.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Domingo, 24 de Janeiro de 2016

GLOSANDO FLORBELA ESPANCA

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CONTO DE FADAS



Eu trago-te nas mãos o esquecimento

Das horas más que tens vivido, Amor!

E para as tuas chagas o ungüento

Com que sarei a minha própria dor.



Os meus gestos são ondas de Sorrento... ~

Trago no nome as letras duma flor...

Foi dos meus olhos garços que um pintor

Tirou a luz para pintar o vento...



Dou-te o que tenho: o astro que dormita,

O manto dos crepúsculos da tarde,

O sol que é de oiro, a onda que palpita.



Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!

– Eu sou Aquela de quem tens saudade,

A Princesa do conto: “Era uma vez...”



Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

 

CONTO SEM FADAS



"Eu trago-te nas mãos o esquecimento"

Que aqui te deixo como um bem maior;

Sai demasiado caro, o seu sustento,

Mas raramente achei coisa melhor...



"Os meus gestos são ondas de Sorrento"

Perdidas no meu Tejo, irei supor,

Pois só desse me brota o estranho alento

Que, às vezes, me faz alga, em vez de flor...



"Dou-te o que tenho; o astro que dormita",

Bom-senso - quanto baste -, um gato manso

E a profunda paixão que me une à escrita;



"Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!"

- Posso ser essa a quem não dás descanso,

Mas jamais tentarei saber quem és!





Maria João Brito de Sousa - 23.01.2016 - 18.33h

 

publicado por poetaporkedeusker às 09:56
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12 comentários:
De poetazarolho a 24 de Janeiro de 2016 às 21:04
“Presidente”

Marcelo é presidente
Que presida muito bem
Esse é o desejo da gente
P’ró inquilino de Belém

Cuide bem deste povo
Que nele decidiu votar
Como ele não me demovo
Do presidente interpelar

Que honre o seu país
Que engrandeça a função
Que nos saiba enaltecer

Que se ouça o que ele diz
Que seja a voz da razão
Que faça por nos merecer.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 24 de Janeiro de 2016 às 22:14
Já sei, Poeta, já sei...
Ou melhor, já o sabia,
Mesmo sem muito pensar,
Que uma imagem dita a lei,
Mesmo sabendo a "razia"
Em que esta eleição vai dar...

Cá vai o que me saiu, Poeta, com o abraço de sempre!
De poetazarolho a 24 de Janeiro de 2016 às 23:43
“Allways smile”

Não me apraz ser sério
Rio-me mesmo de mim
Para muitos um mistério
Mas que querem sou assim

E só sei que nada sei
Mesmo pouco sabendo
Em terra de cegos é rei
Quem tem um olho vendo

Não aspiro a tal posição
Serei servo até morrer
Esta é a minha missão

Rir até sem perceber
Muitas vezes a razão
Muitas vezes sem saber.
De poetaporkedeusker a 25 de Janeiro de 2016 às 10:12
Ah, Poeta, eu sei explicar
- e até literariamente... -
Isto de me comparar
C`uma lesma incompetente;

Quem consegue extrapolar,
Em si próprio, o decadente,
Vai, decerto, ultrapassar
O choque de estar doente...

Foi recurso muito usado
Por "grandes" do Modernismo
Que, não ficava calado,

"Matava" o decadentismo
Porque, auto-direccionado,
Foi usado com estoicismo...

Maria João

... mas eu sei, Poeta, eu sei explicar esta extrapolação toda, tanto enquanto recurso literário, quanto como uma variante da ironia nos "estados de alma"... ninguém mo "impingiu e, surge sempre muito espontaneamente, mas foi um grnde recurso literário bem característico de muitos modernistas e esta na génese da propria caricatura, enquanto expressão plástica.

Abraço grande!
De poetazarolho a 25 de Janeiro de 2016 às 22:58
“Nova vidinha”

Sonho comanda a vida
O dinheiro também não
Mas de forma decidida
Vai-se colando à mão

E venham mais cinco
São milhões certamente
Trabalharam com afinco
P’ra sacar milhões à gente

A formiga no carreiro
Vai-se vendo enrascadinha
Com tanto amigo a roubar

São fiéis ao deus dinheiro
Prometem nova vidinha
Que esta é p’ra trabalhar.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 26 de Janeiro de 2016 às 10:16
Pela sua eterna ausência,
Direi que o tal deus dinheiro
Vai ganhando consistência,
Garante que, no "poleiro",

Esteja sempre a prepotência
Disfarçada, por inteiro,
Por "toques" de complacência
(meros truques de tinteiro...)

