.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XVII

Autonomia do sonho.jpg

 

NA PAUSA DO ALMOÇO

 

Naquela negra rua aonde passo
O Sol mudou a rota, já não brilha
E nas pessoas há um tal cansaço
Que vem, e nos seus rostos faz a trilha



Enganam sua fome nesse espaço
Onde a indiferença é a mantilha
Que lhes cobre seus ombros, sem abraço
E, somente do espaço há partilha



Conversas soltas, risos amarelos
Sugerem os diálogos singelos
Dessa hora parada, e sem patrão



Cotovelos na mesa descansando
breves palavras vão-se ali trocando
Numa pausa banal sem emoção




MEA

8/11/2016





DA AUTONOMIA DO SONHO (adormecido)

 

 

"Naquela negra rua aonde passo"

Quando o sono me leva e quando sonho,

Há, por vezes, um brilho, um brilho baço,

Tentando, sem poder, ser mais risonho...



"Enganam sua fome nesse espaço"

Outros, cuja tristeza o faz medonho,

Que encontro nesse mundo gasto e lasso

Que apenas por cansaço pressuponho...



"Conversas soltas, risos amarelos",

Vão chegando também polichinelos

Ao sonho que sonhei naquela rua;



"Cotovelos na mesa descansando"

Meu sonho lá partiu, lá foi rumando

Desde esta mesa velha até à Lua...

 



Maria João Brito de Sousa - 09.11.2016 - 18.48h



Imagem retirada do Google

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 09:50
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5 comentários:
De fashion a 10 de Novembro de 2016 às 10:02
O sonho está na lua. Muito, muito bonito
De poetaporkedeusker a 10 de Novembro de 2016 às 10:31
Bom dia, Fashion!

Este soneto-glosador nasceu-me num rompante, quando eu menos esperava que nascesse (que é como me nascem quase todos, afinal...)

Raramente costumo usar o onírico na minha poesia, mas desta vez, talvez por estar mesmo cheia de sono, foi de um sonho - dos de dormir - que me nasceu esta versão da rua que a Encarnação magnificamente descreve e que não é uma rua específica, pois representa o "cinzentismo" de uma sociedade automatizada... quase robotizada,atrevo-me a dizê-lo...

No título - este é um título que fala pelos cotovelos... - explico bem quão autónomos e distantes da nossa vontade ,são os sonhos que sonhamos adormecidos e , de certa forma, também os versos que escrevemos...sobretudo o primeiro que, em mim, nasce sempre entre outros pensamentos, destacando-se deles pela sua perfeita musicalidade .

Obrigada e um beijinho!
De poetazarolho a 10 de Novembro de 2016 às 22:33
OUTRA VEZ!

Grita a turba – Barrabás…
Para espanto e p´ra fadário
De quem já não é capaz
Doutra subida ao calvário.

E, num ápice, se desfaz
Dos incautos, o ideário,
Que trilharam, aliás,
Semelhante, o itinerário.

Rejubilam os vendilhões,
Enquanto lavam as mãos
E enquanto vendem canhões

Que esmagam o povo exausto
E armam concidadãos
Que esqueceram o holocausto.

Eduardo
De poetazarolho a 10 de Novembro de 2016 às 22:51
“O meu olhar”

Queres conhecer-me agora
Como quero ser conhecido
Não faças cerimónia
O céu não me atrai
Ocupa o teu lugar
Sem cinto de segurança
A banda sonora é diabólica
Bem vindo ao inferno.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 11 de Novembro de 2016 às 11:56
... e o meu...

Conheci, do velho Dante,
A perspectiva "dantesca"
Desse inferno borbulhante
De forma estranha e grotesca,

Mas num tempo já distante
Em que a lucidez, bem fresca,
Mo fez ver como brilhante
Criação, quase burlesca...

Nunca usei cinto, nem rede;
Vou pelo fio da navalha
Sem saber quando ela cede,

Nem se a coragem me falha
Sobre um fio que se nem mede;
Mostre, então, essa fornalha!


Maria João

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