.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 20 de Julho de 2015

CONVOCATÓRIA (Adiando tanto quanto puder)

521_5345_771.jpg

(Soneto em decassílabo heróico)

 

Convoco-te, poema, em cada verso,
em cada estrofe enquanto não tecida,
em cada afirmação, no seu reverso,
no sopro que conduz do verbo à vida,

 

E sempre que comigo, em mim disperso,
te encontro e vou moldando já rendida,
perder-te-ei depois, depressa imerso
num mar cuja maré me traz perdida,

 

Mas essa sensação de, em tempo adverso,
estar presa, acorrentada e sem saída
num beco já distante e bem diverso,

 

Quando olhada de frente, foi vencida
no desdobrar final deste universo
que em versos multiplico, dividida...

 

 

Maria João Brito de Sousa – 20.07.2015 – 14.34h

publicado por poetaporkedeusker às 16:08
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19 comentários:
De poetazarolho a 21 de Julho de 2015 às 21:30
Gostei. Aplauso !
De poetaporkedeusker a 21 de Julho de 2015 às 22:10
Obrigada, Poeta!
Vi algumas fotografias das vossas mini-férias! Devem ter sido muito, muito boas, embora curtinhas...

Abraço para todos vós!
De poetazarolho a 23 de Julho de 2015 às 02:11
Curtinhas e cansativas, mas é um cansaço diferente.
De poetaporkedeusker a 23 de Julho de 2015 às 11:41
É um cansaço bom, Poeta!
De poetazarolho a 21 de Julho de 2015 às 21:30
“Antros”

Os bares estão cheios
Com vidas esvaziadas
Nas mãos copos meios
Almas meio encharcadas

São imunes aos receios
Das almas mais avisadas
Muito dadas a devaneios
Quais irmãs esquartejadas

Pelas lanças em torneios
Onde a vida não vale nada
Onde a rainha é a morte

Onde se tocam os seios
Não os da pessoa amada
Mas os que calham em sorte.
De poetaporkedeusker a 21 de Julho de 2015 às 22:25
Dura e negra realidade,
Essa de que aqui falou
No poema que enviou
E a que respondo; É verdade!

Nunca tive a veleidade
De pensar que ela passou
Pois foi um mal que abarcou
Toda inteira, a sociedade,

Crendo, porém, nos humanos,
Penso que, ao longo dos anos,
Venha a ser coisa passada,

Como avaria nos "canos"
Que passou deixando danos,
Mas foi, de vez, consertada...

Maria João

Cá vai, Poeta, renovando o abraço que deixei na minha resposta anterior!

De poetazarolho a 21 de Julho de 2015 às 23:43
“Lobos e cordeiros”

Entre os lobos ferozes
Cordeirinho sem medo
Escutas as suas vozes
Mantem-se em segredo

Os lobos são poderosos
Predadores por natureza
Outros animais receosos
Não querem ser sua presa

Não parece justificável
Este desequilíbrio atroz
Que torna tudo imundo

É um equilíbrio instável
Onde o animal mais feroz
É o que governa o mundo.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 22 de Julho de 2015 às 09:44
É-me difícil, por vezes,
fazer tais comparações
mesmo quando anos e meses
me of`receram mil razões

Pr`a, nos lobos, ver vilões
e, nos homens, meras rezes,
mas, forçando as deduções,
vejo que os grandes burgueses,

Preenchendo as condições,
abocanham camponeses
e predam populações

Mostrando enormes "dentões"...
(desses tão duros revezes,
nascem tais associações...)

Maria João

Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!


De poetaporkedeusker a 22 de Julho de 2015 às 09:45
É-me difícil, por vezes,
fazer tais comparações
mesmo quando anos e meses
me of`receram mil razões

Pr`a, nos lobos, ver vilões
e, nos homens, meras rezes,
mas, forçando as deduções,
vejo que os grandes burgueses,

Preenchendo as condições,
abocanham camponeses
e predam populações

Mostrando enormes "dentões"...
(desses tão duros revezes,
nascem tais associações...)

Maria João

Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!
De heretico a 22 de Julho de 2015 às 21:59
há pessoas assim - que multiplicam tudo o que tocam...

excelente soneto. como é teu timbre.

beijo
De poetaporkedeusker a 22 de Julho de 2015 às 22:36
Timbre! Também o timbre é importantíssimo nos sonetos, mas refiro-me a timbre sonoro ou musical! Obrigada por mo recordares, embora com outro sentido, por me leres e pelas palavras que aqui me deixas, Heretico!

