.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2016

DE OLHOS BAÇOS

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(Soneto em decassílabo heróico)



De mim, não esperes “mágicos cansaços”,

pois não me sobra tempo pr`ós sentir,

nem me urge a languidez, nem sonho abraços

e muito menos tento seduzir



Algo que não palavras, gestos, traços...

A quem mos tente impor sem deduzir

que me nascem de dentro e, como laços,

me abraçam, por si só, sem me mentir;



Falarei dos poemas - nunca escassos... -

dos sons, do que me leva a descobrir

as melodias, quanto aos seus compassos,



E de algo que não posso definir

senão voando... E, mesmo de olhos baços,

aguardo, sempre atenta ao que surgir...



Maria João Brito de Sousa – 26.07.2015 -22.47h

publicado por poetaporkedeusker às 16:22
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32 comentários:
De poetazarolho a 12 de Janeiro de 2016 às 00:42
“Estão gastas”

Palavra do outro ouvir
Foi chão que uvas deu
Deixem-me antes dormir
Aqui nas asas de Morfeu

Sempre ouvi a lengalenga
Até que o fusível queimou
Levem daqui a moenga
Discurso e quem o botou

Tragam as palavras novas
Que as imagens releguem
P’ra um plano secundário

Palavras gastas não aprovas
A não ser que elas neguem
A mentira e o seu contrário.
De poetaporkedeusker a 12 de Janeiro de 2016 às 13:01
Sou eu quem, neste momento,
Se encontra gasta e bem gasta...
Tenho o raciocínio é lento
E o melhor é dizer; Basta!

Foi de férias, o talento,
Um só verso me desgasta
E, sempre que forço e tento,
Logo o cansaço me afasta...

Na palavra, se a sustento,
Logo o sentido a desbasta
E já nem encontro alento,

Cada palavra me agasta...
É melhor lançar ao vento
Tudo o que traga na pasta...


Maria João

Cá vai, muito marteladito e parecendo fazer pouco sentido, com o abraço de sempre!
De poetazarolho a 12 de Janeiro de 2016 às 23:14
“Sinal vital”

Estava vivo e enterrado
Ei-lo morto e renascido
Unanimemente aclamado
Como se não tivesse morrido
Foi génio multifacetado
Renasceu para ser ouvido
Sinal vital escutado
Morte cerebral sem sentido.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 13 de Janeiro de 2016 às 21:42
Poeta, sei - ou penso saber... - que fala de David Bowie, mas eu, hoje, estou tão cheia de dores e tão desinspirada que nem sequer dá para responder à letra...

Um abraço grande!
De poetazarolho a 14 de Janeiro de 2016 às 06:42
Chá dos chás.
De poetaporkedeusker a 14 de Janeiro de 2016 às 13:14
Vou vê-lo, Poeta!
De poetazarolho a 14 de Janeiro de 2016 às 23:48
“Reinventa”

Vive-se a contra informação
Dum mundo a desagregar
Ouve-se ao longe a explosão
Algo novo a começar
Big bang do coração
É a fissão nuclear
Resulta da reacção
A capacidade de amar
E o mundo sem ter noção
Acabou de se reinventar.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 15 de Janeiro de 2016 às 11:41
Vai-se mudando este mundo,
Hoje, a tal velocidade,
Que, agora, até eu confundo
"Mudança" com "ansiedade"

E ora avança, ora recua,
Sacudido em convulsões...
Nem deixa que a vida flua;
Todo ele é contradições!


Maria João

Cá vai, Poeta, com o meu abraço de sempre!
De ADÍLIO BELMONTE a 17 de Janeiro de 2016 às 02:02
POEMA DO ABRAÇO

Vi neste vosso poema o cansaço
De uma caminhada bem vivida,
Trilhada por algum tolo percalço
Derivado de dúvida sofrida.

Mas flores no destino são colhidas
E o vosso coração está ferido
Diante das vitórias tolhidas
Ou de algum belo verso preterido.

