.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Terça-feira, 8 de Setembro de 2015

"ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE"

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"Erros meus, má fortuna, amor ardente"...
de erros que me sobrassem, naturais,
fui trocando - de menos, ou demais? -
as quadras por sonetos... dei semente!

"Tudo passei, mas tenho tão presente"
um ror dos pecadilhos mais venais,
dos comuns, cometidos por mortais
que à perfeição aspirem, tão somente...

"Errei todo o discurso de meus anos",
talvez num verso, ou noutro... é natural
porque apenas humana e nunca um deus!

"De amor não vi senão breves enganos",
mas como posso, a Amor, levar a mal,
se, o próprio, erros comete, iguais aos meus?



Maria João Brito de Sousa - 08.09.2015 - 11.47h

 

NOTA - Soneto escrito na sequência da publicação do soneto de Camões com o mesmo título, glosado por Helena Fragoso.

 

publicado por poetaporkedeusker às 13:26
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26 comentários:
De poetazarolho a 8 de Setembro de 2015 às 22:27
Só posso aplaudir de pé.
De poetaporkedeusker a 9 de Setembro de 2015 às 10:29
Muito obrigada, Poeta!
De poetazarolho a 8 de Setembro de 2015 às 22:32
“Pizza 33”

E a pizza arrefeceu
À porta do trinta e três
Quem tem fome não comeu
Voltou à loja outra vez

Jornalista agradeceu
Com uma grande lucidez
A peça que desenvolveu
Para o público português

E Portugal agradece
O momento transmitido
Com tanto profissionalismo

Enquanto a pizza arrefece
Vemos o entregador estarrecido
Graças ao magnífico jornalismo.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 9 de Setembro de 2015 às 10:21
Que soberba reportagem,
que "thriller", que apoteose!
A "pizza" encerra a "mensagem"
e curva-se, em grande pose!

Quanto não daria eu,
que deixei de ter comida,
pr`a ver cair-me do céu
uma "pizza" bem servida?

Mas, mesmo que acontecesse,
que uma "pizza" milagrosa
me chegasse "lá do alto",

Quereria que viesse
muito mais... silenciosa
como que chega de assalto...


Maria João

Cá vai, Poeta, com o abraço grande do costume!
De poetazarolho a 9 de Setembro de 2015 às 21:32
“O sistema”

Pouca terra tanta gente
Também falta o dinheiro
Assim fala quem te mente
Tendo em mente o financeiro

O sistema está montado
P’rá salvaguarda dos milhões
Para o pobre e o refugiado
Já só sobram os bastões

Bastonada na carola
Sentadinho no chão
Quietinho e sem mexer

Que o mirage já descola
E na sua nobre missão
Muitos votos vai render.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 9 de Setembro de 2015 às 22:23
Dinheiro nunca faltou,
está só mal distribuído;
sobra a quem muito explorou,
fica um milhão já excluído!

O sistema já falhou!
Nada disto faz sentido,
a não ser pr`a quem julgou
que este sistema era um "querido"

E, assim, o sustentou!
Pr`a quem nisto já pensou,
direi, no tempo devido,

Que esse "querido" caducou.
Ao que o não tenha entendido,
direi que agora me vou...

Mª João

Cá vai, com o abraço de sempre, Poeta!
De poetazarolho a 9 de Setembro de 2015 às 22:28
“Seca extrema”

Chorou, mas já não chora
Avança, mas já parou
Implorou, já não implora
Acaba, mas não começou

Sigo humanidade afora
Restos mortais do que sou
Atinjo limite que deplora
O que a vida nos legou

Perplexa com seu traçado
Perplexa com a insanidade
Perplexo, eu aqui estou

Decido ficar a meu lado
Perplexo com a humanidade
Já não chora porque secou.
De poetaporkedeusker a 9 de Setembro de 2015 às 23:09
Não chora porque inundada
de tais solicitações
que mesmo quando assaltada
nem sequer prende os ladrões...

Já de pouco serve - ou nada... -
gritar-lhe e dar-lhe empurrões
porque, ela, anestesiada,
não sente quaisquer pulsões

Senão quando, alucinada,
pode apostar nuns milhões
e fica à noite, acordada,

A chorar velhas paixões...
Coitada dela, coitada,
que já nem tira ilações!


Maria João


Cá vai outro, Poeta, martelado em cima do joelho... mas vai!
De ADÍLIO BELMONTE a 10 de Setembro de 2015 às 19:17
Cara amiga,

Ao abrir os seus alfarrábios recebemos um convite para buscarmos as nossas mais recônditas reminiscências. Aí o coração fala.




ERROS, DESENGANOS, AMOR

Não posso recordar o meu passado
E assim pensar somente em louvores,
Então vejo que algo é perpassado,
Tanto as belas flores como os amores.

Que desgraça me assola o meu peito!
Sinto a propulsão duma emoção,
Loucura que dormia em meu leito
A destroçar em sonho o coração.

Não só essas mazelas duma vida
Transpõem a desgraça ao futuro,
Deixando o coração sempre marcado.

