.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Domingo, 14 de Janeiro de 2018

DEZ ANOS DE SONETOS ONLINE

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 Hoje, dia do décimo aniversário deste blog, a reedição da primeira publicação.

 

Maria-Sem-Camisa

 

 

Maria-Sem-Camisa, a sem dinheiro

Que passa pela vida ao Deus-dará,

Tem fama de ser dura e de ser má

Mas é, tão só,  poeta a tempo inteiro.

 

Maria vai plantando em seu canteiro

Sementes de si mesma ... o que não há,

Engendra-o Maria, e tanto dá

Ter pouco se tão rica foi primeiro.

 

 Maria-Sem-Camisa planta ideias

 E disso vai colhendo o seu sustento

 Sem cuidar da chegada ou da partida,

 

 Porque os frutos colhidos são candeias

 E estrelas a luzir no firmamento

 Da órbita em que traça a sua vida.

 

 

 

 Maria João Brito de Sousa, 14.01.2008 - 21.15h

publicado por poetaporkedeusker às 13:58
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16 comentários:
De Rogério Pereira a 15 de Janeiro de 2018 às 00:46
10 anos, Maria-Sem-Camisa?

E um soneto é como o amor
não há nada como o primeiro

De poetaporkedeusker a 15 de Janeiro de 2018 às 10:06
Já dez anos, sim, Rogério... mas este não foi o primeiro dos meus sonetos, embora tenha sido o primeiro a ser publicado em blog.
Ao primeiro, já lhe perdi o rasto. Só sei que o manuscrevi em Abril de 2007...

Forte abraço
De jabeiteslp a 15 de Janeiro de 2018 às 10:30
E como o tempo passa MJ

Parabéns
um dia feliz desejo eu
e muita saúde pra outra meta de mais 10.

Beijinhos e uma boa e agasalhada Semana
De poetaporkedeusker a 15 de Janeiro de 2018 às 10:35
Passa o tempo e passamos nós com ele, Anjo, rsrsrs... ainda me custa acreditar que já lá vão dez anos de sonetos online, assim, naquilo que, à primeira vista, parece um quase nada...

Que tenhas uma excelente semana, Anjo!
De jabeiteslp a 15 de Janeiro de 2018 às 20:07
Boa e feliz noite aconchegada
De poetaporkedeusker a 15 de Janeiro de 2018 às 20:09
Também para ti, Anjo.

De poetazarolho a 16 de Janeiro de 2018 às 07:01
“É o sol“

Espelhado na ondulação
Luz da lua ao cair da noite
É o fruto da imaginação
Até onde esta se afoite

É tudo mais porque não
E agora quero ser nada
Não pensar na situação
Quero ser apenas estrada

Pisa apenas meu caminho
Imagina o que te aprouver
Mas não retenhas a lição

Pode ser um porco-espinho
Pode estar onde ele quiser
Mas não picar tua mão.
De poetaporkedeusker a 16 de Janeiro de 2018 às 08:40


Pode ser o Sol, a Lua,
Uma estrela, um porco-espinho,
Alguém que passa na rua,
Uma pedra do caminho,

Uma vida que se estua,
Uma flor, um passarinho,
Um martelo, uma gazua,
Uma flor de verde pinho...

Porque havia de picar-me,
Essa coisa ou esse alguém,
Se antes pudesse falar-me

E mostrar,como convém,
Sem motivos para alarme,
Que se vier, vem por bem?

Mª João

Cá vai, Poeta, muito ao correr das teclas e sem filtros, o que, assim, de repente, me ocorreu responder-lhe.

Bom dia e um abraço grande.



De poetazarolho a 16 de Janeiro de 2018 às 07:14
“Serão os loucos felizes?”

Corri como um louco
Amei como um louco
Treinei como um louco
Comi como um louco
Dancei como um louco
Sinto-me louco e feliz
Serão os loucos felizes?

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 16 de Janeiro de 2018 às 08:47
Poeta, eu encaro a loucura como uma patologia e com muita seriedade, embora as expressões que utiliza tenham uma conotação bem diferente...

Mas vou já até à Ponte.
De poetazarolho a 16 de Janeiro de 2018 às 23:50
“Twittemos“

A incapacidade instalou
Sua versão no universo
O conhecimento corou
Já nem existia disperso

Cada responsável twittou
Uma ideia e o seu inverso
É o estado a que isto chegou
Sem que se adivinhe regresso

O exemplo devemos seguir
Façamos nossa esta bandeira
Ou sua asneira redobremos

Muitos twitts devemos parir
Tudo a bem da bandalheira
Twittemos, twuittemos, twittemos.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 17 de Janeiro de 2018 às 09:32
Recuso-me a twittar!
Já estou dispersa que chegue,
Mais não me vou dispersar;
O recado fica entregue

E se alguém quiser negar,
Não há razão pr`a que o negue
Pois nem chego a lá entrar,
Só o meu blog o consegue...

Cansada de dispersões,
Sigo as minhas convicções;
Só produzo poesia.

Cá tenho a minhas razões;
Já não entro em confusões
E respeito a melodia.

Mª João

Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre.

Eu não "twitto" mesmo, é o meu blog que envia automaticamente as minhas publicações para o "Twitter". Estou velha e doente e a poesia clássica exige tempo, aprendizagem contínua e muita reflexão. Quanto menos me dispersar, melhor . Sei que o "futuro" vai exigir à esmagadora maioria da espécie humana, muito movimento, muita acção e pouca reflexão, mas eu já não pertencerei a esse futuro. Cabe-me apenas analisá-lo com a maior objectividade possível, já que os tempos andam propensos a grandes pandemias de injustiças, meias verdades e terrores colectivos.

De poetazarolho a 17 de Janeiro de 2018 às 06:35
“Slow”

Slow J
Slow food
Slow me
Slow thinking
Slow the world
Improve us
Against all ods.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 17 de Janeiro de 2018 às 08:47
Não vai ser assim, Poeta, não vai ser assim... mas que estamos a mudar, estamos. Against all ods.

Vou à Ponte.
De poetazarolho a 18 de Janeiro de 2018 às 04:47
“A plebe“

Quarenta eram demais
Ali Bábá já o dissera
Vieram outros que tais
E a ladroagem impera

Não existem dados reais
Toda a cadeia se supera
Actua nos dados globais
Vês o gatinho e não a fera

São sedentos da riqueza
Que afirmam não existir
Pois o país é um condado

Muita plebe na pobreza
Sente o seu sangue esvair
E não questiona este dado.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 18 de Janeiro de 2018 às 08:28
Ah, o dado é questionado
E até apontado a dedo
E, às tantas, é transformado
Em piadola-brinquedo.

Fica, assim, aliviado
O que, antes, metia medo
E no centro, ou no mercado,
Tudo se esquece: - "Inda é cedo

E a vidinha continua!
Estava tão bonita a lua
E, hoje, o sol tão desmaiado...

Mas quem não deve, não teme
E homem que é homem não geme
Por sentir-se vigiado."


Mª João

Bom dia, Poeta.
Desculpe, isto vai escrito à pressa pois tenho nova avaliação de INR daqui a pouco e vim ao computador apenas para partilhar o Avante.

Abraço grande.

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