Beijo!
De poetazarolho a 23 de Julho de 2015 às 02:10
“Fui à selva”

Fui à selva dos animais
Não me senti insegura
Voltei às selvas reais
E a insegurança perdura

No mundo que habitamos
Minado pela corrupção
Talvez um dia vejamos
A selva em unificação

Até lá havemos de resistir
À morte que nos rodeia
Pois conservamos a esperança

Que não nos deixa desistir
Quando a mente nos alheia
P’ra não assistir à matança.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 23 de Julho de 2015 às 12:09
Ele há selvas fascinantes
onde a vida mais selvagem,
cresce entre árvores gigantes
e onde os rios nem têm margem...

Onde, a todos os instantes,
se descobre uma mensagem
que vem dos seus habitantes
e é de medo... e de coragem!

Porém, nas selvas urbanas
que dizem civilizadas,
crescem coisas desumanas;

São selvas urbanizadas
que se vão tornando insanas
e, uma a uma, escravizadas...

Maria João


Aqui vai, Poeta, como sempre fluindo da primeira ideia que me tenha ocorrido. Abraço grande!
De poetazarolho a 24 de Julho de 2015 às 06:36
“Cardume”

Volta sempre à origem
Pois aí vais reencontrar
Algo que não é virgem
Mas por certo vai ajudar

Conhecimento ancestral
E o caminho revelador
Do espírito fundamental
Que te fará um vencedor

Na luta p’la verticalidade
Criando profundas raízes
Tendo a mente bem desperta

Na busca p´la humildade
Onde não existam juízes
Mas um corpo sempre alerta.
De poetaporkedeusker a 24 de Julho de 2015 às 10:11
Do corpo, que trago alerta,
Me nasce a necessidade
De ir mantendo a porta aberta
Para uma nova verdade

Que acordará mais desperta,
Nunca forjando humildade
Porque a tem, mais do que certa
Onde conquiste igualdade,

No cardume em que, encoberta,
Pugna pela liberdade,
Em que cresce e se concerta

E derrota o que lhe invade
O fruto da descoberta
Dessa nova humanidade

Maria João

Segue, Poeta, com o abraço de sempre!





De ADÍLIO BELMONTE a 25 de Julho de 2015 às 16:28
Amiga,

Mesmo vindo d'além mar esses versos me tocam
como o vento que balouça os braços da árvore frondosa.
Saiba que a alma-poeta que reside em vós é bem maior do que qualquer contratempo terreno. E o vento quando soprar sobre a fronte do homem mostrará que sois uma grande artista, bem superior aos louvores materiais.
Vossos versos ensinam, fazem-nos refletir, sonhar, viver a poesia e nos inspiram, se não, vejamos:

ÁGUAS ETERNAS

As águas divididas dos meus sonhos
São os incertos mundos que vivemos,
Em nossos pesadelos bem tristonhos
Ao pensamos que já aqui morremos.

Mas o sol deita o brilhar cristalino
Sobre todos os santos e os impuros,
E me faz dessa vida um paladino
À vista do Pai eterno e intramuros.

Na sedenta desgraça não aposto,
Pois tenho as luminárias eternas,
Todas elas brilhantes no meu rosto.

Deus c’a mão infinita ora me toca
Como a chuva profunda banha o solo,
Por certo bendizendo a quem o invoca.

Adílio Belmonte,
Belém-Pará-BRASIL


De poetaporkedeusker a 26 de Julho de 2015 às 10:57
Desta lado do Atlântico lhe envio a expressão da minha gratidão pelas suas palavras e pelo bonito soneto que aqui me deixa, Adílio!

É e será sempre muito bem-vindo a este espaço /livro em cujas páginas vou deixando os meus sonetos!

O meu fraterno abraço!
De poetazarolho a 27 de Julho de 2015 às 07:05
Sonhos do chá.
De poetaporkedeusker a 27 de Julho de 2015 às 17:39
Vou ter de sair de novo, Poeta, mas... vou ver os sonhos do Chá!

(A Cloud deixou de me permitir o upload de imagem...)

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