.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 8 de Fevereiro de 2014

ESBOÇO CRIATIVO

 

(Em decassílabo heróico)

 

 

… e neste fim de Tejo em que me vivo,

Onde, entre verbo e dor, sei ser feliz,

Hei-de ser sempre o fruto do que fiz,

Do muito que senti, do que me privo

 

Se teimo em rejeitar, quando me esquivo,

Um verso que não venha da matriz

Ou negue exactamente quanto eu quis

Por não ser mais que um frágil lenitivo

 

E atendo ao que jamais será cativo,

Ao que é reprodução do som nativo

Que, em ondas, se espraiou desde a raiz

 

Porque, entre sopro e forma, eu, mero crivo,

Não traço mais que um esboço criativo

Dos versos que o poema a mim me diz…

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 28.01.2014 – 21.50h

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 17:10
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21 comentários:
De poetazarolho a 8 de Fevereiro de 2014 às 18:10
DE ONDE VIRÁ ESTE CHEIRO?

Desde a Graça à Madragoa
Tudo aperta as narinas
Pois pelas sete colinas
Cheira bem, cheira a Lisboa…

Já não se ouvem varinas
E, no Chiado, o Pessoa
Sente o odor das latrinas
Cheira bem, cheira a Lisboa…

Lisboa cheira tão bem
A um cheirinho pestilento
Que invadiu a capital

Virá ele de Belém?
Ou será que é de S. Bento?
Lisboa cheira tão mal!...

Eduardo
De poetaporkedeusker a 8 de Fevereiro de 2014 às 23:16
Talvez o estranho "processo"
Que faz com que cheire assim
Tenha a ver c`o retrocesso,
Não venha desse jardim...

Será coisa de sucesso
Poder cheirá-la e, no fim,
Descobrir que o grande abcesso
Não estava, afinal, em mim...

Pobre Lisboa que, um dia,
Tão dif`rente se mostrava
Cheirando bem de verdade

Pois, de Alfama à Mouraria,
Cada um nela plantava
Os cravos da liberdade...


Maria João


Obrigada, amigo Eduardo! Este meu sonetilho improvisado não faz justiça ao seu, mas não me está a ser nada fácil manter-me por aqui. O computador parece ter estabilizado ligeiramente, mas o meu cansaço vai sendo cada vez maior...

Um forte abraço para si e Maria dos Anjos!



De poetazarolho a 8 de Fevereiro de 2014 às 18:13
“Colossal”

Terá sido a ganância
Que afundou Portugal
A festa da alternância
Desaguou num lamaçal

Continuaremos a dança
Como esta não há igual
Até qu’assinem a livrança
Para o afundanço total

Sairemos sem cautelar
E plenos de esperança
Num amanhã colossal

Com a dívid’aumentar
Será total a confiança
Neste colosso nacional.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2014 às 13:29
... mas, antes ainda de ir ao Chá, aproveito para lhe tentar responder a este sonetilho! Vi-o aqui, entre "manobras" para chegar ao Chá e não quero deixá-lo passar em branco...


Colossais são as asneiras
E a corrupção que alastra
Pois, de todas as maneiras,
É pr`a nós que ela é nefasta,

Mas, haja, embora, canseiras
Pr`a quem cansado se arrasta,
Não estamos pr`a brincadeiras
E havemos de gritar; BASTA!

Nesse amanhã que há-de vir,
Que agora incerto parece,
Colossal é conseguir

Fazer o poder cair
Pr`a que a vida recomece
Antes que queira é fugir...


Maria João


Abraço grande, Poeta!
De poetazarolho a 9 de Fevereiro de 2014 às 07:27
Chá perfeito.
De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2014 às 13:15
Nem queira saber a maluqueira em que está a minha caixa do correio... e, desta vez, não será por minha culpa... mas vou ver esse Chá perfeito, Poeta!
De poetazarolho a 9 de Fevereiro de 2014 às 17:06
“Poeiras”

Na minh’alma apareceu
Uma memória perdida
Algo que não era meu
Mas era pedaço de vida

Pedaços de vida sonhados
De muitas almas memória
De muitas vidas bocados
Mas apenas uma história

Resumo de mil fragmentos
Num ponto do universo
Que da poeira nasceu

Restarão mil pensamentos
Após o processo inverso
Daquele que antes se deu.
De poetaporkedeusker a 10 de Fevereiro de 2014 às 12:05
Imaturidades...


