.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 5 de Dezembro de 2015

A SINTAXE DO ADRO...

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TRAGICOMÉDIA, NUM ÚNICO SONETO EM DECASSÍLABO HERÓICO

(...infelizmente muito real...)

 

 

Agora é que começa o vislumbrado

Do acto derradeiro, a apoteose

Que culmina no mais que anunciado

Momento de curvar-me em grata pose,

 

Na mira de alcançar a parca dose

Dessoutro bem maior que, a chão firmado,

Permitirá que suba... desde que ouse

Negar, da Língua-mãe, génio e legado...

 

- "E qual das variáveis negarás?",

Indaga-me um leitor, já sonolento...

- "A todas achincalham! Tanto faz

 

Que a uma ou outra escolha! Ah, desalento,

Que assim me matas, pois não tentarás

Quem da língua (bem) escrita herdou sustento!!!"

 

 

Maria João Brito de Sousa - 05.12.2015 -14.23h

 

 

PS - Não li o "famoso" romance, nem vi o filme. Nunca.

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 15:03
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13 comentários:
De poetazarolho a 6 de Dezembro de 2015 às 20:47
OS MONSTROS

Enormes e maus, também,
Tenho-os visto, ultimamente,
Sempre a arreganhar o dente
e a morder na própria mãe.

Alguns fingem ar decente
Com sorrisos de desdém,
Sempre a pensar que ninguém
Detém razão que os enfrente!

E no seu bazar imundo
a emitir rugidos roucos
pensam que mandam no mundo…

Emproados, os farsantes
Têm pensamentos ocos
E desprezam os semelhantes.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 7 de Dezembro de 2015 às 10:47
Muito grata pelo seu sonetilho, amigo Eduardo.

Estou muito longe de me sentir em condições de retomar estas rotinas das publicações, visitas, leituras e partilhas nas diferentes plataformas em que tenho interagido e nem sequer posso prever se alguma vez voltarei a reuni-las, mas... a verdade é que ainda me ocorreu este sonetilho muito ligeiro que aqui lhe deixo;

MONSTROS, MOSTRENGOS, MONSTRINHOS...

Monstros, mostrengos, monstrinhos,
já os vi, mas sempre humanos
com espingardas de chumbinhos
ou escopetas de dois canos

E se alguns são só tolinhos,
outros vão causando danos
pois são palermas-daninhos
que disso vão estando ufanos,

Mas... mostrengos "de verdade",
por muito que imaginá-los
fosse da minha vontade,

Nunca os vi porque, sonhá-los,
se o fiz na mais tenra idade,
logo pude ultrapassá-los...

Maria João

Deixo-lhe o meu sempre grato abraço e peço antecipadamente desculpas caso a situação se agrave - porque vai mesmo agravar-se... - e eu nem sequer um sonetilho conseguir fazer nascer desta negra, negra perspectiva de futuro pessoal.
De ADÍLIO BELMONTE a 6 de Dezembro de 2015 às 22:06
Cara amiga,
Sua poesia encanta, contagia e inspira.
Lendo e sentido seus versos sinto-me poeta, como podes ver:


MINHA LÍNGUA



Ó impoluta língua portuguesa,

Alimento forte da minha alma!

Reconheço-te como a baronesa,

Que agora me seduz e sempre acalma.



Guardas em ti os maiores dos tesouros,

Celeiro de alegrias e tristezas,

Que seduziu até o poeta antimouros

Com os teus nobres dotes e belezas.



Como te adoro dádiva divina,

Consolo de todos os trovadores,

Mulher que faz sofrer e a mim encanta!



Instrumento que nunca desafina,

Fonte de alegrias e dissabores,

É no teu tom que toda a pátria canta!
De poetaporkedeusker a 7 de Dezembro de 2015 às 14:35
Muito grata, pelo seu soneto, meu amigo Adílio!

