.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 3 de Setembro de 2016

GLOSANDO A POETISA HELENA FRAGOSO II

rebentação.jpg

 

SONHEI CONTIGO...



Sonhei que era contigo que sonhava

E que nesse acordar era verdade...

O sonho tão real se me mostrava

Aos meus olhos de espanto, de saudade.

 

Sonhei ver esse rio que me cantava

Seus fados e canções, na mocidade,

E os jacarandás! Como adorava,

Na avenida mais bela da cidade...

 

Sonhei que nas ameias me sentava

E que meu peito aberto mergulhava

Daquela Torre em saltos de ansiedade...

 

Que no meu Tejo, ali, mesmo nadava.

Quando acordei confesso, já chorava,

Pois só em sonho foi realidade.

 

 

Helena Fragoso





REBENTAÇÃO...

 

"Sonhei que era contigo que sonhava",

ó minha casa-mãe, meu berço e chão,

e que eras tal e qual te recordava,

bem mais do que uma antiga construção...

 

"Sonhei ver esse rio que me cantava"

como se fosse líquida, a canção

e me tornasse, inteira, uma onda brava

numa estranha e complexa solução...

 

"Sonhei que nas areias me sentava"

olhando a vaga quando rebentava

nos mil estilhaços dessa insurreição,

 

"Que no meu Tejo, ali mesmo, nadava"

sonhando que ao sonhar me transmutava

em espuma branca, qual rebentação...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 02.09.2016 - 16.31h

 

 

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 21:11
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4 comentários:
De poetazarolho a 4 de Setembro de 2016 às 01:10
“Domínios”

Eu, que busco a verdade
Onde a verdade não está,
Ausenta-se da realidade
E a realidade aí está

Onde a verdade termina
O que se inicia não sei,
Mas a ficção domina
O próprio domínio da lei

Na verdade isto é real
Embora contraditório
Já que a lei o admite

Pois a mentira factual
Apensa em probatório
É verdade sem limite.
De poetaporkedeusker a 4 de Setembro de 2016 às 11:00
O "Modus Operandi" da Mentira


Mentira tudo dispensa;
Negando a própria razão,
Terá sempre, em quem não pensa,
Poder de germinação

E cada vez mais se adensa
Formando a contradição
Que, sem pedir-nos licença,
Vai medrando em nosso chão...

De tanto ser repetida,
Vestes as roupas da verdade
Quando apanha distraída

A própria realidade
Que nos passa a ser "vendida"
Como tendo qualidade...

Maria João


Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre e uma queixinha pessoal;
Tenho uma dor "gigante" na colunna , há quatro dias...
(vou ter de lhe enviar um mail, hoje, ou amanhã, quando tiver uma "folgazinha" nos meus trabalhos de revisão e selacção de textos...)
De fashion a 4 de Setembro de 2016 às 10:49
Ai o sonho... belos...
De poetaporkedeusker a 4 de Setembro de 2016 às 11:08
Bom dia, Fashion!
Sim, "é pelo sonho que vamos", mas teremos que ir aprendendo a sonhar no colectivo...

Quanto à poeta(isa) que aqui gloso, é uma das maiores poetisas portuguesas vivas e, como diz um amigo; "quem disser o contrário, terá de se haver comigo!"

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