.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 31 de Outubro de 2015

CALAR PALAVRAS...

CD.jpg

 

Calar quando as palavras se me adentram

E me correm nas veias galopando,

Calar quando, ind` além do que comando,

Sou razão das razões que elas concentram

 

Se, nunca me bastando, mais me tentam

E mais me justificam se, cantando,

Nos dedos que são meus, frutificando,

Me crescem, me revelam, me sustentam...

 

Como calar-me, então, sem ser calada,

Mesmo por força bem intencionada,

Por falta de que sei estar inocente?

 

Como tornar-me, então, neutra, indif`rente

E reduzir-me, em vida, a quase nada,

Antes de assim sentir-me amordaçada?

 

Maria João Brito de Sousa - 28.10.2015 - 21.06h

 

Gravura de Cipriano Dourado

 

publicado por poetaporkedeusker às 13:29
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48 comentários:
De poetazarolho a 1 de Novembro de 2015 às 10:02
Chá não gira.
De poetaporkedeusker a 1 de Novembro de 2015 às 10:40
... nem o meu cursor, Poeta! Já o ecrã, flutua que é uma maravilha, parece um pneu a derrapar em estrada molhada... mas vou ver se chego lá!
De poetazarolho a 1 de Novembro de 2015 às 18:36
“Caminharei”

Não pode parar, caminhará
Parte cedo, a cada instante
Não porque seja importante
Um dia, alguém o seguirá

Sempre sentiremos cá
Seu espírito entusiasmante
Mesmo estando distante
Corrente não se quebrará

Pode nunca ser escutado
No seu modo de falar
Mas palavra é dom divino

Muito além do nosso fado
O importante é caminhar
Já que partir é o destino.
De poetaporkedeusker a 1 de Novembro de 2015 às 18:58
Ah, pode lá descansar
quem tanto tem pr`a fazer
que a certeza de parar
só lhe vem quando morrer?

Pode lá abandonar,
quem se "esfalfa" por viver,
este ensejo de lutar
E esta vontade de "ser"?

Se partirmos da certeza
de que adiando a partida
se produz maior riqueza,

Cada horinha desta vida
ganha, em força e natureza
sem jamais tombar vencida...

Maria João


Mais algumas acrobacias informáticas e ... parece que vou conseguir enviar-lhe mais um sonetilho e mais um abraço grande!

De poetazarolho a 2 de Novembro de 2015 às 06:58
Pouco chá.
De poetaporkedeusker a 3 de Novembro de 2015 às 10:45
Vou ver se lá chego, Poeta!
De poetazarolho a 2 de Novembro de 2015 às 23:00
“Olha o robot”

O trabalho absorveu
Todo o meu imenso ser
Logo a mente adoeceu
Trabalho para esquecer

Felizmente a psicologia
Desenvolveu a equação
Mas logo a economia
Disse não ter solução

Pra sanar a dicotomia
Logo a medicina atestou
Dá saúde o trabalhar

Se a cabeça se avaria
Passo a ser um robot
Trabalho sem descansar.
De poetaporkedeusker a 3 de Novembro de 2015 às 10:42
Quem trabalha a poesia,
Não produz por produzir
E deve dar primazia
Ao projecto "evoluir",

Sei, porém, que a maioria,
Não pensando em progredir,
Não trabalha a melodia
Porque a não consegue "ouvir"...

Quanto ao trabalho, em geral,
Submetido a tais pressões,
Faz, decerto, muito mal,

Mas decretam, os patrões,
Que encontra o Santo Graal
Quem acumula uns tostões...

Maria João

Poeta, sempre consegui responder, mas não estou mesmo nada bem. Ou melhor, eu não estou bem e o computador continua meio desconfigurado, com um ecrã "flutuante" e um cursor que, sem rato, mal se move... tentarei levar-lhe este sonetilho, mas não posso prometer nada... forte abraço!
De poetazarolho a 3 de Novembro de 2015 às 22:21
“Tempo que não resta”

O avião pousa no chão
Com almas despedaçadas
Arca de vidas estilhaçadas
Mas já não era avião

As palavras espalhadas
Não espelham a situação
De infinita consternação,
Caixas negras encontradas

Não trazem a explicação
Para estas vidas roubadas
Eram como flores plantadas

Numa imensa plantação
De esperança polvilhadas
E porquê assim ceifadas?
De poetaporkedeusker a 4 de Novembro de 2015 às 15:34
Poeta, hoje faço anos,
mas de tão mal que vou estando,
nem sequer penso em tais danos...
Não estou - juro! - aguentando!

