.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2016

GLOSANDO FLORBELA ESPANCA (2)

florbela espanca.jpg

 

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Eu

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida! ...

Sou aquela que passa e ninguém vê ...
Sou a que chamam triste sem o ser ...
Sou a que chora sem saber porquê ...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

 

EU

 

Eu, em contrapartida, sei quem sou;

Poeta, fui-o sempre, a vida inteira,

Dos versos dedicada companheira,

Rocha, ou papoila, que do chão brotou

 

E, depressa demais, desabrochou,

Tomando a sua própria dianteira

Na caminhada junto à ribanceira

Em que o passo apressado a colocou,

 

Mas vive, agora muito lentamente,

Um tempo mais incerto e mais urgente

Que teima em não para pr`a repousar

 

E que passa por ela e segue em frente,

Sem dar conta do mal que faz à gente

Que vai estando cansada de passar...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 28.01.2016 - 11.00h

 

 

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 17:09
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6 comentários:
De poetazarolho a 28 de Janeiro de 2016 às 23:10
“Birkenau now”

Se fores refugiada
No reino da dinamarca
Tu serás espoliada
Desse vestido de marca

Recebes serapilheira
Conforme foi definido
Assim desta maneira
Confeccionas um vestido

Para a estada pagar
Deixas o computador
Ou outro qualquer tesouro

Em breve vai começar
Neste reino de terror
Caça aos dentes de ouro.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 29 de Janeiro de 2016 às 10:34
Sei, Poeta! O pesadelo,
É real, infelizmente,
Vai-se o couro e o cabelo
De qualquer sobrevivente

Desse drama sem medida
Que vive o refugiado
Quando, ao lutar pela vida,
Tudo o mais seja roubado...

É complexo, o drama imenso,
Da gente aterrorizada
Que fica, segundo penso,

À mercê da mão pesada
De quem, sem qualquer bom-senso,
Não quer saber del`s pr`a nada...

Maria João

Poeta, segue com o abraço de sempre!


De poetazarolho a 30 de Janeiro de 2016 às 23:57
“Assumidamente louco”

Assumidamente louco
Esta é a minha verdade
Que a sanidade é pouco
Pr’entender a realidade

Com esta loucura invoco
As forças dum outro eu
P’ra que se juntem em bloco
Neste ser que se transcendeu

Ao tornar-se loucamente são
Em apelo à loucura vigente
Tentando reverter a situação

Dos loucos que já o não são
Só pode ser gente doente
Pois sanidade não é solução.
De poetaporkedeusker a 31 de Janeiro de 2016 às 12:02
Poeta, gente saudável,
Nem sempre é muito "certinha"
E quase nunca é "moldável"
Pois nem sempre "anda na linha"

E nem sempre é compatível
Com tudo o que faz passar
Que é bem bom ser susceptível,
Deixar-se influenciar...

Os "conceitos de saúde"
Que vão sendo - quase...- impostos,
São coisa que não me ilude

E vão-me dando desgostos...
(há variáveis que, amiúde,
se estampam nos próprios rostos...)

Maria João


Tudo bem convosco Poeta?
Este meu sonetilho "martelado" ficou um bocadinho hermético, eu sei, mas... olhe, parece-me que o modelo de "cidadão ideal" que nos é impingido/vendido/injectado a cada segundo, não privilegia nada a inteligência... mas esta é a minha forma de estar no mundo, sempre dentro das circunstâncias e do pouco que me vai sendo dado observar. Abraço grande!
De poetazarolho a 1 de Fevereiro de 2016 às 00:08
“Cidadão”

Vendo ideal de cidadão
P’rá sociedade frenética
Coloca pouco questão
E é parco em fonética

Traz desconto em talão
Barato e já formatado
Ministrado em injecção
Num frasco já preparado

Permitindo a extensão
Da sua garantia total
Por um prazo milenar

Melhor não encontrarão
E você cidadão fenomenal
Não questione, vá comprar.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 1 de Fevereiro de 2016 às 11:28
Cidadão com visão crítica

Ai, não compro, não senhor,
Pois quase não compro nada! (rsrsrsrsrs...)
Sou sempre "mau comprador",
Tenho a bolsa esvaziada,

Não reconheço o valor
Dessa "treta" anunciada
E há muito que sei de cor
Como a coisa é processada,

Pois, consumista, não sou,
Bem muito pelo contrário,
E a canção não me "soou"

Como sendo necessário
Crer no que tanto "cantou"
Como sendo um bem primário...


Maria João


Saiu-me "em flecha", este, Poeta, rsrsrsrs... abraço grande!

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