.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2016

EU E FLORBELA

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Eu

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida! ...

Sou aquela que passa e ninguém vê ...
Sou a que chamam triste sem o ser ...
Sou a que chora sem saber porquê ...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

 

EU

 

Eu, em contrapartida, sei quem sou;

Poeta, fui-o sempre, a vida inteira,

Dos versos dedicada companheira,

Rocha, ou papoila, que do chão brotou

 

E, depressa demais, desabrochou,

Tomando a sua própria dianteira

Na caminhada junto à ribanceira

Em que o passo apressado a colocou,

 

Mas vive, agora muito lentamente,

Um tempo mais teimoso e mais urgente

Que teima em não parar pr`a repousar

 

E que passa por ela e segue em frente,

Sem dar conta do mal que faz à gente

Que vai estando cansada de passar...

 

Maria João Brito de Sousa - 28.01.2016 - 11.00h

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 14:19
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8 comentários:
De poetazarolho a 10 de Fevereiro de 2016 às 22:34
“Zicas”

Zic, zic, zic, zica
Assim se vê a desgraça
Pois melhor nunca fica
Esta imagem que passa

A tod’a hora e minuto
Absorvido nesta farsa
Mesmo o ser mais arguto
Confundido não disfarça

Na saúde e na doença
Na alegria e na tristeza
Até que a morte fracture

O mundo da indiferença
Não pode ter a certeza
De que a certeza dure.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 11 de Fevereiro de 2016 às 11:42
... e ainda pouco sabemos
das formas de transmissão
desse Zica que mal vemos,
mas causa destruição...

É bom que lhe dispensemos
a necessária atenção
e que jamais aceitemos
que marque uma geração...

Talvez nem se dê por cá,
mas grassa noutros países
de dif`rente latitude

E aquilo que faz por lá
vai destruindo as raízes
da vindoura juventude...

Maria João


Forte abraço, Poeta!
De poetazarolho a 10 de Fevereiro de 2016 às 22:35
NOVO ACORDO DE ORTOGRAPHIA

Vindos nós de novo a as medievas eras
Mai-la o negrume da crua escravidão
Acordados ´inda doutras primaveras
E agora falidos em tal servidão

Tomemos, asinha, esta tentação
De a fala e escrita salvar de quimeras
Amostrando audazes nossa erudição
Vamos arrimar acordo deveras

Já que a as arrecuas voltamos agora
A os tempos de perca de a independência
Com fervor de Celtas vamos lançar fora

Arengada insana sem estilo nem cura
Espelho que amostra a nossa falência...
Se tudo vendemos queremos fala pura.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 11 de Fevereiro de 2016 às 11:28
Loucura seria tão pura deixá-la
Que imóvel ficasse, sem poder mexer-se,
Mas esta "acordice" quer assassiná-la;
E ao desfigurá-la não vai comover-se

De a ver deturpada na escrita e na fala...
E um pobre poeta tem de defender-se;
Procura a raiz e não sabe encontrá-la
Pois foi-lhe arrancada e mal pode entender-se...

Nem morta lhe aceito esses novos "preceitos";
Não fazem sentido, são contraditórios!
Escritor que se preze tem os seus direitos,

Contesta os caprichos dos grandes "empórios"
Que enchem a grafia de tantos defeitos
Tão disparatados, tão contraditórios!

Maria João

Obrigada, amigo Eduardo! Este meu soneto-manco foi-me "saindo" em verso endecassilábico, nem eu sei como... mas contém o essencial, no que respeita a este obsoleto arrazoado de disparates que é o AO90...

Forte abraço!
De poetazarolho a 12 de Fevereiro de 2016 às 00:02
“Leilão de almas”

O demónio tem cifrões
Dá-te tudo e até prazer
Deixas de ter ralações
Páras logo de sofrer

Doutro lado só espinhos
Rochas, pedras, muita lama
Foge já desses caminhos
Não terás minuto de fama

Damos-te já a receita
Para alcançar um milhão
Rica vida vem viver

Vais levá-la bem direita
Terás tudo sempre à mão
Depois da alma vender.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 12 de Fevereiro de 2016 às 11:01
Nunca tive a alma à venda,
Nem no demo acreditei;
Talvez nunca alguém me entenda
Mas é assim que eu me sei

E nesta absurda contenda
Nunca a mim me venderei,
Nem percorrerei tal senda,,,
Só a que eu mesma tracei!

Mas bem conheço a receita
Desse obsceno oportunismo
Que tantos vai seduzindo

E sempre faço a desfeita;
Ando à beira desse abismo,
Nunca, nunca nel` caindo...


Maria João


Aqui vai com o forte abraço de sempre, Poeta!
De poetazarolho a 12 de Fevereiro de 2016 às 06:56
Chá mente.
De poetaporkedeusker a 12 de Fevereiro de 2016 às 11:03
Vou vê-lo, Poeta!

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