Há-de haver processo inverso,
Disso nem vou duvidar,
Mas, se cresce este universo,
Há vida em qualquer lugar

E teremos milhões de anos
- que, pr`a nós, é tempo infindo -
Pr`a tornar-nos mais humanos
E moldar um mundo lindo!

Estamos na primeira infância
Desta nossa Humanidade
Inda há pouquinho nascida...

Assim se explicam ganância,
Mentira, inveja, maldade
E outras fraquezas da vida...


Maria João


Abraço grande, Poeta!
De poetazarolho a 9 de Fevereiro de 2014 às 17:13
Bad na ponte.
De poetaporkedeusker a 10 de Fevereiro de 2014 às 11:35
Há milénios que não vou à Ponte... hoje é dia de tratamento e estou com imensa pressa, mas vou tentar lá ir!
De poetazarolho a 9 de Fevereiro de 2014 às 20:05
ODE ao VENTO

Às vezes penso comigo
Que, quando a hora morta,
O vento me bate à porta
E abala a assobiar
Ele, afinal, é um amigo
A pedir para entrar.

Mas eu deixo-o ir sozinho
P´la noite, à chuva e ao frio
E mesmo assim o vento
Move a vela do moinho
E o barco que sobe o rio
Sem um queixume ou lamento…

O vento, assim solitário
Com um pouco mais de amizade,
Com menos ingratidão,
Seria mais solidário,
Moderava a velocidade
E nunca era tufão.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2014 às 23:52
Gosto muito, meu amigo Eduardo! Gosto muito das suas sextilhas, não desta tempestade que me faz temer pelas minhas pobres marquises, claro...

... seria a penas a brisa
Que, no Verão, nos traz frescura
E que as tardes suaviza
Quando sopra com brandura...

Peço desculpa por não continuar mas , ultimamente, adormeço muito cedo... e em qualquer lugar...

O meu abraço fraterno para si e Maria dos Anjos!
De poetaporkedeusker a 10 de Fevereiro de 2014 às 11:33
Sextilhas às pequeninas bonanças

Fustiga, a chuva, as vidraças,
Sopra, o vento, em assobio
Curvando arbustos e gentes...
Eu, que enfrento as ameaças,
Que pr`áqui morro de frio,
Só faço é bater os dentes...

Passa a tempestade e ficam
As marquises no seu posto
Pois souberam resistir...
Estas coisas significam
Que não tive outro desgosto
E, agora, estou a sorrir...

No coração da "batalha",
Mais temporais, ventanias
E outras mil atrocidades
Vão qu`rendo abrir uma falha
Nestas poucas alegrias
De ir vencendo umas "maldades"...


Maria João


Não dei continuidade à quadra de ontem, mas "alinhavei" umas sextilhas apressadas, amigo Eduardo! O meu abraço!


De poetazarolho a 10 de Fevereiro de 2014 às 07:14
Chá emocional.
De poetaporkedeusker a 10 de Fevereiro de 2014 às 12:09
Vou ter de bebê-lo a correr, a correr...
De poetazarolho a 10 de Fevereiro de 2014 às 22:54
“Humanoides”

Sendo grão de poeira
Duma existência finita
Descobriremos maneira
De ter vida mais bonita

Existência mais criativa
Do que esta vil ganância
Ou ficaremos à deriva
Na nossa primeira infância

Será um tempo perdido
Processo sem evolução
Espelho duma realidade

Antes não tivesse existido
Fosse um filme de ficção
A imagem da humanidade.
De poetaporkedeusker a 10 de Fevereiro de 2014 às 23:13
Humanos de carne e osso...

A Ficção terá razões
Que ela própria desconhece
Quando faz antevisões
Do que, mais tarde, acontece...

Mas deixemos a ficção
Pr`a pisar o chão real
Onde cada cidadão
É parte de Portugal

E como tal deve agir,
Como tal, deve esforçar-se
Pr`a não deitar a perder

Aquilo que conseguir...
E, se for preciso, armar-se!
Para o que der e vier!


M. João


Abraço grande, Poeta!
De poetazarolho a 10 de Fevereiro de 2014 às 23:17
Paxti na ponte.
De poetaporkedeusker a 10 de Fevereiro de 2014 às 23:23
Paxti? Vou ver, Poeta!
De poetazarolho a 11 de Fevereiro de 2014 às 06:59
Chá à vista.
De poetaporkedeusker a 11 de Fevereiro de 2014 às 14:08
Vou ver se o vejo, Poeta! "Acima, acima, gageiro/Acima, ao tope real!/Vê se vês terras de Espanha, areias de Portugal!"

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