Mas a tristeza não é vocação
E mesmo com as flores já colhidas
Os bosques ainda são mui produtivos.

Numa estrada de pura e bela bênção
Vossas páginas são bem recebidas
Pelos poetas já idos e vivos.
De poetaporkedeusker a 17 de Janeiro de 2016 às 10:53
Caro Adílio,

este meu soneto, profundamente marcado por metáforas e metonímias, surgiu-me na sequência de uma expressão usada por Florbela Espanca num dos seus belíssimos sonetos; "mágicos cansaços".
De momento, fortemente pressionada por situações bem concretas, embora não me sinta nada dada a melancolias e angústias existenciais, cheguei a um estado de exaustão que exigindo-me intensa concentração e decisões graves, precisas e irreversíveis, me tornou praticamente impossível a concentração e profunda dedicação que a meta-poesia exige. Claro que é uma situação à qual se veio somar a agudização das situações de infecção que, nos últimos tempos, têm sido recorrentes e consecutivas, mas posso garantir que nada tem a ver com "dúvidas existenciais", mas sim com dividas impagáveis e bem palpáveis. Isto no que toca à minha actual incapacidade de lhe responder poeticamente, claro está, porque o soneto "De Olhos Baços" foi escrito antes do desencadear desta crise financeira e versa, como toda a meta-poesia, a explicação da poesia, em si.
Fico muito grata pelo seu Poema do Abraço e renovo o meu pedido de desculpas por não conseguir, entre tantas e tão duras solicitações da vida real, responder-lhe através de um poema.
Fraterno abraço!
De Demasiado tímido a 19 de Janeiro de 2016 às 01:36
O que me impele a escrever talvez seja uma solidão excêntrica, que me revela todo o mundo e ao mesmo tempo nada tenho na busca do que não se encontra por aqui, o verso conjunto, a mesma linguagem, o mesmo sentir ao ver as flores, o rio e talvez a vida.
Há pessoas de alto nível que cultuam a vossa poesia aqui no Brasil, notadamente em Belém do Pará e Fortaleza-CE , onde há muitos portugueses que por aqui fizeram fortuna e amor.
Conheço um jurista, jornalista e ex-senador da República brasileira que é fã de vossas poesias. Ele é um homem cultíssimo, que buscando a cultura, viu o tempo passar e hoje conta 80 anos. Tanto ele com eu cultuamos o jornalismo, o rádio e as artes.
Por oportuno, esclareço que vossa foto nesta página ostenta ares de poesia.
Meus respeitos, minha poesia e minha admiração. Certamente algum a verei em Portugal.

Adílio Belmonte,
Belém-Pará-Brasil
De poetaporkedeusker a 19 de Janeiro de 2016 às 13:44
Compreendo-o e agradeço-lhe as amáveis palavras, amigo Adílio Belmonte!
Fico, também, muito grata ao seu amigo jurista por gostar dos meus poemas! Há lá coisa mais bonita do que saber que somos lidos e apreciados, tanto no nosso próprio país, quanto além-fronteiras?

Seja o que for que desde que me conheço me compeliu a escrever - e, logo nos primeiríssimos anos de vida a criar, na oralidade, quadras que o meu avô registava em papel - , é muito forte, embora, de momento, conforme lhe disse, as circunstâncias se revelem tão adversas que não consigo mesmo escrever nada que tenha um mínimo de qualidade... espero, no entanto, não que os problemas fiquem totalmente resolvidos, o que, pela sua própria complexidade, se me afigura altamente improvável, mas que eu possa vir, com o tempo, a aprender a viver e a conviver com mais este factor gerador de insegurança... nada sei, por enquanto, senão que tanto problema e tanta carência bem concreta, não me estão a ser nada propícios à criatividade e que, infelizmente, toda a minha energia se começou a concentrar no mais básico da própria sobrevivência. Claro está que isso me entristece pois sempre senti a absoluta necessidade de me sentir útil... mas nada mais posso fazer para além de dar tempo ao tempo e esperar que tanto o meu corpo quanto a minha alma consigam responder satisfatoriamente a mais esta verdadeira avalancha de pressões e solicitações...

