.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 12 de Novembro de 2016

CONVERSANDO COM O POETA JOSÉ MANUEL CABRITA NEVES III

EU FUI....jpg


EU FUI O SONHO

Eu fui a ave desbravando o espaço,
Eu fui o grito ecoando ao vento,
Eu fui o mar sereno e o violento,
Eu fui o beijo, o afago e o abraço!

Eu fui a eternidade e o momento,
Eu fui a caminhada passo a passo,
Eu fui a resistência e o cansaço,
Eu fui o desalento e o alento…

Eu fui a meta e ponto de partida,
Eu fui a paz e a raiva enfurecida,
Eu fui o horizonte da verdade!

Eu fui o amanhã da ilusão,
Eu fui o sonho desta geração,
Eu fui Democracia e Liberdade!...


José Manuel Cabrita Neves

 

 

EU FUI...

 

Eu fui a noite, quando o sol raiava,

Eu fui a cama de um quarto de lua,

Eu fui a pedra solta de uma rua,

Eu fui , em simultâneo, altiva e escrava...

 

Eu fui esta torrente que me estua,

Eu fui este estuário em que me olhava,

Eu fui, do sol, a nuvem que o tapava,

Eu fui a que se veste e fica nua...

 

Eu fui ninguém, quando era toda a gente,

Eu fui, de estranha forma, omnipresente,

Eu fui todos os versos que engendrei!

 

Eu fui opaca, enquanto transparente,

Eu fui pedra, papoila, água corrente...

Eu fui exactamente o que sonhei!

 

 

Maria João Brito de Sousa - 11.11.2016 - 16.27h

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 19:05
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12 comentários:
De poetazarolho a 13 de Novembro de 2016 às 11:59
“Ghost makers”

Land of dreams
Land of ghosts
If I know ghost makers
Yes I do
Ghosts to be made
I know too
And personal ones
I have a few.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 13 de Novembro de 2016 às 12:24


Ghost hostess...

Lucky you! I`ve never seen
One of those in my whole life...
Only in the little screen;
Created, but not alive...

But I have imagination...
Creating one of my own,
Maybe I keep a creation
Of little Casper... at home.

Or - I hope... - you lend me some
Of your own created ghosts
And I might talk to that one...

This house is a place that hosts
Every ghost that from you come
Since it writes and since it posts...


Maria João


Aqui vai, com o mais fantasmagórico dos meus abraços, Poeta!
De poetazarolho a 13 de Novembro de 2016 às 17:04
“Fantasmeiros”

Terra de sonhos
Fértil em fantasmas
Se conheço os fantasmeiros
De gingeira certamente
E a linha de produção
Seguindo sempre em frente
E fantasmas de estimação
Povoam a minha mente.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 13 de Novembro de 2016 às 17:21
Gasparzinho


Havendo caça- fantasmas,
Há, também, seus criadores,
Fabricantes de ectoplasmas
E outros tantos sonhadores

Que podem ser "fantasmeiros",
Se assim lhes quiser chamar,
Que del`s cuidam prazenteiros,
Como estou a constatar...

Eu é que os não sei criar
E não tendo a vocação,
Não tem graça "fantasmar"

Fantasmas de estimação...
Gosto, porém, do Gaspar
Porque o vi na t`levisão.


Maria João

Segue com outro fantasmagórico abraço, Poeta!
De batista_oliveira a 13 de Novembro de 2016 às 17:36
Com a devida vénia, pela intromissão,


Também eu...eu fui

Eu fui uma ribeira de águas mansas,
Eu fui lareira acesa no inverno,
Eu fui louco profeta de amor eterno,
Eu fui desiludido de esperanças.

Eu fui um sonhador no lago Averno,
Eu fui pai de menina das mil tranças,
Eu fui herói real noutras andanças,
Eu fui outrora o homem das cavernas.

Eu fui a chave certa da ilusão,
Eu fui artéria aorta e coração,
Eu fui o sal que a água não dilui.

Eu fui a soledade e a mansidão,
Eu fui a noite exata a escuridão,
Eu fui também...oh!... tantas coisas fui!...

(batista_oliveira - 13-11-16)
De batista_oliveira a 14 de Novembro de 2016 às 12:02
Caríssima Maria João, as minhas desculpas, mas só hoje reparei que copiei (de cima do joelho) mal o terceiro verso da primeira quadra que deverá ser "Eu fui terno cultor de amor eterno" e não "Eu fui louco profeta de amor eterno".
Peço desculpas mais uma vez pelo engano na cópia e acima de tudo pelo incómodo causado.
Atenciosamente grato, batista_oliveira
De poetaporkedeusker a 14 de Novembro de 2016 às 12:07
Não tem nada que pedir-me desculpa, amigo Batista Oliveira, mas agradeço-lhe muito por me ter alertado para o pequeno lapso;

"Eu fui terno cultor de amor eterno" é sem dúvida muito, muito mais melódico! A sonoridade -métrica - é perfeita!!!

Muito grata!

Maria João
De poetaporkedeusker a 14 de Novembro de 2016 às 12:11
E, com a devida correcção do terceiro verso, é um soberbo soneto, este seu TAMBÉM EU FUI...
Mais uma vez lhe fico muitíssimo grata por mo ter dado a conhecer!

O meu fraterno abraço!

Maria João
De poetazarolho a 13 de Novembro de 2016 às 19:36
“Two horses”

I see two horses
But I don’t feel them
Like it was supposed to
I take a look around
And see only empty space
I start thinking, and thinking
The two horses vanish
My brain doesn't answer me.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 13 de Novembro de 2016 às 21:39
I see no horses at all,
Unless I imagine those
That you mentioned in recall...
But I saw it cause I chose!

Imagination, sometimes,
Plays the part that reason should
Play in our human minds...
I`d think more, if I just could...

I don`t what I should tell you,
So I`m just beeing myself;
Tell you nothing but my truth!

Maybe your mnd chose too see
Horses running by themselves,
It never happened to me....

Maria João

Cá vai, Poeta, com outro abraço!
De poetazarolho a 13 de Novembro de 2016 às 22:03
“A galope”

Dois cavalos no horizonte
Sem que os sinta de facto
Como seria esperado
Procuro à minha volta
Encontro apenas vazio
Detenho-me a pensar
Os cavalos não estão lá
Cérebro está a galopar.

Zé da ponte
De poetaporkedeusker a 13 de Novembro de 2016 às 22:24
Ahhh! Esses também eu sinto
Quando escrevo um bom poema!
Poeta, eu nunca lhe minto;
Nunca foi nenhum problema!

É só uma alegoria
Ao compasso do que escrevo!
Galopam com energia
E controlá-los não devo,

Pois vão com tanta alegria
Nesse galope primevo
Que seria uma arrelia

Não vê-los correrno trevo...
Ah, tudo se perderia
E acaba-seeste enlevo...

Maria João

Outro abraço,Poeta!!!

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