.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 9 de Março de 2017

CORAGEM...

coragem.jpg

 

(Soneto em verso hendecassilábico)

 

Coragem? Que é dela se, manipulada,

Me sinto sondada, moldada, invadida

No que à minha vida concerne e, num nada,

Me vejo humilhada, presa e sem saída?

 

Calo a voz dorida, e assim, controlada,

Em vez de indomada carne aberta em f`rida,

Desisto, vencida qual chama apagada,

Da que foi gerada nos pastos da vida...

 

Esta, de sumida, soa-me abafada,

Ou desafinada e é triste e vencida

Que mal é ouvida quando amordaçada

 

Por mão precavida. Solto-a sussurrada,

Em vez de, exaltada, protestar esvaída

Na força antes tida e ora feita em nada...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 09.03.2017 - 16.13h

 

Imagem retirada do Google

 

publicado por poetaporkedeusker às 16:23
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13 comentários:
De fashion a 9 de Março de 2017 às 18:20
Que a força nunca lhe falte para continuar a escrever tão lindos poemas.
De poetaporkedeusker a 9 de Março de 2017 às 18:25
Obrigada, Fashion!

Estarei aí dentro de minutos!
De fashion a 9 de Março de 2017 às 18:30
De poetaporkedeusker a 9 de Março de 2017 às 19:01
De poetazarolho a 9 de Março de 2017 às 22:18
“Origens”

Ontem, hoje e amanhã
E também o vice-versa
Pois a origem não é vã
Embora esteja dispersa

É necessário lá voltar
Para reunir cada bocado
E só então interpretar
As memórias do passado

Amanhã, hoje e ontem
E o vice-versa também
Representa o regresso

A futuros que apontem
O caminho que contém
Na origem o recomeço.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 10 de Março de 2017 às 08:01
Voltarei mais logo, Poeta! Tenho de me ir arranjar para ir a uma consulta.
Outro abraço.
De poetaporkedeusker a 10 de Março de 2017 às 14:17
ORIGEM

Não está dipersa, de origem;
Ela própria é dispersão
E é nas coisas que a restringem
Que vai pulsando, em expansão...

Nada sei, mas se me exigem,
Desse nada, uma porção,
Esqueço as coisas que me afligem
E assumo esta opinião...

Bem sei que não é prudente,
Dá-la, assim, pouco sabendo,
Mas também há quem invente,

E, eu, nem isso estou fazendo...
Mostro só que estou presente,
Que vou, ainda, aprendendo...


Maria João

Cá vai, conforme prometido, com o abraço de sempre, Poeta!


De poetazarolho a 10 de Março de 2017 às 03:15
“Momentos”

Na eternidade, um segundo
Um ponto, na infinitude
Justapõem a este mundo
A origem da amplitude

Que espraia no horizonte
Um desejo de afirmação
No início era uma fonte
P’ra se tornar um vulcão

Mas eterno nunca será
Pois até a eternidade
Um dia se extinguirá

Por perder a mocidade,
E depois o que virá?
Por certo a realidade.
De poetaporkedeusker a 10 de Março de 2017 às 07:57
NESTE MOMENTO...

Poeta, vou ter consulta
E terei de me arranjar...
Pode crer que "pago multa"
Se à consulta não chegar...

Meu coração nada exulta
Neste ir e vir sem parar,
Mas quero ver se resulta
E não me posso atrasar...

É esta a realidade
Deste meu pequeno instante
E sobre a eternidade

Falaremos adiante
Porque agora é, de verdade,
Um momento algo "stressante"

Maria João

Bom dia, Poeta! Hoje tenho mesmo consulta e apenas terei tempo para responder-lhe "a correr" e tentar ver os meus mails. Ainda não estou arranjada e impõe-se-me que o faça sempre lentamente...

Abraço grande!
De Chic'Ana a 10 de Março de 2017 às 16:14
Muito bonito! =)
Beijinhos
De poetaporkedeusker a 10 de Março de 2017 às 16:41
Obrigada, Chic`Ana.

Beijinhos.
De poetazarolho a 10 de Março de 2017 às 23:29
“Mar de existência”

Não me encontras em mim
Nem vale a pena procurar
Mas isso não é o fim
Fui apenas ver o mar

E fora de mim por fim
Procuro sem encontrar
A existência e assim
Não me posso justificar

Nem lembro donde provim
Estou apenas a contemplar
Era o mar, mas agora não

Torna-se claro o frenesim
Volto em mim a despertar
Retorna a mim a razão.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 11 de Março de 2017 às 05:40
O MAR DA CRIATIVIDADE

Nesse Mar, encontro a vida,
Mesmo sem a procurar;
A que nele está contida
E a que engendro ao navegar...

Se a metáfora é traída,
Fica o Mar por encontrar
E, em vez do cais da partida,
Vejo a vida a naufragar

E em vez da vela estendida
Ao vento que há-de soprar,
Fica-me a Barca rendida,

Já nem sei onde a ancorar;
Junto das rochas, escondida,
Ou lá longe, em alto mar?

Maria João

Bom dia, Poeta. Aqui vai o sonetilho que me ocorreu, após a leitura do seu.

Bom fim de semana e o abraço de sempre.


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