Agora, vou esquecer quanto opuseres

Aos versos que, na pressa, te roubei.



“Agora, já passou, já é futuro”

Agora, sem pedir - nada pedi... -,

Tomo posse daquilo que capturo.



“Agora, não importa o que vivi”,

Mordo o poema urgente e já maduro

Que sem pedir licença aqui colhi.





Maria João Brito de Sousa – 24.06.2017 - 09.15h

 

publicado por poetaporkedeusker às 10:13
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20 comentários:
De Adílio Belemonte a 25 de Junho de 2017 às 02:14
Poetisa,
Poesia atrai poesia e o verso pode mudar o universo.

AGORA O AMOR

Agora, vejo os poetas lado a lado
Mostrando sentimentos em seus versos
E todo o romantismo faz-me alado,
Querendo voar sobre universos.

Agora quero ir buscar muitas flores
P'ra saudar a poetisa em seu talento,
Pois só vivo a sonhar com meus amores
Mesmo na solidão e sem alento.

Agora, busco toda a inspiração,
E procuro na rima o meu conforto,
Porque sofrer ajuda muito a amar.

Agora, busco toda a devoção
E componho co'amor e fico absorto,
Pois os poetas sabem declamar.
De poetaporkedeusker a 25 de Junho de 2017 às 08:07
Bom dia, poeta amigo Adílio Belmonte.

Mais uma vez lhe fico muito grata pelo soneto com que brindou este meu blog de sonetos.

O meu fraterno abraço.

Maria João
De poetazarolho a 26 de Junho de 2017 às 22:04
“Alternativa submersa”

A falta de alternativa
Precipita uma solução
Ou deixa-te à deriva
Por ser outra a direcção

Pratica arte da esquiva
Ergue a tua construção
Procura que seja assertiva
Para que não perca razão

Mas dá-lhe forma diversa
Do que possas observar
Sem procurar conclusão

Pois a parte submersa
Podem nem se revelar
E ser a maior revolução.
De poetaporkedeusker a 27 de Junho de 2017 às 09:32
Ah, Poeta, a alternativa
A tanta lenta agonia
Impõe que eu não fique viva
À espera de outra avaria.

Realista e objectiva,
Faz pensar que mais valia
Não ter sido produtiva
E antes ter qualquer mania...

Por enquanto, vou vivendo,
Mas se o subsidio não vem
É bom que me vá esquecendo

Desse "bom" que a vida tem,
Pois já vai prevalecendo
Um "mau" que nunca foi bem...

Maria João


Bom dia, Poeta. Este meu sonetilho é especialmente dedicado ao RSI que deveria ter vindo ontem e não veio. A bem dizer, deveria ter vindo no dia 24, mas seria impossível, já que esse dia do mês coincicidiu com um Sábado.
Abraço grande!
De poetazarolho a 28 de Junho de 2017 às 23:30
“Modo diferente”

São restos de sensibilidade
Dum universo pequenino
Sobras duma humanidade
Que cavou o seu destino

Melhor sorte não teria
Do que deve à própria sorte
Pois melhor nunca seria
Já que a ela impôs a morte

Vê-la-emos renascida
Mas duma nova semente
Nesse parto já sem dôr

E da cinza surgirá vida
Num modo todo diferente
Que se alimentará no amor.
De poetaporkedeusker a 29 de Junho de 2017 às 11:24
SONETILHO DE CODA

Sei que um dia assim será,
Mas sendo seres racionais
Esse amor produzirá
Razão, em partes iguais,

Porque igual falta fará
Racionalizar bem mais,
Ou tudo descambará
Em explosões, das viscerais...

Neguem-se inveja e ganância
E o vão sensacionalismo
Das mil coisas sem substância,

Ou esse amor "vira" abismo
Que, a curta ou longa distância,
Redunda num paroxismo

De delirante ignorância...

Maria João


Bom dia, Poeta! Aqui vai, com o abraço grande de sempre!
De poetazarolho a 30 de Junho de 2017 às 06:46
“Indiferentes”

Predomina a indiferença
Neste mundo indiferente
Queremos marcar presença
Bem lá na fila da frente

Os demais ficam atrás
Mas atrás há tanta gente,
Aos outros tanto lhes faz
Um dia será diferente ?