Nesse meu sentimento e na dúvida
É que agora sinto o amor maduro
Num ser de horizonte demarcado.
De poetaporkedeusker a 10 de Setembro de 2015 às 19:23
Muito grata pela oferta do seu poema, Adílio, envio-lhe o meu abraço!

De poetazarolho a 10 de Setembro de 2015 às 21:34
AO SABOR DA CORRENTE

Aqueles dois candidatos,
Que vimos na televisão,
Eram dois falsários natos,
Pelo verbo e p´la omissão.

Com argumentos baratos
A que faltou a razão,
Um propalou os boatos,
O outro, a distracção.

Ocupados com o passado
Que nos fizeram bem duro,
Tudo deixaram de lado

Com vergonha do presente
Preconizaram um futuro
Todo ao sabor da corrente.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 10 de Setembro de 2015 às 22:01
Bem pouco preconizaram,
mas... que se podia esperar?
São os que hoje comentaram,
que estão a preconizar...

Preconizam que... falaram,
mas não deixaram passar
tudo aquilo que pensaram...
Acabei por desligar!

Se tentam pnsar por mim,
digo; - Não, muito obrigada!
É assim que ponho fim

Á lenga-lenga filmada
quando a Tv fica assim
e, eu, já estou muito cansada...

Maria João

Desculpe-me, Eduardo, pela péssima qualidade literária deste pseudo-sonetilho, mas saiu-me, também ele, AO SABOR DA CORRENTE...

Para si e Maria dos Anjos, um fortte e grato abraço!

De poetazarolho a 10 de Setembro de 2015 às 22:01
“Turbilhão”

Humanidade arrastada
E do turbilhão à mercê
Logo agora que tudo vê
Logo agora não sabe nada

Quando tudo já se prevê
É com tudo confrontada
Logo agora está atolada
Nela própria não se revê

Vê-se assim despedaçada
Com sua voz amordaçada
Já sem pingo de paixão

Quando da nova alvorada
Poderia sair reforçada
É que a deitaram ao chão.
De poetaporkedeusker a 10 de Setembro de 2015 às 22:38
Há pr`aí tais turbilhões,
Poeta, nem sei dizer-lhe
se são meras confusões
ou se há razões pr`a saber-lhe

A razão do furacão!
Com tanta instabilidade,
é melhor ter sempre à mão
entendimento e vontade

E dar azo à criação
ou, então... credulidade
que sustente opinião

Daquela que nos invade
quando gritamos, em vão;
Quero é paz e liberdade!


Mª João


Todo martelado, Poeta, mas... olhe, saiu no TURBILHÃO... Forte abraço!

De poetazarolho a 11 de Setembro de 2015 às 04:14
Chá problemático.
De poetaporkedeusker a 11 de Setembro de 2015 às 09:52
Vou tentar vê-lo, Poeta!
De poetazarolho a 11 de Setembro de 2015 às 04:42
“Fantasmas de Portugal”

Mais trabalho e menos circo
No circo que é Portugal
Transformado em antro
P'ró debate eleitoral

Espectadores aos milhões
P'ra deleite da sondagem
Mantiveram as indecisões
Vencedora foi a imagem

Do espectáculo mediático
E mais uma vez se provou
Que o passado é solução

Reside no mundo socrático
Do qual muito se falou
E que já deixou a prisão.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 11 de Setembro de 2015 às 10:32
Palmas pr`ás dissertações!
Fica o cidadão suspenso
E a "novela" entra aos roldões
Nesse universo (pretenso)...

O "espectáculo" tomou
A dimensão colossal
Do que chamamos de "show"...
O mundo aguarda o final,

Se atenta, é nos pormenores,
E nem pensa, no geral,
Nos seus organizadores,
No quadro internacional

No real, por trás das "cenas",
Meio mundo entusiasmado
Por actores de obras pequenas
Esquece o que há pr`a ser pensado

E apupa, convencido
De ter sido convocado
Pr`a cargo incomprometido
De um poder que lhe é legado...

Maria João


Cá vai, se a ligação não cair pela milésima vez, Poeta.
Forte abraço!!!

De poetazarolho a 12 de Setembro de 2015 às 00:10
“Em nome da rosa”

Simples mortal me confesso
Sem pretensão a mais nada
Busco somente o processo
Para a vida vaticinada

Sem almejar o sucesso
Numa vida alienada
Vendida ao pseudo progresso
Onde a alma é cartonada

Onde o diamante importa
E o ouro é fundamental
P’rá aparência fulgurosa

A minha pode ser torta
Por ser dum simples mortal
Mas é-o em nome da rosa.
De poetaporkedeusker a 12 de Setembro de 2015 às 12:23
Em nome, também, do cravo,
desprezo os grandes enfeites;
toda a palavra que escavo
tem, para mim, mil deleites

E mesmo não tendo um "chavo",
espero sempre que me aceites;
do que disse, as mãos não lavo,
nem por medo que o rejeites

E quando a mensagem chega
sem ter um ponto de origem,
nunca a palavra me nega

Resposta, numa vertigem,
embora me "veja grega"
não sabendo o que me exigem...


Maria João

Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!



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