.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Domingo, 9 de Julho de 2017

EXPLICAR-VOS TUDO, NÃO SABENDO COMO...

sinestesia.jpg

 

Quero explicar-vos tudo e não consigo,

Pois falha-me a palavra, o verso manca

E quanto mais tentando ser-vos franca,

Mais sinto que as razões morrem comigo,



Pois se vislumbro o estro , esse estro antigo,

Logo a seguir bloqueio numa “branca”

E o poema que nasce, oscila e estanca

Como se fosse um estranho, um inimigo...



Sei estar precocemente envelhecida,

Falha de vista, pobre e tão dorida

Que nem vou tendo forças pr`a teclar,



Mas como hei-de afirmar que sou poeta,

Não sendo mais do que uma sinesteta

Que por tudo se deixa atrapalhar?





Maria João Brito de Sousa – 08.07.2017 -12.19h

 

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 12:00
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6 comentários:
De Adílio Belmonte a 10 de Julho de 2017 às 02:38
Cara amiga poetisa,
A vida é uma dádiva de Deus que nos submete a experiências por caminhos de flores e espinhos. As flores estão em vossa poesia e os espinhos são encontrados em qualquer caminho.
A mim, me consolo ao saber que temos duas vidas: uma interior e outra exteriorizada materialmente. Aquela é eterna e esta fugaz.
Vivemos as duas, uma, agora; a outra, eternamente.
Que Deus nos abençoe!


EXPLICAÇÃO DA VIDA

A vida não é prêmio nem oferta
Que Deus nos dá em troca do amor,
Amor talvez que sempre nos conserta
Como o floricultor trata a sua flor.

Nenhuma doença é mistério em si,
Pois Deus sabe curar com sua bondade
E essa dádiva vem a mim e a ti,
Mulher que tem no verso potestade.

Os rumos desta vida são mistérios
Que surpreendem tanto o coração
Como esse corpo mesmo já caído.

Nossa vida é proba em elastérios
Que vão além do medo e da emoção,
Tornando o homem sempre retraído.

De poetaporkedeusker a 10 de Julho de 2017 às 09:14
Caro poeta amigo Adílio Belmonte, mais uma vez lhe fico muito grata por ter partilhado comigo o seu soneto "Explicações da Vida".

O meu "Explicar-vos tudo, não sabendo como..." foi, sobretudo, uma tentativa de explicar-vos as minhas prolongadas ausências e uma obviamente frustrada tentativa de dizer-vos que a minha sinestesia, que sempre considerei uma "ferramenta" cheia de potencialidades, começa a ser um forte obstáculo quando se lhe vêm juntar algumas disfunções físicas, tais como a diminuição da acuidade visual, a lentidão de movimentos decorrente de uma natural reacção de defesa do corpo contra a dor física e muitos e crescentes obstáculos de ordem financeira que acabam, todos juntos,por monopolizar as minhas já desgastadas energias.

Sou, com efeito, sinesteta. Não se trata de uma doença e sim de uma forma diferente e invariavelmente congénita de processar neurologicamente as informações visuais, olfactivas e/ou auditivas. No meu caso, são essencialmente as visuais, o que me passou a inviabilizar a comunicação em espaços sobrelotados de letras e cores.

Sei que ainda há pouca informação científica de confiança sobre esta mutação neurológica, mas penso que se fizer uma pequena pesquisa no Google sobre a sinestesia, poderá ficar com uma ideia um pouco mais clara sobre o que realmente é ser-se sinesteta, com todas as suas imensas vantagens e, quando se envelhece precocemente, tremendas desvantagens.

O meu fraterno abraço.

Maria João
De poetazarolho a 10 de Julho de 2017 às 21:51
“Escassez”

O siresp em Portugal
Oferece segurança
Sob a batuta estatal
Entram todos na dança

Ninguém aqui fica mal
É um país com pujança
Projecção internacional
Onde nunca se descansa

Porque o cidadão afinal
Cumpre a sua obrigação
Sendo credor d’esperança

Mas a esperança é terminal
Pois o crédito da missão
É escassa em confiança.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 11 de Julho de 2017 às 10:24
RISCOS MULTIFACTORIAIS

Que as culpas morrem solteiras,
Estou eu farta de saber,
Mas... pr`a não dizer asneiras,
Falarei do que souber

E ele há tantas maneiras
De acusar quem se quiser...
Pecam por excesso, as rasteiras,
E eu, cansada de as ver...

Apontar-se um só culpado,
Não me "cheira" a racional
E se o país foi queimado

Por fogo descomunal,
Faça-se um estudo cuidado
E multifactorial.


Maria João


Bom dia, Poeta! Cá vai com o abraço grande de todos os dias!

(anteontem, os amigos do HP fizeram-me uma enorme surpresa e levaram-me ao almoço anual, na Casa de Lafões, em Lisboa. Ainda pensei que pudesse estar por lá, mas não. Não estava...)
De poetazarolho a 12 de Julho de 2017 às 06:57
“Antecâmara”

Não trago nada na manga
Pois nuzinho aqui cheguei
Ao partir não vou de tanga
Porque vivi como um rei

Levo ouro e diamantes
Para a antecâmara final
E nada será como antes
Pois finto o destino fatal

Chega a mim a eternidade
Compro a eterna juventude
Sem contar nada a ninguém

Já não seria novidade
Pois quem a morte ilude
Vive para sempre bem.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 12 de Julho de 2017 às 08:42
Eu dou-lhe os meus parabéns
Por ousar fintar a morte
E por guardar tantos bens
À espera de ter tal sorte...

A ti, Morte, que lá vens,
Digo já não ser tão forte;
Logo verás que me tens
Sem bens, mas mantendo o Norte

Até à minha partida
Desta desgastada vida
Que sem bens me vê partir

O que conta, nessa ida,
É saber que fui cumprida.
Sem ter pensado em fugir!


Maria João

Bom dia, Poeta! Aqui vai o sonetilho possível, que traduz aquilo que realmente penso e sinto, o que não quer dizer que a dona morte será muito bem-vinda nos próximos tempos.

Enquanto me for possível, tentarei manter-me viva, mas... "who wants to live forever?" E, sobretudo, quem pode pensar em iludir a morte, sem a qual a vida jamais se renovaria? Poderei tentar lutar por mais uns anos de vida, mas nunca pela "vida eterna", seja lá isso o que for... sou uma daquelas pessoas que entendem que "o melhor que se leva da vida é aquilo que por cá se vai deixando"...

Abraço grande!

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