Há no cunho colectivo
Das minhas aspirações
O pequeno lenitivo

De ir cometendo "infracções"...
(só por isso é qu`inda vivo
e mantenho as convicções...)

Maria João

Segue com o abraço de sempre, Poeta!
De poetazarolho a 25 de Janeiro de 2016 às 22:59
FABRICADO DE ANTEMÃO

Misturam-se as sondagens
Com a desinformação,
Prepara-se o cidadão
Para aderir às miragens

Ensaiam-se as personagens,
Beijos, apertos de mão,
Tudo a bem da Nação
Tendo em vista as contagens…

Apela-se à distracção,
Contratam-se as videntes
P´ra vir à televisão…

E, assim, com precisão,
Se elegem presidentes
Fabricados de antemão.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 26 de Janeiro de 2016 às 10:01
Tem toda, toda a razão,
Naquilo que descreveu;
Foi mesmo a televisão
Que um candidato elegeu...

Foi visível, de antemão,
Que o candidato "ascendeu"
Antes da própria eleição,
Quando, de antemão, venceu...

Não vi "videntes", não vi
- sempre tive essa vantagem... -,
Mas, acreditando em si,

Vence o "culto da miragem"...
(mas fiquemos por aqui;
aplaudo a sua mensagem!)

Maria João

Subscrevo, inteiramente, este seu sonetilho, amigo Eduardo! Agradeço-lhe e envio-lhe um fraterno abraço!

PS - Há qualquer coisa que me causa uma pontinha de repulsa quase física, neste processo que tão bem descreve e que está inteiramente de acordo com as minhas humildes mas firmes deduções...
De poetazarolho a 27 de Janeiro de 2016 às 00:05
“Esquecimento”

Esqueci-me de morrer
E agora cheiro mal
Já não consigo viver
Com este pivete letal

Vou telefonar ao além
P’ra m’encomendar a alma
E possa levar-me também
Ao morrer da tarde calma

Parto assim já a seguir
Refeito do esquecimento
Extravasei o meu papel

Mas a morte vou cumprir
Em jeito de cumprimento
Adeus ó mundo cruel.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 27 de Janeiro de 2016 às 09:59
Vai, decerto, e vamos todos,
Porque é condição da vida
Nascer e nascer, a rodos,
Para partir de seguida...

Que se deva encomendar
É que é sempre mera opção,
Pois nada há que confirmar,
Nem há que dizer que não...

A tensão, hoje, é maior,
Mas, aqui, falo por mim,
Que vou ficando pior

E farta de estar assim,
Mas... ir desta pr`a melhor?
Só quando chegar ao fim!

Mª João

Muito, muito mal "atamancado", mas foi o que me ocorreu, Poeta... abraço grande!

De poetazarolho a 28 de Janeiro de 2016 às 00:08
“Navegar”

Espaço de liberdade
Neste mundo surreal
Não existe na verdade
A não ser o virtual

Eco da cumplicidade
Reflectida no mural
Espelha a capacidade
Da tua própria moral

Ou cospe atrocidade
Se de mal impregnado
Imagem esta afinal

Duma sociedade plural
Com destino acorrentado
Ao cais da diversidade.
De poetaporkedeusker a 28 de Janeiro de 2016 às 10:06
Mesmo aqui, no virtual,
É bem pouca a liberdade,
Tudo é muito relativo,
Mas para mim, que estou mal,
Consegue ser, na verdade,
Um lugar bem criativo...

As compulsões consumistas
Vão invadindo este espaço
E crescem por toda a parte
Pois são muito oportunistas,
Não se rendem ao cansaço,
Nem se cansam de "lixar-te"...

Mª João

Poeta, como sabe, piorei bastante e só me saiu "isto", muito mal "atamancado"... abraço grande!


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