.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Terça-feira, 18 de Outubro de 2016

GLOSANDO A POETISA MARIA DULCE SALDANHA

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CHUVA



São quatro da manhã, a chuva cai,
o vento a fustiga na vidraça,
a saudade de ti, fica, não vai,
e a recordação, essa não passa!

 

Lembro tantas noites, aqui deitados,
a chuva tinha um sabor especial,
sem sono ,estando até bem acordados
ouvindo a melodia no beiral

 

Já não sinto a beleza da canção
da cadência da chuva, que sentia,
deixa-me só tristeza e solidão

 

e, hoje sem a tua companhia
apenas só encontro escuridão,
no teu lugar, a cama está tão fria!

 

 

Dulce Saldanha



BEMÓIS & SUSTENIDOS



"São quatro da manhã, a chuva cai(,)"

Na velha cobertura da marquise,

Embalando-me o sono em que se esvai,

Na suave melodia, a dor da crise...



"Lembro tantas noites, aqui deitados,"

Eu e meu velho gato, adormecidos

Ao som da chuva que, sobre os telhados,

Orquestrava bemóis e sustenidos*...



"Já não sinto a beleza da canção"

Quando pouco me aquece a cama fria,

Por muito que me cubra o edredão,



"E hoje, sem a tua companhia",

Meu velho gato, tenho a sensação

De haver perdido, a chuva, a melodia...



Maria João Brito de Sousa - 17.10.2016 - 19.00h





*Em música, osustenido é um acidente que, tendo seu sinal de notação (♯) colocado à esquerda da nota, indica que a altura desta nota deve ser elevada em um semitom. A palavra é usada como adjetivo para indicar entonação acima da altura constante da notação. O dobrado sustenido, (com a notação ✗) indica que a altura da nota que este sinal antecede deve ser elevada em dois semitons.

A presença do símbolo de sustenido produz modificações nas notas da seguinte forma:

(1) Se um sinal de sustenido marcar uma nota dentro de um compasso, todas as ocorrências seguintes dessa mesma nota dentro desse compasso deverão ser executadas em sustenido. Essa alteração não afeta, no entanto, a mesma nota em outras oitavas. Encerrando-se o compasso, as ocorrências seguintes dessa nota deverão ser executadas sem alteração.

(2) Se um sinal de sustenido aparecer na armadura da clave, todas as ocorrências da nota marcada ao longo de toda a música deverão ser executadas em sustenido. Exemplo: uma música em Lá maior tem três sustenidos na armadura (Dó, Fá e Sol).



(Wikipédia)



Bemol - Em notação de música, o bemol

é uma alteração que diminui meio tom a uma nota musical. O símbolo afecta todas as notas que se lhe seguem no mesmo compasso ou até haver um bequadro (acidente que desfaz o efeito do sustenido ou do bemol), tornando a nota natural.



(Wikipédia)



 

 

publicado por poetaporkedeusker às 08:34
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4 comentários:
De poetazarolho a 18 de Outubro de 2016 às 23:55
“Pariu-se a confusão”

Grande era o firmamento
Enorme era o universo
Gigante era o pensamento
Mas depois pariu um verso

P’ra que pudesse ser lido
E não fosse enfraquecendo
O verso assim parido
Lá se foi engrandecendo

Tornou-se depois poesia
Mais tarde virou canção
Chegando a ser literatura

Mas lá para o fim do dia
Instalou-se a confusão
Que ainda hoje perdura.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 19 de Outubro de 2016 às 11:18
Pariu-se a Poesia
(... logo nos primórdios da humanidade; é filha da comunicação e do ritmo)

Poesia é lit`ratura,
Quando em formato grafado
Unifica Arte e Cultura
Desde um remoto passado

E, dignamente, procura
Fazer passar um legado
Que, instruindo, na leitura,
Valha a pena ser deixado...

Quem nada saiba sobr`ela,
Fica, decerto, a perder,
Pois muito mais que ser bela

Tem muita coisa a dizer
E abre sempre uma janela
A quem mais queira aprender...


Maria João


Outro abraço, Poeta!
De poetazarolho a 19 de Outubro de 2016 às 06:47
“ONUses e obuses”

Quanta cinza, quanta chama
No horizonte devastado
Não s’escuta quem clama
Com o coração destroçado

Mas da assembleia emana
Um parecer recatado
Não de forma leviana
As nações mandam recado

Mas lá cai muito obus
Dia a dia é morteirada
Pequeno-almoço dos tristes

Que o conforto reduz
Mas aqui não se ouve nada
E tu nada sequer vistes.
De poetaporkedeusker a 19 de Outubro de 2016 às 10:44
Obuses e telefonemas constantes...

Obus cai, obus faz mossa...
É dura a realidade,
Mas não haverá quem possa
Ir discorrendo, à vontade,

Se um t`lefonema se apossa
Desta minha identidade
E nem a voz se me adoça,
Nem eu ganho em qualidade...

Parou... por meros instantes
Que aproveito pr`a reler
O que tinha lido antes,

Quase sem compreender...
De novo os toques vibrantes;
Tenho mesmo que atender!


Maria João

Aqui vai, Poeta. Entre telefonemas, foi o que me saiu, desculpe...

Abraço grande!

























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