Podemos até acreditar
Mas a realidade prevalece
E a todos nos contradiz

A indiferença veio p’ra ficar
O que uns tanto aborrece
Mas a alguém deixa feliz.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 30 de Junho de 2017 às 10:46
Não sei se é mesmo indif`rença,
Se é mera incapacidade,
Ou se é a escolha pretensa
Duma outra realidade

E, por cansar-se quem pensa,
Nem se pensa de verdade...
Eu penso não ser ofensa
Porque o digo sem maldade;

Há gente que fica tensa
Ante a ideia de igualdade
E se prende à velha crença

Da grande disparidade,
Mas eu sempre fui propensa
A pensar na equidade.


Maria João

Bom dia, Poeta!
Cá vai, muito, muito "martelado", o sonetilho possível.
Abraço grande!
De poetazarolho a 1 de Julho de 2017 às 00:21
“Inconsequente”

Todos querem ter razão
Na razão inexistente
Ninguém aceita sanção
A culpa é inconsequente

À boleia da corrupção
Tudo mama minha gente
Desta triste encenação
Espectáculo é deprimente

Mas tudo termina bem
Lá pelo sul a bronzear
Sem que haja demissões

E a seguir como convém
P’ro espectáculo animar
Chegam novas eleições.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 1 de Julho de 2017 às 08:47
Se há razões pr`a ter razão,
Lembremos a barricada;
De um lado, os que ricos são,
De outro os que não tendo nada

Defendem que a situação
Tem mesmo de ser mudada
Pois mal lhes chega pr`ó pão
E pr`a ter digna morada

Quando é sua a construção
De toda a coisa criada
E foi sempre a sua mão

Que ergueu tudo e já cansada
Viu que isso era a negação
Da justiça apregoada.


Maria João

Bom dia, Poeta! Estou de saída para dar um pouco de apoio moral a uma vizinha amiga que está a passar por um momento difícil da sua vida. Infelizmente não estou em condições de ajudar com grandes trabalhos físicos, mas tentarei estar presente.
Aqui vai com o abraço de todos os dias.


De poetazarolho a 3 de Julho de 2017 às 06:54
“Sem coração”

Foi o povo ao MEO arena
Para angariar um milhão
Surge uma luta obscena
“Devia ser minha a gestão”

É gostosa a gestão do pote
Aquele que contem o mel
A tragédia deu o mote
Mas o espectáculo tem fel

Quem partiu, respeitemos
Quem ajudou, acarinhemos
E poupemos na encenação

Por todos, o mel não lambemos
Senão nem sequer merecemos
Vir munidos dum coração.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 3 de Julho de 2017 às 11:10
Falhas? Houve-as com certeza....
Poucas não devem ter sido
E eu não me ergo em defesa
Do que as tenha cometido.

Não se encarem com leveza
As que possam ter havido;
Que não fique a natureza
Como ré do sucedido

Porque a falha é de grandeza
E é enorme o espaço ardido
Nesta terra que, indefesa,

Perdeu vidas e sentido
Pois seus filhos foram presa
De um desastre desmedido.

Maria João


Poeta, tenho continuado a dar a assistência possível à minha vizinha amiga, mas vou ficar sem elevador porque a reparação final vai iniciar-se hoje. Amanhã, bem cedo, tenho consulta hospitalar e não faço ideia das horas a que chegarei. Agora, tenho de levar o lixo para o respectivo local de despejo, antes que o elevador pare de funcionar.
Um abraço grande!

De poetazarolho a 3 de Julho de 2017 às 21:27
“Atónitos”

Temos um Coelho atónito
E um Costa que se eclipsou
Sente-se por ambos vómito
Quem governa e governou

Sente-se o país a afundar
Na imensa maré desgovernada
Para o peditório não querem dar
Antes deram e não deu em nada

Sente-se um presidente entalado
Pois a fabulosa maré cavalgou
Sem perceber a origem remota

Dum país cedo mergulhado
Numa euforia que se instalou
Após a vitória que o derrota.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 4 de Julho de 2017 às 07:09
Poeta, estou de saída
Pr`á consulta hospitalar...
Tomo um duche de corrida,
Visto-me , vou-me calçar

E aguardo, pronta e vestida,
Que me venham cá buscar
Os bons soldados da vida
Que me hão-de transportar.

