.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quarta-feira, 21 de Maio de 2014

FRACÇÃO

 

(Soneto de coda ou estrambote em decassílabo heróico)

 

O Tempo, esse tirano, esse vilão

A quem, teimosos, nunca aceitaremos,

É quem gere, afinal, tudo o que temos

Na nossa humana bio-condição

 

Mas, longe de aceitar que tem razão,

Que da sua passagem dependemos,

Chegamos a negar quanto aprendemos

Ser fruto dessa vasta produção

 

E contra a própria vida nos erguemos

Se, esquecido o percurso que fizemos,

Cairmos nessa vã contradição

 

De achar que - por mais voltas que engendremos,

Por mais que o próprio tempo confrontemos

Em busca da perfeita solução -

 

A Vida – que lhe importa o que inventemos! -

No seu total devolva o que vivemos

Quando o Tempo o traduz numa fracção…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 21.05.2014 – 20.08h

 

Imagem - A Persistência do Tempo - Salvador Dali

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 20:18
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|
44 comentários:
De poetazarolho a 21 de Maio de 2014 às 22:33
“Do nada”

Do nada pode surgir
Magia ou abstracção
Sem que possas impedir
Esse acto de criação

Só o tudo tentará
Interpôr-se no caminho
Mas o nada demoverá
Esse interesse mesquinho

Esta é a força do nada
Que não podes ignorar
Contra o medo de perder

Surgido na encruzilhada
Pois ela irá impulsionar
O nada para vencer.
De poetaporkedeusker a 21 de Maio de 2014 às 23:17
DO NADA II

Do nada me nasce tudo
E mesmo o próprio soneto
Veste a capa de veludo
Com que aqui me comprometo

Mas sobre a qual não me iludo
Pois se, em tudo, um nada meto,
Nunca pensarei, contudo;
Qual será seu novo aspecto?

Do que nunca me acontece,
Tudo aquilo que conheço
Será quantos versos tece

Este de quem me despeço
Porque, agora, me parece
Que de sono desfaleço...


Maria João

Roubei-lhe o título, Poeta... mas alterei-lhe a "estatura" hierárquica, eheheheh...

Estou preocupada porque enviei a declaração e o relatório médico juntamente com a baixa temporária (12 dias...) para a Segurança Social, via email e nem sequer recebi o aviso de recepção... amanhã, quando vier das análises, terei de telefonar... não sossego enquanto não souber que aquilo chegou ao seu destino...

Abraço grande!

De poetazarolho a 22 de Maio de 2014 às 06:47
Conceito do chá.
De poetaporkedeusker a 22 de Maio de 2014 às 12:29
Vou vê-lo, Poeta!
De poetazarolho a 24 de Maio de 2014 às 07:12
Sinais do chá.
De poetaporkedeusker a 24 de Maio de 2014 às 13:49
Vou vê-los, Poeta!

Abraço grande e um bom fim de semana!
De poetazarolho a 25 de Maio de 2014 às 07:47
Chá a correr.
De poetaporkedeusker a 25 de Maio de 2014 às 18:41
Pois, eu, já não corro mais, hoje!
Com esta coisa de responder a "muita coisa" quase em simultâneo, já meti as mãos pelos pés, à bocado, no Face...

Vou lá, mas vou devagarinho!
De poetazarolho a 25 de Maio de 2014 às 21:39
“Em busca do povo perdido”

Mais um dia de eleição
Em qu’o povo não votou
Reinante a abstenção
Sobre este reino pairou

Vão estudar a lição
Centos de comentadores
E p’ra nossa comoção
Todos sairão vencedores

Só o povo sai vencido
Desta imensa trapalhada
Em que alguém o meteu

Democracia dum só sentido
Que ao povo não diz nada
E em que o povo se perdeu.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 25 de Maio de 2014 às 21:52
Intensifiquemos a luta!!!

É reinante, essa abstenção,
Mas eu não gosto de reis
E à luta lanço a mão
Pr`a tentar mudar as leis!

Não morre agora o caminho,
Nem se acaba o caminhar
E o que eu faça, poucochinho,
Outro irmão há-de regar!

Que se não perca, este povo!
Que esteja atento e, sem medos,
Levantar-se-á de novo!

