.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 29 de Fevereiro de 2016

GLOSANDO FLORBELA ESPANCA (12)

caravela040609.jpg

CARAVELAS...



Cheguei a meio da vida já cansada

De tanto caminhar! Já me perdi!

Dum estranho país que nunca vi

Sou neste mundo imenso a exilada.



Tanto tenho aprendido e não sei nada.

E as torres de marfim que construí

Em trágica loucura as destruí

Por minhas próprias mãos de malfadada!



Se eu sempre fui assim este Mar Morto:

Mar sem marés, sem vagas e sem porto

Onde velas de sonhos se rasgaram!



Caravelas doiradas a bailar...

Ai quem me dera as que eu deitei ao Mar!

As que eu lancei à vida, e não voltaram!...



Florbela Espanca, in "Livro de Soror Saudade"



CARAVELAS...



"Chego a meio da vida já cansada",

O sopro humano gasto, a vela panda...

E a tempestade que não mais abranda

Não pára de galgar minha amurada...



"Tanto tenho aprendido e não sei nada"...

Nunca acaba esta busca, esta demanda,

Nem se cala esta voz que ma comanda,

Ainda que por vagas açoitada...



"Se eu sempre fui assim, este Mar Morto",

Que, à beira do naufrágio, fica absorto

Nesta contemplação do mar em mim,



"Caravelas doiradas a bailar",

Tão minhas quanto o devem ser do mar,

São quanto de mim sobra, até ao fim...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 03.02.2016 - 13.04h

 

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 13:39
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3 comentários:
De poetazarolho a 29 de Fevereiro de 2016 às 23:22
“Palhaços”

Palhaço fazem de mim
Mas eu sei que o não sou
Aproveito ainda assim
Às vezes por aí vou

Faço rir a multidão
Esquecem as suas dores
A vida é representação
Misturada com amores

E saber o que somos
É por vezes complicado
Sem receber uma ajuda

E saber o que fomos
Pensado haver mudado
Geralmente nada muda.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 1 de Março de 2016 às 10:01
Nada pára, tudo muda
A cada instante que passa...
Mesmo que o palhaço iluda,
Por momentos, a desgraça

Ou que emerja a mão que ajuda,
O braço que nos abraça,
Ou rajada que sacuda
Livro roído por traça...

Pensemos na direcção
Da mudança inevitável;
Veja a orientação,

Tenha em conta o mais provável
E, razão com coração,
Seja sempre razoável...

Maria joão

Aqui vai o que me ocorreu, com o abraço de sempre, Poeta!
De poetaporkedeusker a 1 de Março de 2016 às 10:15
Eu sou apenas poeta,
Como toda a gente, mudo;
Surge-me a ruga indiscreta,
Cabelo grisalho e tudo

Porque nunca foi secreta
A mudança a que eu aludo,
Rumo à colisão directa
Com um fim que nunca iludo...

Mas... que tudo vai mudando,
Disso estou muito segura!
Só não sei como nem quando,

Mas rumando á sepultura
Em que todos vão ficando,
Pois tal sorte, não tem cura...


Maria João

Aqui vai com o abraço se sempre, Poeta!

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