A manhã vai ser comprida,
Mas eu sei que hei-de voltar,
Embora um pouco dorida,

Quando a consulta acabar
E a rotina for cumprida....
Só não me posso atrasar!

Maria João


Cá vai, com as minhas desculpas por escrever à pressa e com o abraço de todos os dias.
De poetazarolho a 5 de Julho de 2017 às 23:39
“Menos que nada”

A vida é nada
Tu és menos ainda
Para que sejas mais
Desmaterializa intenções
Produz o verbo activo
Transformado em acções
Fortes e consequentes
Visíveis e produtivas
Para o bem comum
Lembra-te, és menos que nada.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 6 de Julho de 2017 às 10:40
Ninguém é menos que nada,
Nem sequer os grãos da areia
De alguma praia inventada
Pr`a ser berço de sereia,

Ou a palavra encontrada
Para a expressão de uma ideia
E, caso eu não esteja errada,
Errará quem se norteia

Por uma ideia enganada...
Nem nada, nem panaceia;
Somos Vida e a vida brada

Pela vida que a rodeia
Ao longo da longa estrada
Que a completa e que a rastreia...


Maria João


Um abraço grande, Poeta!
De poetazarolho a 5 de Julho de 2017 às 23:48
DANTES,

MINISTRA DA ESCURIDÃO

Uma ministra com cristas,
Em milagrosa assunção,
Quis assumir funções mistas
E em todas foi decepção.

Se farejasse outras pistas
Podia, até, ter razão
E ser, com largas vistas,
Ministra da escuridão…

Agricultura, não temos
Pescas e outras, também não
Ordenamento, ainda menos

Perdoe-me estes dislates
Ministra Dona Assunção
Mas nós nem temos tomates!...

E AGORA,

A ex-ministra Assunção,
Dona de tanta mazela,
Foi pedir a demissão
De dois que são como ela.


Eduardo
De poetaporkedeusker a 6 de Julho de 2017 às 10:16
Assunção, perdida a crista,
Anda um tanto atordoada...
Quem sabe Assunção desista
De andar de crista emproada?

Não sou mulher que resista
À bela da desgarrada,
Mesmo estando mal da vista
E não servindo pr`a nada,

Portanto o verso que invista,
Que eu fico à espera, sentada,
Do pouco que à rima assista

Numa resposta acertada,
Que eu sempre fui sonetista,
Muito embora ande calada...

Maria João

Muito grata, Eduardo, pelo seu sonetilho a que tentei responder com outro, que rapidamente passou de tentativa de seguimento do tema a justificação pessoal.
Para si e toda a família, o meu forte e grato abraço.
De poetazarolho a 8 de Julho de 2017 às 00:52
“Socalcos da razão”

Muito mundo no coração
É demais junto ao abismo
Mas tens o mundo na mão
Com um pouco de altruísmo

Que não haja presunção
Nem tão pouco imediatismo
Nem laivos de inquietação
Ou sucumbir ao ostracismo

Que os socalcos da razão
Sejam conselheiros brutais
Em momentos bem precisos

Noutros seja a respiração
Com seus ritmos ancestrais
A avivar os largos sorrisos.
De poetaporkedeusker a 8 de Julho de 2017 às 08:11
Tenho o universo inteiro
Dentro do meu coração,
Mas sei que o passo primeiro
Pelos filtros da razão,

Ou não fosse ele verdadeiro,
Em vez de mera ilusão...
Se nunca o fiz por dinheiro,
Mas foi por pura paixão

Que o trouxe,inteiro, ao estaleiro
Desta humana condição,
Não pr`a traçar-lhe um roteiro,

Nem por vã contradição,
Mas por vê-lo um companheiro
Nesta Barca em construção...

Maria João


Bom dia, Poeta! Cá vão; o sonetilho possível e o abraço grande de todos os dias!

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