Quase não posso escrever
Porque anda a net "em folguedos",
Mas consegui responder!!!

Maria João


Abraço grande, Poeta!!!

De poetazarolho a 26 de Maio de 2014 às 07:28
Chá distorcido.
De poetaporkedeusker a 26 de Maio de 2014 às 13:13
Vou ver essa distorção, Poeta!
De poetazarolho a 27 de Maio de 2014 às 00:17
“Loucos”

Este mundo está louco
Mas o ser humano não
Loucura sabe a pouco
Que venha a alucinação

Por gritos acompanhada
Fruto de grande aflição
Dum cantar à desgarrada
Donde já não sai canção

Onde já não frutifica nada
Porque frutificou o engano
Numa sociedade alucinada

Erigida pelo ser humano
Desta forma desastrada
Com o estatuto de louco.
De poetaporkedeusker a 27 de Maio de 2014 às 19:24
Loucos, uns, resistentes, outros...

Loucos... talvez seja o termo
Pois, com tal contradição,
Tudo se torna num ermo,
Vive-se em grande aflição,

Enquanto este (des)governo,
Que é louco, mas "sabichão",
Nos "cozinha" um negro inferno
Para os dias que virão...

... mas sempre houve Resistência!
Resiste quem se não rende
Mesmo perdida a paciência,

Mesmo quando alguém o "vende"
E, ainda que haja inclemência,
Quem confronta aquel`que o prende!


Maria João

Aqui vai, com o abraço do costume, Poeta!


De poetazarolho a 27 de Maio de 2014 às 06:51
Chá de alegria.
De poetaporkedeusker a 27 de Maio de 2014 às 18:46
... ai que atrasada que eu estou, Poeta! Peço desculpa, mas levo uma eternidade para fazer as coisinhas mais ínfimas... vou lá! Vou ver essa alegria!
De poetazarolho a 27 de Maio de 2014 às 23:16
“Eleitos nulos”

Já não parece credível
Nenhuma das opções
Povo tornou-se invisível
Neste dia de eleições

Tudo tornado possível
Pela corja de aldrabões
Com um discurso sofrível
E pleno de contradições

Antes parecia impossível
Brancos, nulos e abstenções
São agora aos milhões

Prevejo um futuro risível
E parco em revoluções
Um futuro sem soluções.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 27 de Maio de 2014 às 23:55
Efeitos, esperam-se!

De insolúveis equações
Deve andar o mundo cheio
E, se achar as soluções,
Divido o problema ao meio,

Mas se o divido em porções
E, depois, falta "recheio",
Não resolvendo as questões,
Meto ao bolso o que era alheio...

Se, porém, espero ovações,
Se ajo à prova de receio
E confronto os tais vilões,

Só a mim própria premeio...
(... e se o fiz por uns tostões,
o que fiz, foi muito feio!)

Maria João


Cá vai, com o abraço de sempre!



De poetazarolho a 28 de Maio de 2014 às 23:20
FABULÁRIO

DOIS CÃES A UM OSSO

Se dois cães querem o osso
Falta osso e sobra cão
E, ou dividem a ração,
Ou acabam em destroço…

Um ao outro, o pescoço,
Ferozmente morderão,
Faltando aos dois razão,
Cedo irão cair no fosso…

E, assim, tudo se ajeita
P´ra comerem o petisco
Cães matreiros, à espreita.

E por gula ou por desleixo
Quem não correu nenhum risco
Acabou lambendo o beiço.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 29 de Maio de 2014 às 19:34
Não há osso que resista
A tão grande gulodice!!!
Enquanto a luta persista,
Vai se fonte de chatice...

O que primeiro desista
- não sei se o disse ou não disse... -
Fará com que o outro insista,
Só vai sobrar palermice!

Pobre do cão esfomeado
Que olha a luta entre os rivais
Vendo o osso disputado,

Sabendo haver osso a mais
Para um cão... mesmo anafado!,
Que o não "saque"... aos racionais!


Maria João

Muito obrigada, amigo Eduardo!
Cá vai um sonetilho que me ocorreu para lhe responder! O meu abraço para si e Maria dos Anjos!!!








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