Pr`a tentar manter-me viva,
apesar desta infecção
que de tal forma me priva
de força e concentração,

Devo parar, por momentos,
e concentrar-me em viver...
Se fraquejo; adeus lamentos,

Adeus , poeta-mulher,
adeus versos e talentos
que eu nem sei que mais fazer...


Maria João


Fisicamente infectada - há demasiado tempo que estou a esgotar-me neste braço-de -ferro com a Klebsiela - e com o computador tão louco que parece ter contraído "epilepsia-informática", tenho mesmo de moderar a minha velocidade Poeta...

Abraço grande!

De poetazarolho a 4 de Novembro de 2015 às 06:39
Chá queimado.
De poetaporkedeusker a 4 de Novembro de 2015 às 14:07
... já me aconteceu queimar o pucarinho do chá, já poeta...
De poetazarolho a 4 de Novembro de 2015 às 23:47
“Cenários”

Para melhor se mudará
Quando se bate no fundo
Ou pelo menos esse será
O desejo mais profundo

A saída se encontrará
Pra regressar ao mundo
Química permanecerá
Nesse teu ser fecundo

Uma reacção produzirá
Empurrando o imundo
Para um plano secundário

Magia do ser sobressairá
Digo-to e não te confundo
Pois já vivi um tal cenário.
De poetaporkedeusker a 5 de Novembro de 2015 às 11:16
Cenários não mudarão
Se nunca os mudarmos nós...
Será sempre a nossa mão
E também a nossa voz

A mudar a situação
- por muito que seja atroz... -
Para uma outra encenação,
Mas nunca o faremos sós...

Haja, então, força e vontade
Pr`a mudar... mudando a sério,
Não por simples veleidade!

A mudança é desidério
Não de gente que se evade,
Nem de algum estranho mistério...

M. João


Aqui vai... e eu já no limite das minhas poucas forças para continuar a fazer braço-de-ferro com este computador instável... abraço grande, Poeta!
De poetazarolho a 5 de Novembro de 2015 às 06:43
Chá é.
De poetaporkedeusker a 5 de Novembro de 2015 às 11:46
Vou ver, Poeta!
De poetazarolho a 5 de Novembro de 2015 às 23:58
“Cansado”

Novo dia amanheceu
À sombra da azinheira
Mas o sol não apareceu
Foi imensa a canseira

Pois logo me ocorreu
Procurar uma clareira
Onde pudesse ver o céu
Durante a manhã inteira

Mas o meu ser adormeceu
À sombra, sem sol na eira
Um pedaço assim se passou

Em que o sonho se deu
Acordei cansado sobremaneira
Porque este sonho me cansou.
De poetaporkedeusker a 6 de Novembro de 2015 às 18:27
Quem dera que fosse um sonho
O que agora me acontece
Ou que sendo assim, medonho,
Não fosse quanto parece...

Quando o termómetro ponho,
Sobe, sobe e tanto aquece
Que fica o corpo tristonho
E a razão nem me esclarece....

Isto é pr`a justificar
Este atraso imperdoável
E este versejo ao mal-estar

Pois mesmo estando "imprestável"
Gosto de me desculpar
E tentar manter-me amável...


Mª João


Desculpe, Poeta! O dia não foi nada fácil para mim e nem sequer me sinto em condições de versejar... lá me saiu este sonetilho,meio marteladito, nem sei como pois estou mesmo febril...

Abraço grande!




De poetazarolho a 5 de Novembro de 2015 às 23:59
A MINHA NOTAÇÂO

Há pr´aí umas agências
Que notam, mas notam mal,
O que são as apetências
Do guloso capital.

Desdenham para comprar
O que sabem ter valor
Avaliam ao sabor
De quem manda avaliar.

E tal como os espelhos
Trocam direita e esquerda
Reflectindo ilusões


E a quem se põe de joelhos
Chamam lixo, eles são merda
Como as suas notações.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 6 de Novembro de 2015 às 09:24
Por muito que eu procurasse,
Não poderia encontrar
Coisa que as adjectivasse
Melhor. ... fica-lhe a matar!

Reafirmo; se eu tentasse,
Realmente adjectivar
E se acaso não falhasse,
Tarde ou cedo iria dar

Ao mesmo termo. Que impasse!
Nem sei como confessar
Que se um outro termo usasse

Decerto iria falhar...
Merda são... e, se o calasse,
Muito estaria a calar...


Maria João


Estando de saida para tentar dar os passos correctos no sentido da erradicação, não das ditas agências de notação - a tanto não chego... - mas da bacteriazinha multirresistente, deixo-lhe um sonetilho feito à pressa, Eduardo.
Muito obrigada por este seu sonetilho que tão bem adjectiva as ditas agências. Forte abraço.


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