Um muito grato e fraterno abraço, meu amigo e companheiro de poemas!

Maria João

PS - Quanto à sua vinda a Portugal, espero que possa ter a oportunidade de visitar , junto a Lisboa, a bela e histórica vila de Oeiras, pois todas as minhas deslocações, nos últimos anos, têm sido feitas para hospitais e outras institituições de cuidados de saúde, sendo-me cada vez mais difícil deslocar-me, seja para onde for, em circunstâncias menos imperiosas, infelizmente. Terei, no entanto, muito gosto em recebê-lo na minha modestíssima residência ou num cafézinho muito próximo que tem um excelente ambiente e ao qual ainda me vou conseguindo deslocar.
De poetazarolho a 17 de Janeiro de 2016 às 11:10
Chá absoluto.
De poetaporkedeusker a 17 de Janeiro de 2016 às 12:02
... estou absolutamente engripada, ainda por cima, Poeta... mas vou ver o Chá!
De poetazarolho a 17 de Janeiro de 2016 às 11:10
O FURACÃO

Charlas ou imaginação,
A ultrapassar o decoro,
Chegaram ao desaforo
E inventaram o furacão

Nome de gente ou de cão
Com anúncio bem sonoro
Foi divulgado em coro,
Era Alex o figurão.

Dirigido aos Açores,
Violento chegaria
P´ra espalhar seus furores

Na pátria da inverdade
Qualquer reles ventania
Tem foros de tempestade.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 17 de Janeiro de 2016 às 12:01
... quem me dera sentir-me capaz de dar seguimento poético ao seu sonetilho amigo Eduardo...
A realidade bem tempestuosa que neste momento enfrento, tem mesmo foros de furacão e a primeira coisa que derrubou foi a minha pobre inspiração. Insfelizmente, no meu caso pessoal, "ainda a procissão vai no adro" e a "tempestade" vai intensificar-se e, segundo tudo indica arrastar-se por um tempo indefinido...

Muito grata por este seu belo Furacão e um fraterno abraço!

Maria João
De poetazarolho a 18 de Janeiro de 2016 às 06:52
Chá não encontra.
De poetaporkedeusker a 18 de Janeiro de 2016 às 10:48
... nem eu, Poeta, nem eu... mas vou ver o Chá!!!
De poetazarolho a 18 de Janeiro de 2016 às 23:29
“Radical livre”

Abana por dentro e fora
Abana p’los lados também
Senão o sistema piora
Devolve-te apenas desdém

Se o sistema não reagir
Radicaliza a tua acção
O sistema há-de ruir
Ou devolver compreensão

Se ainda assim ignorar
Homem bomba serás
Explode a alma de paixão

Com amor a transbordar
O sistema mudarás
Resultado dessa explosão.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 19 de Janeiro de 2016 às 13:04
Com tosse e dor de garganta,
mal podendo protestar,
tendo voz que já nem canta
por nem conseguir cantar,

Tudo, pr`a mim, se agiganta
e devo-lhe confessar
que esta impotência me espanta
e melhor fora eu calar...

Quase não me reconheço
nas ausências do que digo,
na fraqueza que me mina

E, às vezes, até me esqueço
que, do pouco que consigo,
só vem coisa pequenina...

M. João


Aqui vai, infelizmente muito pessoal e "choradinho", mas foi a única coisa que me ocorreu, Poeta... abraço grande!

De poetazarolho a 19 de Janeiro de 2016 às 06:43
Chá com pressa.
De poetaporkedeusker a 19 de Janeiro de 2016 às 10:25
Também eu, Poeta... estou com tanta pressa que só consiguirei ir ao Chá quando voltar... abri o computador e nem o deveria ter feito porque tenho de sair já... mas prometo voltar!

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