De momento não estou bem... nem sequer pensei em responder a a lguns dos vossos comentários... talvez nem sequer previsse que iria responder a um único, dadas as circunstâncias em que me encontro, mas... olhe, o tema levou-me até este soneto de tripla coda que aqui lhe deixo. O meu abraço poético!

LÍNGUA-MÃE
(Soneto de tripla coda, ou estrambote, em decassílabo heróico)


Ó Língua-mãe que em versos decantada
te encheste das riquezas e venturas
que fazem, do soneto, a depurada
canção que Camões trouxe das alturas

E que ao mundo legou, porque espalhada
por terras de outros povos; se perduras,
mesmo que por interesses deturpada
e desse "AO" sofrendo as vis torturas,

Vives ainda e, sempre reforçada,
vais resistindo à sordidez de usuras,
pois se és, por cada povo, acrescentada,

Naturalmente, mudarão estruturas;
na sintaxe serás modificada
segundo ambiências de outras conjunturas,

Nunca onde, desde início, estás plantada,
semente, raiz, tronco e mais nervuras,
serás - por estupidez! - violentada,

Nem pela mão de insanas criaturas
terás de ajoelhar-te e ser grafada
segundo as tramas das caricaturas;

Aos outros caberá ter-te moldada!
Português que te imprima outras texturas,
não te ama, nem conhece, mesmo nada!


Maria João Brito de Sousa - 07.12.2015 -14.12h

De poetazarolho a 7 de Dezembro de 2015 às 06:50
Chá respira.
De poetazarolho a 9 de Dezembro de 2015 às 06:36
Chá foge.
De poetaporkedeusker a 9 de Dezembro de 2015 às 10:52
... o Chá foge e eu continuo em estado de "suspensão"... mas vou vê-lo.
De poetazarolho a 9 de Dezembro de 2015 às 23:12
“Essência”

Humanidade acorrentada
Sem possuir visão global
Não pôde ser preservada
O egoísmo foi-lhe letal

Depressa foi esmagada
Pela visão individual
Uma célula foi afastada
Desse destino fatal

Iniciou uma caminhada
De regresso ao essencial
Cedo tomou consciência

Que a essência é o nada
Donde tudo pode afinal
Brotar pleno de essência.
De poetaporkedeusker a 10 de Dezembro de 2015 às 13:42
Poeta, não me parece
que o mundo vá terminar
só porque agora estremece
e já começa a abanar...

Tudo o que agora acontece,
reconheço, irá mudar
o que agora se conhece
e que pouco irá durar,

Mas não creio que comece,
todo inteiro, a desabar
quando a vida prevalece

Em todo e qualquer lugar
e, em essência, me merece
o esforço de acreditar...

Maria João


Aqui vai , Poeta, com o abraço de sempre!

De poetazarolho a 10 de Dezembro de 2015 às 06:29
Chá escapou.
De poetaporkedeusker a 10 de Dezembro de 2015 às 12:55
Poeta, continuo menos bem, como é natural, uma vez que há limites para tudo e a minha persistência em nadar contra a maré, me tem vindo a exigir um esforço físico e mental que, de momento, deixei de estar em condições de despender.... até porque a "corrente" subitamente cresceu e, ali em frente, a poucos - muito poucos.. - "metros" de distância, desagua numa gigantesca queda-de-água absolutamente impossível de enfrentar.
Claro está que toda esta linguagem é metfórica, mas traduz perfeitamente a dimensão do que está a ocorrer. .. e tradu-lo sem qualquer tipo de dramatização ou exageros, acredite.
De qualquer forma, vou ainda tentar saudar o Chá.!
De poetazarolho a 10 de Dezembro de 2015 às 23:22
“Que natal”

Que natal
Se fôr global
Que natal
Ser fôr local
Que natal
Existe o mal
Renascermos
É fundamental.

Zé da Ponte
De poetaporkedeusker a 11 de Dezembro de 2015 às 15:28
Que Natal?
Fazendo coro
pergunto de modo igual,
fará do Natal vindouro
um tempo mais fraternal?

Maria João

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